Category Archives: {#2020.Setembro}

{#254.113.2020}

Demasiado cansada. Sem outra explicação que não as noites novamente mal dormidas. Interrompidas a meio sabe-se lá por que motivo.

A precisar de voltar a engrenar o sono, sem saber como fazê-lo. Resta-me acreditar que vai melhorar novamente.

{#253.114.2020}

Não sei se estou preparada para o Outono que está a chegar. E o Inverno que vem logo a seguir. E muito menos estou preparada para um novo cenário de confinamento forçado que, dizem por aí, vai voltar.

Não me custa trabalhar em casa. Custa-me, isso sim, não sair do meu bairro. Obrigo-me todos os dias a sair de casa um bocadinho para desentorpecer as pernas, apanhar ar, beber o meu café. Mas não me chega.

Vai ter que continuar a chegar. Nada vai mudar tão cedo e a tendência é para piorar.

Preciso de encontrar mecanismos para reagir a isto de forma mais positiva.

E, no meio de tudo isto, o medo de voltar a cair num cenário mais negro. Não é difícil acontecer.

{#252.115.2020}

Resiliência. Capacidade de adaptação. Resistência.

E uma saudade doida.

Vai passar. Vai melhorar. Tudo passa um dia. Tudo melhora.

Até lá vou voando em asas de libelinha. Tão frágeis. Mas tão fortes.

Como eu.

{#251.116.2020}

Apetece-me música, um copo de vinho e conversar sem horário para terminar.

Faz-me lembrar outros tempos, mas essa Eu desse tempo já não existe. Talvez também por isso essa vontade que tenho agora não vá passar disso mesmo: apenas uma vontade.

Em vez de procurar o que me apetece, fico quieta no meu canto. Pode ser que passe. E é bom que passe. Os novos tempos não permitem aventuras.

{#250.117.2020}

O silêncio. O silêncio é o que mais me custa. Ao contrário dos pequenos nadas, que mais não são do isso mesmo, nadas, o silêncio é um grande tudo. Diz tudo o que eu não queria ouvir.

But it is what it is. Nada a fazer a não ser erguer o olhar e seguir caminho. Em frente, sempre. Por muito que o silêncio incomode.

{#249.118.2020}

A precisar, muito, de um colo. Por nada? Não. Tenho motivos. Não me apetece falar deles.

Também posso sentir-me um pouco carente de vez em quando.

{#248.119.2020}

Às vezes ainda dou por mim a pensar que há portas que se podem abrir. Mas depois vejo que não. Estão fechadas e sem chaves que as abram.

Não adianta tentar ouvir um gut feeling que já não grita. Que já não se pronuncia. E por muito que as borboletas na barriga ainda existam, já não têm para onde voar.

It is what it is. Não há nada a fazer. É aceitar que a porta não se vai abrir e seguir em frente com o pouco que tenho. Mesmo que esse pouco esteja carregado de pequenos nadas, que são tantos e são tanto.

Segue em frente, miúda. Mas não te permitas ter os olhos no chão novamente. Não vale a pena.

Sorri sempre e olha para cima. Um dia acertas.

{#247.120.2020}

5a feira e o coração apertadinho.

E não me apetece dizer muito mais. Só me apetece o colo certo. Que não tenho. Nem posso ter.

{#246.121.2020}

Bom dia que já é de noite é jogar com as palavras quando a vontade é sempre de dizer bom dia todos os dias mal acordo.

Mas fico quieta no meu canto, por agora. Um dia ainda hei-de dizer bom dia pela manhã, ainda ensonada e com um sorriso no rosto. Mas não à distância.

{#245.122.2020}

Acordar de madrugada, por nada, motivo nenhum, e receber mais uma amostra de pequenos nadas. São coisas tão simples e tão pequeninas que para muita gente não significam nada, mas que para mim têm um peso grande.

Mas não passam disso mesmo, pequenos nadas. Ainda assim roubam-me um sorriso ensonado e ajudam a voltar a adormecer mais aconchegada.

Agora faço por ficar quieta no meu canto novamente. Provavelmente não por muito tempo, porque não sei ser de outra forma. Mas fico quieta com um sorriso. Pequenino, quase imperceptível, mas que está cá.

Porque há coisas pequeninas que me sabem bem. Como estes pequenos nadas que de vez em quando aparecem. E me roubam sorrisos.

E, entretanto, chegou Setembro. Mas, enquanto puder, vou fazer de conta que ainda não chegou. Não estou preparada para ele. E, neste ano que parou a meio de Março, tudo é possível. Como fazer de conta que Setembro não está já cá. Vou prolongar o Verão enquanto puder.