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#day31 out of 365plus1

Domingo e a mesquinhez de quem não tem muito o que fazer na vida. O que se resolvia com um simples toque numa qualquer campanha foi mais uma chamada desnecessária para quem zela “pela lei e pela grei”. Gente que, diz quem sabe e conhece, só tem um lado negro. Não conhecia. Depois da atitude mesquinha e do gozo na primeira fila da plateia agradeço por não conhecer. E quero que se mantenha assim. Longe.
Porque, dizem as regras de boa vizinhança, quando há boa vontade basta um toque numa campanha para que tudo se resolva. Mas, parece-me, sou eu que estou errada.

Domingo e ser dona do meu Tempo, depois de passada a irritação. E o Tempo que passa tão depressa, cada vez mais rápido e não dou por ele. Para onde foi Janeiro?

Domingo e o final do dia em esplanada sem sabor de Inverno. E eu à espera da Primavera ainda assim.

Domingo que foi apenas isso: domingo. E as perguntas que faço a mim mesma e cuja resposta não sei se sei. Porque são muitas, apesar de simples. As perguntas, não as respostas. Mas estou bem assim, acabo por responder a mim própria. Mas também estaria bem se não fosse assim. Dou tempo. Ao meu Tempo e ao tempo que já foi tempo de ser. Não sei se ainda é.

Sempre às voltas com o Tempo. Porque, mantenho, não tenho Tempo para perder Tempo. Mas ele voa-me cada vez mais rápido.

Para onde foi Janeiro?

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#day30 out of 365plus1

Não é preciso muito para sorrir. E às vezes um par de botas é o suficiente para me deixar feliz.

Fútil? Pode parecer. Não é. Hoje foi, efectivamente, um par de botas. Mas muitas vezes as botas são metáforas para coisas tão mais importantes. Como o final do dia de ontem.

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#day29 out of 365plus1

Voltar. Há sítios onde é bom voltar. Ainda que as situações se alterem.
Talvez o Tempo já tenha tido o seu tempo. Mas cada momento desse Tempo fica gravado a cores na memória dos afectos.

Momentos em que o sorriso é tão fácil, tão genuíno, quase pueril. Quase pateta. Como o riso em escadinhas quase incontrolável sem perceber ainda porque me sai assim. E sai sempre, sem excepção.

Voltar. Há sítios onde é bom voltar. Ainda que não saiba se voltarei novamente um dia. Mas mesmo não voltando o sorriso permanece. Porque só ter ido já valeu a pena, já fez sentido, já fez sentir. E continuará a fazer.

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#day28 out of 365plus1

28 de Janeiro de 2006 e de 2009 têm em comum o início de boas aventuras. Há dez anos com a casa às costas a montar a banca aqui e ali, sete anos a limitar o discurso a 140 caracteres. Mais assídua nas feiras e mercados do que, ultimamente, no Twitter. Mas ambas as experiências me trouxeram um factor comum: pessoas.

Tanto de um lado como do outro, pessoas de todo o tipo. Das melhores às piores. Estas, admito, mais evidentes no mundo de quem anda com a casa às costas. Onde tive oportunidade de sentir na pele o mau carácter de algumas pessoas movidas por invejas sem explicação (ou perfeitamente explicadas…) e conheci de perto máscaras que acabaram por cair. Mas conheci, também, o outro lado. O lado bom da amizade, da camaradagem, do companheirismo de quem anda nisto por si e não para ser superior aos outros. Conheci aqui aquilo a que chamo uma espécie de família.

Nos 140 caracteres conheci também gente grande. Enorme. Nos gestos, nos afectos, nos laços que se foram criando. Também ali há pessoas das outras, mas é mais fácil ali passar ao lado sem grandes danos. E, por estranho que pareça, muitas dessas pessoas com quem se criou laços nunca as vi. Mas estão lá que é aqui, comigo.

Num caso ou noutro, conta o mais importante: as pessoas. As que ao longo de todos estes anos, e são tantos, continuam cá, mesmo que num ou outro caso o cá seja já só nos afectos da memória.

E tanto num caso como no outro aprendi tanto. Cresci tanto. Vivi tanto.

Continuo, por isso, presente em ambos os mundos, muitas vezes misturando os dois: de casa às costas a montar a banca em 140 caracteres.

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#day27 out of 365plus1

Saber esperar.

Um dia atrás do outro atrás do um. Um passo de cada vez.

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#day27 out of 365plus1

Cansada. Muito. Não sei se ainda ou se novamente.

E com uma vontade grande de pintar cenários de cor. De cores. De trocar palavras que se cruzam abreviadas. De tocar o Tempo com a ponta dos dedos como pele com pele. De respirar o ar que não é meu. De sentir e fazer sentir sentindo e fazendo sentir sorrindo.

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#day25 out of 365plus1

Quebrar o gelo. Feito. Daí venha o que vier. Em paz.

A poesia. Das cores, das nuvens de algodão, da música na voz, das pequeninas coisas que são grandes. Do tempo que é Tempo e que vai passando sem pressa mas que se faz longo. Tranquila, ainda assim.

Saudades que são vontades. Ou vontades que são saudades. Não sei. Não é importante saber. Porque são ambas.

A travessia de um ponto para o outro, de uma nuvem para outra, de uma cor para o seu par. Um arco de cores à janela. As nuvens. Sempre as nuvens. De cor ou de algodão. Rir. Porque já só sei rir. Um riso resultado de um sorriso que não é suficiente para conter a vontade do vôo. Um riso que é um sorriso que não é suficiente para dizer que isto que é um “isto” que não se explica, apenas se sente, e se sorri, e se ri. E faz sentido e faz sentir. E faz respirar.

É isto. É isto que é um “isto” tranquilo, sem pressa, sem contagens de tempo que é Tempo e que se faz longo. Mas sempre sem pressa desde sempre. Sem ansiedade. Sem incertezas. Sem inseguranças. Sem medos. Sem medo.

Porque isto que é “isto” é certo e seguro e sentido e é Tempo de ser assim como é. E é. Simplesmente é.

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#day24 out of 365plus1

Descobri hoje a verdadeira razão de ter adiado por tanto tempo a ida onde tinha que ir: o medo. Medo de encontrar quem não me apetece ver. E percebi hoje, também, que esse medo não é do encontro, mas da pessoa. Pessoa que não vejo há seis meses, de quem não sei nada há seis meses mas que, percebo hoje, me deixa com medo. Não me assusta. Mete-me medo. Porquê exactamente não sei. Mas não me esqueço daquela viagem de carro de pouco mais de 2 km que foi a mais longa viagem de sempre. A curva que foi feita a tempo, a travagem a fundo a tempo de evitar o embate, os gritos, os insultos, o bater com a porta do carro e fazer o resto do caminho a pé e chegar ao destino ali a 200 metros para encontrar, a sair do carro, quem não percebia porque me via chegar a pé e não sabia o que tinha acabado de acontecer escassos minutos antes.

Não me esqueço, também, das ausências mal explicadas, mal contadas e do momento em que o balde transbordou e, claro, a culpa seria minha. Ou, muitos meses depois, de manhã ser preto e à noite ser branco como se o preto nunca tivesse existido.

Não me esqueço, também, do Tempo perdido quando mais precisava de Tempo para mim.

Não me esqueço das mentiras.
Não me esqueço das tentativas, tantas, de manipulação. Desde o primeiro dia.

E hoje percebi que andei a evitar, durante vários meses, uma ida onde tinha que ir por medo. Nada mais que medo de uma única pessoa que, diz-me a experiência e o instinto, há já muito tempo que por lá não está.

Terei que lá voltar em breve. Sozinha, como sempre. Mas, apesar do medo, sei agora que apesar de tudo estarei e ficarei bem. Porque o medo é também o que me faz seguir de cabeça erguida e passo firme. E as probabilidades de um encontro com quem não quero são escassas. E mesmo que aconteça nada de mais se passará.

Medo. Sim. Que me prendeu durante meses. Que existe. Não sei se racional ou não. Mas que, apesar de tudo, não voltará a roubar-me o sorriso e a vontade de sorrir. Até porque ali, onde durante tanto tempo evitei ir, são mais as pessoas boas do que apenas uma que não quero encontrar. E por isso mesmo irei lá voltar com um sorriso. O meu.

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#day23 out of 365plus1

“Tia, vai até à varanda. Agora espreita. Vês a Lua? Sabes que ela está mesmo aqui em cima de mim? Redondinha e muito brilhante! Está tão bonita, tia!”, diz-me o Meu Um.

“Quero ir para a tua casa já!”, porquê, pergunto-lhe, “Porque sim!”, responde-me o Meu Dois. “Vem para aqui. Podes vir para a aqui.”, respondo-lhe que vou assim que puder.

E falam alternadamente, o Um que viu “um avião da tropa e vi a ir para o aeroporto, que é aqui em frente. O aeroporto da tropa. Sabias que há tropas aqui na zona, tia?”, o Dois que “estive a lavar a loiça, esqueci de dizer a ti, tia! Fazes mais desenhos? Não esqueces de mim?”

O Um que está tão menino crescido, o Dois que se zanga quando o chamo bebé porque “eu não sou bebé, sou c’scido!” Os Meus Dois que são o Meu Tudo e que me enchem de mimos, cada um à sua maneira. Ainda que o Um raramente queira falar ao telefone e o Dois fale por ele, pelo irmão e por todos os carros e bonecos e invente histórias que podiam ser verdade, “tenho uma cama nova”, diz-me, “é mentira, tia! Não tem nada! O Filipe está a inventar outra vez!”, interrompe o irmão.

São meus. Tão meus. Os Meus Dois, os Meus Tudo. Já não são bebés, nenhum deles, mas são Meus.

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#day22 out of 365plus1

É tão fácil tornar um dia cinzento um pouco mais colorido. É tão fácil ficar sem jeito ou com um jeito pateta de miúda pequena que ri em escadinhas. É tão fácil um sorriso deste lado da linha quando do outro lado basta um sorriso com música.

É tão fácil sorrir assim. Em jeito 3M: Menina, Miúda, Mulher.

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#day21 out of 365plus1

Época baixa. Dias que correm devagar. Sem grandes histórias.
Chuva que é uma nuvem que pousou à superfície. Fininha, mansa. Presente, sempre. Deste ou do outro lado da Ponte.

Época baixa, dizem. Dias que não correm, simplesmente passam. Devagar. Sem grandes histórias, apenas pequenos apontamentos de mais um capítulo.

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#day20 out of 365plus1

De que cores se pintam os dias?

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#day19 out of 365plus1

Há dias assim. Em que a vontade é de fazer coisas bonitas, mesmo que há mais de vinte anos que não pegue num lápis com tempo, sem pressa e sem outro propósito que não apenas fazer coisas bonitas.

Dias em que apetece, muito, partilhar coisas bonitas. Sejam desenhos, sejam cores, sejam sorrisos. Sejam até palavras, no papel ou ao ouvido.

Partilhar. Dar. Fazer acontecer. Coisas bonitas. Sem pressa. Sem outro propósito que não apenas coisas bonitas. E um sorriso. O meu.

E uma vontade, imensa, de coisas bonitas. De magia. De cor. De cores.

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#day18 out of 365plus1

A aprender a apreciar Janeiro. Sair do escritório ainda de dia.

Cabeça confusa. Ou confusão na cabeça. Ao fim do dia, sempre. Barulho. Luzes. Pessoas. Ritmos que há já tanto tempo não eram meus. Rotinas.

Um dia atrás do outro atrás do um. Também aqui. Também agora.

E vontade de voar. Naquele vôo tranquilo sem pressa e sem a vertigem da aterragem. Voar em Nuvem de Algodão.

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#day17 out of 365plus1

Dizem por aí que o Domingo acordou em tons de rosa e azul, com laivos de violeta.
Terminou nos mesmos tons.
Um Domingo tranquilo e sem histórias mas com um pequeno laivo de História, a minha, em tons de rosa, azul e violeta. Pequeno mas tão grande. E por ser pequeno mas tão grande foi tão bom. Assim, plim.

Não é preciso muito para um sorriso. Basta assim. Plim. Inesperado. Plim.

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#day16 out of 365plus1

Dia Azul.

Frio mas aconchegante.
De manhã trabalho, à tarde descanso.

Azul. Às cores. Tranquilo.

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#day15 out of 365plus1

Porque se deve dizer sempre e hoje não disse. Porque terminei o dia com a sensação de estar a falhar por não ter dito. Porque ser cabeça de vento também é isto.

Gosto de ti. Muito. E, mesmo não o tendo dito, sei que sabes que sim.

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#day14 out of 365plus1

Dias que começam cedo e acabam tarde. Entre papéis e tecidos, navios e agulhas.

Hoje, começar cedo e acabar cedo. Apenas papéis e navios. E um cansaço bom.

E percebi hoje que, afinal, gosto do mês de Janeiro mais do que pensava. Os dias estão cada vez maiores e o pôr do Sol começa a saber esperar por mim.

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#day13 out of 365plus1

O bom das agendas em papel é poder escrever nelas. Anotar datas, lembretes, frases batidas ou intocadas. Poder dar cor às páginas brancas, seja com letras ou rabiscos que podem ser desenhos.
Colar-lhes Post-it’s como se fosse uma colecção de postais ilustrados, não dos que se recebem mas dos que se enviam.
O bom das agendas em papel é poder ter na ponta dos dedos um dia atrás do outro atrás do um. Alguns ainda por preencher, outros que ainda não chegaram mas que já estão marcados, outros que já passaram com mais ou menos histórias mas sempre com História. Mas sempre ali, na ponta dos dedos, em papel, como se cada um dos dias pudesse ser palpável, pudesse ser tocado.

O bom das agendas em papel? Cada letra, cada risco, cada rabisco, cada Post-it, cada lembrete, cada recado, cada frase, são como cicatrizes de joelhos esfolados de subir às árvores, de jogar à bola ou de cair de bicicleta. Estão lá gravadas, na pele, como a caneta no papel. E sabemos sempre que cada uma dessas cicatrizes nos leva numa viagem da memória às coisas boas, que fazem rir e sorrir em escadinhas. As outras coisas, que também deixam marcas, não são anotadas na permanência do papel. Só as boas.

O bom das agendas em papel? É tudo isto e tudo o mais que gravar em cada uma das folhas e que sei que fica lá. Marcado na pele. A minha.

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#day12 out of 365plus1

Durante anos julguei-o perdido. Encontrei-o em estante alheia e trouxe-o de volta. Até dá-lo por perdido novamente.

Hoje, Oriana reapareceu. Como fada que é, saltou da estante e fez-se presente numa espécie de vôo tranquilo e sem pressa. Deixou-se ver. Deixou-se apanhar. Recuperei Oriana. Oriana recuperou-me também.

E permito-me acreditar que Oriana não é apenas um livro. Oriana é fada. É histórias ao ouvido. É magia. Oriana é também navio. Oriana é tanta coisa mais que apenas um livro. É o perder e reencontrar para voltar a perder e finalmente recuperar.

Oriana é isto. E isto é tanto como as marcas do tempo na capa de um livro que julgava perdido, cada marca contando uma história daquelas que fazem parte da História.

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