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#day40 out of 365plus1

Há dias em que a vontade é esconder-me do Mundo. Sem um mínimo de paciência para nada.
Porque, mais uma vez, viajo no Tempo com demasiada facilidade. E mesmo não querendo sou transportada para aquele dia que nunca quis. Hoje e esse dia semelhantes em pequenas coisas, ainda que por motivos diferentes. Mas as sensações, essas, idênticas.

Impossível não me lembrar. Impossível não comparar.

Não quero. As memórias desse dia ou as sensações de hoje. Mas sei que não querer uma ou outra coisa, ou as duas, roça a ingratidão. É egoísmo. Admito. Ainda que apenas um dos processos seja exclusivamente meu. O outro, o que não é exclusivamente meu, acaba por também não ser partilhado, mesmo ao fim de todo este tempo. E também por isso não o quero recordar, não quero voltar lá de tempos a tempos porque é impossível não comparar.

Não vou descarrilar. Mas há alturas em que não sei qual direcção seguir. Especialmente quando me recordo que linhas paralelas serão sempre isso mesmo: paralelas.

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#day39 out of 365plus1

Quando a magia se perde, ficam apenas os vestígios do que já foi.
Perdeu-se algures pelo caminho o que se encontrou noutro percurso. Não poderia ser de outra forma.

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#day38 out of 365plus1

Todos os dias há razões para sorrir. Mesmo quando a mente e o corpo estão longe um do outro.
Estive ali. Mas não estive enquanto lá estive. Estive longe, numa qualquer nuvem de uma qualquer cor. Onde me permito embarcar de tempos a tempos, ainda que o Tempo já tenha passado do Tempo de ser Tempo. Ainda assim regresso lá tantas vezes. Mesmo que o corpo esteja presente aqui ou ali, a cabeça está tantas vezes nessa tal nuvem de uma qualquer cor.

Não olho para trás. Revisito. Recordo. Revivo. Regresso. Ao aqui. Que é agora.

E sorrio. Mesmo quando o corpo e a mente estão longe um do outro.

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#day37 out of 365plus1

Saber quando parar. Como hoje. Optar entre um dia no Jardim ou recuperar dos últimos dias (semanas?) mal dormidos, desgastantes.

Parar e recuperar. Sair ao final do dia para iniciar mais uma etapa de trabalho.

Chuva? Só lá fora. Cá dentro só o cansaço acumulado ameaça fazer estragos, questionando tanto sobre tão pouco. Moendo o corpo. E soltando aquela vozinha que sussurra palavras que não são reais.

Parar. Descansar. Recuperar. Silenciar a voz. Deixar de questionar. Seguir em frente. Porque chuva só lá fora. Amanhã regresso ao meu registo, o da magia.

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#day36 out of 365plus1

Deixar, em tudo o que faço, um pouco de mim.
Nem que seja um pouco de cor.

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#day35 out of 365plus1

Tanto para dizer.

Não o faço.

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#day34 out of 365plus1

Hoje em modo saltarico. Cor de rosa, claro, ou não andasse a saltaricar de ténis dessa cor.
Oito poisos em menos de 12 horas.

Comboios, gares. Segurança, cais. Sensibilização, terminal. Dores, físicas.
Próxima estação, Sol de Inverno com toque de Primavera.

Moída. Cansada.

E uma vontade grande de saltaricar daqui para aí, alternando cores.

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#day33 out of 365plus1

Tanto que era desnecessário quando o que importa verdadeiramente são eles.

Ser recebida com um salto para o colo agarrado ao pescoço. Dizer-me que “nada disso tia, tu não és chata”. Brincarmos os dois com a mesma idade, a dele. Ali a poucos dias dos seis anos. Como assim, seis anos? Onde está aquele bebé bochechudo que ainda ontem nasceu? Já não é bochechudo, mas será sempre um dos meus bebés.

Está crescido. Já sabe tanta coisa. Conversa como menino crescido. Faz patetices típicas da idade. Está alto. Pernas compridas e fininhas. Mãos de quem gosta de desenhar e aprender a fazer coisas.

Conversa com o irmão ao telefone, ri-se das aventuras que o mais pequeno lhe conta. Diz-lhe quem está cá hoje e ri com gosto com a reacção de gritinhos agudos, estridentes, de satisfação do outro lado da linha e vai-se embora a rir depois de passar o telefone.

O Meu Um que me diz, com ar de reprovação “nada disso, tia, tu não és chata”.

O Meu Dois que ri esganiçado e dá gritinhos agudos, estridentes, de satisfação e diz muito alto que quer vir para cá já, terminando a conversa não com os beijinhos já não tão habituais mas a dizer-me “és tão fofinha, tia”.

Tanto que era desnecessário quando o que importa verdadeiramente são eles.

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#day32 out of 365plus1

Ainda que o dia amanheça cinzento, pára. Procura a cor. Ela está lá sempre.

Ainda que um dia não sejamos mais que impressões desgastadas pelo Tempo num pedaço de papel, pára. Vive o momento. O aqui e agora. Ainda te lembras?

Vive a cor, as cores. Respira o som que a música te traz. Escreve, mesmo que no éter, as palavras que te fazem sentido. Que te fazem sentir. Escreve todos os dias. Mesmo que o que escreves seja só para ti. Mesmo que o que escreves seja para outro que não tu e não seja lido. Mesmo que te leiam sem saberem do que tratas. Mesmo que saibam e não te leiam. Escreve. Todos os dias.

Postais ilustrados, enviados ou por enviar, enviados e não recebidos, recebidos sem terem sido enviados. Escreve. No éter, no papel, na pele, no sorriso. Escreve todos os dias. Com o olhar, com o sorriso, com a voz que mais ninguém ouve palavras que mais ninguém lê.

Dá cor às palavras. Junta palavras à cor. Escreve. Pinta. Ainda que o dia amanheça cinzento. Ainda que um dia não sejamos mais que uma impressão desgastada pelo Tempo num pedaço de papel.

Pára. Vive. Escreve. Pinta. Sê. Com sentido. Com sentir.

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