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#day71 out of 365plus1

Quando o corpo te diz para parar, não adianta forçar.

Como hoje.

Saudades de pessoas, de lugares, de gestos. Simples, todos eles. Simples também as saudades. Ou então é só cansaço e nada é simples e as saudades são outra coisa qualquer que não saudades.

Os gestos, os sons, o toque, a música. As cores.

Dormir. Faltou-me apenas dormir. Como tem faltado nas últimas noites. Apenas dormir. Tão simples. Tão bom.

Tão cansativamente cansada.

O corpo manda parar. O frio que pede calor. O sono. Os filtros que já caíram. O corpo manda parar. Não adianta forçar.

Como hoje. Como agora.

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#day70 out of 365plus1

11° dia útil de uma semana que já se previa de 12 dias e que facilmente chegará aos 20.

E um risco mínimo de luz no céu de fim de dia que me recorda o que por vezes pareço esquecer: ela, a minha Lua, está lá sempre. Ainda que andemos com horários desencontrados, ainda que existam ciclos regulares, sei que com ela posso contar.

Cansada. Tanto.

Aconchegada.

Não aninhada.

Um dia volto a ter um fim de semana.

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#day69 out of 365plus1

“Próxima estação: Baixa-Chiado. Há correspondência com a linha Verde.”

Perdeu-se a correspondência com a linha Verde e até com a linha Azul. A Amarela lá continua, quieta. E a Vermelha, como sempre, intocada.

A linha Cor de Rosa mantém o percurso habitual, sem Nuvens que atravessam Pontes e visitam outras Terras. Apenas com os pés no chão ainda que a cabeça no ar seja também uma constante.

Não escrevo com floreados pomposos nem pretensões de literatura. Escrevo no éter ou ainda em papel de gramagem alta no formato dez por quinze. Daquele papel que, depois de preenchido com ou sem nexo, é franquiado e depositado em recipiente próprio, frio, quase impessoal sendo do que mais pessoal existe. Escrevo e deposito, no papel ou no éter, aquilo que não sei ou não posso comunicar de outra forma. Com ou sem abreviaturas, siglas ou acrónimos. Com ou sem desenhos ou rabiscos de fadas ou pôr do sol no Cais.

O Tempo passa. O Tempo tem o seu Tempo. O Tempo que eu não tenho Tempo para perder Tempo. O Tempo passou e foi, todo ele, ganho. Muito ou pouco Tempo, foi o Tempo que podia ser dentro do Tempo que não tenho a perder.

Saudade só deixa o que foi bom. O que foi ganho. E podia dizer que SST e muito mais. Mas não é agora Tempo de correspondência na linha Azul.

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#day68 out of 365plus1

Às vezes faz-me falta um pouco mais de Azul. Tanto como folhas nas árvores e dias mais quentes.

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#day67 out of 365plus1

Não, não foi uma segunda feira fácil.

Retomam-se, no entanto, os desenhos ao mesmo tempo que se partilham histórias e trocam palavras em imagens. Gestos escritos que não descritos. Descobertas acidentais de capturas de pormenores. Curiosa a forma como histórias distintas se cruzam assim.

Terça feira será melhor.

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#day66 out of 365plus1

Transparente, digo-me. Hoje não. Hoje escondo, aqui e ali, aquilo que me faz sentir longe.

Tentativa de ser igual. Tentativa de fazer parte. Tentativa de pertença. Aqui, ali, por aí.

Sorrio, mesmo assim.

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#day65 out of 365plus1

O que faz um bando de pombos à beira de um lago de patos?
Porque canta uma gaivota pousada na cabeça de uma estátua?

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#day64 out of 365plus1

Semana de contrastes. Altos e baixos. Preto no branco.
Terminar com programa de última hora para rever família daquela que adoptamos e nos adopta.

Perceber que há assuntos que ainda não estão completamente arrumados, que ainda me tiram o ar. Tempo, ainda preciso de tempo. O tempo que for.

Confirmar diferenças. Confirmar que não faço por isso, mas gosto muito de ser diferente. Mesmo que em alguns dias essas diferenças, essa diferença, me faça vacilar.

Não, nem tudo foi menos bom esta semana. Mas também estes dias fazem parte de todo este processo. Processo que não é tão linear como o preto e branco.

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#day63 out of 365plus1

Hoje não. Não foi bom dia, não é boa noite. Hoje não.

Sem culpas, sem causas, sem nada. Apenas hoje não.

Cansada. Provavelmente a melhor desculpa para tudo. Mas hoje não. Porque sim, cansada de facto. Porque não, não é desculpa.

Apenas hoje não.

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#day62 out of 365plus1

Uma rapariga igual às outras. Sempre soube que nunca o fui, ainda que por várias vezes o tenha tentado. Sem sucesso, sempre. Até desistir de tentar ser o que não sou, permitindo-me ser eu. Igual a ninguém que não eu.

Sempre soube que não era uma rapariga igual às outras. Nem sempre entendi. Nem sempre aceitei. Mas sempre me soube forma da norma.

Ser uma rapariga diferente das outras nunca foi simples. Para mim e para os outros. Talvez por isso mesmo ainda hoje o rótulo de diferente me custe. Porque, não sendo uma rapariga igual às outras, não deixo de ser igual ainda assim. Precisamente por ser diferente, por sermos todos tão diferentes.

Talvez me tenha enganado no planeta. Talvez tenha aterrado no planeta Azul quando no fundo o meu planeta é o Cor de Rosa. Talvez a nave-mãe me tenha deixado cair aqui por algum motivo que desconheço. Mas tantas vezes sinto que não pertenço. Aqui, ali, onde for. A sensação de não-pertença. Sensação ou sentimento?

Talvez seja só cansaço. Talvez seja das poucas horas dormidas das últimas noites. Talvez esteja só cansada de corpo e de mente. De alma, quem sabe. Cansada física, mental, psicológica e emocionalmente. Ao ponto de tudo me fazer querer voltar à nave-mãe.

Nunca fui uma rapariga igual às outras. Mas não preciso que me apontem essas diferenças como sendo defeitos. Que não são. São essas diferenças que me fazem uma rapariga igual às outras, ainda que não sendo.

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#day61 out of 365plus1

Caminhos difíceis, alguns. Caminhos apenas estranhos, outros. Fecha-se um ciclo surreal. Inicia-se outro que se espera mais tranquilo.

Novamente o rótulo de “a torta da família”. Novamente aquela que é diferente. Novamente aquela que é tantas vezes vista como a que está errada porque simplesmente tenta conciliar o racional com o emocional. Sentindo tudo ao extremo. Procurando explicações ou soluções simplesmente racionais. Uma mistura que tem tudo para dar errado mas que comigo, para mim, faz sentido.

Novamente as frases banais em que nos dizem que “se um dia estiveres no papel do outro” sem perceberem que às vezes o outro está ali, apenas com outra história e que mesmo sem intenção nos carregam onde ainda dói.

Porque, mais uma vez, há dias melhores que outros. E há dias como o de hoje que se dividiu em demasiados capítulos. Nenhum deles garantindo nada. Como sempre apenas prometendo algo.

Posso voltar a entrar nos eixos. Posso voltar a lembrar-me um bocadinho mais de mim.

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