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#day162 out of 365plus1

“Mente quieta, espinha erecta e coração tranquilo” onde, de longe e apesar de tudo, a espinha erecta é o mais fácil de manter. Coração tranquilo, sem inquietações de maior. Mente hiperactiva, que se esquece que o corpo está ali e é também ali que tem que estar. Quieta. Sossegada. Acima de tudo calada.

Mente inquieta que não pára de perguntar “o que queria aquilo dizer?”, seja aquilo de há um mês, um semestre, um ano, dois anos… Mente que se interroga, e me interroga, sobre o significado das coisas, sejam gestos, palavras, actos e atitudes, perguntas que foram mal respondidas.

Sim, ainda estou aí. No registo dos “porquê?”, da necessidade de tradução.

“Inspirar profundamente e alongar” e quando alongo lá vai ela de novo. Fazer perguntas, trazer memórias, rebuscar episódios que já estão lá atrás no tempo mas ainda aqui, presentes, nesta mente inquieta, irrequieta, que procura entender, procura perceber, procura explicação para o que não tem que ter outra explicação que não seja ser simplesmente assim porque é assim que se é.

Coração tranquilo, sem inquietações, não dança certo com uma mente inquieta, irrequieta, que interroga e tenta entender o que o coração tranquilo lhe responde e repete.

“Soltar o ar devagar” e manter a espinha erecta. A mente lá vai, solta. Quando devia estar aqui, está lá, a percorrer todo um calendário para trás, a visitar recantos da memória trazendo à tona pormenores que pensava já arrumados. E sempre a pergunta: porquê essa pergunta? E, mais repetitivo, porquê aquela resposta? Aquelas respostas… A minha que sei que não mudaria naquele tempo, mas que no Tempo que me é agora seria diferente. Mais simples. Mais clara. Mais directa. Mais sincera… Não que não o tivesse sido antes, simplesmente foi a única possível no olho do furacão.

“Respirar e relaxar” e a vontade de me levantar dali, correr atrás daquela mente inquieta, irrequieta, que é a minha mas não acompanha o corpo. Vontade de lhe fazer a vontade e procurar as respostas, as traduções, as explicações que não têm que ser mais do que ser simplesmente assim porque é assim que se é.

Coração tranquilo. Descompassado a tempos quando a mente grita ainda mais alto e distorce o que o coração sabe porque sente.

………ninguém disse que o caminho que se percorre a solo, ainda que não sozinha, era fácil. Ninguém disse que tranquilizar o coração era fácil. Ninguém disse que aquietar a mente era fácil. Ninguém disse que manter a espinha erecta era fácil. Mas respirar tornou-se mais fácil, mais simples, com o passar dos danos. E é a respirar, e a alongar, que vou mantendo o coração tranquilo, com mais ou menos dificuldades em manter as costas na postura correcta, correndo atrás dessa mente inquieta, irrequieta, que não se cala e não acompanha o corpo. E é também a respirar e a alongar que sigo o meu caminho a solo sem me esquecer de que não estou, nunca, sozinha. As respostas, as traduções, as explicações, essas chegarão se tiverem que chegar. Porque a mente não acompanha o corpo e por isso mesmo o corpo não faz as perguntas que a mente teima em querer respondidas.

Se eu podia ser mais simples? Se eu podia não ser tão complicada? Se eu podia não querer sempre respostas, traduções, explicações para tudo?

Não. Não podia. Porque simplesmente não seria eu.

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#day161 out of 365plus1

Dias simples. Ou simples dias. Um atrás do outro atrás do um, claro.

Em busca das novas rotinas, que são velhas conhecidas.

Não posso esquecer-me do foco. Não posso perder o rumo. Perder-me do rumo, o meu.
Não posso esquecer-me de mim. Não posso perder-me de mim.

Encolhi os ombros. Aceitei. Segui. Continuarei a seguir. Em dias simples. Ou simples dias. Um atrás do outro atrás do um, sempre. Porque não adianta ter pressa. O que tiver que ser, será. Como tiver que ser. Se tiver que ser. Quando tiver que ser.

Encolho os ombros. Aceito. Sigo.

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#day160 out of 365plus1

Fazem falta as coisas bonitas. Seja uma pintura na parede, seja um sorriso à chegada.

As pinturas nas paredes podem ser temporárias, os sorrisos à chegada, esses, duram enquanto permanecerem gravados na memória. E se há uns meses dizia que não me lembrava de te ver sorrir, hoje recordo aquele sorriso que me foi inesperado.

Fazem falta as coisas bonitas. Fazem falta sorrisos inesperados. O teu guardo comigo. Em mim.

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#day159 out of 365plus1

A que temperatura se medem os dias?

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#day158 out of 365plus1

Há quem o diga por desenhos, há quem o escreva nas paredes, há quem o sussurre ao ouvido, há quem o cale simplesmente.

Como eu. Que te desenho, que te escrevo, que te sussurro, que não te digo. Que não assumo.

Que guardo. Que exponho e que nego.

Há quem o escreva nas paredes, há quem o debite no éter. Como eu, há tanto tempo. Desde antes de perceber que escrever nas paredes ou debitar no éter não é suficiente. Como dizê-lo por desenhos de traço incerto, tremido, inseguro é tão perceptível como um sussurro ao ouvido no ruído dos dias.

Há quem. O escreva. O desenhe. O sussurre. O cale. Há quem. Como eu.

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#day157 out of 365plus1

Um dia atrás do outro atrás do um. E aproveitar ao máximo cada bocadinho.

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#day156 out of 365plus1

Quebra abrupta de rotinas. Percebo hoje que preciso dessas rotinas. Durante demasiado tempo tive outras rotinas e achei, sempre, que estava bem com elas. Depois dos últimos meses percebo que não.

Ou então estou apenas em processo, ainda, de me reencontrar e de refazer horários e rotinas. Pensei que fosse mais fácil. Afinal não está a ser.

Um dia atrás do outro atrás do um. Novamente. Sempre. E tirar partido de cada novo dia e guardar o melhor de cada um. Sempre.

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#day155 out of 365plus1

Quando a vontade é deitar tudo cá para fora. O que devo, o que não devo. O que posso, o que não posso. O que quero, o que não quero.

Directamente. Sem rodeios nem metáforas, sem dualidades nas palavras. Straightforward.

Quando a vontade é deitar tudo cá para fora, páro. Respiro. Deixo-me ficar. Quieta até à última.

Um dia. Um dia deito tudo cá para fora e entrego os pontos e abro o jogo. Até lá, entrego e confio.

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#day154 out of 365plus1

O céu é o limite, dizem. Se é ou não, não é importante.

Há toda uma espécie de euforia neste momento que não faz sentido, que não entendo, que não quero. Quero os pés assentes no chão, ainda que a cabeça viaje por aí. Quero ir com cuidado, com calma, com segurança. Muita coisa mudou de um dia para o outro. Literalmente. Não mudei eu, continuo a mesma que era antes da mudança. Mas por algum motivo que não entendo há esta espécie de euforia que não procurei, que não quero, que não entendo mas que marca presença.

Estou segura de mim. Estou segura do que percebi há dois anos e que desde então tento negar até a mim mesma. Estou segura do que sei. Porque vi. Porque senti. Não o nego mesmo que me neguem a mim. Porque há coisas que não se explicam, sentem-se apenas e está aí tudo. Não adianta negar, fugir, ignorar. Está lá. E eu sei que não sou eu apenas a sabê-lo.

Há uma luta interior. Não é minha. A minha é outra. A minha é a luta para não abrir o jogo, para não entregar os pontos. Já resisti antes. Já o neguei a mim mesma antes. Hoje não nego. Mas não abro. Deixo essa luta interior, que não a minha, acalmar e apaziguar. O que tiver que ser será. Quando tiver que ser. Se tiver que ser. E será. Porque já é. Já tem sido. Continua a ser.

E de novo a euforia. Não, não sei. Digo que sei porque sinto. É aquela tal vozinha, a de sempre, que mo diz. Não quero dar-lhe importância, como nunca quero. Mas sei por experiência que essa tal vozinha não me mente. Mas e se essa voz for apenas resultado da minha imaginação, da minha vontade, e não a outra, a tal que me avisa?

Deixo-me ficar, marco presença, afasto-me mantendo-me por perto. A porta lá está, entreaberta. Vou espreitando mas não me atrevo a abri-la. Porque a tal euforia pode ser apenas ilusão. Vontade minha de uma qualquer realidade.

O céu é o limite, dizem. Mas eu quero manter os pés assentes no chão, mesmo que flutue, há tanto tempo, dois palmos acima do chão com a cabeça a voar por aí.

Tanto que mudou em tão pouco tempo. Tanto que mudou em tanto tempo mesmo que pouco ou nada tenha mudado. Mas hoje já não consigo negar a mim mesma aquilo que há dois anos ando a tentar negar.

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#day153 out of 365plus1

No calendário e na agenda ainda constam os navios. Os navios vão continuar a chegar, mesmo que já não os registe no Cais e na memória.

No calendário e na agenda vão passar a constar prazos de entrega e feiras e mercados. E as perspectivas são as de sempre: um dia atrás do outro atrás do um, no aqui e agora e sem ter Tempo para perder Tempo.

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