Category Archives: {#Capítulo11_2017}

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Sabes como é não querer mexer para não estragar…? É por isso que me deixo ficar tão contida.

“Sem stress. Está tudo bem.”

E é essa contenção que vai estragar tudo…

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Não sei se estou preparada mas, seja o que for que vier, que venha. Chega de perder Tempo.

Porque a descoberta é precisa. E sabe bem. Sem expectativas seria mais simples, mas não há como evitá-las. Por isso que venha o que for que está por vir.

Eu cá estarei.

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Ainda te lembras de como era antes? Antes daquele dia em que te viste num filme surreal que ainda hoje chegas a duvidar que possa ter sido real?

Ainda te lembras de como era o mundo, o teu, até este dia há 4 anos? O último dia de normalidade, de dias sem grandes dores, sem pesadelos, ainda te lembras de como tudo era tão mais fácil?

Diz-me, ainda te lembras do que aprendeste com tudo o que amanhã faz 4 anos? Ainda te lembras que aprendeste que nada é garantido, muito menos o amanhã, e que por isso mesmo não vale a pena perder tempo? Especialmente com coisas pequenas sem verdadeira importância.

Tens andado esquecida do que prometeste a ti própria, de que não tens tempo para perder Tempo.

Hoje olhaste para trás e percebeste que esqueceste durante 3 anos aquilo que prometeste faz amanhã 4. Perdeste 3 anos quando prometeste que não irias perder tempo. Entregaste 3 anos à Depressão e esqueceste-te de ti e das tuas opções.

Ainda te lembras de ti há 4 anos, na véspera do dia em que tudo mudou?

Ainda vais a tempo de não perder Tempo. Ainda vais a tempo de fazer com que cada dia conte. Ainda vais a tempo de escolher o que te faz sorrir. Tens um leque de opções actuais, só tens que escolher. Não remarcar números passados. Fazer, isso sim, nova chamada para o momento presente. E sei que chegaste a duvidar deste momento presente, mas ele aí está: presente. Embrulhado à espera de ser aberto. De ser vivido. De ser sentido.

Há 4 anos neste dia tudo era ainda simples. Sem grandes dores ou pesadelos. Sem filmes surreais. Sem tantas lágrimas e ansiedade e choros e desnorte e Depressão. Cresceste neste tempo que não volta a este dia de há 4 anos. Por isso agora o Tempo é de viver o que o presente tem para ti.

E tu sabes o que o presente te traz neste momento. Por isso vai e voa e vive e sente. Mesmo que voltes a cair, não percas tempo a perder Tempo.

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“Tu lês o que escreves?”

Não, no imediato não leio o que escrevo. Podem passar dias, semanas e até meses até ler alguma coisa que escrevi. E percebo, ao ler, porque é que não leio no imediato, porque é que clico em “Publicar” sem reler, sem corrigir.

Tudo o que escrevo vem de dentro, lá do fundo. Muitas vezes dorido e doloroso. Outras tantas sem sentido aparente. Se fosse para usar floreados e corrigir o que escrevi mais valia não escrever. Como agora.

Não, no imediato não leio o que escrevi. Mas acabo por reler mais tarde e perceber o caminho percorrido. E é também por isso que vou insistindo em escrever: para não me perder de mim.

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Voltar a ter medo não é necessariamente mau. Especialmente depois de quase o ter perdido por completo. Hoje percebi que voltei a ter medo. E isso é mais um sinal de que quero continuar por cá, mesmo nesta pele que tantas vezes já me queimou por dentro.

Um dia atrás do outro. Um dia de cada vez. Sem pressa mas com toda a pressa do mundo de quem já perdeu tanto tempo. E eu não tenho tempo para perder Tempo.

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Gosto de ser como o trevo. Que cresce no meio das pedras.

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“Fico feliz que estejas nessa viagem. E quero que a aproveites.”

É uma viagem recente, uma espécie de novidade. E que me está a saber tão bem. Não importa o destino, não sei qual é nem se existe destino marcado. Por enquanto importa a viagem apenas.

E a descoberta.

E é bom estar assim. O resto? A seu tempo se verá o que é esse resto.

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Os dias em casa ao sábado ou a meio da semana começam a ser mais fáceis. Intervalos de uma semana começam a não custar tanto. Há toda uma espécie de serenidade a que já não estava habituada.

Há também a descoberta. Sempre, como sempre!, um dia atrás do outro. Já não atrás do um. Simplesmente um dia de cada vez. Mas que em poucos dias se tornou em vontade de mais um dia.

Sim, os dias estão melhores. Mesmo que ainda não esteja preparada para os dias mais curtos que já chegaram e os dias mais frios que se avizinham. Mas também nunca estou, nunca estamos!, preparada para nada e tudo acontece. E se pode acontecer de mau também pode acontecer de bom. Por isso vou sentindo os dias melhores e deixando chegar sem pressa tudo aquilo de bom que, afinal, também mereço.

Os dias em casa estão melhores. Porque eu também estou melhor. Sem pressas, mas com o medo natural de quem está a recomeçar seja lá o que for. Mas, acima de tudo, sem pressa do que estiver por vir.