Category Archives: {Me me me!}

{#115.252.2020}

Fim de formação, início de actividade nova. O friozinho na barriga de novos começos.

E é de novos começos que se trata. Novas experiências. Novos contactos e conhecimentos.

E, mais uma vez, o friozinho na barriga.

Gosto desse friozinho. Mas tenho saudades das borboletas. As borboletas na barriga da antecipação de encontros que agora não podem acontecer. Nem sei se alguma vez se irão repetir. Com muita pena minha…

São saudades que batem de vez em quando. Daqueles que trago comigo, em mim.

{#89.278.2020}

Estou cansada… Já não sei o que é dormir uma noite inteira. Tenho saudades de ver pessoas. De sair de casa. De beber um café.

Estou cansada. E ainda agora isto começou.

{#84.283.2020}

Não está fácil…

E a tendência é para piorar com as notícias que vão chegando.

Mas vai melhorar… Vai ter que melhorar.

{#81.286.2020}

Ninguém solta a mão de ninguém. Por favor.

Hoje foi um dia estranho. Falta-me a rotina do trabalho que, felizmente, tenho durante a semana, mesmo que em casa. Ao fim de semana, como sempre, faz-me falta fazer algo diferente. E agora ainda mais.

Não saí, embora a vontade fosse mais que muita. Mas não pode ser…

Preciso tanto de ver gente. De falar com gente. E não acontece. Não pode acontecer. Mas tem que acontecer. Nem que seja online, como acontece com o terapeuta fofinho como esta manhã.

Ninguém solta a mão de ninguém, por favor. Preciso que não soltem a minha…

{#74.293.2020}

Isolamento social. Vai ser um teste difícil à saúde mental de todos. Para mim não vai ser fácil. Já não está a ser.

E ainda agora começou…

{#258.108.2019}

Os domingos são, por norma, dia de recolhimento. Hoje, claro, não foi excepção.

Mas cada vez gosto menos de domingos. Prefiro mil vezes ter que sair de casa com horas marcadas para alguma coisa do que estar recolhida todo o dia, tendo que me obrigar a sair para um café para não dar o dia como totalmente perdido.

Nem que essa saída com horas marcadas aconteça ao sábado. Para conseguir valorizar o domingo.

Melhores domingos virão. Espero que no Outono que se aproxima seja melhor.

{#331.35}

Somatização. É o que me dói. E mói.

Tento não pensar. Tento não sentir. Mas não é fácil o que a ansiedade me traz.

Mas seja. Não me deixo ficar e sigo em frente, tantas vezes a grande custo. Mas sigo.

Talvez um dia deixe de somatizar. Até lá, um dia atrás do outro atrás do um.

{#219.147}

A ansiedade não mata. Mas mói. Quando acompanhada por um descontrolo hormonal que torna o ritmo cardíaco em algo irregular, é uma mistura explosiva para aumentar o desconforto.

Dá vontade de chorar. Sem motivo que não o facto de estar farta de ser controlada pela hormona em défice e a ansiedade em excesso.

Dá vontade de vomitar pelo mesmo motivo.

E é também o mesmo motivo que dá vontade de ficar fechada em casa, longe de tudo e todos.

Recorrer a urgência hospitalar é o limite. E as salas de espera dos hospitais são dos locais mais solitários que existem. Assim como a ansiedade que não sendo um lugar é algo extremamente solitário. É um processo passado a sós. Quem está por dentro entende a generalidade dos sintomas mas não as causas. E quem está por fora desconhece tudo o que esta realidade comporta.

Apetece-me chorar. Apetece-me vomitar o jantar que entrou a tanto custo. Apetece-me esconder do Mundo e ficar só eu, em casa, no meu quarto, na minha cama.

Sair de casa é uma tormenta. Seja para ir trabalhar, seja para ir só ao café. É sair da zona de conforto. É sair para onde estou exposta. A tudo.

Quero, mas não posso, ficar sossegada no meu canto enquanto tudo isto que somatizo se resolve. Até a ansiedade abrandar, até a hormona sintética fazer efeito.

Estou cansada. De não conseguir ser mais e melhor que isto.

Tão cansada disto tudo…

Até quando vou ter que lidar com a ansiedade?

{segredo}

Sabes qual é o segredo? É seres igual a ti própria, com todas as características que fazem de ti quem tu és. Não importa o que és mas sim quem és. E és tu, assim, sem mais,sem menos do tu simples tu.

O que é um rótulo se não uma etiqueta que aponta apenas partes do todo? És tão mais do que isso.

Lembra-te sempre: és tu tal como és. Há os que gostam e os que não gostam. Mas os que não gostam não fazem falta e tu sabes deixá-los ir. Sobram os que gostam.

E porque é que gostam? Porque tu és tu. Não serias tu se fosses outra. E não seria por ti que os que gostam ficam.

Não te esqueças. O segredo é seres tu.

No fundo, o segredo és tu. Só tu. Sem mais. Sem menos.

Só tu.

{do suicídio. Ou da pele que queima por dentro} 

Chester Bennington. Morte por suicídio aos 41 anos. Na data de aniversário de Chris Cornell, morte por suicídio aos 52 anos. 

É fácil ficar-se chocado com o suicídio de alguém. Muitos não entendem o porquê. Nem têm que entender. 

Suicídio não é egoísmo, como tantos dizem por aí. Suicídio é arrancar a pele que queima por dentro. A pele que prende à Depressão quem tenta sair dela. Quem luta todos os dias para sobreviver a essa pele que queima, que prende, que acaba por sufocar. 

Suicídio não é, como tantos dizem por aí, a solução fácil dos fracos. Primeiro porque não é fácil. É desespero puro. Segundo porque não é dos fracos. Os fracos são os que se movimentam por aí como se nada se passasse. Os outros, os suicidas, são os que desesperadamente lutam todos os dias, todas as horas, todos os minutos, todos os segundos, com toda a força que nem sabiam que tinham até precisarem dela. 

Suicídio não é desistir de lutar. Não é render-se à dor e ao desespero. Não é falta de coragem para enfrentar os problemas. 

Suicídio é a libertação. Da pele. Aquela que queima por dentro. Que prende. Que sufoca. 

Se é solução? Não sei. Sei, sim, que há momentos em que o desespero nos faz querer sair de nós próprios para deixarmos de sentir dor. Aquela dor que quem está de fora não sente, não vê, não entende e tantas vezes não aceita. 

Sei, sim, que todos os dias a minha pele me queima por dentro como se fosse irrigada por ácido no lugar de sangue. 

Sei, sim, que todos os dias a minha pele me prende e me condiciona os movimentos e me conduz a gestos de auto-agressão. 

Sei, sim, que todos os dias a minha pele me sufoca e me faz querer gritar e chorar em vez de rir. 

Sim, posso ser considerada de suicida. A ideação suicida está instalada. Não, nunca tentei o suicídio. Mas as vozes……… 

Não é fácil viver/conviver com alguém que sofre de Depressão. Não é fácil viver/conviver com alguém que sofre de Depressão Major. Mas não é difícil viver/conviver com um suicida. Porque nós, os que temos ideação suicida, não vos dizemos nada sobre isso. 

Olhem mais vezes para o lado. Há sinais. Dêem-se ao trabalho de olhar para o lado, para o outro, com olhos de ver. Aquele colega de comportamento que oscila entre o estar quieto no seu canto e o ser demasiado extrovertido pode estar apenas à espera que alguém lhe agarre na mão e lhe diga “estou aqui contigo”. 

Não adianta fazer de conta que não se passa nada para depois receber a notícia em choque. 

Na verdade, simplesmente não adianta fazer de conta que não se passa nada. Porque passa tudo na cabeça de um suicida. 

E na minha já passou demasiado.

{#página171} 

“- Tia, estás diferente… 

– Diferente? Porquê? 

– Não sei… Estás mais velhota. 

– Hum… E estou diferente para melhor ou para pior? 

– Hum… Acho que é um bocadinho dos dois!” 

Há quem me diga que estou melhor. Que nos últimos meses fiz, fizemos, progressos. Digo-lhe sempre que estou diferente. Não gosto, não quero?, dizer que estou melhor. Por medo, talvez. Medo de voltar ao ponto que me levou até ele. É normal que possa acontecer, voltar a cair, diz-me ele enquanto vai repetindo que preciso de verbalizar que sim, que estou melhor. Respondo-lhe sempre que estou diferente. Que não consigo verbalizar o que ele me pede. Que tenho medo. E ele lá vai dizendo que, se voltar a cair, saberei melhor como voltar a levantar-me. Que será mais fácil. 

E se não for…? 

É, também, por isso que prefiro agarrar-me à opinião dos 7 anos do Miguel: estou diferente. Mesmo que seja para melhor e para pior em simultâneo. 

{#página127} 

Dia da Mãe 3.0

Mais um a tentar que seja só mais um dia igual aos outros. Mesmo não sendo. Porque há quem ainda diga que não o sou, não o fui, “se um dia fores”…

O Baltazar e eu fomos ali a um sítio que já começa a ser demasiado habitual. Uma urgência daquelas que recusei, recorri, voltei a recusar, voltei a recorrer, repito agora novamente. Passar de pulseiras amarelas a pulseira laranja. E medicação antes de sair da urgência. Não era isto que eu queria para o dia da Mãe…
Fomos só os dois. Porque sim. Porque o dia é meu. À minha maneira, por isso só meu. E do Baltazar. Porque não há, não chegou a haver, João… E, do outro João, o pai, descobrir que além de cobarde também é um canalha.

Fomos só os dois, mas do outro lado da linha os apoios de emergência. Desculpem se, desta vez, vos assustei. Também me assustei a mim.

E, ainda do dia da Mãe, uma mensagem de uma Mãe enorme para todas as Mães de todos os tipos.

Às mães de todos os tipos: Feliz Dia da Mãe!

Todas as mães se tornam mães em momentos diferentes.
(…)
Algumas destas mães têm o seu sonho interrompido na gravidez, e permanecem de colo vazio. Mas são mães.
(…)
Algumas vêem os seus filhos morrer antes delas: na gravidez, no parto, em recém nascidos, ou adultos, E são mães, nunca deixam de ser mães.
(…)”

Que podem completo aqui

{#página112} 

978 depois de 18. 996 depois de 42.
Ainda faz sentido escrever? 

Ainda faz sentido falar? 

Ainda faz sentido sentir? 

………ainda faz sentido sequer tudo isto………? 

{do eco} 

Acção -> Reacção. 

Só que não. Só que não… Claro que não! 

Pior que falar com uma parede. Porque até a parede devolve o eco. 

É como se falasse com um Buraco Negro. Que engole tudo à sua volta sem devolver eco ou reacção. Quem sabe um dia passe a Buraco Branco e vomite o que tem guardado. Não deverá ser bonito. Mas é preferível uma Reacção a um absoluto vazio de tudo. 

{#página84} 

14610 dias. Ou 39 anos + 365 dias. A véspera dos 40. (como assim, 40…?)

Absolutamente aconchegada com o mimo de hoje. Obrigada, tanto, a quem esteve presente na despedida dos 39. E obrigada também a quem não pode estar mas que marcou presença na mesma, por mensagem ou por telefone, só para me deixar mais um bocadinho de mimo. 

O dia de festa é só amanhã, mas hoje valeu por tanto mais que o dia certo. 

Muito obrigada. Mesmo. 

(como assim, 40 amanhã…?) 

{#página40} 

Como se sobrevive no fundo do poço, onde falta o ar, falta a luz, falta a cor? 

Já lá estive antes. Não me recordo como saí… Ou recordo-me. Até bem demais. Três dias em silêncio até que um murro na mesa me trouxe de volta. 

Não vai haver murro na mesa desta vez. Não há murro na mesa há muito tempo, desde o dia “já não posso fazer nada por ti”. Porque um cobarde é um cobarde é um cobarde. 

Há, sim, várias luzes de presença. Que me chamam, que tentam puxar por mim. Mas eu não sei, já, como voltar para cima. Como corresponder ao chamamento dessas luzes de presença. Onde está a energia, a força, para me trazer de volta à superfície. 

Dizem que faz parte. Dizem que sou forte. Dizem que vou conseguir. Digo que até lá, um dia atrás do outro atrás do um, o esforço para sobreviver é demasiado grande, demasiado doloroso, demasiado violento. 

Onde vou para encontrar essa tal de força que me dizem que tenho? Onde vou para respirar quando o ar não entra e a voz não sai? Onde vou para regressar à superfície? 

Afogo-me todos os dias um pouco mais. Apago-me todos os dias um pouco mais. 

Como se sobrevive no fundo do poço, onde falta o ar, falta a luz, falta a cor? No fundo do poço onde estou eu, onde falto eu. 

{um cobarde é um cobarde é um cobarde} 

Um cobarde é um cobarde é um cobarde.

Um cobarde é o que diz a quem o quiser ouvir que não quer problemas, quer soluções. Esquecendo-se das consequências das soluções dos problemas.

Um cobarde é o que nega as consequências acreditando que são apenas danos colaterais quando, na realidade, são danos directos das soluções dos problemas.

Um cobarde é o que, depois de encontrada a solução, atira para debaixo do tapete as consequências e finge que não existem.

Um cobarde é um cobarde é um cobarde.

Alguém que lhe diga que não é por agora se dedicar ao voluntariado que a consciência lhe fica mais leve. Até porque um cobarde simplesmente não tem consciência para lhe pesar. E não serão as acções de voluntariado que agora apregoa que lhe vão trazer o que nunca teve: a dignidade de ser algo mais do que um cobarde.

Espalhe-se a palavra. Porque é sempre importante recordar a um cobarde que nunca passará disso mesmo, um cobarde. E a idade para se fazer homenzinho já vai longe.

Um cobarde é um cobarde é um cobarde. E nunca será mais que um cobarde.

{#página29} 

Um fim de semana. Um fim de semana apenas. Seria suficiente para fazer toda a diferença. 

Sem horários, sem pressas, sem pressões, sem preocupações que não apenas eu. Comigo. Com tempo, todo o tempo que o Tempo tem. 

Ritmo tranquilo. Lento porque sem pressa. Lento porque assim é o processo. De recuperação. De crescimento. De transformação. De entrega. De confiança. De reciprocidade. De dar e receber. Sobretudo receber. Talvez um pouco egoísta, mas receber. 

Um fim de semana. Um fim de semana apenas. Por não poder ser mais que o fim de semana. Porque lá fora ninguém espera por ninguém, ninguém espera por dias melhores de ninguém, porque há trabalho para fazer, horários para cumprir, rotinas para repetir. Sem tempo para perder Tempo. Mas sempre a perder Tempo. A adiar. Porque agora não dá, porque agora estou a trabalhar, porque agora está trânsito, porque agora chego tão tarde, porque agora o dia foi puxado, porque agora os outros primeiro, porque agora hoje é dia de consulta, porque agora está frio, porque agora está a chover, porque agora estou ocupada, porque agora, porque agora, porque agora. 

Quando? Quando eu? Não os outros. Não o trabalho. Não o trânsito, nem o frio, nem a chuva, nem já é tão tarde, nem o dia foi puxado. A consulta. Sim, dia de consulta é para mim. Por mim. Mas falta, nos outros dias, tudo aquilo que encontro ali uma vez por semana. Tudo e mais um pouco que não é dali, não é ali que encontro. De certa forma também é. Mas e o resto? E eu? 

Um fim de semana. Um fim de semana, não peço mais. Não posso pedir mais. Não posso querer mais. Um fim de semana apenas. Como um filme. Longa metragem sem intervalos nem pausas. Lento. Com todo o tempo que o Tempo pode ter num fim de semana. 2 dias. 2 noites. Eu. Apenas eu. Apenas por mim. Apenas para mim. 

Um fim de semana. Um fim de semana apenas. Um fim de semana. Terapêutico. Faria toda a diferença.