Category Archives: {Me me me!}

{#040.327.2024}

E, ao quinto dia, ela tem alta de um internamento inesperado mas necessário.

Acordar muito cedo, 6h30m, à hora habitual da enfermeira vir medir a tensão ou trazer-me os primeiros comprimidos do dia. Hoje, por algum motivo, a essa hora não veio nem uma nem outra.

Ver o tempo passar, anda de noite, a Ponte com as luzes apagadas excepto as luzes de sinalização.

Continuar a ver o tempo passar. Já depois das 8h um merecido banho em paz e sossego. 8h30 pequeno almoço. E aquela vontade imensa de um café.

Ainda de manhã cedo mais um exame. Ecografia às artérias do pescoço e da cabeça.

Voltar a ver o tempo passar até chegar a minha companheira incansável, a minha mãe.

Almoçar e esperar pelo médico para me dar alta. Na realidade são dois médicos que me têm acompanhado no internamento. Entregaram-me nota de alta, trataram da baixa por internamento, vieram dar mais indicações dos passos seguintes. O médico principal, o chefe de equipa, sempre muito simpático, daqueles médicos que explicam tudo para que não haja dúvidas. O segundo médico, provavelmente interno, também sempre prestável e de sorriso no rosto.

Está dada a alta. Saímos a tempo de apanhar o autocarro das 14h45 até Almada onde, depois de uma longa espera, apanhámos o autocarro para casa. Claro que antes de ir para casa tive que ir à esplanada do costume. O tão desejado café ia ser bebido ali. E foi! Se me soube bem? Prefiro a qualidade Nespresso que tenho em barda em casa à espera de nova máquina. Mas terei que continuar a aguardar. Bebe-se café no sítio do costume.

Já em casa foi difícil não me perder a responder a tantas mensagens que foram chegando ao longo da tarde. Como, aliás, aconteceu toda a semana. É tão bom e tão importante saber que não estou sozinha.

Jantar. E, às 20h20m, o telefone toca. Número privado, não há como saber quem liga. Mas o meu primeiro instinto de resposta foi imediato: é o médico. E era! Que havia novidades resultantes das Ressonâncias Magnéticas feitas em Janeiro. Quando toda a gente se concentra nas lesões no cérebro, ele decidiu ver o resto: a cervical e a dorsal. E encontrou outros sinais que não achou normais. Mostrou o exame a uma colega especialista em Cabeça/Pescoço e, depois de ter exposto a sua dúvida pediu a opinião à colega que corroborou a opinião do médico: fazer exame adicional para perceber daquelas lesões que mostram gânglios inflamados e é preciso perceber porquê. E até eventualmente tirar um para análise.

Não tenho medo do exame, tenho medo, claro, das possibilidades de resultados. Vamos esperar para ver.

O que eu não esperava era ter o médico a ligar-me às 20h20 para me informar da necessidade deste exame e ainda explicar o porquê.

Com este médico sinto que estou em boas mãos. O exame vai ser marcado para o mais breve possível. Depois logo se vê.

Mas, se estes 5 dias de internamento serviram para alguma coisa a nível pessoal, foi perceber que não estou sozinha, há muita gente a acompanhar-me. E isso é tão importante neste momento.

Um dia de cada vez. Agora é aproveitar que estou de volta à minha casa, ao meu cadeirão, à minha cama e estou a dois passos da esplanada do costume onde posso beber café e deixar-me estar.

Amanhã logo se vê..,

{#018.349.2024}

Dia muito estranho o de hoje… Acordar cedo porque as dores nas costas não me deixaram dormir. Sair de casa para beber café e aproveitar o Sol. Soube muito bem. Já tinha saudades de dias de Sol sem frio como esta manhã.

Voltar para casa muito tempo depois de ter saído e optar por repetir o exercício de Yoga que devo fazer todos os dias. Viparita karani asana. Deitada no chão e esticar as pernas na parede. Durante 10 minutos fazer respirações profundas e conscientes. Relaxar. E funciona.

É uma posição que ajuda a relaxar e ajuda a regular o sono de qualidade. A verdade é que, depois dos 10 minutos, foi difícil sair do estado de relaxamento em que me encontrava. Até almoçar foi difícil. Tudo muito devagar, devagarinho.

Depois do almoço, experenciar pela primeira vez dormir de olhos abertos. É muito estranho. Mas foi o que aconteceu…,até me esticar no sofá e, durante 4 horas, dormir profundamente…

Não sei de onde veio tanto sono. Mas ficou presente o resto do dia. E agora continua.

{#363.003.2023}

Dizem que é sexta feira. Na minha cabeça, por algum motivo, foi Sábado…

Não me lembro de metade do dia. Da manhã não há registo. E é tão estranho não me lembrar… Sei que não aconteceu nada. Agora, ao fazer um esforço, lembro-me que fui à rua beber café e comprar tabaco já muito perto da hora de almoço…depois e até voltar a sair de casa para ir à vila não me lembro…

É muito estranho sentir a memória em branco. Mas também é verdade que nos meus dias não se passa nada…

À tarde sim, lembro-me. Fui à vila tratar de mim. Depois uma rápida passagem pelo supermercado. E o regresso a casa.

Mas depois há aquela presença à distância de um clique que, cada vez mais, me sabe tão bem, tão certo. Não há tempo certo ou errado, há tempo e o que se faz com ele. E, neste momento, é isto o mais importante: o que é sentido e vivido a dois, ainda que os kilometros que nos separam sejam 135…

Devagarinho vou-me rendendo a um amigo ou outra palavra certa…a medo, claro. A voz da experiência grita-me a recordar-me de experiências anteriores que não correram bem mesmo que não tenha dado uso às palavras certas. Sei que, desta vez, tem tudo para dar certo, para correr bem. E daí a vontade de dar uso às palavras…

O que está do outro lado, o que está à distância de um clique é o que mais sentido faz. É o que é certo. Mesmo com tanta coisa pelo meio. E há muito tempo que não me sentia assim…

Amanhã vai ser um dia longo. Mas vai ser um bom dia. Porque, à distância de um clique, está a pessoa certa que me acompanha sempre e para todo o lado. E que me aconchega só por estar lá.

{#307.059.2023}

Dia de consulta com a médica de família. 5 minutos na sala de espera, 1 hora no consultório. Manter vigilância, repetir exames lá para Maio. Análises para rever valores pós medicação. Prolongamento da baixa por mais um mês…

Tratar de mim fez parte do dia. Porque só eu posso fazê-lo. E não gosto do momento actual. Mas quando penso que terei que voltar ao trabalho há um calhau com olhos que me relembra como cheguei a este ponto. E porquê também…

A incompetência é gritante. E isso perturba-me mais do que devia. Eu tento desligar mas não consigo. Especialmente quando tenho que comunicar a continuação da baixa e, como resposta, me pede o que já tinha sido enviado e não sabe onde está… É, eu mereço. Só pode. Claro que estas coisas mexem demasiado comigo, mesmo quando não deviam.

Tenho um mês para recuperar e reunir estratégias de defesa contra o que me perturba desta forma… 31 dias. E nesses 31 dias alguma coisa tem que mudar. Ou seja, eu tenho que mudar. Para melhor. Que é o mesmo que dizer que eu tenho que melhorar. A todos os níveis. Só não sei por onde começar…

Sexta feira longa. Cansada, claro. Com sono. E a preparar-me para acordar cedo amanhã para mais uma aula de Yoga logo cedo para começar bem o dia.

Amanhã? Será melhor. Gostava de sair e ir a algum sítio, mas nem sei onde nem sei fazer o quê. Mas apetecia-me um dia diferente. Que não vai acontecer. Mas o tempo também não parece que vá estar favorável, por isso estar em casa dedicada ao sofá, mantas e televisão é um plano tão bom como outro qualquer.

Por hoje chega. Amanhã logo se vê. Mas será melhor.

{soltar e deixar ir}

Voltando ao tema da publicação anterior: soltar e deixar ir dói para caraças. Mas consegue doer mais quando não se solta e deixa ir.

Soltei. Deixei ir. E o espaço que libertei foi preenchido por coisas e pessoas que não me fazem esperar. Até porque eu posso não ter pressa e não cedo a pressões, mas também (já) não fico eternamente à espera do que sei que nunca irá acontecer.

Soltar e deixar ir. Sempre me disseram que não era fugir. Era só não colocar pressão. Soltei. Deixei ir. Mas de vez em quando ainda volto lá atrás só para não me esquecer. Mas especialmente para não me esquecer de mim.

{dia 300, 6 anos depois}

6 anos depois, lembro-me onde estava a esta hora. São 19h50. Estava numa esplanada, que não a do costume, à espera…

Mal sabia o que me esperava nos 5 anos que se seguiram: esperar, esperar, esperar. Sempre. Até que decidi deixar de esperar. E, há um ano, decidi que não ia esperar mais. Mesmo assim não desisti no imediato. Ainda demorou dois meses e pouco até bater com a porta de vez. Antes disso, disseram-me “um dia destes vamos jantar”. Está bem. Só que não. Porque, se não tivesse desistido de esperar, estaria hoje há 11 meses à espera de “um dia destes” para um jantar que eu sempre soube, desde o primeiro momento, que não iria acontecer. Não vai acontecer.

Foi há 6 anos que esperei naquela esplanada. Hoje já não espero. Segui o meu caminho. E ainda bem que o fiz. O que ganhei ao longo deste ano, as pessoas que ganhei!., valem muito mais do que ficar à espera de uma ilusão.

Há 6 anos a esta hora esperava numa esplanada que não a do costume. E o jantar, prometido logo de início e repetido algumas vezes, foi sushi. E anda a apetecer-me muito ir ao sushi. Mas já não espero na esplanada, seja aquela de há 6 anos, seja aquela de todos os dias.

Quem quiser ir ao sushi, só precisa de dizer “bora”. 6 anos depois, as botas são as mesmas, as meias às riscas ainda existem e a magia acontece sempre que me apetecer.

6 anos. E aposto que só eu me lembro.

{Rir com ela}

Dizia eu ontem que ia continuar a rir com ela, como ela. Ela que sou eu.

Porque os anos passam mas continuamos a ser a mesma e única pessoa. Assim, a rir. Sempre. O mais possível.

{Ela, que sou eu}

Às vezes cruzo-me com esta foto. E, de cada vez que a vejo, recordo-me de mim mesma assim. Pequenina e a descobrir o Mundo.

Hoje, tantos anos depois, percebo que lhe devo tanto. Desde um agradecimento por ser sempre igual a si própria, a um pedido de desculpas por tê-la magoado tanto quando a devia ter protegido.

Ela, que sou eu, continua a descobrir o Mundo. E aprendeu a perdoar os erros de quem a devia ter protegido e falhou. Afinal, estávamos as duas a crescer e a descobrir o Mundo.

Hoje sei, sem dúvidas, que gosto muito dela. E não duvido que ela também gosta muito de mim. Venha o que vier, estamos cá uma para a outra, eu mulher adulta, ela a minha eterna criança interior.

Não há muito tempo atrás tive oportunidade de a abraçar e pedir perdão. Ela abraçou-me de volta e disse-me “somos Amor”. E somos. E enquanto continuarmos próximas, seguindo caminho de mãos dadas, sei que vou continuar a sorrir e a rir como ela e com ela. Ela, que sou eu.


Continuemos então. A descobrir o Mundo. E a ser o que somos: Amor.

{Quando eu morrer não levarei flores para o meu buraco}

Quando eu morrer… (eh)
Não levarei flores pra o meu buraco

Porque eu vou morrer… (eh…)
De cancro

E não se dão flores
E não se dão flores
E não se dão flores
A quem morre de cancro…
Não há tempo

Ou então vou morrer… (eh…)
Cheio de radiação

Devido a um erro qualquer… (qualquer…)
Sem importância

Agressão nuclear
Agressão nuclear
Bem planificada e perfeitamente justa…

E se eu escapar…(oh oh…)
Com vida a tudo isto

Morrerei de fome… (fome…)
Comido por um bicho

E não levarei flores
E não levarei flores
E não levarei flores

Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)
Pra o meu buraco (pra o meu buraco)

Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco
Pra o meu buraco

-Xutos & Pontapés-

-Quando eu morrer

Penso na morte mais vezes do que gostaria. Se calhar até mais vezes do que seria saudável. Penso na morte dos meus, claro, mas penso, acima de tudo e mais do que gostaria de admitir, na minha própria morte.

Há muitos anos que “sinto” que o tempo, o meu tempo, se está a esgotar. Claro que nada me garante que, de facto, esteja.


Nunca tinha pensado, apesar de tudo, no depois. Não na vida depois da morte, coisa que não existe, mas no funeral e no trabalho que, depois de morta, iria dar a quem cá fica.

Digo “iria” porque hoje tomei uma decisão. Que não custa nada e ainda pode ter a sua utilidade: doar o corpo à ciência.


Mesmo que seja só daqui a muitos anos, ficam já a saber que não haverá funeral. Nem velório. Nada de cerimónias fúnebres. Quem quiser, se quiser, que se junte para um almoço ou jantar. Sushi não é obrigatório, mas não era mal pensado. E bebam um copo por mim. Façam isso. E celebrem a vida. Enquanto eu, já depois de morrer, vou também celebrar a vida e doar o corpo à ciência.

Amanhã preencho o papel. Depois é só ir ao notário e, depois de reconhecida a assinatura, é só enviar o documento para a Faculdade de Medicina.

Sempre disse que o meu papel aqui passa pelos outros, para os outros. E nada como continuar a sê-lo quando o meu tempo deste lado se esgotar.

Já sabem: um almoço ou jantar e beber um copo por mim. Eu continuarei por aí a cumprir o meu papel.

{#223.143.2023}

Domingo e dia de consulta com o terapeuta fofinho. Que me atura, me deixa falar, onde todos os assuntos podem (e devem) virtual à baila. E onde, tantas vezes, também há lugar para bossa notícias. Como hoje. E eu sou tão menina para ficar feliz pelos outros! E fiquei! Eu estou! Muito!

Depois da consulta almoço com a família de adopção, aquela que adoptámos e nos adoptou.

À tarde, o nada. Não fazer nada. Adiar o que tinha que fazer. I’m telefonema recebido e, novamente, a certeza que esta nada hora de mudar. E, por isso mesmo, aquilo não tanto adiei foi-me feito hoje. Atirei o barro à parede. Bati a portas. No fundo, enviei currículos. Agora é acreditar que alguma coisa vai resultar. Porque onde estou está em fazer-me mais mala do que bem…

Mas tenho a sorteio de ter comigo quem melhor valoriza. E é disso é que eu preciso, ser valorizada, no trabalho e/ou fora dele. E neste caso é o que acontece. E é tão bom que a maiores parte das vezes me esqueço que existe um enorme mas…

Está mais do que na hora de dormir, mas a vontade é quase nula porque amanhã é dia de regresso ao trabalho e estou a somatizar o stress….

Mas vai correr tudo bem

{Dia Mundial da Prevenção do Suicídio}

10 de Setembro. Dia mundial da prevenção do suicídio. Porque é (sempre) importante falar da prevenção e, acima de tudo, é (sempre) importante falar da saúde mental.

Porque ninguém está sozinho. Mesmo que sinta que está.
Às vezes basta saber ouvir. Querer ouvir. Simplesmente ouvir. Porque a ideação suicida pode estar lá. E é importante também estar lá para quem sente que está à beira do limite.

Saber ouvir é importante, mas também é importante saber ler nas entrelinhas. Porque a ajuda pode estar já ali.

Eu pedi ajuda tantas vezes, mesmo que não explicitamente. E encontrei essa ajuda. Que estava já ali. Porque alguém soube ouvir, mas também soube ler nas entrelinhas.

E, tantos anos, depois confirmei o que suspeitaram na altura. Sim, tantas vezes senti que estava à beira do limite. E estava. Mas a ajuda surgiu. E mantém-se até hoje.

Já não tenho ideação suicida, mas não deixo de pegar neste assunto: saúde mental. Porque NINGUÉM está sozinho.

E no processo aprendi a importância de tirar os olhos do chão…

{#248.118.2023}

Terça feira e o peso do cansaço. E a dúvida sobre se realmente recuperei daquele estado que me levo a estar dois meses e meio de baixa em casa. Começo a achar que não. O cansaço físico acabo por ser ultrapassado, mas o cansaço mental, cuja presença se nota nas pequenas coisas, esse sinto-o cá. Hoje não foi fácil lidar com coisas tão simples como, no autocarro, sentir-me incomodada com alguém a ter uma conversa bao telefone e ser provavelmente americano

Seja como for, a música é importante e hoje, não foi excepção

Amd

{da frustração…}

Adeus, Campo Pequeno, até amanhã. Hoje não me apetece fotografar-te. Hoje magoaste-me, mesmo sem saberes e talvez até sem intenção. Mas agora é momento de lamber as feridas.

Sei que sou mais e melhor do que me fazem querer acreditar. Sei que sou capaz de muito mais do que atender o telefone com um cronómetro ligado ao sistema. Sei que tenho tanto mais para dar. E sei que posso ser tudo o que quiserem desde que me valorizem e me dêem uma oportunidade.

Hoje fechou-se aquela porta que se entreabriu há meses. Que eu quis sempre acreditar, mesmo ao fim deste tempo todo, que seria para eu atravessar. Não é.

Um stand-by que todos sabemos que quer dizer um redondo não. E, apesar de estar habituada à frustração, a de hoje é maior porque não fui eu que fui à procura, mas fui eu que fui procurada com grande entusiasmo. Se calhar até demais. E deixei-me levar por esse entusiasmo e esse ânimo por não duvidar, nem por um momento, que tinha tudo para correr bem.

Não correu.

É hora de lamber as feridas. Por hoje é assim. Mas, já amanhã, volto à luta com tudo o que tenho e tudo o que sou.

Não, Campo Pequeno, hoje não me apetece dedicar-te atenção. Preciso de tempo para processar, digerir e só depois gerir a frustração. Mas amanhã, já sabes, hei-de passar aí novamente. E um dia volto a dedicar-te a minha atenção. Só não hoje. Não ainda. Não já.

{Ar condicionado}

Gosto de pensar que não tenho inimigos. Tenho, claro, pessoas que não gostam de mim. Já tive, noutros tempos, pessoas que não gostavam de mim nem pintada de ouro e que tinham por mim uma inveja doentia e durante algum tempo (muito tempo, demasiado tempo) tentaram fazer-me a vida negra com foco no meu trabalho. Tentaram, e algumas vezes com êxito, virar pessoas contra mim e que, de facto, deixaram de me falar. Hoje ao olhar para trás percebo que é para o lado que durmo melhor em relação a quem deixou de estar e preferiu dar ouvidos a quem não media o seu ódio e a sua inveja (que eu nunca entendi) por mim. E, lá está, o foco era o meu trabalho.

Hoje o meu trabalho é outro. E esse foco já não existe. E espero que o ódio e a inveja se mantenham bem longe! Porém, se por acaso se lembrarem de focar novamente no meu trabalho, lembrem-se disto: tenho um ar condicionado capaz de congelar pessoas mesmo por cima de mim! E não tenho medo de o utilizar em quem tem demasiado tempo livre nas mãos.

Obrigada e boa tarde!

{#198.168.2023}

Eu às vezes meto-me em cada uma que chegam a parecer duas… Mas felizmente acabam por durar pouco.

O que, pelos vistos, não dura pouco é este cansaço absurdo que tenho em cima de mim. Foi só uma semana de trabalho, mas parece que voltei ao início desta fase menos boa: o Burnout.

Até quinta feira manhã tenho que receber o relatório da Ressonância Magnética mas parece estar a ser um parto difícil e eu insisto por telefone sem sucesso…

E hoje tive direito a fazer algo que há meses: conversei com quem anda distraído. Ou, pelo menos

É-me 5 the Itty u 4aaqmm

1994, 28 anos depois

E, esta tarde, em conversa fiz uma pequena viagem até ao Verão de 1994. Aquele Verão em que fui à praia duas vezes porque estava a passar férias em casa do meu pai com piscina à disposição no último piso do prédio. Praia cheia de gente para quê, se tinha a piscina?
Lembrei-me, também, daquela viagem às urgências de Santa Maria com o meu primeiro ataque de pânico, em que jurava que ia morrer. E lá, na urgência, sempre com o polícia atrás de mim porque o meu comportamento era “suspeito” (pudera! Para todos os efeitos estava a morrer!), a médica que me atende a primeira coisa que soube perguntar foi “então? O que é que meteste desta vez? Coca? Anfetaminas? Foi o quê?”
Simpática, portanto. Baseada no meu aspecto rebelde, apenas, e no comportamento de quem achava (mesmo!) que ia morrer. Passava largamente das 4h da manhã quando fui atendida. Perdi a conta ao número de murros e pontapés que dei naquelas paredes do corredor das urgências porque não sentia os pés e as mãos. E lembroo-me de arranhar os braços e a cara porque também não os sentia. Tudo era um formigueiro. E eu tinha que me sentir.

Não morri. Tinha um exame no dia seguinte e foi isso que fez disparar a ansiedade e disparatar para o ataque de pânico. Na consulta de urgência, depois daquela simpática pergunta, tudo passou e normalizou depois de responder “tenho um exame amanhã”. Deram-me um calmante de dose cavalar e alta. Eram 6h da manhã quando procurei por um táxi à porta do hospital. Táxis havia. Não havia era taxistas, que estavam mais preocupados em jogar à moeda (a dinheiro, claro) do que em apanhar passageiros. A falta que a Uber fazia naquele tempo e não sabíamos…

Fiz o exame. Não me lembro da nota. Mas, sendo um exame (prova global) de História do 10• ano, só pode ter corrido mal…🙄 não o suficiente para chumbar o ano, mas sei que História nunca foi o meu forte.

Começou assim aquele Verão de 1994. Em que a ansiedade e os ataques de pânico eram presença constante. Especialmente à noite, quando saía com a minha mãe para o meio da multidão. Ansiedade e ataques de pânico aos 17 anos em 1994? Quando ainda não se falava disso? Era todo um mundo novo desconhecido e assustador.

Mas depois havia a piscina. E foi lá, na piscina, que conheci aquele escocês de cabelo preto e olhos azuis por quem acabei por me apaixonar. E o resto do Verão foi tudo o que tinha que ser quando se tem 17 anos e uma piscina à disposição e as hormonas típicas da idade. E a rebeldia que me fez meter a mochila às costas e as Doc Martens nos pés uns meses mais tarde para cumprir as promessas desse Verão.

28 anos depois (como assim, 28 anos?), para variar não me esqueço de pormenor nenhum (a minha memória chega a ser assustadora…).
Gostava de saber dele (não, o Facebook não ajudou…🙄) e dos irmãos. Just because. Mas valem-me as memórias de um Verão adolescente com muito para contar.

E não, os ataques de pânico não me impediram de ir sozinha, de comboio aos 17 anos, até Bruxelas atrás de um escocês de cabelo preto e olhos azuis.

Se fosse hoje? Fazia tudo igual. Desde os murros e pontapés na urgência do hospital, passando pelo Verão na piscina até à viagem a Bruxelas. Mas desta vez (já) ia de avião.

Posso já não ter 17 anos no Cartão de Cidadão, mas não ando muito longe na minha cabeça.

Valem as memórias. E as histórias para contar. Essas ninguém mas tira. E isso é tão bom.

{#190.176.2022}

Sábado e o exame à porta. Dediquei-me ao estudo, claro. Não tanto quanto gostaria, mas com o cansaço acumulado e o calor abrasador não deu para muito mais. Testes vários, com avaliação positiva, mas queria mais. Queria melhor. Ainda tenho o dia de amanhã inteiro para rever pontos necessários e a noite de segunda feira para as últimas revisões. Vai correr bem. Vai ter que correr bem, não vai poder ser de outra forma.

Hoje queria muito um retorno por muito rápido que fosse em jeito de aconchego. Não aconteceu até agora, não vai acontecer hoje. Amanhã logo se vê.

Agora? Vou pegar nos manuais e vou continuar a estudar até não aguentar mais o sono. Amanhã será novo dia de estudo depois da consulta matinal. E depois logo se vê como será o dia.

{#32.334.2022}

Terça feira. Novamente um dia de trabalho cheio. Novamente uma noite interrompida. Novamente o retorno. Curto, rápido, mas retorno. É por continuar a haver retorno, por muito rápido e muito curto, que não desisto dos rituais.

E por isso, esta noite mantenho o hábito e o ritual. É importante para mim mantê-lo. Faz-me sentir bem. E faz-me sentido. E enquanto me fizer sentido, enquanto me fizer bem começar o dia com um bom dia e terminar com um boa noite, repito o ritual que dura desde o primeiro dia, há quatro anos.

Sim, gosto de sentir o que sinto. Acho que não me faz mal nenhum gostar disto. E não me faz mal o que isto é. É o que é, é certo, mas é bom.

Amanhã será mais um dia de rituais. E nem por isso será pior. Desde que haja retorno, por muito rápido e muito curto que possa ser. É bom e faz-me ganhar o dia saber que do outro lado há retorno. Sei que de vez em quando há silêncio, mas também sei que não é permanente e sei que se eu desaparecer, a minha ausência é notada. E saber isso é bom.

Sim, amanhã será um dia bom. E hoje também foi, mesmo com muito trabalho. E a noite, mesmo que venha a ser interrompida novamente, vai ser boa porque faço a minha parte: o ritual nocturno de desejar uma boa noite.

E é a isto que se resumem os meus dias: trabalho, rituais e retorno. Mas sempre, e acima de tudo, o retorno.

{#08.358.2021}

Ainda o frio. Claro que ainda o frio. Que faz com que não me sinta bem e desperta a hipocondríaca que há em mim.

Vai correr tudo bem. São ainda muitos dias até este frio imenso passar, mas vai correr tudo bem. E a hipocondríaca que há em mim vai ter que se acalmar.

Hoje não tive coragem ou sequer vontade de sair de casa depois do trabalho como costumo fazer. Tudo por causa do frio. Não devo sair no fim de semana também, embora tenha vontade de apanhar um pouco de Sol. Mas não tenho vontade do frio.

Não sei quando volto a sair. Vem aí novo confinamento que não deve tardar a começar e sair de casa vai ser coisa que não vai acontecer tão cedo. Até poder voltar a sair vou ter que aprender a lidar com a ansiedade do frio. Porque do que sinto mesmo falta é do Sol. E de calor qb, daquele calor que aconchega sem sufocar.

Está demasiado frio. A minha casa é demasiado fria. É uma combinação perigosa. Mas é com ela que agora tenho que lidar.

Vai correr tudo bem. Também ao frio vou sobreviver e, espera-se, sem danos de maior. Até lá, vou guardando as saudades do Sol.

{#115.252.2020}

Fim de formação, início de actividade nova. O friozinho na barriga de novos começos.

E é de novos começos que se trata. Novas experiências. Novos contactos e conhecimentos.

E, mais uma vez, o friozinho na barriga.

Gosto desse friozinho. Mas tenho saudades das borboletas. As borboletas na barriga da antecipação de encontros que agora não podem acontecer. Nem sei se alguma vez se irão repetir. Com muita pena minha…

São saudades que batem de vez em quando. Daqueles que trago comigo, em mim.