Category Archives: {#Set/2019}

{#259.107.2019}

Hoje o medo. O medo da perda novamente. De perder o que não tenho por ser totó. O gelo. Gelei por dentro e apenas por filmes criados na minha cabeça. Porque continuo perita nisso, nos filmes que aparecem na minha cabeça.

Hoje novamente o medo da perda. Mas como é que se pode perder o que não se tem? Perdendo… Perdendo o pouco que se vai recolhendo aqui e ali, pequenos nadas que só eu valorizo. E que contabilizo… E o medo de perder esses pequenos nadas gelou-me por dentro. Não gostei do que senti, como se esse filme que fiz ali no momento dentro da minha cabeça fosse real, fosse um facto consumado. Não gostei e percebi que esse medo gera sofrimento. Mais do que guardar comigo o que precisa ser dito.

Hoje chorei por dentro… Por uns breves instantes chorei por dentro. Por medo da perda e por me recriminar por não conseguir sair deste poço de insegurança e dizer o que tem que ser dito. Porque gosto de ti mais do que pensava e hoje, se ainda houvesse dúvidas, tive a confirmação do que no fundo já sabia.

Faço filmes na minha cabeça, mas são tantas as vezes em que acerto em cheio que agora tenho medo de estar certa mais uma vez.

E agora? Até quando é que vou guardar isto? Até quando é que vou aguentar sem me magoar ainda mais?

Tenho medo. Mas tenho que ter coragem de enfrentar esse medo e parar com os filmes que faço na minha cabeça e acalmar a ansiedade que esta dúvida me traz.

Vai correr bem. Vai ter que correr bem. Porque eu mereço que corra bem. E mereço mais do que apenas pequenos nadas.

O medo. Hoje novamente o medo… Da perda. De perder o que não tenho. De te perder a ti.

{#255.111.2019}

Não estou à espera do fim do mundo. Do mesmo modo que não sou nenhum comboio que possa eventualmente descarrilar. Sou um poço de insegurança e baixa auto-estima que de vez em quando perde um pouco o norte e sai dos trilhos.

Mas olho para cima enquanto vou, aos poucos, ganhando coragem para combater as inseguranças. E olho em frente para me manter, todos os dias, nos trilhos certos.

Nem tudo depende só de mim. O mundo não há-de acabar entretanto e eu hei-de dar o passo que há muito tempo devo a mim mesma. Mas nem tudo depende só de mim.

Vou combater as inseguranças. Vou aumentar a auto-estima.

Vou, lentamente, deixar de ser tão totó.

Mas não preciso que me recordem constantemente que estou a falhar comigo mesma.

{#254.112.2019}

Mudar as voltas à rotina, seguir por caminhos pouco habituais ao final do dia. Mudar a perspectiva.

Devia fazer disto mais vezes, já o tenho dito. Muito dito, pouco feito.

É urgente uma nova quebra de rotina no final de mais um dia das 9 às 6. É urgente seguir por novos caminhos. É urgente mudar a perspectiva.

Não foi, hoje, o que ando a pensar há tanto tempo, foi o que era necessário. Mas pode ser amanhã ou num qualquer amanhã próximo uma nova quebra da rotina como há tanto desejo. Haja vontade e, muito importante, disponibilidade e a coisa acontece.

Por mim era já hoje.

{#253.113.2019}

Dou por mim a visitar, demasiadas vezes, o mundo da fantasia. Uma espécie de mundo do faz de conta, mas que não é o mesmo de há uns anos.

Neste mundo da fantasia os meus desejos vão-se desenrolando ao sabor do que sinto, do que guardo cá dentro e que teimo em não partilhar. Sonho acordada, cabeça no ar, a saltaricar em bicos de pés como se fosse realidade o que sonho.

Esqueço-me, tantas vezes quantas visito o mundo da fantasia, que tudo o que sonho pode tornar-se real se eu revelar o que guardo comigo. Ou pode, pelo menos, fazer-me voltar a pôr os pés bem assentes na terra se as coisas não correrem como eu gostaria.

É bom visitar o mundo da fantasia. Porque me faz acreditar que sim, é possível. Mas faz-me mal manter-me por lá demasiado tempo. Porque corro o risco de ser totó a rodos e não ver o que está à minha frente.

Está na altura de ter uma conversa. De revelar o que guardo comigo. Não posso continuar a visitar o mundo da fantasia a toda a hora sem saber se não me irei magoar no mundo real.

Tenho medo do mundo real. E talvez seja por isso que me sinto tão bem no mundo da fantasia.

Mas é no mundo real que essa conversa tem que acontecer. É no mundo real que tenho que viver.

Até quando vou continuar a visitar o mundo da fantasia?

{#252.114.2019}

Olhar em frente e olhar para cima. São esses os objectivos. Tudo para não olhar para trás. Não serve de nada olhar para o que já foi.

Vou olhando para cima e, por vezes, esqueço-me de olhar em frente. Onde as cores do final de mais um dia me dizem que amanhã também vai ser bom.

Têm sido dias serenos. Que se mantenham assim por muito tempo. Mesmo com aquela agitação de borboletas na barriga que andam meio perdidas na dúvida e na incerteza do silêncio. É uma agitação que não queria sentir mas que me lembra das borboletas que andavam esquecidas. Mas não adormecidas.

Olhar em frente. Acalmar a agitação. Manter-me como nos últimos tempos: à tona sem risco de me afogar.

Amanhã também vai ser um dia bom. Porque flutuo por aí até quando perco, por momentos de agitação, o pé.

Vai ser bom.

{#251.115.2019}

Mais um dia vazio de histórias. Mas esses dias também contam. Porque não fazem parte de dias maus. Esses, os dias maus, estão longe.

Prefiro dias vazios de histórias a dias maus. Embora também prefira ter histórias para encher os meus dias.

{#249.117.2019}

É tempo de decidir. Se continuo o caminho sem saber onde vai dar ou se sigo a alternativa cujo destino já conheço e não me apetece por aí além.

Não posso é continuar na dúvida e, agora, em silêncio.

{#248.118.2019}

É demasiado fácil cair no cinzento. Por isso procuro para mim todas as cores. Mas o cor de rosa é sempre a primeira a aparecer.

E está lá sempre. Em mim.

{#246.120.2019}

Às vezes tenho medo. De voltar a cair num buraco escuro. Dos dias maus. Dos dias vazios.

Tenho medo. E não estou livre do que me assusta.

Tenho medo de não ter força se voltar a cair. Foi um esforço enorme para chegar onde estou hoje, não sei se conseguiria repetir todo o processo.

E por isso tenho medo. De cair e não saber ter força. Que ainda hoje não sei onde encontrei mas que duvido que se repita.

É isso, tenho medo. E também tenho medo de ter medo. Porque, sei, é sinal que sim, é possível voltar a cair.

{#245.121.2019}

Às vezes sinto-me tão pequenina. Como quando passo a ponte e vejo o sol ainda lá em cima. Lembro-me que não é preciso muito para me fazerem sorrir. E é assim, com uma vista desafogada, que me recordo que somos todos tão pequeninos no meio de tanta grandeza que é tão simples.

{#244.122.2019}

Aproveitar cada bocadinho para fazer o que me faz bem. Como apanhar um pouco de sol ou simplesmente estar. Não interessa onde, apenas estar.

Preciso de me lembrar de mim mesma mais vezes. Mesmo que, ou especialmente quando, não apeteça sair de casa ou da zona de conforto.

Tenho que contrariar isto.

Hoje foi bom ter contrariado.