{#015.351.2023}

Fechar portas atrás de mim. Seguir em frente. Acolher quem chega sem subterfúgios manhosos e objectivos demasiado definidos. Ir conhecendo. Dar-me a conhecer.

Ainda é muito cedo. Mas esta descoberta está a correr bem. E a ser interessante.

O que vier daqui será bem vindo. Porque vem por bem.

{#014.352.2023}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Hoje não houve tempo para ser aborrecido, foi dedicado a descansar. E, também, dedicado à descoberta. Uma nova descoberta. Porque, bastando querer, posso descobrir novidades todos os dias.

A descoberta anterior, pelos vistos, já deu o que tinha a dar. Foi o que foi. Nada de extraordinário viria dali, já o sabia. Sabia também o único objectivo. E o que foi, foi. Mas não deverá voltar. Seja. Não me incomoda.

A nova descoberta é todo um registo diferente. Curiosamente, o objectivo é tão simples como “à descoberta”. Assim, sem mais nada numa descrição que pode dizer tudo. Estamos ambos em sintonia quanto à descoberta. E estamos ambos de acordo quanto ao que vier: se vier, é lucro.

Não foi um Sábado aborrecido. Foi um Sábado tranquilo, para descansar, embora continue a sentir-me cansada. Mas amanhã ainda vou poder descansar. Depois da consulta com o terapeuta fofinho, volto para o quentinho. Vai saber bem, como sabe sempre.

A consulta vai ser importante para me ajudar a digerir a última semana. E a gerir as emoções que, felizmente, estão serenas. Mas aquela troca de mensagens ainda não foi totalmente digerida. Deixa-me triste que termine dessa forma. Comigo ainda um bocadinho zangada, mas acima de tudo desiludida. E cada vez mais desiludida, admito. Mas volto a bater no mesmo ponto: comportamentos condicionados não são para mim. E o problema não é meu. O problema não sou eu. E, a cada dia que passa, cada vez me interessa menos. Tenho pena, de facto, que termine assim. Não tinha que acontecer desta forma. Mas, e aprendi a detestar esta frase, é o que é.

Andar à descoberta também me tem ajudado a lidar com esta desilusão. E eu mereço mais do que tive nos últimos cinco anos. E devo a mim mesma a possibilidade da descoberta.

Amanhã? Logo se vê. Mas será um dia de descanso. E só por isso já vai ser bom.

{#013.353.2023}

Sexta feira e, finalmente, o fim de uma semana demasiado exigente a todos os níveis. Há muito tempo que não me custava tanto a gerir tantas emoções como nos últimos dias.

Muito cansada. Mas com vontade de me fazer à descoberta como nas últimas semanas. Tem sido interessante. E, como me disseram ontem, nada melhor do que ter com quem conversar. O que vier depois disso, se vier, é lucro.

Ainda a digerir a última troca de mensagens com quem já não é. Se é que alguma vez foi. Mas já não quero saber. Ainda tenho que digerir para depois gerir a ausência. Mas agora já não custa tanto. A partir do momento em que disse a mim mesma que já não quero saber, não quero mesmo. É passar do oito ao oitenta. Ou será do oitenta ao oito? Não sei, não interessa. O que interessa é que em primeiro lugar estou eu. Se há insegurança que gera ciúme que gera condicionamento, não sou eu que tenho que resolver. O problema não é meu. E definitivamente o problema não sou eu.

Finalmente fim de semana. Agora é descansar e tratar de mim. A ausência e o silêncio já não me afectam. A descoberta é o que importa agora. E o que vier, vem. Nem que seja apenas ter alguém com quem conversar.

De resto, mantenho o olhar lá em cima. Se não chorei em Junho, e doeu demais nessa altura, não é agora que vou chorar. Porque simplesmente não quero saber. E não vou permitir que comportamentos condicionados me afectem.

O importante agora é que, finalmente, é fim de semana, tempo de descansar e tratar de mim. Amanhã? Sábado, o dia mais aborrecido da semana, será um bom dia. Simplesmente porque eu quero que assim seja.

{#012.354.2023}

Esta semana está a ser um desafio como há muito tempo não tinha a nível de emoções. Não está a ser fácil gerir tudo e ainda conseguir ter cabeça para a formação que só termina amanhã e que vem muito carregada de informação.

Coração apertado de ansiedade e a querer pensar em coisas positivas mas sem conseguir, tal é o medo.

Cansada. Tanto. E cabeça absolutamente esgotada.

Vai correr tudo bem. O fim de semana está a chegar e aí vou ter tempo e ajuda para gerir e digerir tudo. Por agora tento ter uma noite tranquila. Amanhã será melhor. E, já o disse, vai correr tudo bem. Porque não pode ser de outra forma.

{#011.355.2023}

Começar o dia com mensagens já foi mais agradável. Não hoje…

Hoje foi só a confirmação de que estou, de facto, desiludida, magoada, chateada. Não diria zangada. Já o estive. Mas acho que agora estou, acima de tudo, desiludida. Muito desiludida. Nunca pensei que algum dia o estaria. Mas a verdade é que estou.

E cada vez tenho menos dúvidas do condicionamento. Ele existe. É real. E chega a ser gritante. Porque ninguém muda tanto em tão pouco tempo sem condicionamento. E é isso que me desilude, que me magoa.

A mudança de atitude é grande. De comportamento também. E tenho pena que alguém que se diz tão inteligente se deixe condicionar desta forma. E não, não sabe ler nas entrelinhas. Se soubesse tinha entendido a mensagem. E continua sem entender.

Mas agora, talvez por me sentir tão desiludida e magoada, não quero saber. Nunca gostei de pessoas que permitem o condicionamento, que o aceitam como algo normal quando não o é. E que mudam o comportamento sem motivo.

Estou zangada, afinal. Também estou zangada juntando a tudo o resto. E lamento, muito, que as coisas estejam como estão. Nunca pensei que viessem a estar desta forma. Mas estão. E não, a culpa não é minha…

Fazer o quê? Encolher os ombros, sorrir e acenar. E seguir em frente, continuando a olhar para cima. Recuso-me a voltar a ter os olhos no chão. Não fui eu que mudei. O resto? Logo se vê.

{#010.356.2023}

Fizemos o mais difícil. Dissemos adeus ao avô Zé.

E é nestas alturas que percebemos quem, de facto, está. Quem se importa.

Mais uma vez, palavras ditas só por dizer. Um “já te ligo” que nunca aconteceu…

Eu sei que fui eu que disse adeus. Talvez um adeus um bocadinho atabalhoado. Mas não fui eu quem reforçou a questão da amizade…

Areia para os olhos? Estou farta disso.

Amanhã? Será melhor. E só isso importa.

{#009.357.2023}

Sempre me chamou “Catarina da Rússia”. Desde que me lembro como gente que me lembro dele a chamar-me assim. Assim como me lembro dele ao fundo da sala no seu pullover amarelo a fumar o seu Português Suave ou a beber o seu café e respectivo xiripiti depois de almoço quando almoçávamos juntos.

Também me lembro do AVC. Do olhar assustado na maca quando chegou ao hospital e da forma como me agarrou a mão antes de entrar.
Passou pelo AVC sem grandes sequelas (se é que alguma!), passou com distinção por uma cirurgia que tinha tudo para correr mal (e correu até ele decidir que ainda era cedo), sobreviveu ao Covid duas vezes, em 2020 e 2022.

Trabalhou em farmácia toda a vida e tinha uma colecção de frascos de farmácia que eu adorava. E um dia, meio a sério, meio a brincar, disse-lhe “vô Zé, como herança posso ficar com os frascos?”. Disse-me que sim, mas nunca mais se falou nisso. Muitos anos depois, quando saiu de casa dele para o lar, ao desmontarmos a casa mandou o recado: “atenção que os frascos são para a Catarina”.

Não era meu avô de verdade. Mas sempre foi meu avô a sério.
Agora, fecha-se um ciclo. E a Catarina da Rússia segue órfã de avô…

{#008.358.2023}

O dia em que ficámos mais pobres… Toda a gente sabe que esta viagem tem um fim. E, aos 92 anos, é uma bonita idade para dizer que está na hora de parar.

Hoje perdemos o avô Zé. Ficámos, todos, mais pobres. Eu perdi um avô. Que me adoptou e deixou que eu o adoptasse também. Mais presente na minha vida do que o meu “avô de verdade”, desde sempre que me lembro da presença do avô Zé.

Sim, hoje ficámos, todos, mais pobres. Obrigada, vô Zé. Não me esqueço daquela passagem de ano em que, à meia noite e pondo um ponto final num ano difícil, me deu a mão e me pôs o braço por cima dos ombros quando, finalmente, consegui chorar. E ali ficámos os dois, sentados no sofá, de mãos dadas tal como verdadeiros avô e neta.

Dia triste, claro que sim. Mas que termina sabendo que foram 92 anos muito bons, dos quais 45 perto de mim.

Amanhã? Será um novo dia. O lugar que agora vagou não será preenchido. Deixa saudades. Mas amanhã será um novo dia. E, só porque sim, será bom. Vou ali dar uns mergulhos e umas braçadas até ao Bugio mesmo sem sair do sofá como fiz tantas vezes com o avô Zé. Daquelas coisas que só nós entendiamos e nos faziam rir cúmplices. Era uma coisa só nossa.

E, só porque tive este avô de adopção na minha vida, já valeu a pena.

{#007.359.2023}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Hoje não teve tempo de ser aborrecido. Começar logo de manhã com três horas e meia de formação. Trabalho que acontece ao fim de semana. Seja. Estou sempre disponível para aprender e permitir-me ser melhor no que faço. Custou acordar com hora marcada quando o que precisava era não ter horário? Custou. Mas a manhã passou a correr.

À tarde, e apesar da chuva, sair. E terminar a tarde numa esplanada em conversa de raparigas.

Não houve tempo para ser um dia aborrecido como os Sábados sabem ser. E, só por isso, foi um dia bom.

A descoberta continua. Devagar. E muito focada num único ponto. Mas, enquanto fizer sentido, será para continuar. É um enorme “logo se vê”? É. Mas não me apetece que seja de outra forma. Para já está a ser bom. Quando deixar de o ser, logo se vê.

Claro que continuo a pensar no que não devo. Ainda não consigo não me lembrar, não pensar, não sentir. Continuo zangada, mas agora por outro motivo. Estou zangada porque a mensagem que queria passar não chego lá. E é pena. Mas, quando a mensagem é passada apenas por escrito, há muita coisa que se perde pelo caminho. Um dia talvez venha a acontecer o tal jantar que foi falado há um mês e meio. E, se acontecer, talvez a mensagem seja entregue. Mas cada vez mais acho que esse jantar está numa to do list muito pouco verdadeira… Eu sei que a lista de prioridades é extensa e sei que o meu lugar nessa lista é muito lá para baixo. Mas não gosto que me atirem areia para os olhos com falsas promessas. Não sou assim. Não sei ser assim. E por isso custa quando me fazem isso…

Sábado à noite e a vontade de concretizar novamente um pouco mais da descoberta. Ao mesmo tempo, muito cansada. E com a cabeça a fugir para onde não devia. O melhor a fazer é desligar e enroscar para aquecer. E descansar. Amanhã? Dia de consulta com o terapeuta fofinho. E depois voltar para a ronha e tirar o dia para mim.

Depois? Logo se vê.

{#006.360.2023}

Sexta feira e, outra vez, o frio. Muito frio. Difícil de sair da cama logo de manhã por causa do frio…mas receber mensagens para começar o dia sabe bem e ajuda no impulso necessário para arrancar. É ir à descoberta. E logo se vê.

Dia sossegado, apesar de tudo. E a cabeça a começar a entrar nos eixos. Agora? É aproveitar o fim de semana, aquecer e descansar. E continuar a ir à descoberta.

{#005.361.2023}

Quinta feira e o frio. Lá fora e cá dentro.

E uma frase em loop na minha cabeça: “if you think I’m too much for you, go find less”… E esta frase resume os últimos dias. E define os próximos tempos.

E, ainda, uma certeza: no fim não serei eu quem sairá a perder…

{#004.362.2023}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. E sinto falta dos rituais. O matinal para começar bem o dia. O nocturno para terminar o dia com um aconchego. Tudo isto me fazia sentido. Tudo isto me fazia sentir bem. Tudo isto me fazia bem. Agora resta-me aprender a não ter nada disso. Começar o dia de forma quase vazia. Ir dormir quase desamparada. Mas, sei agora, foram rituais que duraram cinco anos e só a mim faziam bem. Para o outro lado era indiferente. Sempre foi indiferente. E, quando pensei em terminar com o ritual nocturno há seis meses, perguntei sobre isso e foi transferida para mim a decisão de o fazer ou não. A responsabilidade passou para mim porque, para o outro lado, interessava o que me fizesse feliz. Não foi isso que perguntei, lembro-me de pensar. Mas foi essa a resposta que tive. O politicamente correcto sem querer assumir a responsabilidade de uma situação que era tão simples de resolver. Bastava uma resposta sincera, fosse ela qual fosse.

Mantive o ritual ainda uns meses. Mas forcei-me a acabar com ele quando percebi que, em dado momento, já não estava a ser bem recebido. Acho até que, nesse momento, a minha presença, ainda que simplesmente online, não estava a ser bem recebida. Por isso, forcei-me a afastar-me. Cortei com o ritual nocturno, comecei a espaçar o ritual matinal até que acabei por cortar com esse também. Depois de cinco anos, em que esses rituais foram diários, cortar com eles não foi fácil. E todos os dias tenho vontade de os repetir. Mas não vão acontecer. Não só porque sei que não serão bem recebidos mas também porque sei que, neste momento, já não me vão fazer bem. E agora só me importa focar-me no que realmente me faz bem. Porque, percebo agora, estes cinco anos podem ter-me feito muito bem no início, mas nos últimos tempos só me têm feito mal. E isso eu não quero. Não preciso disso.

Ainda estou a gerir o que sinto sobre a decisão de dizer adeus. Um adeus que foi escrito, mas não foi entendido. Bastava ler nas entrelinhas. Mas, pelos vistos, não foi mesmo percebida a mensagem que quis transmitir. No entanto, vou-me afastando. Mas nem esse afastamento é entendido. Não vou sequer tentar fazer entender nada. Irá chegar o dia em que o outro lado vai perceber que não estou por perto. Não vai mudar nada, eu sei. Mas o que eu queria mesmo era que a leitura nas entrelinhas fosse feita correctamente e a mensagem chegasse ao destino…

Continua a ser tristeza aquilo que sinto. E um vazio pela ausência daqueles rituais diários que durante cinco anos me faziam sentir que havia alguém do outro lado. Hoje não há ninguém. E percebo que, se calhar, há muito tempo que esse alguém do outro lado estava apenas a ser politicamente correcto. E eu não gosto do politicamente correcto. Prefiro uma atitude sincera, doa ou não. Mas já percebi que é assim que o outro lado é. Nada a fazer, portanto…

Foi, portanto, mais um dia vazio. Amanhã não terei com quem realizar o ritual matinal, mas nem por isso o dia deixará de ser um bom dia. Simplesmente porque eu quero que assim seja. E porque a partir de agora só irei procurar o que me faz bem. A despedida foi feita. Entenda quem souber, de facto, ler nas entrelinhas…

{#003.363.2023}

Cansada de sair mais forte das situações. Porque implica ter que passar pela perda. Já devia estar habituada a perder, mas acho que nunca nos habituamos.

Já não estou (tão) zangada. Estou triste. Porque o fim está aí, se é que não veio já. A verdade é que já me despedi. Mas essa despedida não foi percebida. A mensagem seguiu, extensa. Onde estava tudo dito. Era só ler nas entrelinhas. Mas, ou as minhas entrelinhas são ilegíveis, ou então a mensagem não foi mesmo percebida.

Triste. É assim que me sinto. Mas sei que, agora, o tempo irá ajudar a amenizar o que sinto. E tudo o que sempre precisei foi de tempo. E não o tive. Tempo para deixar de ser o que sou: bicho do mato. Para poder sentir confiança em mim para conseguir mostrar-me como e quem sou. Tempo. Nunca pedi mais do que isso. E, na verdade, não o tive…

Mas agora terei esse tempo. Todo o tempo que for preciso para deixar de me sentir assim. Porque eu preciso desse tempo. E vou dar-me essa oportunidade. Depois de cinco anos, acho que mereço ter tempo para mim. Para lamber as feridas. Para recuperar. Para reerguer a cabeça. Para não me preocupar com mais ninguém que não eu mesma.

Um dia deixo de ser bicho do mato. Um dia, não sei quando nem como, deixo de ter medo de me dar a conhecer. Até lá, vou mantendo a armadura que carrego comigo. Aquela armadura que tenho desde sempre e que, nos últimos anos, se tornou quase impenetrável depois de tantas pancadas. E é dessa armadura que tenho que me desfazer se quero deixar de ser alguém que se esconde ao mínimo sinal de tentativa de aproximação.

Sim, preciso sempre de tempo. E desta vez não me deram o tempo que precisava. Foram cinco anos? De presença online sim. Mas de presença ao vivo foi apenas uma curta viagem que não me permitiu mostrar-me, não me permitiu ir despindo a armadura, dar-me a conhecer.

Sei que o fim está a chegar. Ou já chegou. Sei que a última vez até já deve ter acontecido, embora gostasse de ter um último momento para, de certa forma, me despedir. Já me despedi da única forma que me é permitido despedir. Mas essa despedida não foi percebida. Por isso, que aconteça essa última vez para poder definitivamente dizer adeus.

Triste. Posso sentir-me triste. Mas, com esta despedida, há uma coisa que eu sei: no fim não serei a perder. Já perdi o que tinha a perder, não posso perder mais. Por isso não serei eu quem sairá a perder. Porque há quem me vá perder a mim. Mas ainda não o percebeu…

Não sou perfeita, estou muito longe disso. Sou, estupidamente, bicho do mato. Mas não serei eu quem sairá a perder…

{#002.364.2023}

Dia de voltar ao trabalho. Sair de casa muito cedo, chegar a Lisboa bem mais cedo do que o habitual. Fazer tudo demasiado cedo. Previa-se um longo dia. E foi…

Receber resposta à mensagem que enviei. Não ter coragem para a ler…respirar fundo à hora de almoço, várias horas depois de saber que a mensagem tinha entrado. Entrar num estúpido estado de ansiedade simplesmente porque recebi resposta à minha mensagem. Ler. Tentar, no pouco tempo que tinha, assimilar tudo. Tentar, pelo meio, respirar e acalmar a ansiedade. Não responder a tua logo porque o tempo estava contado. Dizer apenas que responderia mais tarde, com tempo. E ter que gerir a ansiedade que se instalou até ser hora de apanhar o autocarro e aí sim, com tempo, começar a responder.

Ponto por ponto. Com calma. E tentar não me perder novamente e fazer entender o que originalmente quis transmitir. Não sei se consegui. Acabei por não ter tempo para responder a todos os pontos. Disse que continuaria mais tarde, quando chegasse a casa. Não o fiz. Ainda.

A ansiedade acalmou mas, por dentro, ainda tenho a sensação de estar a precisar de esclarecer tudo sem saber bem como o fazer. Acho que não vale a pena. Não vai mudar nada, nem eu quero que nada mude, com excepção do comportamento condicionado.

Era uma despedida. A minha mensagem era uma tentativa de colocar um ponto final naquilo que já não é. Mas já percebi que a mensagem não passou, não foi entendida como tal. Não sei se isso é bom. Também não sei até que ponto é que foi entendida e há algo ali que quer evitar que seja assim.

Ficou no ar a promessa de que o jantar vai acontecer. Mas eu não acredito em promessas há muito tempo. Têm tendência a não passar de palavras atiradas ao ar. Como me pareceu quando surgiu a ideia do jantar. Vamos ver…

Vou, ainda hoje, tentar concluir o que comecei esta tarde no caminho para casa. Não sei se o vou conseguir. Não hoje. Porque não gosto de esclarecer situações por mensagem… Prefiro uma conversa de viva voz. Presencial, de preferência. Talvez venha a acontecer. Não sei quando. Nem se vai realmente acontecer. Mas mantenho a minha vontade de colocar um ponto final naquilo que já não é.

Vamos ver. Se não concluir hoje, concluo amanhã ao final do dia, depois do trabalho que vai ser novamente a partir de casa durante este mês. Vou ter tempo para o meu momento comigo mesma na esplanada do costume. Vou ter tempo para pensar no que não devo. Vou ter tempo para reflectir. E logo se vê a que conclusões chego.

Amanhã? Logo se vê. Mas, dependendo de mim, será um dia bom. Porque eu quero e porque eu estou em primeiro lugar. Depois o resto. Primeiro estou eu. E por isso mesmo é que decidi colocar um ponto final naquilo que já não é. A amizade? Logo se vê se resiste…

{#001.365.2023}

Primeiro dia do ano. Domingo. Tinha tudo para ser um dia para descansar. Afinal, amanhã é dia de regresso ao trabalho depois de uma semana doente. E depois de uma noite com apenas quatro horas dormidas seria de esperar que tirasse o dia para me enroscar no sofá. Mas não foi isso que aconteceu, claro…

O primeiro dia do ano é dia de aniversário de um sobrinho do coração, sobrinho com sabor a Limão. Foi dia de ir almoçar com a família de adopção, que adoptámos e nos adoptou. Foi tranquilo, mas o que eu precisava mesmo era de recuperar da noite estupidamente curta.

Noite estupidamente curta porque durante todo o dia de ontem adiei escrever a mensagem que queria. Veio a passagem de ano (a mais solitária de sempre porque só eu estava acordada à meia noite…), veio o barulho e o fogo de artifício, veio a agitação na rua. E a mensagem continuava por escrever. Mas escrevi. E enviei.

Escrevi aquilo que chamo de mensagem mas que se tornou em algo extenso. Muito extenso. Como se fosse uma carta. Foi um email que, se fosse para imprimir, seriam três páginas. Onde expus tudo o que trago cá dentro. Onde falei do que sinto (sentia? Já não sei…) como nunca tinha falado antes a quem está do outro lado. Falei, pela primeira vez, do medo que senti tantas vezes. Perdi um pouco o rumo do que queria resumir. Porque não sei, nunca soube!, fazer resumos. Mas falei de tudo o que me levou ao momento de escrever a mensagem.

Enviei o email às 3h40 da manhã. Tinha começado a escrever pouco depois da meia noite e meia. Informei do envio. Disse “se quiseres ler”… Houve um muito breve retorno ao aviso já muito para lá das 5h da manhã. Como que a dizer “já sei que enviaste o email”.

Se foi lido? Se vai ser lido? Não faço ideia. Mas também sei que, devido à extensão do que escrevi, para ser lido vai ser necessário tempo. Disponibilidade. Quando é que vai haver essa disponibilidade? Ou até mesmo essa vontade? Não sei. Sei apenas que dificilmente haverá resposta. E não tem problema não haver resposta. Só gostava de saber que foi lido. Porque resposta não preciso.

Foi um fechar de ciclo. Foi o encerramento de algo que já não é. Foi uma despedida? Talvez. Não sei mesmo . Mas foi, de facto, não deixar nada por dizer.

É possível que esteja um bocadinho confuso, não no sentido do que quero dizer, mas na estrutura. Foram 3 horas. Cansada. Com sono. A escrever via telemóvel. Sim, é possível que a estrutura esteja estranha, confusa. Mas a mensagem que queria passar está lá. Se houver resposta, tudo bem. Lê-se e parte-se daí para onde tiver que ser. Se não houver resposta, que é o mais provável, sigo o meu caminho com a confirmação de que cinco anos foram descartados com enorme facilidade.

Hoje não vou pensar mais nessa mensagem. O que vier a partir daí, vem. Amanhã logo se vê…

Mas não podia ser de outra forma. Tinha que mandar cá para fora tudo o que trago cá dentro. Caso contrário, sei que não ficaria bem e acabaria consumida por isto

Não deixar nada por dizer. E não deixo. A mensagem seguiu, foi entregue. Se será lida? Não depende de mim.

Estou muito cansada. Por hoje chega. Amanhã? Logo se vê. Mas será um dia bom. Porque eu quero que assim seja. De resto, irei continuar a encolher os ombros, sorrir e acenar…

{#365.01.2022}

Último dia do ano. Passou-se tranquilo e sem História ou histórias.

Tirando o constante adiar do envio da mensagem que quero enviar com tudo o que trago cá dentro… Desde esta manhã que estou para escrever a mensagem de fim de ano que é também de fim de ciclo. São 22h45m e ainda não consegui sequer começar. Já sei que não me vai ser fácil. Já me trouxe ansiedade como há muito tempo não sentia. Mas está mais do que decidido que tenho que enviar. Não deixar nada por dizer. E colocar um ponto final naquilo que já não é.

É noite de passagem de ano. Há quem vá festejar. Eu vou descansar. Ou melhor, vou escrever o que quero enviar. E, quando terminar, vou dormir. Não me apetece festejar. Apetece-me apenas recolher, sentir e despedir-me do que já não é.

Amanhã? Dizem que é um novo ano. Mas será, como sempre, um dia de cada vez. E, claro, dificilmente haverá resposta ao que vou enviar. Pelo menos resposta com conteúdo…

Enfim. Fecha-se o ciclo. Foram cinco anos. Mas não vão ser sequer mais cinco dias, de certeza.

Que seja um ano tranquilo. É só o que peço. É só o que desejo. E se for assim já é bom.

{#364.02.2022}

Sexta feira e mais um dia em casa. Apesar de estar muito melhor, ainda não estou totalmente recuperada. Ainda me arrasto por pouco. Mas sem dúvida que estou melhor. Já consigo comer, beber e falar. Sem esforço. E isso é bom sinal. A medicação é para manter até ao final, claro, para evitar regressos indesejados.

O que, apesar da infecção, nunca desligou foi a minha cabeça. E dei por mim a falar (ou a escrever…) de saúde mental e da (minha) necessidade de deixar tudo dito. Hoje ficou o apelo a que se recorra à ajuda quando é preciso, porque todos precisamos de ajuda num ou noutro momento. E não é vergonha nenhuma nem sinal de fraqueza. É, sim, sinal de uma força imensa de quem reconhece não estar bem. Força que muitas vezes só se percebe que existe quando mais achamos que não a temos. Não, a saúde mental não pode continuar a ser tabu. Como ainda é em tantos casos…

Não deixar nada por dizer… Aprendi a não deixar nada por dizer. Aprendi que, ao não dizer tudo, somos consumidos pelo que a nossa cabeça carrega. E isso é prejudicial para a saúde mental. E é por isso que decidi que amanhã, último dia do ano, em jeito de mensagem de Ano Novo, vou deixar sair uma parte de mim. De forma ponderada, cuidada e, apesar de tudo, brutalmente honesta. Porque não posso, não consigo e não quero guardar tudo para mim. Não quero ser consumida por isto. Continuo zangada e não quero continuar assim. E deixar sair tudo é uma forma de cura. Durante demasiado tempo guardei comigo o que sentia. E era bonito. Mas neste momento não é. E não quero isso para mim. Também não quero voltar atrás, voltar a ficar no limbo. Quero apenas colocar um ponto final naquilo que já não é nada. Se é que alguma vez foi alguma coisa. Vejo agora que o mais provável é nunca ter sido nada…mas para mim foi.

Estou cansada de ser como sou. Gostava de simplesmente deixar ir o que já se perdeu. Mas não consigo fazê-lo sem deitar cá para fora o que me magoa. Se é bom fazê-lo? Talvez não seja. Mas não consigo ser de outra forma. E é por isso que estou cansada de ser como sou… De sentir tudo de forma tão intensa, o bom e o mau. De deitar cá para fora tudo, doa a quem doer. De ser brutalmente honesta.

Se vai doer? A mim vai. Ao outro lado? É capaz de não fazer sequer uma ligeira mossa. Mas não vou guardar tudo para mim. Termina o ano, termina também aquilo que tenho guardado em mim, comigo.

Felizmente antes de o fazer vou ter consulta com o terapeuta fofinho de manhã. Vou falar sobre esta decisão. E vou confirmar que é só mais uma característica da minha personalidade borderline. Que ainda não entendo na totalidade, mas que começo a reconhecer.

Sou como sou. Sou quem sou. Se queria ser assim? Não. Mas não vou permitir que isto me consuma muito mais tempo. Porque em primeiro lugar estou eu. E está o bem estar da minha saúde mental. Não posso apelar a que todos se preocupem com a sua saúde mental e pôr a minha de lado…

Sim, eu em primeiro lugar. Depois o resto. Porque o resto é o resto. Primeiro estou eu. Depois os outros. Não me preocupa se vai doer aos outros. Continuo a achar que não vai fazer mossa. A mim dói há algum tempo. Mais tempo do que gostaria. Mas que tenho permitido. Talvez pelo medo da perda, do abandono. Tenho permitido manter-me no limbo. Sem rumo. Sem propósito. Sem razão…

Termino o ano e decido que o próximo será melhor. Sem este peso. Sem esta espécie de prisão que é o estar no limbo.

Sei que a única pessoa responsável por isto sou eu. Nunca fui levada ao engano. Fui eu que me enganei a mim mesma durante tanto tempo. E começo agora a tratar de mim como deve ser. Como tem que ser. É hora de soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. É simplesmente não querer agarrar-me a algo que faz doer. E que (já) não faz sentido.

Está na altura certa para avançar por mim, para mim. Eu em primeiro lugar. Doa a quem doer. Não deixar nada por dizer.

Vai doer? A mim vai…mas amanhã logo se vê. E é continuar a encolher os ombros, sorrir e acenar…

Foi bom. Mas neste momento já não está a ser…

{#363.03.2022}

Dia muito longo e difícil para quem ainda está longe de estar recuperada. Ir para Lisboa hoje só mesmo para uma consulta de especialidade marcada desde Julho. Aquela consulta que acontece duas vezes por ano. A que trata da saúde mental. Tão importante e que, ao início, eu cheguei a recusar. Até perceber (e aceitar…) que precisava de ajuda.

Não foi fácil sair de casa relativamente cedo para ir à consulta. Mas mais difícil ainda foi arrastar-me no caminho. Literalmente arrastar-me. Há muito tempo que não me sentia assim. Já estou um bocadinho melhor, mas a recuperação está a ser lenta…mais lenta do que eu gostaria.

Amanhã, tal como hoje, ainda não irei trabalhar. Por isso vou aproveitar para descansar. É preciso conseguir recuperar. É preciso não me arrastar para fazer coisas simples. É preciso cuidar de mim. Porque primeiro estou eu.

Hoje mais um dia de silêncio. Seja. A contagem dos dias já ultrapassa um mês. Será, então, uma contagem sem fim à vista. Seja então.

Amanhã será melhor. E eu irei ficar bem com o tempo.

{#362.04.2022}

Ainda em casa, ainda doente numa lenta recuperação.

Mas vai melhorar. Devagar, mas vai passar.

O silêncio? Continua presente. E eu continuo zangada. Mas também isto vai melhorar. Não estarei zangada para sempre. Já o silêncio…

Enfim. É continuar a encolher os ombros, sorrir e acenar. Se encolher os ombros se nota? É mesmo para notar. Só não vê quem não quer ver. Só não pergunta quem não quer saber. E mantenho a minha opinião: há condicionamentos em adultos. E isso é triste. Mas é o que é. Paciência.

Amanhã será melhor. E por hoje, dia demasiado longo, já chega.

{#361.05.2022}

Terça feira, terceiro dia doente e absolutamente farta disto. Dores de garganta que me derrubaram ao ponto de ser muito difícil falar e/ou engolir seja o que for.

Dormir. É só o que me apetece. E é o que mais preciso. Amanhã será mais um dia em casa. Para me recompor e recuperar. Há muito tempo que não me sentia assim. Mas também há muito tempo que não passava por uma infecção destas.

E, enquanto me arrasto, não deixo de pensar no que e em quem não devia. Mas, já o tenho dito, quem quer saber, pergunta. Quem não quer, mantém o silêncio. E é o silêncio que continua presente. Seja. Já não quero saber. Custa, mas não quero saber. Embora admita que uma simples mensagem a desejar as melhoras pudesse fazer toda a diferença.

É triste terminar assim, já o disse também. Mágoa depois de cinco anos de interacção diária. Neste momento, não somos mais do que dois estranhos. E ninguém me tira da cabeça que sei o porquê. Condicionamentos. Que não aceito. Mas ninguém me convence que não estou certa. A única pessoa que o poderia fazer é a que se mantém em silêncio. Fez-se presente no Natal numa mensagem sem conteúdo, dirigida a toda a lista de contactos, enviada por atacado num sistema alternativo. Mais valia não ter dito nada. Mas, lá está, é o dizer por dizer, para ficar bem na fotografia.

Não quero saber. Não quero mais isto. Não quero ser alguém a quem se recorre quando as coisas correm mal. Não quero que se lembrem de ter disponibilidade só nesse altura. Disponibilidade essa que é sempre algo limitada, até indisponível.

Parece que só nessa altura é que eu existo. Quando, nos últimos cinco anos, estive sempre disponível, a qualquer momento, nos momentos maus mas também nos momentos bons. Mas, pelos vistos, só quando algo não corre bem é que a disponibilidade surge.

Não quero mais. Sou mais importante do que isso. Por isso, para mim chega. Mantém-se o politicamente correcto. Mas só mesmo isso. Porque, já percebi, tentar pegar num assunto para resolver e esclarecer tem como resposta o silêncio.

É uma desilusão? É. E grande. Nunca pensei que fosse possível desiludir-me assim por alguém que sempre tive em muito boa conta.

Dizia, há seis meses, que se fosse um canalha seria mais fácil lidar com a surpresa daquele murro no estômago, naquele dia em que as borboletas morreram. Não sendo um canalha, não deixa de ser alguém que, hoje, me desilude pela atitude de quem tem o seu comportamento altamente condicionado. E desilude muito. Muito mais do que alguma vez achei possível vindo de quem vem.

Mas é assim. Vivendo e aprendendo. É só mais uma desilusão para juntar a tantas outras. E, decerto, não será a última. Será só mais uma. Vai doer, já está a doer, mas vai passar. Passam todas. Nenhuma desilusão fica para sempre. Aprende-se a viver com elas. E avança-se sempre. É o que estou a fazer.

Amanhã? Continuarei doente da garganta. Continuarei a pensar no que e em quem não devo. Mas um dia tudo isto melhora. Só é preciso tempo. E eu não tenho pressa. Também não tenho tempo para perder Tempo. Mas, acima de tudo, não tenho pressa. E se alguém quiser saber alguma, sabe onde e como me encontrar. E quem quer saber pergunta. Quem não quer, mantém o silêncio. Como agora.

Sim, amanhã será melhor. E em primeiro lugar estou eu. O resto é o resto. Não vou voltar a preocupar-me com quem não o merece…