{#161.205.2022}

Fins de semana grandes, em tempo de crise como agora, costumam ser perigosos. Demasiado tempo livre para pensar e sentir. Sempre intensamente, claro.

Hoje, feriado, sexta feira, valeu-me ter que me dedicar ao estudo. Foram mais de 6 horas dedicadas a essa coisa que é o curso e que está quase aí. Não deixei de pensar completamente, nem de sentir, mas pelo menos estive ocupada.

Tentei, ainda, marcar o que foi desmarcado. Ainda não consegui. Mas não desisti. Porque há uma conversa que tem que acontecer. E rapidamente ou deixa de fazer sentido e eu entro por um caminho que não quero.

Sou paciente. Sempre fui. Desde o primeiro dia que espero sempre. Seja para o que for, calha-me a mim a espera. Mas desta vez não quero esperar. Não muito. Torço para que as notícias na segunda feira sejam as melhores para que essa conversa possa acontecer rapidamente, mas quero ter já uma data.

Se vou insistir? Vou. Se gosto de o fazer? Não. Mas neste momento impõe-se que o seja. Há quem me esteja a dever uma conversa. E se teve que ser adiada, eu só tive que aceitar. Mas não posso continuar a aceitar tudo.

Parei o estudo há uma hora e meia e a cabeça já disparou. Não pode. Por isso vou perguntar o que tenho a perguntar e vou-me agarrar aos manuais até o sono chegar. Voltar a ocupar a cabeça. Talvez ainda hoje tenha resposta.

Mas o mais certo é não ter… E ainda hoje é sexta feira……..

{#160.206.2022}

Dizem que é quinta feira. A mim soa-me a quarta. Mas amanhã é feriado, por isso é como se fosse sexta. Mas ando completamente perdida nos dias…

Tem-me valido o trabalho para me ocupar a cabeça. E os próximos três dias de fim de semana têm tudo para correr mal. Porque é muito tempo sem trabalho…

Mas, com o curso para fazer, vou dedicar-me a sério ao estudo e tentar não pensar. Não pensar e, acima de tudo, não sentir, que é a parte mais difícil.

A vontade? É manter tudo como estava. Mas neste momento não consigo. Ainda não consigo. Quero que o outro lado perceba o que vai cá dentro e sinta que não, não estou bem. Porque não estou. Pode ser egoísta da minha parte, mas neste momento tenho que o ser para tentar lidar com o que sinto. E o que sinto não é para ficar escondido.

Nunca escondi o que sinto, o bom mas especialmente o mau. Não é agora que isso vai mudar.

Amanhã tenho um telefonema para fazer, um pedido de ajuda técnica. Não sei se vou ter coragem para o fazer…

Logo se vê…

O importante é o agora. Como estou agora. E, por não ter tido muito tempo para pensar e sentir, estou um bocado adormecida. Por isso amanhã logo se vê.

Por agora esforço-me para não cair no ritual nocturno. Porque já não faz sentido acontecer…

Amanhã? Será melhor…

{#159.207.2022}

Mais um dia perdida em mim. O mais difícil? Manter a cabeça ocupada depois do trabalho. E evitar a troca de mensagens.

Perdida é como me sinto. Em mim. Sem saber como me reencontrar no meio desta confusão de sentimentos da última semana e meia.

Não devia fazer-me presente. Devia afastar-me. Devia estar sossegada no meu canto de onde nunca devia ter saído. Mas especialmente agora, agora devia mesmo manter-me longe. Fazer-me ausente, distante.

Não consigo. É uma quebra de rotina muito grande, especialmente quando se fala de rituais, matinais e nocturnos, que desde o primeiro dia me faziam bem. Me faziam sentir bem. Mas que agora não fazem sentido.

Se me fazem falta? Muita. E por isso me custa tanto fazer-me ausente, distante.

Mas não é possível alguém ter o melhor de dois mundos e eu não ter nada. Por isso, por muito que me custe, vou ter que arranjar força para me fazer ausente, distante.

É uma merda, é o que é. Às vezes a ignorância é uma bênção, e hoje preferia continuar na ignorância. Mas já sei. E enquanto não acontecer a conversa que é necessária, sei que não vou conseguir avançar. Não sei como vai correr nem como vai ser depois disso. Sei que não vai ser fácil. E sei que não quero perder mais do que já perdi. Não quero perder um amigo.

Era tão mais fácil se estivesse a falar de um canalha… Mas não estou. Muito pelo contrário. E isso custa muito mais do que um canalha. Porque com um canalha há a possibilidade de me zangar e canalizar a raiva da desilusão. Mas não estou a falar de um canalha…

E isso custa tanto…

Quarta feira da segunda semana. E ainda não chorei. E preciso tanto de o fazer… Mas ainda não foi hoje.

Um dia isto acalma. Um dia isto passa.

Um dia. Mas não hoje. Não ainda. Não já…

{#158.208.2022}

Podia descrever o dia de hoje como a terça feira que não aconteceu…

O jantar que estava programado, porque necessário, não aconteceu. What else is new…?

Nada que não esperasse. Sei que não foi intencional. Foi um imprevisto. Mas ainda assim…

Terça feira que não aconteceu. Há-de acontecer noutro dia qualquer. Não sei quando. Sei apenas que, para mim, é urgente que aconteça. Mas vai depender de vários factores que nenhum dos dois pode controlar.

Como sempre, desde o primeiro dia, entro em modo sitting, waiting, wishing. Tenho esperado sempre, desde o primeiro dia, porque não hei-de esperar agora também…?

Enfim…encolho os ombros e peço ao universo que me traga algo de positivo com esta nova espera. O jantar vai ter que acontecer. A conversa também. E, o que devia acontecer depressa, vai-me deixar em sofrimento mais tempo…e eu vou ter que aguentar.

{#157.209.2022}

Segunda feira e ainda não foi hoje que chorei.

E a ansiedade a instalar-se em força. Porque amanhã está mesmo aí a chegar. Já há hora. Já há menu. Só não há coragem. Minha. Porque tenho a sensação de se estar a encerrar um ciclo de forma muito similar ao seu início. E é por isso que a ansiedade está já presente.

Não quero um fim. Porque não tem que ser um fim. Não pode ser um fim. Mas sinto-o como tal. E quero tanto estar errada nisto…

O trabalho ajuda a manter a cabeça ocupada. Hoje foi dia de ficar mais uma hora e ainda de estudar depois do jantar para o exame. E também isso me está a provocar ansiedade. E eu não tinha saudades nenhumas deste desconforto da ansiedade. O ar que não entra. Nem sai. E toda a somatização que a ansiedade traz é muito mais do que desconfortável. É simplesmente algo horrível, especialmente quando já não nos lembramos de como se controla esse bicho.

Mas a ansiedade do exame ainda tem tempo para evoluir para algo mais tranquilo. Já a ansiedade por amanhã não tem tempo para acalmar. Não tem tempo para ser controlada de outra forma que não à base de químicos. Seja, então.

Amanhã vai ser um dia muito longo. E vai ser difícil de conseguir acalmar a ansiedade. Já hoje a falta de paciência esteve presente. Amanhã logo se vê.

Por agora tento desligar, não pensar, não sentir. Enquanto isso espero pelo efeito dos químicos para acalmar a ansiedade e diminuir a somatização.

Amanhã só não quero chorar. Tive uma semana inteira para o fazer. Não pode ser amanhã que vai acontecer. Dê por onde der, não vai poder acontecer. E é disso, também, que tenho medo.

Na verdade, para amanhã tenho medo de muita coisa. Tanta coisa que não sei por onde começar a riscar aquilo de que não preciso de ter medo.

Sinto sempre tudo intensamente. O bom e o mau. E assim como tenho sentido de forma intensa o bom destes 4 anos e meio, agora também sinto intensamente esta coisa que aconteceu e me deixou neste estado que não sei descrever de outra forma que não seja profundamente deprimida. Triste. Dorida. Perdida.

Enfim…vamos ver como corre o dia amanhã. Mas especialmente como corre a noite…

Felizmente sei que não estou sozinha. E que basta um sinal para ter quem me dê a mão. E isso diz-me que suportar tudo isto vai ser mais fácil. Principalmente por não estar sozinha e por ter quem não me deixe cair.

Amanhã. Vai correr bem. Vai ter que correr bem.

Logo se vê…

{#156.210.2022}

Ainda de ontem: depois do jantar de miúdas, já em casa, ainda houve tempo para alguma conversa com o outro lado…não muita, porque a minha vontade era de chorar e não de conversar. Até porque, e já lhe disse, há conversas que são para ser faladas e não escritas. Entendeu e aceitou.

Sei que há um esforço daquele lado de manter as coisas como estavam, como eram antes do último Domingo. Serão para manter, mas preciso do meu tempo. Preciso de sentir tudo o que estou a sentir, aprender a lidar com a dor – porque dói, muito mais do que imaginei possível – e com tempo voltar ao que era. Porque a amizade é para ser mantida. E se fui eu que o pedi há dois anos quando me expus, agora esse pedido vem do outro lado.

Será sempre um porto de abrigo. Será sempre uma boa amizade. Por muito que o que trago comigo, cá dentro, em mim quisesse mais. Já sabia não ser possível, mas agora não há sequer a hipótese de deixar o meu estúpido gut feeling sussurrar-me ao ouvido.

Não, ainda não consegui chorar. Nem na consulta desta manhã com quem sabe arrancar-me o choro cá de dentro como ninguém… E eu não quero chorar na terça feira. Não ali. Não com ele.

Não consigo chorar, mas também não consigo sorrir. Não tenho vontade de sorrir. Não tenho força. E há muito tempo que não sentia isto. E não gosto de me sentir assim. E tenho medo. Muito medo de voltar ao lugar escuro onde já estive. E neste momento sinto que é para lá que vou caminhando a passos largos.

Uma semana. E foi o suficiente para me enterrar fundo. Dizem-me que não, não estou lá embora possa parecer. E que agora tenho outros apoios e outras ferramentas. E que sou mais forte do que penso. Sim, tenho apoios hoje que não tive em 2014. E as circunstâncias são muito diferentes, embora o que sinto seja muito semelhante. Mas não sei usar essas tais ferramentas. Não sei onde ir buscar a força que me dizem que tenho. E por isso me sinto perdida.

Não quero sentir-me assim. Não gosto de me sentir assim. Mas tenho que sentir tudo para poder avançar.

E a única pessoa que poderia fazer-me querer sair de onde estou, como já fez sem saber, não está comigo…

Dói. Chega a doer fisicamente como nunca pensei ser possível. Dói por dentro, dói por fora, dói apenas. E dói demais.

Terça feira está quase aí. Mas, como sempre, só irei acreditar quando de facto acontecer. Porque estou sempre à espera de alguma coisa de última hora para que não aconteça. Mas terça feira está quase aí. E eu ainda não chorei.

Aconteça o que acontecer, não posso chorar na terça feira.

Amanhã? Trabalhar a partir de casa, estudar depois do trabalho, ocupar a cabeça e tentar ter um dia melhor do que o fim de semana. Foram dois dias muito maus. E eu não posso deixar que os dias maus se instalem confortavelmente como parecem estar a instalar-se…

{#155.211.2022}

Sábado nunca é um dia fácil por ser aborrecido. Hoje, mais preenchido do que habitualmente, não foi fácil porque a última semana também não o tem sido…

Valeu pelo jantar de miúdas, conversa de raparigas. É também para momentos destes que servem os amigos.

Falta muito para terça feira…?

{#154.212.2022}

Já sei como se adormecem as borboletas na barriga: com um murro no estômago.

Terça feira já não está muito longe. E as borboletas, mesmo adormecidas, fazem-se sentir. Mas desta vez apreensivas. Com medo. Da conversa. Da reacção, minha e do outro lado. Do resultado.

Por outro lado, não acredito em promessas e deixei de fazer planos. Por isso tento não pensar muito nesse dia. Acho que só quando estiver na mesa para dois é que vou acreditar que o jantar vai acontecer. E, com o jantar, a conversa que sei ser necessária. E que, desta vez, não é de minha iniciativa. E é isso que me assusta e deixa apreensiva. Sei que os sinais são positivos, dentro do que é possível ser positivo. Mas tenho medo de como vou reagir na altura. Não quero chorar. Não quero ser desagradável. Não quero reagir mal. Mas também não quero sair ainda mais magoada.

Vai doer de qualquer maneira. Porque já está a doer desde domingo. A semana foi dura, mas o trabalho ajudou a distrair e a ocupar a cabeça. O grande problema agora é o fim de semana… Demasiado tempo livre, demasiada antecipação. Perfeito para não ser bom.

Mais uma vez, para não me esquecer: não acredito em promessas e deixei de fazer planos. Terça feira logo se vê o que acontece ou não. Porque estou sempre à espera de mudança de planos em cima da hora.

Vamos ver.

Há um longo caminho a percorrer. Uma ponte que tenho que voltar a passar, mesmo com a vertigem do salto que me acompanha, especialmente nos dias menos bons. Mas é preciso percorrer esse caminho, passar essa ponte. Outra vez.

Mas, desta vez, sei que não estou sozinha. E isso vai fazer toda a diferença.

{#153.213.2022}

Eu disse que não ia quebrar o silêncio. Quebrei. E novamente a promessa de mesa para dois. Claro que tive que reverter o texto que me chegou. Porque não é só o eu querer alguma coisa. Parece que agora interessa ao outro lado que essa mesa para dois aconteça. E tive que reforçar isso. Porque é sabido, há vários meses, que eu quero que essa mesa para dois aconteça. Mas, pelos vistos, só agora faz sentido ao outro lado porque agora é preciso conversar. Conversa séria, parece-me. Conversa séria, quero que seja.

Não sei se terei muita coisa a dizer. Ou a ouvir. Mas é preciso que aconteça.

Terça feira. É esse o dia prometido. Mas eu não acredito em promessas. Nem faço planos. Por isso é esperar para ver.

Ainda não chorei. E espero não chorar nesse dia. Até lá ainda tenho tempo para digerir tudo e gerir as emoções que estão à flor da pele. Vamos ver.

Amanhã é sexta feira. Vamos ver como corre.

{#152.214.2022}

Está a ser difícil olhar para cima… A vontade é não tirar os olhos do chão. Outra vez. Sei que não pode ser. Sei que não me faz bem nenhum. Mas a vontade é essa. Assim como permanecer calada ao pé dos outros. Não só porque não tenho nada para dizer como também simplesmente não me apetece falar.

A falta de paciência. Para coisas pequeninas. Para pessoas. Simplesmente a falta de paciência. E de tolerância…

Já vi este cenário antes. Já vivi este cenário antes. E não foi bom. Ainda me lembro daqueles três dias no Verão de 2014 em que não falei. Porque não quis falar. Porque não tinha nada para dizer. Porque não me apetecia falar.

Está cá tudo outra vez. Não quero isto para mim de novo. Mas está cá tudo. Outra vez. E eu não sei como parar este carrossel.

Às vezes não saber é a melhor defesa. Mas agora sei. E é por saber que dói. Preferia não saber. Estava bem assim. Mas agora sei. E não posso voltar atrás, não é possível voltar atrás.

Dói? Muito. Mais do que alguma vez pensei que pudesse doer. E sei que também a ausência e o silêncio ajudam a que doa mais. Mas, já o disse antes, não serei eu a quebrar o silêncio. Não agora. Não ainda. Não tão cedo.

Ainda não chorei. Preciso de o fazer, mas não consigo. Sei que não resolve nada. Mas alivia a pressão que sinto no meu corpo. Porque também o meu corpo me dói. Porque estou a somatizar tudo.

É…é uma merda. Pode ser que um dia fique melhor e não doa tanto. Mas agora, neste momento, dói demasiado.

Sei que sou responsável por boa parte dessa dor, pelas expectativas que criei ao longo dos últimos 4 anos e meio. Porque acreditei naquilo que não existia. Porque só eu via o que não estava lá para ver.

Mas volto a dizer: o que trago cá dentro, comigo, em mim, é bonito. Porque é puro. Desinteressado. É bonito, porra. E merecia ser correspondido. Mas, agora sei, não o é. E isso dói. Mas não é isso o que dói mais. O que dói mesmo é saber que não sou eu quem lá está…

Não, hoje ainda não foi um bom dia. Vale-me o trabalho que me tenta ocupar a cabeça mesmo que esta disperse facilmente. E eu estou sem paciência até para o trabalho. E não pode ser. Mas não consigo sentir o dia como algo bom. Especialmente quando o silêncio me grita…

Amanhã…? Logo se vê… De novo olhos no chão e grande dificuldade em olhar para cima… Logo se vê…

{#151.215.2022}

Na esplanada, já sei, é mesa definitivamente para um.

E, de repente, estou de volta ao Verão de 2014. Por motivos diferentes, é certo, mas com uma dor de perda muito semelhante. E não, não é bom sinal.

Vou ter um longo caminho a percorrer. Mas, desta vez, sei que não estou sozinha. Tenho o apoio profissional necessário. Tenho amizades que me estendem a mão e me ouvem. E que não me vão deixar cair.

O porto de abrigo já não existe. E, no seu lugar, tenho agora silêncio. Não sei até quando. Mas sei que não serei eu a quebrar esse silêncio. Não agora. Não ainda.

Amanhã será outro dia difícil. Mas volto a um dia de cada vez. E talvez um dia volte a olhar para trás e diga que estou bem. Mas hoje, decididamente, ainda não é o dia.

{#150.216.2022}

Um dos meus problemas é lembrar-me de tudo o que é dito…

Hoje não foi fácil olhar para cima. Os efeitos do murro no estômago de ontem fizeram sentir-se hoje em força. Ao ponto de precisar de socorro e ter uma mini consulta com o terapeuta fofinho à hora de almoço para acalmar a somatização. Porque o murro no estômago de ontem foi o atropelamento por um camião hoje.

Há muito tempo que não me sentia assim. Mal. Na merda. E à beira do abismo. E sei que é tão fácil simplesmente deixar-me cair. Afinal, é um lugar que já conheço e pode ser confortável. Não é agradável. Mas sabe ser confortável. Por já ser conhecido. Se quero voltar a esse lugar escuro? Neste momento já não sei o que quero. Mas a vertigem do abismo chama por mim, como se me dissesse que é ali que pertenço.

Não está fácil tirar os olhos do chão… Sei que devia tirar os olhos do chão. Tenho que tirar. Mas antes de o fazer tenho que sentir tudo o que neste momento me dói. Porque perdi algo que me era demasiado importante. Sim, perdi. E essa perda dói muito. Tanto como há muito tempo não sentia. E já não sei como se lida com isso.

Dizem-me que vou sair mais forte disto. Talvez. Mas não queria estar a passar por isto. Não assim nem de maneira nenhuma.

Sei que me dói o corpo todo, tornando física aquela dor que não se explica. Apenas se sente. E tenho tanto medo de cair… De cair com o peso da dor. Porque é um peso enorme. Uma dor enorme.

Não quero isto… Não merecia isto… Muito menos assim, um murro no estômago.

Preciso de chorar. E não consigo. Sei que um dia vai acontecer e vai ser positivo para me ajudar a aliviar a dor. Mas simplesmente não consigo chorar. Estou demasiado triste para isso. E preocupa-me, muito, o estado em que estou e aquele em que ainda posso vir a estar.

É uma merda, é o que é. E eu não quero sentir isto por muito tempo. Mas sei que vai ser difícil lidar com a perda, com a dor, com a frustração. São 4 anos e meio deitados ao lixo. E eu não merecia isto…não um murro no estômago desta maneira.

{#149.217.2022}

Sabia que podia acontecer. Não estava à espera que já tivesse acontecido. Fiquei hoje a saber que sim, o que eu temia aconteceu… A mesa do café manter-se-á para um. O café ou o jantar são promessas que não se vão cumprir. O porto de abrigo não sei se continuará a sê-lo. Sei que algo se perdeu. Mas também percebo agora que já se perdeu há algum tempo. Só eu não sabia.

Soube hoje. A frio. De forma seca. Doeu? Claro que sim. Ainda estou a encaixar aquela frase. Ainda me tira o ar. Ainda me faz tremer por dentro.

Estou na primeira fase do luto. Porque será um luto por algo que se perdeu. Ainda estou em negação. Ainda estou a precisar que me digam novamente, mas agora com outras palavras. Mais cuidadas. Mais sensíveis.

Não vai acontecer, claro. Nem sei quando ou se vamos conversar sobre o que foi dito hoje. Sei apenas que doeu. Muito. Ouvir o que ouvi e ver o pouco que vi.

Mas é o que é. Sabia que podia acontecer. E aconteceu.

Estou triste? Claro que sim. Se vou chorar? Espero que não.

Mantenho o que sempre disse: o que trago comigo, cá dentro, em mim, é bonito. Por ser puro e desinteressado.

Como vai ser daqui para a frente? Não faço ideia. Mas volto a pensar no tal denominador comum que falei há uns dias: eu. Mais uma vez digo que o problema sou eu. Porque tudo me diz que sou.

Dizem-me que não posso pensar assim. Mas não penso, simplesmente sinto. E, mais uma vez, sinto que não fui o suficiente…

Não, hoje não foi um dia bom como ontem achei que fosse. Amanhã? Continuarei na fase um do luto: a negação.

{#148.218.2022}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Hoje não foi um dia muito aborrecido, foi antes dedicado a algo que estava a precisar: descansar.

Acordar cedo, como habitualmente, depois de mais uma noite interrompida. E, ainda de manhã, o retorno do porto de abrigo e uma espécie de desafio meio em jeito de brincadeira que aceitei de imediato: dar de mim, do meu tempo, a quem precisa. Vai acontecer amanhã, por mim podia ter acontecido já hoje.

Amanhã, então, fazer do meu dia algo de útil. Dar o meu tempo, aquele que eu não tenho tempo para perder Tempo, e que cada vez acho mais importante, especialmente por continuar a cruzar-me com quem não acrescenta muito ao tempo que lhe dedico.

Continua um silêncio ensurdecedor. Mas há silêncios que gritam. E eu já percebi a mensagem. Por isso mesmo não pretendo continuar o jogo da tempestade perfeita. Que, como digo desde o primeiro dia, tem tudo para correr mal. Mas não o vou permitir.

Prefiro manter-me segura num porto de abrigo que conheço bem e que sei que não me leva a lado nenhum, mas que me aconchega simplesmente por estar lá.

Porque dizer a frase “temos que conversar” pode ter como resultado a fuga, mas apenas para quem é uma tempestade perfeita, não um porto de abrigo.

Lesson learned. E, se voltar a haver contacto com a intempérie, já sei o que esperar. E por onde ir. Ou, decididamente, não ir.

Amanhã vai ser um bom dia. Por tudo o que está previsto, pela presença que procuro há tanto tempo, pelo tempo que vou dar sem pedir nada em troca, pela diferença que vou ajudar a fazer, por fazer do meu dia algo bom.

Hoje? Descanso. Não consegui estudar. Devia tê-lo feito, mas precisei de ter tempo para não fazer nada. Para sentir que sim, descansei. Por isso, por hoje chega.

Amanhã será melhor. E já sei que será bom.

{#147.219.2022}

Sexta feira e o silêncio da tempestade perfeita. Mas o retorno e a presença matinal do porto de abrigo.

It is what it is. Ou é o que é.

Dar uma oportunidade à vida. E eu dei. Para voltar ao ponto de partida. É muita pontaria. Desalinhada, mas pontaria.

O importante? Amanhã é sábado. Vou ter que estudar. Mas vou poder descansar de manhã.

De resto? É o que for. Já pouca coisa me espanta. I should know better. Mas não sei.

Um dia. Um dia acerto. Promessas e planos já há muito tempo que não fazem sentido para mim. Porque haveria de ser diferente agora?

Continue o teletrabalho. Até terça feira, pelo menos, está garantido. E, para já, é suficiente para mim.

Um dia o silêncio é quebrado. Ou então não. Não me vou preocupar com isso nem chatear. Como tenho dito: encolher os ombros, sorrir e acenar.

E siga. Um dia atrás do outro atrás do um. Seja então!

{#146.220.2022}

Quinta feira e o teletrabalho. Dormir mais duas horas faz toda a diferença. Trabalhar em casa também.

Da tempestade perfeita, nem uma brisa. E isso vale um enorme encolher de ombros.

Já o porto de abrigo é aquele aconchego e aquela segurança a que já me habituei. Presente, claro. Como sempre, mesmo quando está ausente.

E vou por aí em busca do equilíbrio, encolhendo os ombros, a sorrir e acenar.

Amanhã? É sexta feira. E só isso já é tão bom. E continuo a trabalhar em casa. O que ainda é melhor. Cereja no topo do bolo? Dormir, novamente, mais duas horas.

Chatear-me para quê? Se tudo não passou de um jogo, não vale a pena. Vapt, vupt. Conforme começou, acabou. E a mim só me resta mesmo encolher os ombros, sorrir e acenar.

Boa noite.

{#145.221.2022}

Do equilíbrio: procuro-o em todo o lado, de todas as formas. E hoje, mais uma vez, encontrei-o no trabalho. Porque, e foi o que me disseram, “uma mão lava a outra”. Tenho dado de mim sem pedir nada em troca. Até hoje. Pedi. E a resposta foi sim.

Volto ao teletrabalho por uns dias. Até ao fim do mês. Não parece muito. Mas para mim é. Vou poder, nestes próximos 4 dias de trabalho, dormir mais duas horas do que o habitual. E, para quem está cansada como eu estou, essas duas horas de sono a mais vão fazer muita diferença. Vou ficar a trabalhar até mais tarde, é um facto. Mas é só mais uma hora que, em casa e sem ter que apanhar autocarro para voltar, se faz muito bem. Sem dar por ela, na verdade. A grande diferença? É sair às 19h como tem vindo a ser hábito mas sem chegar a casa às 20h30.

É bom perceber este equilíbrio. E é também por isso que o procuro em todo o lado. Porque dou de mim em tudo. Mas também gosto de receber.

E, se não encontro esse equilíbrio doutra forma, então que venha no trabalho.

O porto de abrigo mantém-se presente e com ele o aconchego e a segurança de sempre. Da tempestade perfeita nem sinal. E até aqui procuro o equilíbrio. E é no porto de abrigo que o encontro.

Amanhã? O despertador toca duas horas mais tarde. E só por isso já vai ser bom.

{#144.222.2022}

Cansada. Mas aconchegada. Aconchegada porque existe um porto de abrigo que está presente e se faz presente em jeito de retorno matinal. É pouco? Talvez seja para algumas pessoas. Mas prefiro ter pouco a não ter nada.

A tempestade perfeita, como bom fenómeno meteorológico, dissipou-se. E, até ver, desapareceu. Se volta? Não sei. Mas neste momento também não me preocupo. É o que tiver que ser, quando tiver que ser, mas acima de tudo se tiver que ser.

Sempre a segurança do porto de abrigo. Não me leva a lado nenhum, é verdade, mas aconchega e o potencial destrutivo é nulo. Já a tempestade perfeita……

Cansada. Muito. Mas aconchegada. E segura na minha escolha. Tal como num porto de abrigo.

{#143.223.2022}

Dois anos. Dois anos sem saber o que é uma noite tranquila e sem interrupções. Não me lembro da última noite em que só acordei de manhã, sem ter que me levantar a meio da noite uma, duas, três vezes!, como a última noite.

Não admira que ande muito cansada, se quando é suposto recuperar do dia anterior não me deixam dormir.

É segunda feira. Ou ainda é segunda feira. E eu não sei como vou aguentar a semana…

Sei, sim, que tenho vontade de perguntar porque é que o jogo parou. Continuo sem saber da tempestade perfeita, que como apareceu de repente foi de repente que desapareceu. Haverá motivos para isso, não duvido. Mas gostava de saber quais são. Acho que mereço mais do que o famoso ghosting. Mas encolho os ombros e sigo. Não sei até quando, mas sei que estou demasiado cansada hoje para tentar uma conversa.

Por outro lado, tenho sempre a segurança do porto de abrigo. Que me dá retorno. Que me deseja bom dia. Que me mostra que uma segunda feira pode ser um bom dia logo pela manhã cedo.

Enfim. Estou demasiado cansada. Não é bom começar a semana assim, mas é o que temos. Vamos ver como corre a noite. E a semana irá compôr-se.

{#142.224.2022}

Domingo muito preguiçoso. Noite péssima, para variar. Interrompida, como sempre.

Manhã muito lenta, dia de consulta com o terapeuta fofinho. E falar sobre relações, novamente. Daquelas que eu não tenho e que poucas vezes experimentei e que sempre foram um fracasso. Olho para trás e nos exemplos que falámos e percebo que, apesar de eu ser o denominador comum, não falharam exclusivamente por minha culpa. Em todas faltou algo que agora procuro: equilíbrio. E neste momento é o que procuro e peço. Equilíbrio. Porque dou de mim, mas também procuro receber. E neste momento, que ainda não percebi ao certo como descrever, sei que não está a haver equilíbrio.

O equilíbrio é essencial em tudo. Já o consegui alcançar em mim, ou pelo menos melhorá-lo em mim, não posso permitir que factores externos me abalem o que alcancei a custo. E se é para assumir alguma coisa, encará-la, aceitá-la, então que haja equilíbrio.

Mas, se calhar, não passa apenas de um jogo. De um qualquer devaneio temporário. Que veio tocar em pontos sensíveis onde eu não permito que toquem com leveza. Mas que tocaram.

Talvez ainda venha a existir uma conversa, não sei. Não sei mesmo. Mas, a existir, irei eu tocar em todos os pontos que hoje me incomodam. Para evitar que mais tarde me façam mal.

Desde o início que o digo: uma tempestade perfeita tem tudo para correr mal. E, neste momento, é o que está a acontecer. E eu não quero. Não quero nem posso permitir que fique pior. Tudo porque está a faltar o essencial: equilíbrio.

Não peço muito. Ou, pelo menos, acho que não é muito. É algo simples. Pode eventualmente dar trabalho, não o nego. Mas é trabalho que vale a pena para fazer algo resultar. E tem que ser feito em equipa. A dois. Porque são dois a jogar o mesmo jogo. E para correr bem, para ser um jogo que vale a pena, tem que haver equilíbrio e trabalho de parte a parte.

Estou cansada. Não só fisicamente. Estou cansada da falta de equilíbrio constante em tanta coisa. E quando, finalmente, sei exactamente o que quero e o que procuro, é o equilíbrio que falta.

Não foi um Domingo tranquilo, foi pesado pelo cansaço e por estar incomodada pela falta de equilíbrio, pelo silêncio, pela ausência. Neste momento estou apenas incomodada. Mas não quero chegar ao ponto de estar magoada.

Mantenho a expectativa que tinha no primeiro dia: nenhuma. E sei que, conforme entrei no jogo, posso sair da mesma forma. Mas, por outro lado, também não quero sair.

Enfim…lidar com um porto de abrigo é tão mais fácil do que lidar com uma tempestade perfeita. Não me leva a lado nenhum, é um facto, mas é mais seguro e tranquilo. O equilíbrio também não é muito, mas não tem o mesmo potencial destrutivo que a tempestade perfeita ameaça trazer.

Por hoje chega. Estou cansada. Está a ficar tarde. Amanhã é dia de madrugar novamente. Não vou ficar à espera do que, já sei, não vem.

Amanhã será melhor. Nem que seja porque não vou ter tempo de pensar. E isso contribui para o meu equilíbrio. E neste momento o mais importante sou eu.