{#246.120.2022}

Sábado. Dia de ronha e preguiça no sofá neste dia que é o mais aborrecido da semana. Pôr o sono em dia, portanto, mesmo tendo acordado cedo depois de mais uma noite interrompida. Foi um dia sem História ou histórias. Mas dias como o de hoje também são importantes e necessários.

E ainda ou mais uma vez o silêncio e a ausência. Cada vez mais acredito que a minha presença não é importante para quem eu queria por perto. Por isso, faço presente também a minha ausência. Um dia será sentida. Ou não…

Se tenho saudades? Tenho. Se tenho vontade de tomar a iniciativa? Muita. Mas não o faço. Sei o meu lugar na lista de prioridades. Lá muito para baixo. Por isso decidi não impôr a minha presença a quem não questiona a minha ausência.

Se dói? Claro que sim. Mas, e aprendi a detestar esta frase, é o que é.

Não me esqueço, no entanto, de tudo o que foi dito. Há dois anos e meio ou há pouco mais de três meses. Não me esqueço. E, se calhar, esse é o problema. Mas é um problema que é unicamente meu. Porque sou eu que não esqueço. E, se calhar, sou só eu que dou importância ao que foi dito nessas conversas. Mais uma vez, o problema está do meu lado. Não adianta dizerem-me que eu não sou o problema. Sou. Não há como negar. Afinal, sou o denominador comum. Isso ninguém pode negar.

Amanhã completa-se a semana de silêncio e ausência. Mas retomo as consultas com o terapeuta fofinho depois das férias dele. E essas consultas fazem-me falta. Porque são conversas livres, sem tabus, onde posso dizer tudo o que tenho guardado nas últimas semanas. E oiço também. E consigo, através do que oiço, relativizar algumas coisas. Pôr em perspectiva. Analisar de outro modo. Ver por outro ponto de vista. E tantas vezes tem feito a diferença essa possibilidade de ver as coisas de outra forma.

Sim, amanhã será melhor. Nem que seja só pelo regresso a essa hora semanal. Em que vou poder analisar como me sinto com o silêncio e a ausência. Em que vou poder, também, analisar a minha postura de ausência em resposta ao silêncio.

Não posso esquecer-me da importância de soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E o que não é meu é para soltar. E deixar ir. Mas, no meio disto, só não quero perder uma amizade. E é disso que tenho medo. Mas, enfim, encolho os ombros. É sorrir e acenar. O que está lá para a frente logo se vê.

Sim, amanhã será melhor. Hoje foi o que teve que ser. Amanhã logo se vê…

{#245.121.2022}

Sexta feira e o trabalho presencial. Manhã de formação numa tema que vai ser difícil dominar. Mas que me desperta curiosidade. Vamos ver como corre esta segunda tentativa, porque a primeira não parece ter corrido muito bem…

O que correu bem foi o exame que fiz há umas semanas e que já sabia ter sido positivo. Só não sabia a nota. Soube hoje e fiquei a conhecer a sensação que uma avaliação de 90% gera depois de muito estudo e muito trabalho. Foi bom. Foi melhor do que esperava.

A incursão no trabalho presencial foi curta. Na próxima semana, pelo menos durante dois dias, regresso ao trabalho a partir de casa. Não me importo de investir mais tempo no trabalho, entrar mais cedo para sair mais tarde. Mas só o consigo a partir de casa. Por isso, segunda e terça feira assim será depois de dois dias no local de trabalho.

Cansada. Sair de casa antes do Sol nascer, regressar mais de 12 horas depois. Muito cansada, claro. Mas nem por isso deixo de procurar retorno. Ou, pelo menos, um outro retorno. Aquele “estou aqui” que não acontece. A cada nova notificação, procuro encontrar o tal retorno. O tal “estou aqui”. Mas ele não chega. Nem por isso vou procurar de outra forma. Orgulho? Talvez um bocadinho. Mas não posso deixar de pensar em mim primeiro. E, se não me procuram, não me vou impôr. Chega de o fazer.

Não me vou alongar muito mais sobre um assunto que me faz sentir mal de cada vez que penso nele. Porque me sinto desvalorizada. Ignorada. Até esquecida. Mereço mais. Mereço melhor. Um dia terei tudo isso. Mas dificilmente virá dali.

Amanhã, sábado. Dia de dedicar a manhã a dormir um bocadinho mais para depois receber orientações sobre mim mesma. Análises alternativas, se lhe quiserem chamar assim, que me fazem sentido. Que não procurei agora, já tendo em tempos tido muita curiosidade. E que sempre me fez sentido. Agora recebo esse trabalho como que numa espécie de doação e numa altura em que preciso de orientação. É interessante perceber como é que as coisas fazem sentido quando parecem não ter sentido algum… Mas também há tanta coisa que parece ter sentido e depois não fazem sentido algum. Não é nada que me faz mal, não é nada que me prejudique. É só alguma coisa que me recorda que ainda tenho um longo caminho a percorrer e algumas, muitas!, coisas que preciso trabalhar. Mesmo que o boicote se instale.

Mas foi este caminho que resolvi abraçar. E foi aqui que me recordaram da necessidade de soltar e deixar ir. E me explicaram que não é fugir, é não pôr pressão. E que, se for o melhor para mim, será meu.

Por hoje chega. Falta-me o ritual nocturno, assim como me faltou o ritual matinal. Mas vou continuar quieta e calada no meu canto.

Amanhã? Sábado, o dia mais aborrecido da semana. Vai ser bom. Porque eu quero que seja.

{#244.122.2022}

Dia de regresso ao local de trabalho. Dormir tarde e mal para acordar muito cedo. 2 horas mais cedo do que o habitual dos últimos dois meses e uns pozinhos. Se é fácil voltar a entrar no ritmo? Não. Nem um pouco. Soube bem voltar para entrar logo em formação? Soube. Foi bom voltar a estar com pessoas. E a formação? Apesar de repetida, foi muito boa por ser necessária.

Amanhã a manhã será mais exigente por não ter a habitual boleia. Tenho que regressar aos transportes públicos de manhã, testar o novo sistema de transportes que, em dois meses de actividade, se tem revelado um caos.

Foi bom voltar ao café da manhã e sentir que há sítios onde os clientes não são esquecidos e são sempre bem recebidos. Foi bom voltar ao café depois do almoço pelos mesmos motivos embora em sítios diferentes. Foi bom, também, conseguir chegar a casa cedo com tempo para um momento de esplanada para desligar o chip e não quebrar abruptamente com a rotina dos últimos meses.

Não foi um dia mau. Faltou, claro, aquela presença que me deixaria aconchegada. Continuam o silêncio e a ausência. Esses sempre presentes. Mas não serei eu a interromper essa presença indesejada. Faz-me falta o ritual matinal. Faz-me falta o ritual nocturno. Mas irei acabar por me habituar e não esperar nada. Nem um “estou aqui”. Porque se a minha ausência não é percebida, então a minha presença também não faz sentido.

Mais uma vez: soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão.

Mais uma vez: encolher os ombros, sorrir e acenar.

O que tiver que ser será. Mas agora concentro-me em mim. Não posso esquecer-me de mim. E este deixar ir também é cuidar de mim. Por muito que me custe. E custa. Mas um dia pode ser que a minha ausência seja percebida. E aí logo se vê.

Amanhã? Logo se vê. Para já tento ter uma noite tranquila, em que consiga descansar. Mas sei que será um dia bom. Porque eu quero que seja.

{#243.123.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Sempre sem saber muito bem qual é o dia da semana, apesar de saber (sempre) qual é o dia do mês.

Mais um dia de trabalho em casa. O último até ver, depois de mais de dois meses. Podia habituar-me a isto. Ou melhor, já me habituei. Por isso é que custa tanto a preparação para o regresso ao trabalho presencial. Como está a custar. Mas o regresso ao trabalho presencial não vai ser mau. Vai custar, muito, o acordar a horas impróprias e sair de casa ainda muito cedo. Mas vou voltar a acompanhar o nascer do Sol e vou, também, apanhar as cores do final de dia, pelo menos até entrarmos em horário de Inverno. Mas para isso ainda falta algum tempo. Há que aproveitar o tempo.

De resto, neste dia do meio, o silêncio. A ausência. E, desta vez, pelo menos até ver, nem um “estou aqui”. Mas não é por isso que vou dar um passo. Vou manter-me quieta e calada no meu canto. Não tenho que ser sempre eu a tomar a iniciativa. Se custa? Dizem que o tempo ajuda, mas ainda custa, sim. Muito. Mas não me posso esquecer: soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E o que tiver que ser, será. E, se for para ser, que leve o tempo que for. Se vou ficar parada à espera? Não. Vou vivendo. Se é que posso chamar a isto viver. É apenas uma espécie de sobrevivência porque pouco ou nada acontece de diferente. Mas é mesmo assim.

Gostava de receber um “bom dia” sem ser eu a tomar a iniciativa. Gostava de receber um “boa noite” também. São gestos pequeninos mas que sabem muito bem. Sei que, do outro lado, também eram gestos bem recebidos. Mas não vou alimentar o melhor de dois mundos quando eu sou apenas uma. Entenda quem entender…

A minha ausência será notada. Não sei quando. Mas um dia… Até lá, procuro o que é melhor para mim. Paz, acima de tudo. E o Amor, aquele do A maiúsculo. Que tenho para dar a quem quiser receber.

Amanhã? Vai começar muito cedo. Mas vai ser um bom dia. Só porque sim. E porque também. Por hoje faço por não pensar em mais nada. E muito menos naquilo que, na verdade, me incomoda: o silêncio e a ausência…

{#242.124.2022}

Acordar com o despertador e com sérias dificuldades em despertar. Perguntar, ainda pouco ou nada desperta, se hoje é sábado ou domingo para, de imediato ser acordada à força com um murro de realidade: é terça feira.

Ainda é terça feira…e já sinto esta semana como se fosse a mais longa de sempre. Não entendo este cansaço. Não sei se quero entender. Tenho medo… Não o verbalizo, não o digo a ninguém, tento não pensar, tento encontrar justificações. Mas, na verdade, tenho medo deste cansaço absurdo e deste meu desnorte com os dias da semana.

Tento não pensar. Assim como tento não pensar que passou um dia em que rejeitei o ritual matinal. E, como previsto, não houve iniciativa do outro lado. Ou, pelo menos, não directamente. Porque houve mais uma reacção a uma fotografia. Publicada ontem, reacção hoje de manhã. Preferia que essa reacção a uma fotografia fosse substituída por um “bom dia”. Porque esse ritual matinal faz-me falta. Assim como o ritual nocturno me faz falta. Mas não vou ceder. Vou manter-me quieta e calada no meu canto. Não vou querer marcar presença. Ou melhor, até vou querer. Mas não o vou fazer. Não irei marcar presença junto de quem não questiona a minha ausência.

Amanhã, quarta feira. Novamente a entrar mais cedo no trabalho para sair mais cedo também. Último dia de trabalho em casa. Pelo menos até ver. Vai ser um dia bom. Por hoje chega. Dia longo, apesar de tranquilo. Mas, lá está, muito cansada.

Venha a quarta feira. Amanhã será melhor. Ou será igual, e isso só por si já não será mau. Agora desligo e esforço-me para não cair na tentação de uma rápida mensagem de boa noite. Não. Não o farei. A minha ausência será notada. Um dia. Talvez ainda não hoje. Mas prefiro, neste momento, marcar a minha ausência do que a minha presença.

Sim, por hoje chega. Amanhã logo se vê. Mas, mais uma vez, sem rituais. E, de certeza, sem iniciativa do outro lado ou sem qualquer reacção do género “estou aqui”. Porque, até ver, a minha ausência é indiferente…

{#241.125.2022}

Pode uma fotografia desinteressante fazer disparar a ansiedade? Pode. Se houver, a essa mesma fotografia, uma reacção que tomo como uma espécie de retorno.

Houve retorno de manhã. Meia dúzia de palavras, algo quase fugaz. Ao contrário do que esperava. Não esperava mais palavras, na realidade só esperava silêncio e ausência. Enganei-me. E depois, ao final da tarde, aquela reacção a uma fotografia desinteressante. Como quem diz “estou aqui”.

Tudo isto me confunde. Me baralha. E não me faz bem. Eu tento a distância. E a isso me vou obrigar nos próximos dias. 15 dias. Mais coisa, menos coisa. Não vou querer marcar presença. Vou, mesmo, apostar na minha ausência, no meu silêncio, na minha distância. Darei retorno se houver iniciativa do outro lado. Mas farei um esforço (grande) para me manter quieta e calada no meu canto.

Se já foi notada alguma diferença? Chego a duvidar. Se vai ser notada a minha ausência? Duvido também.

Quem sabe se soltar e deixar ir me traz o que preciso. Não sabendo eu, sequer, o que isso é. Só sei que sim, faz sentido soltar e deixar ir. Está mais do que na altura de o fazer. Ou vou esperar mais cinco anos por nada? Não. Não vou.

Se vai custar? Já está a custar. E só eu sei o quanto. Mas é o melhor para mim. E, não posso esquecer-me, tenho que pensar em mim em primeiro lugar.

Amanhã não haverá, da minha parte, aquele ritual matinal que tem havido nos últimos cinco anos. Como não tem havido nas últimas duas semanas. Mas amanhã, especialmente, não vai acontecer. Como esta noite, e a custo, também não haverá ritual nocturno. Fazem-me falta estes rituais? Muita. Mas vou ter que me habituar a não os fazer.

Vou ter que me habituar a tanta coisa, na verdade. E cortar com hábitos de tanto tempo não é fácil. Mas vou ter que conseguir.

Amanhã? Será melhor. Todos os dias um bocadinho melhor. Por muito que me vá custar. Mas já decidi que, seja como for o dia, vai ser um dia bom. Porque eu quero que seja. O retorno, se o houver (e duvido que haja porque não vai haver iniciativa minha), será só mais um extra.

{#240.126.2022}

Domingo preguiçoso, dia de descansar e repôr baterias.

Cansada? Um bocadinho menos. Mas, acima de tudo, muito cansada dos fins de semana vazios e inúteis. Preciso, rapidamente, de encontrar alguma coisa para fazer aos fins de semana. Tenho demasiado tempo livre nas mãos nesses dois dias. E tenho muito de mim para dar a quem quiser receber.

O que gostava mesmo de fazer não vai acontecer, infelizmente. Por vários motivos, mas especialmente por ter percebido (tarde) que a ideia não foi bem recebida. Não posso dizer que gostava de perceber porquê, porque agora sei. Mas não deixa de ser algo que me faz sentido e me faria bem. Mas não vou voltar a pegar nessa ideia. Muito menos falar dela com quem de direito novamente.

Hei-de encontrar alguma coisa. E hei-de provar a mim mesma que não sou inútil como tantas vezes me sinto.

Se estou bem com esta sensação de inutilidade? Nem um pouco. E, quanto mais penso nisso, pior me sinto.

Mas amanhã é dia de regresso ao trabalho, à rotina. À única coisa que me ocupa o tempo. Não é suficiente. Não posso viver só para trabalhar. Isso não é vida. É sobrevivência. E eu quero viver.

De resto, continua o meu esforço para me manter quieta e calada no meu canto. Não tenho tido muito sucesso nesse esforço, sei que amanhã irei novamente dizer alguma coisa, mas sei também que amanhã, ao contrário de ontem, dificilmente terei retorno. Seja. Já estou por tudo. Se não são percebidas as mudanças, não cabe a mim evidenciá-las. E, se não é notada a ausência, posso continuar afastada e ausente. Não vai fazer diferença. Já não faz…

Mas não me posso esquecer do que me tem sido ensinado nas últimas semanas: agradecer, soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E, o que tiver que ser, será.

Se me apetece chorar? Sim. Se o vou fazer? Não. Para quê? Serve de quê? Já não sou adolescente. Já o fui muitas vezes em idade adulta e serviu de zero. Ou melhor, serviu e muito para me deixar a sentir mal. E não quero isso para mim novamente. Por isso, simplesmente me afasto. Solto e deixo ir.

Não, hoje não está a ser uma noite fácil. Mas vai melhorar. Principalmente quando deixar de me sentir inútil. Quando começar a dar de mim a quem (me) quiser receber.

Amanhã? Logo se vê. Será melhor por estar ocupada. Por hoje chega.

Abro espaço para quem quiser chegar. Quem não quiser, paciência. Já estou por tudo…

{#239.127.2022}

Muito cansada. Diz quem sabe e que, esta semana, a minha vitalidade decresceu. E, desta vez, até eu senti.

Ontem à noite ainda houve tempo para um bocadinho de conversa, quando já não esperava qualquer retorno. Foi bom? Foi. Soube a pouco? Pois…

Mas tento manter o rumo que me é necessário: soltar e deixar ir. No que vai resultar? Naquilo que for melhor para mim. Seja o que for.

De resto, muito cansada. Demasiado cansada. Amanhã? Ainda terei tempo para descansar.

{#238.128.2022}

Longa semana que, finalmente, chega ao fim. Muito cansada e sem saber muito bem do quê.

Ontem ainda um breve retorno depois de, oh espanto, mais uma iniciativa minha. Hoje mantive-me quieta e calada no meu canto o dia todo. Mas não vou conseguir não dizer nada antes de ir dormir. Porquê? Não sei. Para quê? Também não sei. Mas sei que alguma coisa vou dizer. Para não ter retorno, claro.

Mas estou cansada. Muito cansada. Por isso os filtros estão desligados e não quero saber se devia ou não estar quieta e calada no meu canto.

Amanhã? Novamente dia de tratar de mim. E, acima de tudo, de descansar. O resto? Logo se vê.

E não me posso esquecer: encolher os ombros, sorrir e acenar.

{#237.129.2022}

Tratar de mim. É importante e necessário.

Cansada. Muito. À espera do fim de semana. Para quê? Para não fazer nada, já sei. Mas, pelo menos, vai servir para descansar. Também é tratar de mim.

Mas tenho, mesmo, que procurar algo para fazer ao fim de semana. Que me faça bem. Que me faça sentir útil. Não quero recordar que já me propus a algo que, percebi meses depois, não foi muito bem acolhido. Enfim…

Agora não me apetece pensar em nada. Menos ainda no silêncio que voltou. E que deverá ser para ficar… Espero apenas que esteja tudo bem. Não peço mais nada, apenas que esteja, de facto, tudo bem.

Amanhã, sexta feira. Só por isso já será um dia bom. E depois logo se vê. Mais uma vez: encolher os ombros, sorrir e acenar.

{#236.130.2022}

Quarta feira e uma espécie de retorno. Que chegou ainda na noite passada, em reacção a uma fotografia que era, na verdade, uma mensagem não endereçada mas que chegou ao destino. E eu, claro, não sei ficar quieta e calada no meu canto por muito tempo.

Foi um dia longo de trabalho, mas que ao mesmo tempo passou a correr. E chegar ao fim do dia sem saber que dia é começa a tornar-se um hábito. Mas a verdade é que, por algum motivo, apaguei a segunda feira da minha memória. Só me lembro daquela mensagem ao fim do dia, depois de mais de uma semana de silêncio e ausência.

Mas é quarta feira. Já é quarta feira. À noite. Já não falta muito para o fim de semana. Que, mais uma vez, será um conjunto de dois dias vazios. Sem rumo. Sem nada para fazer. Tenho mesmo que encontrar alguma coisa para fazer e preencher esses dias e dar-lhes algum sentido, algum significado. Algum objectivo.

Sei que Agosto não é o melhor mês para procurar alguma coisa. Por isso, vou esperar mais uns dias. Depois? Logo se vê se consigo encontrar o que fazer. Sei bem o que gostava de fazer, mas sei, também, que não foi uma ideia muito bem recebida. Por isso, não vou insistir…

Muito cansada. Para variar. Hoje recolho um pouco mais cedo. O acordar tem sido muito complicado. E tenho arriscado os horários sem necessidade. Por isso hoje tento desligar mais cedo. E vou tentar, também, não dar muito seguimento ao retorno que hoje parece querer fazer-se presente. Sabe-se lá porquê.

Enfim… Amanhã será melhor. E continuarei quieta e calada no meu canto. Não irei tomar iniciativa como sempre fiz. Já chega de me fazer presente para, tantas vezes, ficar a falar sozinha…

Encolher os ombros, sorrir e acenar. Adoptei este mote e é nele que me concentro. O resto? É soltar e deixar ir. Não é fugir, é não pôr pressão.

O que tiver que ser, será. E o que for melhor para mim, será bem vindo. Agradeço e deixo ir. Amanhã? Logo se vê…

{#235.131.2022}

Terça feira e o regresso do silêncio depois do retorno fugaz de ontem. Um dia vai perceber… Eu? Quieta e calada no meu canto. Custa-me horrores? Custa. Mas estou à espera do final da semana. Antes disso não me vou fazer presente se não procurarem por mim.

Tenho que me lembrar constantemente de que eu estou em primeiro lugar. Pelo menos para mim. Pelo menos por mim.

Amanhã? Acredito que continuará o silêncio e a ausência. E do meu lado será igual…

Mas será um dia bom. Porque não há razões para não ser.

{#234.132.2022}

Segunda feira e o retorno. Até ver, muito rápido. Demasiado rápido. Quase um picar de ponto. Porquê? Ainda não sei.

Mas mantenho-me sossegada, quieta e quase calada. Nem fria nem quente. Meio distante, apenas. Porque, ao fim de mais de uma semana de ausência, o retorno esperava-se mais presente. Sei, também, que a agenda é complicada e hoje, pelo que me foi mostrado, não é excepção. Mas ainda assim…

É esperar para ver. Hoje já não espero por muito mais. Amanhã? Logo se vê.

Agora termino o dia com vontade de recomeçar esta história. Sei que não é possível. E sei, também, que, mesmo que fosse possível, não seria muito diferente do que tem sido. Porque eu seria a mesma totó de sempre e o resultado seria o mesmo.

Encolho os ombros. Assim como encolhi há mais de uma semana, como encolhi nestes últimos dias, como encolhi esta tarde, ao princípio da noite. Como encolho sempre. Mas até esse encolher de ombros cansa.

Amanhã logo se vê se há retorno novamente. Não serei eu a tomar a iniciativa. É esperar para ver…

{#233.133.2022}

Domingo e ainda o silêncio e ausência.

De quem me disse que a relação não tinha que mudar, nem a dinâmica da mesma. E mudou. Mas não fui só eu que mudei. Mudei quando me doeu porque doía demais. Apontaram-me a mudança. Voltei ao que era. Para, cada vez mais, dar por mim a falar sozinha. E eu não gosto de falar sozinha.

E, precisamente, por esse motivo resolvi afastar-me. Serviu para perceber que a minha ausência não é percebida. Ou, pelo menos, sentida. E vou repetindo para mim mesma que não faz mal. É o melhor para mim.

Agradeço os últimos quase cinco anos. Solto e deixo ir. Não me faz bem permanecer no limbo. E, não me posso esquecer, estou eu em primeiro lugar. E procuro o que me faz bem. Só.

Amanhã? Será mais um dia de silêncio, quieta e calada no meu canto. O resto? Logo se vê. Por hoje chega. É encolher os ombros, sorrir e acenar.

{#232.134.2022}

Sábado. Dia mais aborrecido da semana. Mas que não teve oportunidade para ser demasiado aborrecido. Passou-se alguma coisa? Nada. Mas passou o tempo.

De manhã a confirmação de que estou no caminho certo. Ainda a dar os primeiros passos, mas a querer seguir este caminho de auto-conhecimento e descoberta de mim mesma. E a confirmação de que sim, estar quieta e calada no meu canto, sossegada, é o caminho certo. Porquê? Porque mereço mais. Porque mereço melhor. E, como tal, solto e deixo ir. Porque não é fugir, é não pôr pressão.

Pôr pressão tem, muitas vezes, um resultado negativo. Por isso afasto-me. E foco-me em mim. Para me conhecer. Para me reconhecer. E para me valorizar. Por mim, para mim. Não para os outros. Eu, acima de tudo, antes de tudo.

Porque me tenho esquecido demasiado de mim. E, para chegar aos outros, tenho primeiro que chegar a mim mesma.

O tempo dirá o resultado de soltar e deixar ir e de me dedicar primeiro a mim mesma. É um caminho que custa assumir. Mas que (me) é necessário.

Amanhã? Logo se vê como corre o dia. Mas ainda vai ser dia de descanso antes de regressar ao ritmo de trabalho. Por agora esqueço os rituais diários, seja o da manhã ou o nocturno. Se não há retorno nem iniciativa face à (minha) ausência, é porque não há interesse. E a isso resta-me encolher os ombros, sorrir e acenar. E procurar o melhor para mim: eu mesma.

{#231.135.2022}

Há 8 anos a escrever todos os dias, sem excepção. O desafio inicial era para apenas 100 dias. 2922 dias depois, continuo o ritual de fim de dia para exorcizar o que passou. Escrevo até quando não tenho nada para dizer.
E irei continuar a fazê-lo porque já não sei terminar o dia de outro modo.
Se escrevo alguma coisa de jeito? Nem por isso. Também não procuro leitores. Escrevo acima de tudo de mim para mim.
Se já escrevi melhor? Nos momentos muito maus foi quando escrevi melhor. Nos momentos mais ou menos maus ainda vou escrevendo alguma coisa de jeito. Nos outros momentos? São só palavras soltas cuspidas para o éter.

Já muita coisa ficou escrita nestes últimos 8 anos. Para não me esquecer de nada, especialmente para não me esquecer que sim, é possível haver dias bons depois de momentos maus.

São 8 anos de reflexões diárias. Sem excepção. Todos os dias. Um hábito que se entranhou e que ficou até um dia. Mas esse dia ainda está longe.

Nessa escrita, que é de mim para mim, sobre mim, aparecem várias personagens com quem me fui cruzando. Algumas que já deixaram de fazer parte da minha História. Outras que quero que permaneçam. E outras que ainda irão chegar.

São 8 anos. Mas só custaram os primeiros dias. Agora? É tão natural como fechar o dia.
E é a escrever que me sinto melhor. Porque gosto de palavras, gosto de jogar e brincar com palavras. E por isso mesmo irei continuar a fazê-lo. Até um dia. Seja lá esse dia quando for.

{#230.136.2022}

Há 6 anos fiquei a conhecer o poder do abraço. Durante algum tempo, tinha abraços todas as semanas. Depois veio a distância. E depois da distância veio a pandemia. Mas, mesmo em pandemia e com as respectivas máscaras, houve abraços. Hoje, dois anos depois, repetimos. E havemos de repetir sempre que a distância se encurte. Porque um abraço, acreditem ou não, põe tudo no sítio.

Falta muito para Janeiro para repetir os abraços?

E, para além dos abraços, houve também colinho bom à princesa mais castiça dos últimos tempos. E soube tão bem. E foi tão bom.

Sim, o final do dia foi melhor do que esperava. Porque só contava com os abraços. Mas o colinho veio mesmo a calhar.

E vocês? Há quanto tempo não abraçam alguém?

{#229.137.2022}

Quarta feira e mais um dia quieta e calada no meu canto. Soltar para deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. Não me posso esquecer. Mas cada vez mais sinto que a minha ausência não faz diferença. Se fizesse, já tinha havido iniciativa do outro lado. Mas não há…

Não me posso esquecer: tudo tem o seu tempo. Tudo acontece quando e se tiver que acontecer. Especialmente se tiver que acontecer. E cada vez mais acho que o meu gut feeling pode, afinal, estar errado.

Sei que há caminhos para abrir, seja lá isso o que for. Como for. A mim resta soltar e deixar ir. E, o que tiver que ser, será.

Não, não foi um dia fácil. Porque sinto falta do que, na verdade, não está. Nem é. Amanhã? O final do dia será bom pela presença do terapeuta fofinho que não vejo, ao vivo, há dois anos. E já sei que vai haver abraços apertados. Mas vai haver ausência também. De quem eu queria mais próximo. Mas para quem a minha ausência é indiferente. Porque não há iniciativa. Se não fosse indiferente, a esta altura já teria havido nem que fosse um “bom dia”. Não há. Teima em não haver. E eu já devia saber melhor.

Se custa? Muito. Mas se calhar é o melhor para mim. E, por isso mesmo, fico quieta e calada no meu canto. Doa o que doer. Custe o que custar.

Por hoje chega. Amanhã? Logo se vê. Mas continuarei quieta e calada. Um dia deixo de ser parva.

{#228.138.2022}

Terça feira com sabor a Segunda. Entrar mais cedo para sair mais tarde. Outra vez.

E, novamente, a certeza de que sou excluída por quem, em 45 anos, nunca me incluiu. Porque, afinal, em cinco só quatro fazem o todo.

Há-de ser assim a vida toda. E, se há alguém que tem que mudar, já não sou eu. Tentei fazê-lo durante muito tempo, demasiado tempo. Para nada. E, sei, não sou eu que estou mal. Estou apenas cansada. De ser excluída, desrespeitada, ignorada.

Mais um dia, menos um dia. Um dia há-de ser igual, nunca melhor. Pior? Já foi. Melhor nunca será…

Amanhã? Logo se vê.

{#227.139.2022}

Segunda feira. Mas feriado. Continuo a achar que foi domingo. Já sei que vou andar baralhada o resto da semana.

Sei que não foi feriado para todos. Mas mantive-me quieta no meu lugar. E assim continuarei. Até quando? Não sei. Mas gostava que houvesse iniciativa do outro lado… Dificilmente haverá. Sei o meu lugar na lista de prioridades e por isso sei que a minha ausência não será notada. Não fará diferença…

Também por isso, solto e deixo ir. Se for para acontecer alguma coisa, nem que seja uma iniciativa do outro lado, acontecerá.

De resto, mais um dia igual aos outros. E continuo a querer fazer algo de diferente. Mas não sei o quê… Sei, sim, que preciso de ocupar a cabeça e o tempo que tenho livre. Que, não parecendo muito durante a semana, é imenso ao fim de semana. E o fim de semana desocupado não me faz bem.

Enfim… Um dia as coisas mudam. Nem que seja só a ocupação do fim de semana. Mas já é um passo para me sentir bem. E eu preciso e quero muito sentir-me bem. E estar bem. E neste momento não estou.

Amanhã? Dia de trabalho, entrar mais cedo para sair mais tarde outra vez. Mas pelo menos estou ocupada. Hoje? Não vai haver, novamente, ritual nocturno. E só eu sei o que isso me custa. Mas tem que ser. Soltar e deixar ir… Não é fugir. É não pôr pressão. E o caminho abre-se…