{#321.045.2025}

Há muito tempo que não escrevo isto assim, com todas as letras, tal e qual: dia sem História ou histórias. Mas a verdade é que foi isto assim, sem tirar nem pôr.

O autocarro que falhou às 8h54m para me levar até Almada e que foi substituído por um Uber. A Fisioterapia que começou mais tarde, com nova série de exercícios para fortalecer as coxas e glúteos para ver se a dor da anca desaparece, o tratamento de sexta feira que é antecipado para amanhã, novos exercícios de marcha que obrigam o meu cérebro a projectar outros movimentos.

A dor excruciante no meu braço esquerdo que, já em casa e com o almoço à minha frente, me visitou com violência ao ponto de ter que adiar o início do almoço, ter recusado atender o telemóvel quando só consegui contorcer-me a gritar com demasiadas dores. Adormecer de exaustão em cima do sofá a seguir ao café depois do almoço e acordar com o meu corpo a implorar descanso e não ir ao Yoga.

Não fazer rigorosamente mais nada o resto do dia a não ser espirrar e assoar o nariz por causa dos 3.592 espirros dados desde que acordei por causa da alergia provocada pelas almofadas da sala onde adormeci e que estão na fila de espera para lavar.

Sim, tudo isto são pequenos pedaços de História e histórias. De mais um dos meus dias em que ainda tenho que aprender a saber aproveitar mais e melhor. É verdade que o frio que este Outono trouxe não dá vontade de grande coisa mas hoje chegou uma peça que me faltou durante tanto tempo e que me vai permitir avançar com o que tenho pensado na minha cabeça.

Ia dizer que o dia hoje não me tinha servido de muito nem me tinha ensinado nada. Mas até é capaz de não ser totalmente verdade. Serviu para me conhecer mais um pouco. Para crescer mais um pouco. E serviu, também, para algo muito importante: parar para recuperar! Porque, agora, o meu corpo cansa-se muito mais e muito mais depressa e precisa de mais repouso e mais tempo de recuperação. E isso também é daquelas coisas que ainda estou a aprender. E as noites que tenho tido, com demasiadas ondas e picos de dor excruciante no meu braço esquerdo que não me deixam dormir cedo ou que me acordam de madrugada, não têm sido noites reparadoras.

Por isso, hoje depois da fisioterapia parei. Amanhã? Logo se vê. Mas, mesmo parecendo que não, todos os dias são dias de História e histórias. E hoje, afinal!, até o foi.

{#320.046.2025}

Às vezes, é a responder a mensagens que digo coisas que servem muito mais para mim mesma do que para terceiros. E hoje houve uma resposta dessas. Que eu sei ser verdade, mas que tantas vezes me esqueço…

O meu dia é sempre um desafio. E não tenho outra hipótese a não ser enfrentar tudo o que o dia me trouxer.

Há dias mais complicados. Há dias mais difíceis. Também há dias mais suaves e dias mais fáceis. E agora que escrevo isto percebo que os meus dias são exactamente a mesma coisa que os dias das outras pessoas! A estrutura base é exactamente a mesma. A única diferença é que eu tenho um diagnóstico que explica algumas coisas, mas não define quem sou.

{#319.047.2025}

…e hoje…​

…hoje disse-lhe palavras que eu queria que fossem bonitas, mas não sei se o eram. Se o foram. Poderão palavras de quem sente o tempo fugir serem também palavras bonitas…?

Há muito tempo que não sentia o tempo a escapar-me entre os dedos. Como sinto agora. Agora que o que não me falta é tempo para tudo!…sinto que não tenho tempo para nada…

E o tempo com ele, o tempo passado a dois, à distância de um clique, o tempo que continua a contar 24 as horas de um dia, o mesmo número de horas de trabalho hoje como há 2 anos, e o tempo que nos escapa…ou que me escapa…? Não sei…

Sei que ainda sou do tempo em que

O Tempo pergunta ao Tempo
Quanto Tempo o Tempo tem.
E o Tempo responde ao Tempo
Que o Tempo tem tanto Tempo
Quanto Tempo o Tempo tem…

…e eu? Eu não tenho tempo para perder Tempo.

…mas sinto o tempo a escapar-me entre os dedos. Não só o meu tempo com ele. Talvez só o meu tempo… Ou talvez só o tempo. Com ele

{#318.048.2025}

De 16 de Agosto a 16 de Novembro são 93 dias. 3 meses.
Não parece nada de especial. Mas, não parecendo (nem sendo!) nada de especial, são 3 meses sem fumar. 93 dias sem um único cigarro. 93 dias sem o conforto do cigarro, especialmente nos momentos muito mais difíceis e que foram tantos e em que fumar um cigarro, quando não se consegue chorar, não iria resolver nada mas iria ajudar a aliviar o stress…

Falo do conforto do cigarro e fumadores e/ou ex-fumadores entendem o que quero dizer. É quase como se, naqueles momentos difíceis, complicados, doridos, o fumo do cigarro nos envolvesse num abraço confortável. Porque é tão isso assim, tal e qual…

Já o tenho dito: o tabaco nunca me falhou, nunca me deixou sozinha, esteve sempre lá para mim. Ao contrário de toda aquela gente que simplesmente desapareceu, o tabaco esteve sempre lá, seja esse “” onde for…

93 dias sem o conforto do abraço de um cigarro. 3 meses hoje. E o microsobrinho muito feliz e profundamente orgulhoso do esforço da tia e que me diz ao telefone “se eu imaginar que tens nem que seja um bocadinho dessa porcaria aí em casa, vou aí buscar a tua gata e levo-a para minha casa!”. E depois ri-se sabendo que não leva a minha gata para lado nenhum mas deixa de me falar se eu voltar a fumar. E eu não duvido nem por um bocadinho de que ele seria muito capaz disso!

Mas 93 dias que são 3 meses são motivo para comemorar. O abraço do cigarro vou ter que procurar substituir por algo saudável. Mas, se tenho sobrevivido a dias complicados sem o abraço ou sequer a presença de quem simplesmente virou as costas, também irei sobreviver a 3 meses que são 93 dias sem fumar.

E, na sexta feira que vem, em mais uma consulta de Cessação Tabágica sei que o Dr. Salvador vai ficar muito contente e, novamente, orgulhoso do meu percurso.

…mas não nego nem escondo que tantas vezes tenho uma gigante vontade de ceder e fumar um cigarro…

{#317.049.2025}

Cansada. Mas continuo a brincar ao Faz de Conta. Porque não? Se não me é permitido desviar do eixo Costa-Almada para um almoço, um café, um jantar, o que seja!, com amigos…os mesmos amigos que desapareceram quando surgiu o meu diagnóstico.

Fazer de Conta. Que não me afecta não sair deste eixo cada vez mais opressor…fazer de conta que não se passa nada. E, como sempre, assumir a postura dos pinguins de Madagáscar: sorrir e acenar!

{#316.050.2025}

Disto de acordar às 4h20m da manhã, mais uma vez!, por causa da minha já demasiado conhecida mas nem por isso minha amiga dor neuropática no meu braço esquerdo: não tem piada! Não gosto! Dói! Muito! Tanto que me é impossível não fazer barulho nos picos de dor. E tenho plena consciência de que é possível que os meus vizinhos me oiçam. Por isso, é bem possível que uma noite destas tenha a GNR a tocar-me à campainha lá pelas 5h da manhã. E é justo, até porque eu não quero incomodar ninguém, mas bolas…dói!!

Por outro lado, a minha gata que nunca foi muito dada a demonstrações de afecto já percebeu que algo se passa comigo. E é interessante perceber que a Sushi, ao fim de 8 anos comigo, começou agora a adoptar o mesmo comportamento que a Maria André sempre teve comigo: depois do período crítico dos picos de dor deita-se em cima de mim, na curva da minha cintura com a cabeça apoiada na minha coxa. E ali fica sossegada, seja por 5 minutos ou por 5 horas.

Estou muito cansada destes pavorosos picos de dor que vêm em ondas com uma intensidade que nunca pensei possível. Mas ter estas demonstrações de afecto da minha gata? Não tem preço. E quando, por algum motivo, não é possível deitar-se na minha cintura anda sempre por perto. E é tão bom.

Obrigada, Sushi.

{#315.051.2025}

É aqui, neste ombro e neste pedaço de braço, que todos os dias a dor que morde e rasga e queima e dói se faz presente. Nos últimos dias tem-se expandido percorrendo a clavícula e ora descendo a omoplata, ora chegando à lateral do pescoço. E é aqui nestas zonas que, para além de morder e rasgar e queimar e doer começou a prender movimentos e músculos e o que quiserem! Tudo isto resulta em já não ser muito fácil alongar o braço para aliviar a dor e, mais difícil ainda, rodar o braço movimentando o ombro para procurar um bocadinho de alívio, nem que seja por breves minutos. Cereja no topo do bolo: hoje começaram as dores dos músculos que normalmente ficam presos nos picos de dor recordando-me da força e violência de todo este processo que não procurei mas que, por causa da patologia de base que me apanhou na curva, se instalou no meu braço…

{#314.052.2025}

Resumo do dia (que, às 18h51, ainda está longe de acabar:

  • t-shirt do Dr. Matheus Wasem logo para começar bem o dia a assumir uma condição (foto no Instagram)
  • nos pés botas Palladium que me garantem estabilidade numa eventual fuga lenta, lentinha e “O Grito” de Edvard Munch que exprime exactamente o que me apetece fazer na impossibilidade de uma fuga daqui para fora………

A seguir veio o Yoga. Mais uma extraordinária aula de Yoga. Mais um bocadinho de progresso. Na prática porque na teoria ainda não lhe peguei. E quero muito conhecer tudo o que há para conhecer.

Já em casa e depois do jantar, o regresso da dor neuropática excruciante no meu braço esquerdo. Que à tarde já me tinha visitado e já me tinha feito gritar de dor…

Também ele esteve neste meu fim de dia. E, mais uma vez, sem filtros depois do Yoga lhe confirmei: é ele quem me acalma, quem tem o abraço com sabor a casa. O que temos pode não ser perfeito. Não é. Mas é tão certo que é tão simples, ainda que tão complicado.

{#313.053.2025}

Detesto fazer seja o que for a correr quando tenho uma hora marcada para qualquer coisa. Como aquele café que fui à rua beber a correr para estar de volta a casa antes das 18h para uma Teleconsulta.

Também detesto olhar para o céu e ver as manchas que me lembram as lesões que trago no cérebro e que tão pomposamente têm o nome de Black Holes (Buracos Negros), que só por isso nos lembram logo de coisas oh tão positivas e agradáveis, só que não.

O que também detesto é continuar a não conseguir chorar quando preciso. Como agora. Por causa dos meus Buracos Negros, por causa de silêncios gritantes que (me) dizem tanta coisa, por causa de ausências que distância alguma justifica

…por causa de tanta coisa com um denominador comum.

E esse denominador comum…? Sou eu

…e

não é preciso

dizer

mais

nada!

{#312.054.2025}

Por vezes, chegar ao final do dia não é tarefa fácil. E hoje não foi.

Não esperava ser visitada de manhã cedo, ainda antes das 10h da manhã, por aquela estupidez de dor excruciante no meu braço/ombro. Não esperava voltar a senti-la na clínica de Fisioterapia. E não esperava mesmo ser visitada de forma tão forte, tão intensa, tão…violenta. Sim, é uma dor excruciante extremamente violenta. Como se algum fogo me percorresse o braço, o ombro, a clavícula, a omoplata, o pescoço…e tudo isso, por onde esse fogo anda, queima por dentro! Queima! Rasga! Morde! Tudo isso ao mesmo tempo e em ondas com picos de dor excruciante e muito violenta com breves segundos entre ondas com picos desesperantes…

Tenho repetido várias vezes que felizmente estes picos que me chegam em ondas só o fazem quando estou em casa…mas já percebi que tenho que deixar de o repetir.

Esta manhã foi na clínica de Fisioterapia. Onde 2 fisioterapeutas diferentes tentaram ajudar-me durante o período de picos insuportáveis, ambos sem sucesso. E um deles, o mais novo, muito novinho mesmo, ficou visivelmente atrapalhado…

Não, chegar ao final do dia nem sempre é tarefa fácil. E desde ontem que tem sido muito difícil. Muito dorido. Muito mal e muito pouco dormido…

Depois de regressar a casa o resto do dia também não foi fácil. Foram vários os momentos em que a estupidez de dor se fez presente. Sempre excruciante. Sempre extremamente violenta. A noite que espera por mim promete não ser fácil…e eu já não sei o que fazer para lidar com isto…

{#311.055.2025}

Os Domingos de manhã não costumam ser para vir até ao Hospital fazer exames, pois não? Pois não…mas as ecografias renais que me esperam hoje foram pedidas lá para Maio ou assim…mas do ano passado! Se só agora é possível fazê-las, então siga! Sempre ouvi dizer que mais vale tarde do que nunca. E prefiro ter os exames feitos um ano e meio depois de terem sido pedidos, do que nunca os fazer.

…e à tarde, a fadiga que não é cansaço. É pior…

{#310.056.2025}

As histórias são para serem escritas devagar. Pelo menos as boas histórias. Sem pressa. Sem pressão na procura de algo que não existe: a perfeição.

E, se calhar, a verdadeira perfeição é precisamente a sua não existência

Não sei. Não me interessa. O que me interessa é saber que, todos os dias, a nossa história é escrita por nós, do nosso jeito. E uma certeza que se confirma: nada na nossa história é too much. Nada…a não ser a distância que dificulta, e muito!, aquela reacção química?, eléctrica?, tectónica?, aquela reacção única de quando duas pessoas se tornam uma só. Eu e ele. Ele e eu. Nós. Quando 2 somos 1 só.

A perfeição, já sabemos, não existe. Mas o que existe entre Nós é único e escrito num livro a dois sem pressa e com a certeza de que a distância, que é too much, também pode ser anulada. E nesse momento………a magia torna-se real

{#309.057.2025}

…no dia em que as palavras me faltem…

…será o meu olhar a ditar o que há para dizer…

…e a minha colecção lexical já foi muito mais vasta…

{#308.058.2025}

…um bocadinho perdida por aí…sendo que quem diz “um bocadinho” pode bem querer dizer “completamente”…

Eu sei, estar em casa de baixa há mais de 2 anos não faz bem a ninguém. Não ter condições para voltar ao trabalho também não promete nada de bom. Dar sentido aos meus dias, ter como me sentir minimamente útil e, no limite!, sentir-me uma pessoa perfeitamente normal, como qualquer outra pessoa, tudo isto são “objectivos” difíceis de concretizar.

Nada do que tenho em mente para fazer com o meu tempo é impossível de alcançar. Pode não ser tão fácil como estalar os dedos e já está. Mas é perfeitamente exequível. Só preciso de me organizar.

…e enquanto não me organizo, assumo o Lucky Luke que há em mim e termino os meus dias em direcção ao pôr do Sol…porque perdida por perdida, porque não?

{#307.059.2025}

Trinta e três mil.

33.000

O total de descargas eléctricas que caíram de Norte a Sul na última madrugada. Madrugada assustadora, de vento, chuva, trovoada. Uma noite medonha de sono interrompido ali pelas 4h30m da manhã…

Ainda antes da tempestade se fazer presente, quando chegou a hora de ir dormir a minha vontade era tão simples e tão complicada como enroscar nele, aninhar nele e dormir naquele abraço…

…depois a tempestade chegou, o vento que quase me arrancou as janelas e que fez tanto barulho que me acordou para a realidade: na minha cama um lugar cativo continua vazio e não existe ali a presença daquele abraço…

O dia não foi melhor. Não sei o número de descargas eléctricas do dia todo. Mas garanto que foram muitas. Ao ponto de me fazerem ficar em casa. De manhã não quis arriscar a chuva e o muito vento no caminho até à Fisioterapia, preferi a segurança de ficar em casa. Ao fim da tarde, a dor excruciante no meu braço/ombro aliada ao frio, ao vento e à chuva…tudo junto!, foi mais do que suficiente para não ir ao Yoga. E o que eu detesto faltar…

Não saí de casa o dia todo. Tal como ontem. Amanhã? Quero muito sair! Mas logo se vê. Porque antes de o amanhã chegar ainda há esta noite para passar. E, mais uma vez, não sei se ele vai estar presente durante esta noite do outro lado do ecrã à distância de um clique ou não. Mais uma vez, é como tudo o resto: logo se vê. E há tanta coisa que eu não sei até que ponto é que vou esperar por esse logo…não sei mesmo

Enfim…estou cansada de mais um dia ocupado a ver passar o tempo. E, ao mesmo tempo, a tentar organizar as minhas gavetas mentais, aquelas onde vou acumulando ideias de como dar algum significado aos meus dias. E acumular é muito fácil. Mas agora, antes de organizar para depois arrumar, é urgente fazer uma triagem. Porque eu sei que algumas das ideias que fui atirando para dentro das minhas gavetas mentais são perfeitamente inúteis. Ou por serem descabidas ou por serem impossíveis ou…sei lá eu! Por isso é que, nesta parte da triagem, preciso tanto de parar o Mundo por um bocadinho, pegar em papel e caneta e começar a riscar, a escrever, a orientar, a organizar…

…falta-me só saber com quem o fazer. Porque também aqui preciso de uma luz de um farol que me guie para porto seguro…e ontem à noite houve 33.000 descargas eléctricas de Norte a Sul. E eu só preciso de uma luz de um farol

{#306.060.2025}

O braço que descobriu a forma mais rápida e fácil de não me deixar dormir: o meu braço esquerdo. Que, sei lá eu como (até sei, mais ou menos…), descobriu que provocar dores excruciantes é mais do que suficiente para não me deixar dormir.

Inicialmente as dores só me acordavam a meio da noite, mas apenas esporadicamente. Depois começaram a fazer-se presentes a partir da hora de jantar.

Nessas alturas, a dor tinha um ponto de origem muito bem definido: a parte exterior do braço por cima do cotovelo. Depois passou também para a parte interior logo acima da minha tatuagem.

Entretanto, as mudanças de temperatura dentro de casa despertavam-me as dores. Um aumento mínimo de temperatura era suficiente para me fazer doer. Uma manga de uma t-shirt. Um lençol na minha cama. Ficar encostada no sofá a ver televisão…

Depois, a dor começou a expandir. A ganhar terreno. Subiu ao ombro, prendeu-me músculos do pescoço, desceu a omoplata. O frio começou também a disparar a dor…e eu já não aguento muito mais sentir tudo isto a queimar por dentro!

…e se uma noite destas tiver a visita da GNR a desoras a perguntar o porquê dos vizinhos se estarem a queixar de me ouvir, não me vou admirar. Sei bem o barulho que faço nos picos da dor que me chega em ondas com intervalos de poucos segundos

{#305.061.2025}

Passos pequenos, inseguros nunca incertos. Sempre devagar. Muito devagar. Mas também sempre sem pressa. Ter pressa nunca me levou a lado nenhum, não era agora que iria levar. E eu só queria ter ido até ao paredão ver o Mar e o pôr do Sol e o espectáculo de cores no céu com a luz do final do dia.

Não fui. Claro que não fui. À hora a que saí de casa, e ainda era cedo!, e com passagem pela esplanada das mesas infinitas para um café, nunca iria chegar a tempo ao paredão. A menos que tivesse boleia, que não tenho mas isso iria implicar ter que estar com outras pessoas e acho que não ia ser muito boa companhia para ninguém. Se nem para mim estou a ser……

18h15m, a esta hora já o Sol se despediu e mergulhou na linha do Horizonte. Está escuro na rua e ainda não acenderam as luzes do parque. Mas é sentadinha no banco do parque que estou. Naquele banco onde os pés não chegam ao chão e é possível abanar as pernas, quase como se de um baloiço se tratasse…e é tão bom!

E em conversa com a minha mãe admiti a minha vontade de me meter num comboio e ir por aí. Mas não me parece que vá a lado nenhum…

Está cada vez mais escuro no parque. 18h20m e as luzes teimam em não acender quando a noite já se instalou. Acho que era este o sinal que eu precisava para voltar para casa. E se, no caminho para casa, eu chorar………por favor, não me peçam para não o fazer. Neste momento, é bem mais forte do que eu. E conseguir fazê-lo é uma coisa extremamente rara. Por isso, por favor!, não me peçam para não o fazer…

19h40m

Muito, mas mesmo MUITO mal disposta! Daquela disposição directamente ligada com o humor. Que é exactamente o mesmo que dizer que estou de extremo mau humor! E pronta a responder seja a quem for “NÃO QUERO SABER!” ou “NÃO ME INTERESSA!“…

Péssima companhia seja para quem for. Mas sobretudo para mim mesma! E tudo o que eu queria era uma porcaria de um sítio aberto para beber um café! Mas, das QUATRO hipóteses aqui à porta de casa, ZERO estão abertas! Quando às 19h40m de um Domingo até era suposto que 2 estivessem a funcionar…não estão!

A outra coisa que eu queria, que eu precisava!, que preciso TANTO: chorar! E simplesmente NÃO ACONTECE

…deixem-me…! Deixem-me estar! Deixem-me ser!…mas por favor deixem-me…agora ou para sempre, não me interessa! Não quero saber…!

………

{#304.062.2025}

…querer fazer tanta coisa, querer fazer tudo ao mesmo tempo, resulta em não fazer nada…!

É assim que estou. Quero iniciar um caminho muito meu, muito pessoal, absolutamente de crescimento por dentro de quem sou, do que sou, caminho agregador de conhecimento que não é só de sabedoria.

Tenho, na minha cabeça, traçado uma espécie de rascunho, desenhado numa folha velha de papel, amachucada, suja, rasgada, com todos os pontos que preciso de organizar em condições para me orientar no meu caminho. E já percebi que, não sei exactamente quando mas terá que ser em breve!, terei que parar o Mundo e passar para uma nova folha limpa o esquema certo de tudo o que pensei, tudo o que preciso e tudo o que quero fazer.

E queria tanto ter uma presença física ao meu lado, a acompanhar o meu processo de mão dada comigo, dando-me todo o apoio e toda a segurança que preciso… Não sendo possível, tenho que encontrar em mim mesma esse apoio e essa segurança para seguir em frente sem desistir por medo de falhar

O caminho que pretendo percorrer não me assusta. Mas devia…acho eu. Pelo tamanho, pela dimensão, pela complexidade, por tanta coisa que traz consigo, por tanta coisa que vou deixar pelo caminho ao perceber que não é para mim, que não me preenche, que não me faz crescer…

Parando um bocadinho para pensar, tudo o que tenho anotado nesse rascunho numa folha velha de papel amachucada, suja, rasgada, é um caminho longo e complexo, mas não é impossível. O mais urgente neste momento é parar o Mundo um bocadinho, o meu Mundo, pelo menos!, para me concentrar na organização do meu caminho, e deixar de querer fazer tudo ao mesmo tempo que, já sei, resulta em não fazer absolutamente nada

{#303.063.2025}

Sobre sair de casa com este tempo…

Passos pequenos, inseguros nunca incertos, equilíbrio precário que resiste e insiste. Mantenho cada premissa.

Mas:

Sair de casa com este tempo, que é um temporal!, devia ser proibido…chega a ser quase criminoso! Perigoso já sabia que era. Mas, afinal, é bem pior do que apenas isso.

…e ainda falta fazer o caminho de volta para casa………

{#302.064.2025}

2017. Parece que foi ontem. Outubro 27, não foi ontem mas quase. 8 anos depois. Uma pandemia pelo meio, de entre tudo o que poderia acontecer e nunca um hipotético confinamento esteve nos planos. Até que foram vários. 2? 3? Já não sei. Mas sei que ainda ontem foi aquele final de tarde, sexta feira depois do trabalho, um jardim, uma esplanada. O sushi ao jantar. Uma conversa que se prolongou pelo início da madrugada no paredão junto à praia. Conversa reatada novamente no paredão no Domingo.

2017 foi, sem dúvida, uma autêntica montanha russa, daquelas com a componente de comboio fantasma e com a particularidade de não precisar de moedas para continuar o terror das subidas muito lentas e das descidas estupidamente rápidas.

Mas 2017 foi também um ponto de viragem importante. Aprendi a despedir-me de quem nunca esteve realmente presente, permiti novas entradas.

2017 podia ter sido ontem, lembro-me demasiado bem do quão violentamente doloroso foi o primeiro semestre. Lembro-me da tranquilidade que fui conquistando a pulso desde que tatuei o meu filho, aquele que não pude ter, aquele que não pode ser, na pele.

2017, o ponto de viragem tão vincado naquele fim de tarde de dia 27 de Outubro numa esplanada de um jardim.

Desde essa data tanta gente veio, tanta gente se foi, tanta coisa aconteceu e, ao contrário do que tantos julgam, eu continuo cá. Com exactamente a mesma base que já tinha em 2017. Mas todos os dias a aprender e a crescer um pouco mais.

A minha luz trago-a comigo, em mim. O que não me impede de encontrar casa num abraço dele quando me acolhe e aconchega em segurança.

2017, Outubro 27. Parece tanto que foi ontem. O que ficou era o que estava previsto nas estrelas. O que não ficou não era para ser.

Mas o Universo sabe o que faz e quando faz, por isso estou tranquila. Enquanto mantiver a minha luz não me perco. Não completamente, pelo menos…