{#122.245.2024}

Sábado que não foi. Foi quarta feira. Feriado. Dia em que o Yoga que ia acontecer ao fim do dia, como acontece todas as quartas feiras, aconteceu de manhã, no horário dos sábados. Foi o suficiente para me baralhar um pouco o calendário. But then again, desde Setembro que, para mim, os dias são todos o mesmo. Ainda me vou guiando pelos horários do Yoga para me orientar na semana. Mas hoje o jogo ficou mesmo estranho. Não é sábado. É quarta feira. Não me posso esquecer disso.

E, à quarta feira, depois da aula normal de Yoga, temos Yoga Nidra. Tenho que ler mais sobre isso, sim basicamente é uma sessão de meditação guiada. Que ainda não me levou a nenhum sítio como aquele onde estive o ano passado, mas que, confirmei hoje com o professor, me levou a algo no tempo, se é que posso descrever desta forma.

Voltar de um estado de relaxamento profundo é sempre difícil. E, já sei, comigo a meditação facilmente me leva para algum lugar de onde me é difícil regressar sem ajuda. Mas tenho trabalhado sempre para regressar mais facilmente. E quando regresso é-me demorado voltar ao estado de alerta normal. Acontece sempre lentamente.

Na semana passada, no entanto, ao regressar ao estado de alerta em que, depois do relaxamento deitadas, nos sentamos de pernas cruzadas, ao colocar as mãos em cima dos joelhos como é suposto, tive a nítida sensação de estar bem mais pequena em tamanho, quase como se tivesse novamente apenas 5 anos de idade…

Foi muito estranho. Uma sensação que, não nego, assusta. Porque eu tenho noção do tamanho do meu corpo mas, naquele momento, senti nitidamente que tinha andado para trás no meu tempo…

Não tinha tido, entretanto, oportunidade de falar com o professor. Queria, muito, partilhar essa experiência com ele. E hoje, depois da medicação guiada em que voltei a sentir o meu corpo mais pequeno do que é na realidade, partilhei com ele. E a resposta foi: isso é sinal de que houve uma regressão. Assim, sem hesitar.

Contei-lhe, muito por alto, a experiência que tive há um ano. Uma regressão. Onde me encontrei enquanto criança. Não houve tempo para falarmos muito. Mas a partilha ficou lá. A mensagem chegou lá. Ao ponto de, esta noite, ter recebido mensagem dele a referir que foi uma experiência sensorial.

Mas que não é para ficar a matutar agora. Havemos de conversar sobre tudo isso. E eu vou querer saber mais. Conhecer mais. Entender mais. Mas, o que já entendi, é que mais uma vez me apontam numa direcção: a espiritual. Não duvido disso.

Mas não vou ficar agora presa nesse pensamento. Vou simplesmente deixá-lo a pairar. E, se no próximo sábado tivermos oportunidade, iremos falar sobre isso. E eu quero muito falar sobre isso. Porque, já sei, há algo em mim que sobressai e que é perceptível a quem sabe ver. E é tão curioso como já várias pessoas que não se conhecem, nunca falaram, nunca sequer se cruzaram, me apontam todas na mesma direcção…

Quarta feira que não foi sábado, foi feriado. De manhã, Yoga e Nidra. E à tarde aquilo que já tenho notado depois do Nidra: dormir profundamente. Não sei se é normal. Mas já percebi que é depois do Nidra que mais durmo profundamente.

Fico com esta na cabeça até sábado. Ou seja lá quando for que iremos conversar sobre isto. Mas é bom saber que não estou sozinha e que tenho quem me possa orientar de alguma forma…

Hoje foi este o meu dia. Com duas coisas que me fizeram sentir muito bem:

– quando o professor de Yoga, à saída, diz a uma responsável pelo espaço que eu sou uma aluna exemplar porque não desisti nem desisto apesar das notórias dificuldades;

– fazer o caminho de regresso a casa sozinha, com o apoio da bengala, claro, e em apenas 20 minutos quando com companhia já passou largamente dos 30.

São pequenos passos, pequenas vitórias. Mas que me sabem muito bem. E que me fazem ainda melhor. Porque, já sei, posso não voltar ao meu normal, mas sei que vou chegar ao meu melhor.

Amanhã? É outro dia. E depois logo se vê. Mas sinto-me bem. Sinto-me aconchegada. E, para mim, é só isso que importa.

{#121.246.2024}

19h00

Hoje já saí de casa, fui ao café, à mercearia, à farmácia, ao parque e ao paredão. Foram 3 horas na rua e 3 km nas pernas. Continuo a dizer: 3 km não é nada. Para vocês. Mas, para mim, ainda é muito. Irá chegar o dia em que vou conseguir fazer mais, dar mais uso às pernas, de preferência sem qualquer tipo de apoio. O fisioterapeuta disse que eu consigo. A fisiatra diz que, com as lesões que a Ressonância Magnética apresenta, será difícil largar o apoio de vez. Vamos ver.

A vontade agora era ir até à esplanada do costume, ter aquilo a que chamo de o meu momento, estar só comigo a ouvir música e a pegar no telemóvel e pôr a conversa em dia. Não vai acontecer. Estou cansada das 3 horas que passei na rua, tenho a música sempre presente seja onde for e, como comprovei ontem mais uma vez, falar ao telefone não me faz bem. Ninguém imagina a dimensão da dor de cabeça de ontem depois de 75 minutos ao telefone…

Por isso, sim!, queria muito conversar, pôr conversas em dia, rir e aparvalhar, como sempre. Só que não me atrevo sequer a fazer nenhum telefonema, nem a atender nenhum que possa chegar. Fico-me pela troca de mensagens escritas. Porque, até ver, ainda não me consomem ao ponto da minha cabeça ameaçar explodir…

Quem quiser, sabe onde e como me encontrar. Instagram, Facebook Messenger, WhatsApp ou até as velhinhas SMS. Só não me peçam para falar ao telefone…

Sim, hoje voltei a ir ver o Mar. E, novamente, a vontade era descer até à areia e sentir o Mar a tocar-me os pés. Não aconteceu, claro. Está frio. Estava muito vento. E eu ainda não me mentalizei que tenho que trabalhar o equilíbrio na areia seca. E não me esqueço da confusão que as ondas à beira mar me fizeram no Verão passado…

Ainda há muito trabalho a fazer. Não sei se para voltar ao normal ou se simplesmente para alcançar o meu melhor possível.

Agora? Antes do jantar ainda vou ali ao sofá. De resto, por hoje o dia parece estar feito. Dia que começou tão bem. Não vamos agora estragar tudo.

22h45

O sofá é um bom aliado. Mas não resolve tudo. Por exemplo, não afastou a dor de cabeça. Que em nada se compara com a de ontem, mas que incomodou ainda assim.

E, a esta hora, pergunto: é normal dizer que não me sinto bem e não saber precisar o que sinto? Dizem-me que sim. E eu acredito. Porque é assim que me sinto: não me sinto bem, mas também não sei dizer o que sinto…

É hora de ir preparar o dia de amanhã, que começa cedo com Yoga às 10h. Já sabemos que será uma aula de duas horas onde se incluirá o Yoga Nidra, o momento de relaxamento profundo e meditação guiada. Vai ser bom.

Bom foi o despertar de hoje. Pena não poder terminar o dia como se começou. Mas foi o suficiente para dissipar as dúvidas que me atormentaram na noite passada um pouco por causa da dor de cabeça. Não interessa. Haverá outras manhãs como a de hoje. Porque a distância não importa.

Amanhã? Vai ser um bom dia. Porque eu quero que assim seja. E isso é suficiente.

{#120.247.2024}

Das coisas que eu até já sei mas que teimo em fazer de conta que não tem mal nenhum: estar muito tempo a falar ao telefone faz-me mal. Faz-me sentir à beira da explosão da minha cabeça.

Hoje a cabeça doeu-me o dia todo, para variar. E o que é que eu fiz há pouco? Estive ao telefone. 75 minutos. Fez-me bem? Não. Nenhum. A cabeça parece que vai explodir…

Faz-me (muita) falta estar com pessoas, falar com pessoas, conversar, rir. Mas, já devia saber, não posso falar ao telefone… Como é que posso voltar ao trabalho quando o meu trabalho não é mais do que estar 8 horas por dia ao telefone?

Não, falar ao telefone não me faz bem nenhum. Porque a dor de cabeça, já sabemos, quando se instala não passa. Com nada.

E, neste momento, depois de 75 minutos ao telefone, só me apetece chorar por causa da dor de cabeça…

{#119.248.2024}

Domingo.

Sol.

[Muito] Vento.

O Mar.

3,710km.

Dor de cabeça. Intensa. Persistente…

E eu já não sei o que fazer para a dor de cabeça passar…

{#118.249.2024}

Sábado com aula de Yoga desmarcada é um dia completamente perdido…

Foi acordar cedo, tomar o pequeno almoço e voltar para cama. O dia todo…e quando não foi cama, foi sofá…

O dia inteiro a dormir não é bom sinal… Ainda estou para perceber o porquê disto…

Obriguei-me a vir à rua beber café depois de jantar. Apanhar um bocadinho de ar. Espairecer um bocadinho, embora na esplanada do costume não se espaireça por aí além.

Amanhã. Amanhã será melhor. Quero ir até ao paredão. Se vou? Não faço ideia. Logo se vê. Agora, 23h10, são horas de voltar para casa. Apesar do dia ter sido passado a dormir, tenho sono. Não faz sentido, mas é assim que ando…

{#117.250.2024}

Dia de regressar ao Hospital para mais uma sessão de fisioterapia. Este hospital hoje está em registo Tolerância de Ponto. Que não houve. Mas que até não estranharia se tivesse havido.

Dizia eu, o Hospital está em registo de Tolerância de Ponto. Não se vê quase ninguém. Médicos, enfermeiros e auxiliares em pleno horário de almoço são muito poucos, para não dizer logo que são raros, mesmo na cafetaria.

Utentes então, são ainda menos. Mas eu, a minha dor de cabeça e a minha visão dupla cá estamos. Desde as 12h30 com a fisioterapia marcada para as 14h.

Está frio. Está vento. Está desagradável. Mas não me apetece ir para a sala de espera solitária. Vou ficando por aqui pela entrada principal, sentada ao pé do cinzeiro, a ver o tempo passar. Daqui a pouco vou para dentro. Não sei sequer como se chama o fisioterapeuta que vai tomar conta de mim hoje. Só sei que os meus meninos estagiários já terminaram o estágio e fazem-me muita falta. Especialmente em dias como o de hoje em que, até o bombeiro que me trouxe, quando chegámos ao hospital me disse “você hoje não está bem. Veio tão caladinha o tempo todo…”. Pois…normalmente vimos sempre na conversa em amena cavaqueira. Mas não hoje, Sr. Rui…não hoje…

Vamos ver como progride o dia. Se a dor de cabeça passa ou, pelo menos, acalma. E se a fisioterapia é tranquila ou é mais um tareão.

Também gostava de estar no mesmo registo deste hospital hoje: em regime de Tolerância de Ponto. Pelo menos para a dor de cabeça. Ah, e já agora para a visão dupla também…

——-

Regressar a casa foi, obviamente, sinónimo de aninhar e enroscar no sofá. Sozinha em casa. Com sono. Frio. E aquela dor de cabeça intensa e persistente… Claro que adormeci. E foram, pelo menos, duas horas em que simplesmente desliguei do mundo. E o mundo desligou de mim.

Amanhã não há Yoga de manhã. Despertador? Vai tocar na mesma e à mesma hora de todos os sábados. Mas apenas para medicação. Depois disso, é desligar novamente até quando for.

Por hoje? Já chega. Os dias são vazios, é verdade. Amanhã não será excepção. Mas, neste momento, não dou para muito mais.

{#116.251.2024}

Abril 25, 50 anos depois. E que se quer repetir todos os anos sem prazo para terminar.

Não fui ao Largo do Carmo, não fui ao Terreiro do Paço, não desci a Avenida, não empunhei cravos vermelhos. Mas, não tendo ido, estive lá em cada um dos muito mil que fazem cumprir Abril.

Foi dia de ouvir o meu corpo e obedecer-lhe. Amanhã? Continuaremos a cumprir Abril, todos os dias.

{#115.252.2024}

Dia longo, ocupado e cansativo. E, todo o dia, a dor de cabeça intensa e persistente.

Ao fim do dia, e ainda com muita dor de cabeça, a aula de Yoga onde, mais uma vez, o meu equilíbrio foi posto à prova. Para, desta vez, conseguir à primeira uma posição nova que achei que não iria conseguir e voltar a fazer outra que há muito tempo não conseguia.

Começo, aos poucos, a ver progressos. Agora é manter o caminho e, como sempre, não desistir de mim.

Não fosse a dor de cabeça, e o dia tinha sido melhor. Mas esta desgraçada veio mesmo para ficar e chatear. E, volto a dizê-lo, não aguento muito mais…

{#114.253.2024}

O objectivo para esta tarde era, novamente, ir até ao paredão. Ou, no limite, até meio do parque. De chapéu por causa do Sol, claro, porque Sol e dores de cabeça não combinam.

O desafio consistia, também, em fazer o mesmo que ontem: ir sem bengala e sem apoio. Nada disto se concretizou…

A dor de cabeça derrubou-me. Ao ponto de, às 17h45, ter sucumbido ao Nolotil. São agora 19h10 e o efeito do comprimido ainda não está completamente instalado. Mas a dor de cabeça aliviou.

Já sei que o Nolotil é para ser tomado só em SOS. Mas há muito tempo que não estava como esta tarde.

Ainda dei uso às pernas por um bocadinho, curto porque a vontade era atirar-me para o chão com dores de cabeça. Vim até à esplanada do costume e hoje o Perna de Pau não se atirou para o chão. Mas a visão dupla está instalada.

Não, nada disto é fácil. Amanhã, consulta com a médica de família. E, antes da Fisioterapia, vou dar um pulinho ao piso da Neurologia para tentar falar com o médico. Já sei que sem diagnóstico não há medicação, mas porra! Para a dor de cabeça intensa e persistente TEM que haver solução…tratamos da evolução da doença quando houver resultado de exames e diagnóstico. Mas, por favor, preciso de ajuda com as dores de cabeça. Outra vez…

E, nem 5 horas se passaram desde que tomei o comprimido, as dores de cabeça intensas estão de volta…e eu não aguento…

{#113.254.2024}

De hoje:

– um gelado no parque que, antes de chegar a meio, se atirou para o chão

– uma caminhada no parque que era “só até onde conseguires” que terminou no paredão a ver o Mar

– fazer a caminhada, ida e volta, sem bengala e sem apoio

– 3km nas pernas e poucos metros na bengala

E o que fica do dia? A brutal dor de cabeça intensa e persistente que não desaparece…e eu não sei até quando é que vou aguentar…

{#112.255.2024}

Domingo de Sol e calor lá fora. Cá dentro, depois de uma péssima noite, acordar relativamente cedo e a dor de cabeça ainda presente… Resultado? Tomar o pequeno almoço, beber café, depois de algum tempo no cadeirão arrastar-me até ao sofá, esconder os olhos da luz brilhante que, no prédio da frente, reflectia a luz do Sol e apagar. Dormir profundamente mais de duas horas. Creio que, depois da péssima noite, estava a precisar disto…

Acordar devagarinho e com fome. Almoçar. Beber café. Um bocadinho de cadeirão. E voltar a enroscar no sofá…desta vez, a tarde toda quando tinha planos de ir até ao parque à tarde, dar uso às pernas, arriscar ir ao paredão ver o Mar. Pelos vistos, dormir era mais urgente. Mas, ao acordar, a dor de cabeça mantinha-se. Intensa e persistente como sempre…

Entretanto, uma pessoa decide ir à rua beber café e apanhar um bocadinho de ar na esplanada para aliviar a (brutal) dor de cabeça e acaba por fugir da esplanada porque dores de cabeça intensas e pavorosas não aguentam os gritos estridentes de crianças a rir. Nada contra crianças a rir, muito pelo contrário. É um gosto. Prefiro ouvir crianças num restaurante a rir do que demasiado quietas e caladas à mesa. É bom sinal que estejam a rir.
Mas hoje não…nem o abrir de uma lata de refrigerante na outra ponta da esplanada a minha cabeça aguentou…

O que é que eu fiz? Não querendo voltar para casa, fugi para a outra ponta do jardim e sentei-me no banco mais longínquo, aquele o mais afastado possível da esplanada do restaurante. E não foi preciso muito tempo para ter companhia…
Esta gata anda por aqui há meses. Mas nunca se tinha chegado tão perto como hoje.

Já em casa, depois das 22h, ainda sem jantar. E a dor de cabeça que está prestes a enlouquecer-me continua presente e intensa… Já não há pachorra para isto…

23h40 e já jantei. Já bebi o meu descafeinado. Já estou no cadeirão a ganhar coragem para ir para a cama e a dor de cabeça continua. E eu já não sei o que fazer para acalmar isto…e, mais uma vez, só me apetece chorar. Pela dor, pelo desconforto, pela frustração, por saber que faz parte do que me apanhou na curva e por saber que, enquanto não tiver medicação, as dores vão continuar…

E, mais uma vez, o digo: só me apetece chorar… Amanhã espero que seja melhor. Porque eu não aguento isto…

{#111.256.2024}

Resumo do dia: filha da mãe da dor de cabeça…daquelas que surgem sabe-se lá porquê e que vêm para ficar e arruinar o dia. A vontade é de chorar por causa das dores mesmo sabendo que, muito provavelmente, iria piorar. Mas a sensação de frustração por saber que a dor não passa é imensa. Estou cansada disto…especialmente das dores de cabeça intensas e persistentes que não passam com nada…

Vou tentar dormir. Amanhã pode ser que já não doa e o resumo do dia seja melhor…

{#110.257.2024}

Há anos que digo isto: há pessoas intrinsecamente más. Que NÃO merecem os filhos (fantásticos) que têm.

Ando a dizer isto há quase 10 anos. Já tinha dado tempo para tratar e curar a maldade. Mas não. Parece que se refinou ainda mais. E, ainda assim, mantenho o que sempre disse: é só à estalada!

Mas depois há gatos bebés. Que vêm acalmar isto tudo por um bocadinho até ser entregue à nova dona. Seja como for, ainda bem que há gatos! Sejam eles bebés ou não. Porque o resto é só à estalada! (E, ao fim de praticamente 10 anos, tenho uma aliada que em vez de ser à estalada é ao murro! Por mim tudo bem!)

Nada disto me faz bem. E não está a fazer. Estou, ainda, demasiado acelerada, a precisar restaurar a minha paz, a minha tranquilidade, um bocadinho da minha sanidade mental… E, para isso, recordo esta manhã.

Um momento de partilha, entrega e descoberta. E que foi o que foi. Sem palavras para o definir, para o descrever. Resta-me guardar para mim mais uma tatuagem na memória. E viajar até lá sempre que o Mundo lá fora me tentar quebrar.

Foi o que foi. Foi o que tinha que ser. Agora? Não sei. Mas, no momento imediato, também não quero saber. Quero desligar do resto. E descansar. E preciso tanto de descansar. O dia foi longo. Foi muito bom de manhã, foi muito mau ao fim da tarde, está a ser estranho ao fim da noite. Porque ainda não consegui desacelerar. Desligar. Mudar o chip. O que lhe quiserem chamar.

Mas por hoje chega. O dia, como todos os dias, foi o que foi, como tinha que ser. Amanhã? Não quero saber. Não agora. Agora estou eu. O resto só vem depois. Muito depois. Não quero saber…o que quero é chorar! E não consigo. Preciso de um abraço. Preciso de um colo. Por isso, não!, não quero saber! Agora estou eu. O que vier amanhã será o que tem que ser.

{#109.258.2024}

Aquele momento em que a pressão da semana te começa a cair em cima…
A dor de cabeça intensa e persistente. A vontade de chorar e não conseguir.
O querer (e precisar de) conversar com alguém que me oiça. Não por escrito. Também é válido, mas preciso de mais do que isso…

Ainda o stress de Domingo com o meu irmão. Que esteve morto durante um minuto. É verdade que não nos damos. Nem bem nem mal, simplesmente não nos damos apesar de haver contacto e proximidade. Mas, de repente, depois de confirmado na Nota de Alta, esteve morto por um minuto. E um minuto é muito tempo para uma paragem cardíaca…

A pressão de tudo isto em cima da minha mãe. E eu a assistir sem poder fazer nada.

E as dores sempre presentes. Dores de pernas que me impedem de ir até ao paredão ver o Mar porque, no meu estado actual, não me posso esquecer que, se vou, tenho que voltar. E não consigo. E hoje, novamente e como há muito tempo não tinha, “aquela” dor de cabeça. Que não se aguenta. Que não passa. E que não me deixa saborear as tatuagens na memória desta manhã. Que, essa sim, foi uma manhã de partilha, descoberta e revelação de um jeito que fica marcado para sempre. Como se fosse na pele.

Sim, a pressão da semana está a cair-me em cima. E eu estou com grande dificuldade em processar tudo.
É nestas alturas que sinto falta do terapeuta fofinho. Que já não me segue. Ou que, pelo menos, deixou de ter disponibilidade para me acompanhar. Mas que, sei, está à distância de um telefonema em caso de crise mesmo sabendo que, do lado dele, a disponibilidade já não é imediata.

Sim, a pressão da semana está a cair-me em cima. E eu não estou a conseguir processar tudo… E só preciso de um colo, um abraço e um ombro para me orientar.

{#108.259.2024}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Mas, mais uma vez, dia de muitas dores nas pernas. Fisioterapia puxada, centrada no equilíbrio, coordenação e, acima de tudo, no caminhar. Muito. No corredor e, desta vez, na rua. Gravilha, terra batida, calçada, alcatrão e uma subida dura seguida da respectiva descida. Cheguei ao final da sessão muito dorida e cansada.

Depois da fisioterapia terminada, consulta com a Fisiatra. Vamos manter a fisioterapia no Hospital entre 8 a 10 sessões. Depois de terminadas serão para manter em clínicas externas…mas sim, é preciso continuar a trabalhar o equilíbrio e a marcha.

As dores nas pernas terão de ser estudadas para já, análises completas para se tentar perceber a origem da dor. Mas, o mais provável, é ser mais um sintoma disto que me apanhou na curva…

Mas é importante repetir as caminhadas. Ir até onde consigo. E não me esquecer de descansar! Não posso forçar todos os dias porque, na realidade, não tenho força para isso. Como por exemplo hoje que voltei a faltar ao Yoga. Chegar a casa quase duas horas depois do que é costume porque os Bombeiros que me transportaram hoje tardaram muito a chegar ao hospital. Resultado? Restavam-me 15 minutos para descansar e recuperar as pernas. Claro que não recuperei.

São quase 23h00 e as dores nas pernas continuam. E não há nada que possa tomar para aliviar as dores, com excepção do Ben-u-Ron que não faz rigorosamente nada…

Mas, e esquecendo agora o que se passa com as minhas pernas, é engraçado perceber ciclos. E eu já os tenho percebido. Como aquele em que estou agora. Não interessa para aqui que ciclo é esse. Quem tem que perceber, já começou a perceber.

Anyway, amanhã é dia de regresso ao Hospital para mais exames. Desta vez renais. Estará, com certeza, tudo bem. Mas, pelo que já percebi, faz parte do pacote completo.

Agora é hora de descansar. Falar baixinho ao ouvido é a vontade, mas a distância de um clique nem sempre o permite… Amanhã de manhã? Logo se vê…

{#107.260.2024}

Mais um dia daqueles que só me apetece apelidar com um nome feio. Não que tenha acontecido alguma coisa, mas precisamente porque foi mais um daqueles dias em que não se passou absolutamente nada.

Muito cansada, como sempre. Mas cansada de quê? De nada!

Dizia que não se passou nada, mas não é inteiramente verdade. Uma teleconsulta a meio da tarde com uma hora de atraso só para demorar 2 a 3 minutos para confirmar que os valores estão bem e uma vontade doida de me esticar no sofá e simplesmente dormir. Terminada a consulta e ainda cheia de dores nas pernas foi exactamente isso que aconteceu: apaguei no sofá para acordar já no fim da tarde.

A medicação só me dá sono. Não me deixa fazer muito mais. E, por ser só mais um dia sem ver ninguém, sem estar com ninguém, sem ir a lado nenhum, todo o dia me pareceu um muito longo Sábado.

A única pessoa que está sempre presente, todos os dias sem excepção, é a minha mãe. Mas eu preciso muito de ver mais pessoas. De estar com pessoas. De conversar com alguém que não a minha mãe. Por isso é que as idas à fisioterapia são sempre dias melhores, embora regresse a casa sempre muito cansada. Mas, pelo menos, tenho ali perto de 3 horas e meia em que não estou em casa, estou a ver pessoas, estou a interagir com pessoas. Este segundo ciclo de fisioterapia, no entanto, termina sexta feira e ainda não sei se é para continuar ou não. Amanhã é dia de consulta com a Fisiatra provavelmente para avaliação dos progressos e depois disso logo se vê. O que eu sei é que, para além da recuperação física, a fisioterapia tem sido fundamental para não agravar a minha saúde mental.

Estes últimos sete meses de baixa cada vez me recordam mais os primeiros tempos de confinamento por causa da pandemia: o não ver ninguém, não estar com ninguém, não interagir com ninguém que não apenas a minha mãe. Lembro-me que não foi fácil. Mas não foi assim tanto tempo como agora…que já vai nos sete meses.

Ontem tive consulta de Psiquiatria com um novo médico. Insistiu muito em querer saber como está a Depressão. E eu só lhe soube responder que estava tudo controlado. Que está, é um facto. Mas falta o resto. E o resto é estar muito frustrada e o sentir-me muito sozinha. Que, se calhar erradamente, não consegui desenvolver… Médico simpático e acessível, mas ainda assim foi um primeiro contacto em que ainda não estive totalmente à vontade de lhe dizer que não, não estou bem. Disse-lhe, claro, que preciso de ajuda quando ele se prontificou em encaminhar-me para psicologia. Porque preciso mesmo. Disse-lhe que preciso de ajuda nem que seja para me ajudar a aceitar o que me apanhou na curva e que eu ainda estou em negação. Mas não desenvolvi muito mais para além disso. E, sei agora, porque o sinto, devia ter desenvolvido.

Vou continuar ao sabor do vento até ter consulta de psicologia marcada. Sabe-se lá para quando. E, sendo que o seguimento será hospitalar, serão sempre consultas de 50 minutos contadas ao segundo e que, apesar de terem hora de início marcada, dificilmente irão começar à hora marcada mas terminando sempre à hora certa. Foi esta a experiência que tive em psicologia no Centro de Saúde. E tenho plena noção que desde que o Terapeuta Fofinho me começou a seguir em 2016 de forma privada, fui uma privilegiada e sortuda. Lembro-me que, logo no início, chegámos a ter consultas de 3 horas. E tantas de 2 horas. E um número de telefone sempre disponível para situações urgentes a qualquer hora do dia ou da noite que devo ter usado uma única vez.

Sei que preciso de ajuda. Sei que não desenvolvi tudo o que devia ter desenvolvido com o psiquiatra. Que só volto a ver em Agosto. Se aguentar até lá…

Enfim, foi mais um dia vazio que a minha mãe fez por compensar depois do café de fim de dia: ficámos para jantar na esplanada do costume que, agora, foi engolida por andaimes para pintura do prédio…

Não interessa, amanhã ainda é dia de fisioterapia. E final do dia no Yoga. Vai ser um bocadinho mais preenchido de gente. Portanto, vai correr bem. Tem tudo para ser melhor.

A única coisa que peço? É que me aguente até à próxima consulta de Psiquiatria ou até à primeira consulta de Psicologia, o que acontecer primeiro…

{#106.261.2024}

Há formas de começar o dia que valem muito por cada kilómetro de distância. Mesmo que a vontade seja a presença. O toque. O beijo. O cheiro. A pele. O calor.

Sim, há formas de começar o dia que valem muito por cada kilómetro de distância. E, de repente, é nesses momentos que a distância parece não existir. Porque o que queremos está já ali connosco.

O dia foi muito longo e muito cansativo. Mas depois há tatuada na memória aquela manhã de hoje…e que se quer repetir, desta vez à distância de um toque, de um abraço, de um beijo.

Sim, há manhãs que nos tatuam memórias que ficam. E, como tatuagens que são, ficam para sempre.

{#105.262.2024}

Passar o fim do dia nos corredores do Hospital de Santa Marta é estranho… O mais estranho, ou talvez nem por isso, é demorar mais de duas horas da Costa ao centro de Lisboa.

Bem, pelo menos foi o tempo suficiente para que o meu irmão fosse intervencionado antes de nós chegarmos.

Um enfarte a meio da tarde. Uma paragem cardíaca na ambulância a caminho do Hospital de Vila Franca de Xira. Uma reanimação bem sucedida na ambulância em plena Autoestrada. Ambulância sempre acompanhada pela VMER.

Reencaminhamento urgente para Santa Marta. Cateterismo de urgência bem sucedido.

Há dias do caraças. Ou apenas tardes e finais de dia. Pesados, claro.
A minha mãe já esteve com ele, ele ligou agora para cá. Está bem e é o que importa.

Tinha tudo para correr mal. E quase correu. Mas, mais uma vez, os profissionais do SNS a serem o que são: BONS profissionais.

Houve quem me faltasse? Houve. Mas, por hoje, o dia está fechado. Amanhã? Logo se vê. Já sei, porque já mo relembraram, que amanhã é outro dia. Mas houve quem me faltasse…

{#104.263.2024}

13 de Abril, Dia Mundial do Beijo. E que bom que é poder celebrar esse dia, ainda que à distância de um clique, com aquele que nos beija e aconchega a cada letra que nos escreve.

Tatuagens na memória. Aconteça o que acontecer, essas são nossas e ninguém as pode apagar.

Se algum dia vai ser diferente? Ambos acreditamos que sim. Ambos queremos que sim. Mas vamos um dia de cada vez, sem pressa, sem pressão.

Se algum dos dois está preparado para o que já não se pode negar que é real? Nenhum dos dois estava preparado para as consequências de um simples “Olá” há 9 meses. Mas aconteceu. Por isso, vamos sem pressa. Um dia de cada vez. Sempre.

Amanhã já não se comemora o Dia Mundial do Beijo. Mas o beijo, esse, vai continuar a existir. Seja em que dia for. Mesmo que à distância de um clique.

Gêémedêtê tanto tanto. Em ti encontro aconchego sempre que me acolhes no teu abraço.

{#103.264.2024}

Sexta feira e todo o dia com a sensação de ser quarta feira. Ou, por vezes, até segunda feira. Não posso dizer que seja por falta de rotina, porque segundas, quartas e sextas já estão bem definidas como rotina. Pelo menos aquelas horas entre sair de casa, ir à fisioterapia e regressar já fazem parte da rotina.

Não, hoje o dia não foi muito bom. A fisioterapia correu bem, desta vez com o Alexander, francês e colega do Miguel que hoje ficou em casa doente. Também ele muito engraçado, conversador e bem preparado. Terminam o estágio dia 19, o mesmo dia em que termino este segundo ciclo de fisioterapia. Se vou ter mais? Não sei. O que sei é que os estagiários todos que têm passado por mim vão fazer-me falta. Não só pelo tratamento mas também pela companhia. São miúdos. São. Mas sabem conversar. Sabem rir. Sabem cativar.

Terminada a fisioterapia é sempre hora de voltar para casa. E hoje, percebi quando cheguei à porta do prédio, era o último sítio para onde queria voltar. Não me perguntem porquê. Mas provavelmente por me sentir presa e não conseguir ir muito longe. Nem sozinha nem acompanhada.

A neura instalou-se rapidamente. Para ser acompanhada pela sempre presente frustração. Estava, mais uma vez, zangada. Comigo. E insegura. Muito. Tanto como há muito tempo não estava.

Quem está lá sempre à distância de um clique hoje encontrou uma Corujinha difícil. Não só pela neura, pelo mau humor mas sobretudo pela insegurança…

Não foi uma tarde fácil. Até que, já perto do final da tarde, me obriguei a enroscar no sofá, procurar o aconchego do calor do edredon e da almofada térmica e dormir. Obriguei-me a dormir. Estava cansada e não tinha percebido. E foram duas horas de sono profundo no sofá e no aconchego do calor que procuro a qualquer hora mas especialmente quando me rendo ao sofá e quando, à noite, chega a hora de dormir.

Não, hoje o dia não foi bom. Ou, pelo menos, a tarde. Zangada. Triste. Frustrada. A sentir-me sozinha mesmo sabendo que não estou. Agora é hora de enroscar e aninhar com a almofada térmica novamente. Porque, ainda não percebi porquê, procuro o aconchego do calor…

Amanhã começo o dia com o Yoga que não consegui fazer na quarta feira. Depois? Volto para casa. E fico à espera de um telefonema prometido esta tarde para amanhã. Telefonema que devia acontecer mais vezes. Porque me sabe bem. Porque me faz bem. Porque há palavras que quando ditas de viva voz sabem melhor do que as mesmas palavras escritas. São as palavras certas. As palavras todas. E que ambos sabemos quais são.

Amanhã será melhor. Tem que ser melhor. E eu sei que vou fazer por isso…