{#38.328.2021}

Dia de ver o tempo passar, novamente. Mantas, sofá e televisão, com gata ao colo, em modo preguiça.

E lembrar-me de onde estava há dois anos a esta hora. Ainda à espera, claro, mas uma espera que valeu a pena. Porque estas esperas valem sempre a pena. Porque depois da espera veio o jantar num espaço onde gostava, um dia, de voltar. E depois do jantar, o passeio à beira do rio, a conversa, a partilha, o vinho quente, a descoberta.

E a confirmação que sou totó. E perto de algumas pessoas ainda sou. Muito totó. Mesmo depois de me expor.

Enfim. Não vale a pena lembrar dessa noite. Que foi bonita. E em que, mais uma vez, o meu gut feeling vibrou bem alto.

Quem sabe um dia, quando for possível o regresso a uma espécie de normalidade, esse jantar se repita. Ali ou noutro local. Com novos passeios, novas partilhas que ainda hoje existem, com novas descobertas.

Até lá, vou vendo o tempo passar porque não é possível muito mais que isso.

Hoje, mais um dia igual aos outros, a ver o tempo passar. Mantas, sofá e televisão, gata ao colo e muita preguiça. E saudades de quem não pode estar perto.

{#37.329.2021}

Dia de ver o tempo passar.

Sem mais.

Também são válidos estes dias assim, vazios. Ajudam a pôr as coisas em perspectiva e a valorizar os outros dias em que acontece alguma coisa.

No fundo, foi só mais um dia igual aos outros. Normal, portanto. Hoje sem pequenas partilhas ou pequenos nadas, mas tirando isso foi mais um dia normal.

Mas, ainda assim, não foi um dia mau. Como aliás não têm sido os últimos tempos. O tempo dos dias maus já vai longe e não deixa saudades. Mas ainda me lembro deles. E é importante não me esquecer. Porque os dias maus chegaram a ser muito maus e cheguei a acreditar que não iria conseguir superá-los.

Mas consegui. Com muita ajuda e muito trabalho, mas consegui. E também por isso hoje valorizo dias como o de hoje em que nada se passou. Porque prefiro dias de ver o tempo passar sem mais nada a acontecer do que aqueles dias de dor e sofrimento que tive porque a minha cabeça não parava de me levar a sítios onde não queria voltar.

Amanhã vai ser novamente a ver o tempo passar. Mas também amanhã vai ser um dia bom, igual aos outros.

Por isso, mantenho: dias de ver o tempo passar também são válidos. E podem ser tão bons.

{#36.330.2021}

Pequenas partilhas sabem tão bem.

E também sabe tão bem saber que sim, vale a pena ter pequenos gestos que se transformam em hábitos e que, sei agora com certeza, são bem recebidos.

E assim me roubam um sorriso. Um roubo do qual não me queixo e que até agradeço. Porque sorrir é bom e faz bem.

Se cheguei a ter dúvidas sobre esses meus gestos diários que se tornaram hábitos, se cheguei a achar que se calhar incomodam, hoje sei que não é assim. São gestos bem recebidos. E isso é tão importante e tão bom de saber.

Talvez um dia os deixe de parte. Mas não será para breve.

{#35.331.2021}

E tu, lembras-te onde estavas há um ano a esta hora?

Eu lembro-me. A esta hora ainda estava em casa, à espera do final de um jogo de futebol. À espera, como sempre. Começou a ser hábito, logo desde o primeiro dia. Mas nunca me queixei por essas esperas, ainda que algumas tenham sido ao frio, muito frio.

Há um ano esperava para poder ter a conversa prometida poucos dias antes. Conversa que era necessária e que foi muito bem vinda. Porque me aconchegou depois de me ter exposto. E que me garantiu que nada iria mudar. E, um ano depois, posso garantir que nada mudou.

Foi também nessa conversa que o meu gut feeling começou a dar sinais mais fortes de que as coisas ainda vão mudar. Para melhor, claro. Porque para pior já sabemos que não mudaram nem mudam. Logo nessa altura me dizia, quase num sussurro de alma, que iria demorar algum tempo até mudar. Nunca pensando que pouco tempo depois teríamos que nos fechar em casa e esquecer a presença física do outro… E só com essa proximidade é que é possível as coisas mudarem. Ou, pelo menos, avançarem nesse sentido.

Sinto, um ano depois, que realmente as coisas não mudaram para pior. Aliás, sei que não. Mas há dias em que quase parece que avançam. Devagarinho, porque não dá para ser de outra forma. Mas sim, quase parece que vão avançando. Só falta mesmo a proximidade, a presença física.

Já passou um ano e há uma pergunta que ficou por fazer. E que já não faz sentido ser feita. Mas há uma certeza que fica: é por ali o meu caminho. Ainda vai demorar, claro. Mas é por ali o meu caminho.

Sim, é por ali. E ali vou ser feliz. Ali onde, na realidade, já sou feliz. Só porque ali existe. E só isso já é tão bom. E sim, ainda tenho borboletas na barriga.

{#34.332.2021}

Sair da zona de conforto e tentar fazer o que nunca se fez. Tentar transmitir conhecimento que se foi acumulando. Não sei se transmiti alguma coisa, mas não desgostei do dia.

Amanhã repete. Volto a sair da zona de conforto.

Entretanto, bate a saudade. Todos os dias bate, mas há uns dias em que bate mais forte. Como hoje. E a vontade de repetir o que já disse e que continuo a trazer comigo é grande.

Não o vou fazer, claro. Pelo menos, não abertamente. Vou deixando passar a mensagem da mesma forma que o faço todos os dias desde o primeiro dia. E sei que a mensagem não só é recebida como é entendida. E aceite. E, acredito, é também bem vinda.

Um dia talvez deixe de fazer passar a mensagem. Mas será só quando já não me fizer sentido. Ou sentir. Até lá, mantenho aquilo que já se tornou um hábito e sem o qual já não me imagino.

É um bocadinho como vir aqui todos os dias escrever. Ganhei o hábito, já não me imagino sem vir aqui todos os dias antes de ir dormir, porque ainda me faz sentido e faz sentir.

Amanhã saio novamente da zona de conforto. Só para confirmar que a zona de conforto também é necessária, mas é importante sair dela de vez em quando. Não esquecendo dos hábitos que vou mantendo. Amanhã não será excepção, não esquecendo que ainda é hoje.

Boa noite. Será com certeza. E bom dia. Que é sempre bom também.

Até amanhã.

São pequenas coisas assim que sabem e fazem bem.

{#33.333.2021}

Começar o dia com mais um pequeno nada. E que é tanto.

Leio nas entrelinhas, embora não o devesse fazer. Porque pode nem haver entrelinhas para ler. Mas o meu gut feeling faz-me ler tudo. E faz-me sorrir. Porque cada vez mais me faz sentido que o meu gut feeling esteja correcto.

Soube bem. Sabe bem. Mas se calhar não é nada assim e não há mesmo mais nada para ler para além do que está escrito.

Era tudo tão mais simples e fácil se não fosse o distanciamento. Porque a distância pode trazer confusões e más interpretações. Mas mesmo antes do distanciamento já o meu gut feeling se fazia ouvir…

Enfim. É o que é. É o que for. É o que tiver de ser.

E de repente lembro-me da pergunta que não fiz há um ano. Tenho pena. De não ter perguntado. É uma resposta que não vou ter tão cedo. Porque sei, o meu gut feeling sabe, que um dia as coisas vão mudar. E nessa altura vou ter a resposta. Mesmo sem fazer a pergunta.

{#32.334.2021}

Nem sempre se consegue alcançar o outro lado. E hoje não consegui.

Mas nem por isso desisto. Há coisas que mantenho enquanto me fizerem sentido. Enquanto me fizerem sentir.

Amanhã será melhor. Como sempre. E amanhã conseguirei alcançar o outro lado. Ou até, quem sabe, ainda hoje. Simplesmente porque não desisto ao mínimo percalço.

Bom dia, como sempre.

Boa noite, também.

{#31.335.2021}

Papoilas em Janeiro. Todos os anos me cruzava com elas a caminho do autocarro para ir trabalhar. Este ano, com o trabalho em casa, fui à procura delas. E lá estavam, no mesmo sítio de sempre, como que a lembrar-nos que o Inverno não dura para sempre.

São papoilas fora de época, ou se calhar é época delas e eu não sei. Mas seja o que for, sabe bem cruzar-me com elas.

Um ano. Passou um ano desde que me expus e deitei cá para fora o que há tanto tempo guardava comigo, em mim. Passou um ano, e ao contrário do que estava habituada, não perdi nada. Acho até que ganhei.

Nada mudou. Mas desde o primeiro dia que existe um forte gut feeling que me diz que vai mudar. Mas mudar de forma positiva. Também desde o primeiro dia que digo que vai levar algum tempo. Não sabia, nessa altura, não sabia ninguém, que o Mundo ia parar e que todas as interacções iriam ficar limitadas. E para mudar, é preciso que haja uma interacção mais próxima, ao vivo. Porque a interacção mantém-se. Diariamente. Ou praticamente diariamente, como foi desde o início.

Mas o gut feeling mantém-se, forte e intenso como sempre. Desde há mais do que um ano de exposição. Já existia antes.

E desde sempre que existem também pequenos nadas. Que para algumas pessoas se calhar são apenas isso mesmo, nadas. Mas que para mim são pequenos gestos que aconchegam. E que fazem o meu gut feeling vibrar mais forte.

Enfim…

Há papoilas em Janeiro. Há um gut feeling intenso. Há pequenos nadas.

Há esperança que tudo melhore um dia.

E há a certeza, a garantia, que um ano depois nada mudou. Porque não tinha que mudar. E ainda bem.

{#30.336.2021}

Começar o dia cedo com um bom dia. Sabe tão bem. É um pequeno nada? É. Mas aconchega. E sabe bem.

Praticamente um ano depois, ainda sabe melhor por perceber que, de facto, nada mudou. Não tinha que mudar. Mas as minhas experiências anteriores foram sempre negativas e tive medo, claro, que desta vez fosse igual. Não foi.

E um bom dia sabe sempre bem, especialmente quando parte do outro lado.

E a partilha. Também há a partilha. Hoje minha, entendida e aceite sem preconceitos. Talvez com um pouco de preconceito meu, vindo de mim mesma, a falar sobre mim. É o estigma que ainda existe sobre a saúde mental. E dou por mim com vergonha de falar sobre isso. Mas não devia ter. Já sei que não devia.

Poder partilhar sem filtro, no entanto, soube bem também. Quase tanto como receber um bom dia ainda ensonada. E há tanto tempo que sonho acordada com esse bom dia ensonado.

Foi bom começar o dia assim. Vai ser bom também terminar o dia com o boa noite habitual.

E só por ter começado o dia cedo como começou, o dia foi um dia bom.

Amanhã? Que seja igual se não puder ser melhor.

{#29.337.2021}

Chegar ao fim da semana. É esse o objectivo todas as semanas. E tenho conseguido chegar com a minha sanidade mental em melhor estado hoje do que no início do confinamento apesar de não sair de casa para dar uma volta há 15 dias. Saí no domingo para ir votar, mas não pude ir dar uma volta, por isso é como se não tivesse saído.

Faz-me falta sair para ir até ao café depois do trabalho. Mas com o café fechado não vale a pena sequer pensar em sair. Até porque não é permitido andar por aí. Mas está a fazer-me falta dar uma volta.

Talvez amanhã vá até à mercearia. Sempre estico as pernas e mexo-me um bocadinho, que bem preciso.

Por agora descanso e planeio o dia de amanhã: da cama para a sala, da sala para o quarto com passagem pela cozinha e de regresso à sala para terminar o dia de volta à cama.

Tenho que procurar um bocadinho de humor nisto tudo ou enlouqueço. Já basta a semana com pouco trabalho, reflexo do confinamento.

Entretanto, de novo as saudades do Sol. Mas agora, mesmo que pudesse sair, também não o conseguiria ver por causa do céu cinzento constante. Por isso, olho para cima e tento fazer de conta que sinto o Sol no rosto.

Chega por hoje. Estou cansada. Até cansada de estar cansada. Desligo por hoje. E deixo o meu boa noite aqui, assim como irei deixar também ali.

Boa noite.

{#28.338.2021}

Às vezes apetece-me fazer ctrl+alt+del para reiniciar esta treta toda.

Não podendo, tento fechar todos os processos que não interessam. Mantenho a funcionar só o que é importante. E, pelo meio, tento não perder o foco.

Hoje não foi um dia mau. Foi só mais um dia igual aos outros. E amanhã será igual, se não puder ser melhor.

E só me apetece dizer “bom dia!”. Nunca me tinha apercebido que gosto mesmo de dizer bom dia. E por isso continuo a fazê-lo, mesmo que por vezes não tenha retorno. E termino sempre o dia a dizer boa noite,, pelo menos enquanto continuar a fazer sentido.

E não, aqui no bom dia e boa noite não me apetece um processo de reiniciar o sistema. Não podendo estar melhor, está muito bom assim. Especialmente quando penso que já vai fazer um ano que disse o que trago cá dentro. E nada mudou. Porque não tinha que mudar.

Mas chega a hora de terminar o dia e até a esta hora é preciso manter o foco e o equilíbrio para não me deixar levar pelo medo. É tão fácil ser levada pelo medo. E eu sei até onde é que o medo me pode levar. E não quero.

Por isso, foco-me nas rotinas de fim de dia e preparo-me para reiniciar o meu sistema. Amanhã regresso à rotina de trabalho e tento dar o melhor que consigo.

Amanhã não será um mau dia. Será, isso sim, mais um dia de foco e equilíbrio.

{#27.339.2021}

Não me posso esquecer que, para manter o equilíbrio, é preciso olhar em frente.

E é isso que tento fazer todos os dias. Até quando olhar em frente se torna mais difícil.

É urgente manter o equilíbrio. É urgente olhar em frente. Tudo isto vai passar um dia. Não sabemos quando, mas vai acabar por passar. Até lá olho em frente e tento, da melhor forma possível, manter o equilíbrio.

{#26.340.2021}

E novamente o medo. Ou será ainda o medo?

É a minha hipocondría a falar. E a fazer disparar os níveis de ansiedade que têm estado controlados. Mas toda a somatização me assusta. E quanto mais assustada, maior a somatização. E quanto maior a somatização, mais assustada.

Vai correr bem, tento repetir para mim mesma. Mas e se não correr, oiço-me em resposta.

Vai ter que correr tudo bem. Não pode ser de outra forma.

Agora é tentar acalmar a ansiedade que tem vindo a crescer e a deixar-me cada vez mais desconfortável.

Amanhã será melhor.

{#25.341.2021}

De volta à rotina. E o volume de trabalho a diminuir drasticamente.

Custa ver o tempo passar quando devia ter trabalho para fazer. Mas já era esperado.

De resto, os dias passam iguais. Todos os dias. Há mais de 10 meses.

Um dia de cada vez. Um dia atrás do outro atrás do um. E amanhã não deixar de sorrir logo pela manhã.

{#24.342.2021}

O dia acordou cinzento. Mas não frio. Perfeito para sair de casa à hora de almoço e exercer o direito de voto. Que, para além de um direito, é também um dever cívico. Porque quem adormece em democracia pode acordar em ditadura. E isso não pode acontecer.

Longas filas, pouco tempo de espera. Voto deixado em consciência. Num gesto que foi seguro.

Amanhã saberei os resultados finais. Mas os preliminares já são um bocadinho assustadores.

O populismo não vencerá estas eleições, mas mostra resultados que me assustam.

Amanhã. Amanhã volto a pensar nisso. Por hoje posso dizer que fiz a minha parte.

Não passarão. Não aqui.

{#23.343.2021}

Mais um dia a ver o tempo passar. Mas sem stress. O tempo lá fora pede mantas e, mesmo que não pedisse, agora é altura de ficar em casa.

Amanhã hei-de sair, com ou sem chuva. Vou votar para voltar para casa. E continuar a ver o tempo passar.

Agora recolho-me. Estou cansada. De tanto ver o tempo passar.

{#21.345.2021}

Novamente, mais um dia, menos um dia. Sempre igual, o que não é de todo mau.

Trabalho, sempre, sem a preocupação de cumprir com os horários dos transportes públicos e a incerteza do trânsito em dias de chuva. Trabalho em casa não é mau.

Amanhã não precisa de ser melhor, basta ser igual para já estar a ser melhor.

{#20.346.2021}

Mais um dia, menos um dia.

E menos uma preocupação.

Que venha agora a chuva que afasta o frio extremo. Já não há paciência para o frio.

De resto, mais um dia igual aos outros. Amanhã, novamente, será melhor. E os dias cada vez maiores.

{#19.347.2021}

O frio. Ainda o frio. Estou cansada do frio.

E cansada dos dias sempre iguais, fazendo por ter pedaços de dia um pouquinho diferente todos os dias, mesmo mantendo os hábitos de todos os dias. Confuso? Talvez.

Na verdade não me chateia muito estar em casa há 10 meses. Mesmo que os dias sejam sempre iguais. Já não sinto falta das interacções que me faltavam no início desta aventura de trabalhar em casa. Fazem-me falta outras coisas que nada têm a ver com o trabalho ou com o ir trabalhar.

Mas o frio…o frio é que está a ser difícil de lidar. Falta muito para a Primavera? Dois meses, eu sei. Que podem ser muito longos. E frio ainda agora chegou.

Mas sei que vou sobreviver a mais este Inverno. Devagarinho, mas hei-de sobreviver.