{#21.345.2022}

Silêncio finalmente quebrado, e não por mim. Curiosamente, parece que eu é que desapareci. E de certa forma até é verdade, porque ao silêncio respondi também com silêncio. E que, pelos vistos, foi notado.

Hoje novamente aquele sussurro cada vez mais alto de um certo gut feeling que raramente me desilude. Tudo porque o silêncio foi quebrado pelo outro lado e, percebi, a minha ausência foi notada. Hei-de regressar ao ritual nocturno, já percebi que foi isso também que foi notado. E o ritual matinal. Porque são habituais. E podem ser só o que se diz o dia todo, sem mais conversa pelo meio porque se mete o trabalho. Mas, já percebi e hoje confirmei, esses dois rituais são importantes. Não só para mim mas também para o outro lado. Mesmo que por vezes eu própria ache que posso estar a ser chata, confirmo agora que do outro lado essa presença é bem vinda.

Sim, o meu gut feeling já não sussurra apenas. Já faltou mais para gritar declaradamente. E para ajudar ao grito há também aquele olhar de Novembro que também ele gritou.

Eu não estou louca. Nem a enlouquecer. Há coisas que não se explicam, sentem-se. E eu sinto. Sim, as coisas ainda vão mudar. Não sei quando, mas sei que vão. E isso já esteve mais longe de acontecer.

E quando estou quase pronta a desistir, como ontem, lá o silêncio é quebrado por quem tem que o quebrar, que não sou eu. É sempre assim e eu não sou de desistir facilmente. Ou talvez porque há sempre um retorno depois do silêncio é que eu não desisto.

Enfim…já ganhei o dia. E gostei de saber que afinal a desaparecida era eu. É sinal que a ausência foi notada. Agora é retomar a presença. E, se possível, fazer acontecer.

Amanhã? Lá estarei de novo para o ritual matinal. E hoje ainda para o ritual nocturno. E amanhã voltará a ser um dia bom. Só porque sim e porque o meu gut feeling me diz que sim. E pronto.

{#20.346.2022}

O silêncio…ainda e sempre o silêncio.

Até quando?

Não sei… Nem sei até quando devo esperar pelo desejado retorno. Mas vou esperando…

…até um dia aceitar que não vai acontecer…

{#19.347.2022}

Quarta feira. E dou por mim tantas vezes a confundir os dias. Como hoje que, sabendo que era quarta feira, dei por mim a sentir-me na quinta…

Trabalhar em casa é desculpa? Não. Mesmo quando ia para o trabalho, havia momentos desses, de confusão no calendário. E vai continuar a acontecer. Mas, desde que acerte no dia da semana quando acordo, não será muito grave.

E, uma semana depois, ainda o silêncio. A indiferença. As mensagens por ler. Se calhar está na altura de entregar os pontos e aceitar que, afinal, as coisas mudaram…ao contrário do que foi falado na altura certa.

Enfim. Amanhã será quinta feira e será melhor. Os dias não estão a ser maus, mas todos os dias podem melhorar mais um bocadinho. E o silêncio irá manter-se…

{#18.348.2022}

Sair de casa todos os dias um bocadinho depois do trabalho. Mesmo com muito frio na rua, saio e vou até à esplanada. É o meu momento, de mim para mim.

E hoje foi dia de conversa de raparigas. Por telefone porque a distância assim o dita. Mas mesmo por telefone permito-me falar do que me incomoda no momento. O silêncio. Hoje falou-se do silêncio dos últimos dias, da última semana. Para além de me permitir desabafar, ajudou-me a tentar perceber o que se pode estar a passar e a pôr as coisas em perspectiva.

Devia haver destas conversas mais vezes. Em que baixo a guarda e me exponho sem receios de julgamentos, sem receios de ser “uma parvoíce”. Também tenho destas conversas com o terapeuta fofinho todos os sábados, mas dele recebo apenas respostas terapêuticas. Porque é mesmo assim. Mas nas conversas de raparigas é diferente. Há partilha de experiências, de opiniões, de tudo.

O silêncio mantém-se presente. E todos os dias dói mais um bocadinho. Mas um dia vai deixar de doer. E, quem sabe, um dia volta a haver retorno.

Mas não deverá ser hoje…hoje ainda dói, hoje o silêncio mantém-se.

Amanhã? Logo se vê como será…

{#17.349.2022}

Zangada. Percebo agora que estou zangada. Não só por me terem dito que “é uma parvoíce” manter uma amizade com alguém de quem se gosta (muito) sabendo que não irá passar disso. Mas também pela forma como essa frase me afecta porque me faz questionar se não terá um quê de razão.

E zangada também, e acima de tudo, comigo. Porque me deixo afectar e me faz questionar a mim mesma sobre a minha atitude em relação a essa amizade. Amizade que faço questão de manter. Porque não? Porque é que havia de ser diferente se fui eu quem pediu para que nada mudasse?

Mas se calhar as coisas até estão a mudar. Porque me sinto ignorada. E estou, de facto, a ser de alguma forma ignorada. E isso já me custa o suficiente.

Para quê dar tanta importância a uma simples frase que nada mais é do que uma simples opinião? Para quê estar tão zangada comigo mesma se não quero dar razão a essa opinião?

Continua o silêncio, a ausência de retorno. Não sei até quando as coisas vão estar assim. A vontade é querer quebrar o silêncio, mas a razão diz-me que não devo ser eu a quebrá-lo. Mas também não há vontade do outro lado em quebrá-lo. E isso dói…

Parva. No fundo é isso que eu sou. E um dia tenho que deixar de o ser. Não sei quando. Mas um dia… Parva!

{#16.350.2022}

A falta de retorno traduz-se num silêncio ensurdecedor.

Sinto que estou a ser ignorada…e não gosto nada disso…

Não era preciso nada disto. A falta de tempo eu entendo. A falta de retorno não. Não era preciso nada de especial, um simples bom dia ou boa noite era suficiente para eu saber que está tudo bem.

Mas não acontece. Simplesmente se ignora. E isso dói. Muito…muito mais do que gostaria de admitir.

Enfim. Eu já devia saber que seria assim, mais cedo ou mais tarde. Mas não deixa de doer por saber por antecipação.

Até quando é que estas coisas vão continuar a acontecer? E porque é que continuam a acontecer? Juro que pensei que desta vez seria diferente…mas não está a ser.

Nada tem que mudar, lembras-te? Falámos disso naquela noite há quase dois anos. E realmente durante muito tempo as coisas não mudaram. Mas agora estão a mudar. E acredito que não seja simples falta de tempo. É, acima de tudo, falta de vontade…e é isso que me traz à memória situações anteriores menos positivas.

Ser ignorada dói. Não o faças mais, por favor…

{#15.351.2022}

Sábado, o dia mais aborrecido da semana. Consegue ser pior que o Domingo. Porque Domingo é dia de não fazer nada e Sábado é suposto acontecer alguma coisa. Mas a cada Sábado que passa mais me chateia e incomoda não fazer nada.

Esta é uma situação que não sei mesmo como resolver…e chateia-me por isso.

Enfim…não saí de casa como costumo sair porque não me apeteceu o ritual de sempre, do café na esplanada takeaway Covid e mesa para um. Dediquei-me a ver o tempo passar, embrulhada nas mantas e profundamente aborrecida a olhar para a televisão.

Amanhã? Repete-se a história. Mais ou menos aborrecido, o Domingo também não promete muita acção.

Vamos ver como corre…

{#14.352.2022}

Adolescente aos 44. Tal e qual. Sem tirar nem pôr. Mas, desta vez, sem lágrimas. Porque, felizmente, não há motivo para lágrimas. Nem pode haver. Porque o outro lado também não é causador de lágrimas e acredito que também não as queira causar. Acredito que é melhor que isso. Já sei que é bom por natureza, por isso não acredito que seja causador de lágrimas.

Mas eu? Adolescente, sempre. Seja com as borboletas na barriga, seja na troca de mensagens escritas, seja no diálogo de viva voz. Como hoje. Risinho adolescente, claro. Nem podia ser de outra forma. A diferença? Um diálogo de iniciativa minha, em jeito adolescente de fazer acontecer.

Se me arrependo? Nada. Mas, claro, soube a pouco. Não voltará a acontecer, pelo menos não da mesma forma, tão cedo. Nem tão cedo, nem tão tarde. Simplesmente não voltará a acontecer. Não assim. De forma adolescente.

Mas custa-me o silêncio. E precisei de o quebrar de alguma forma. Agora? Sei que está bem, e isso é o que é importante. Porque era só o que precisava de saber.

Mas adolescente aos 44. Sempre.

Um dia cresço.

{#13.353.2022}

Um dia, esta cadeira em frente vai estar ocupada e a mesa da esplanada vai passar a ser para dois.

Hoje [ainda] não é o dia. Mas podia ser. E por [ainda] não ser o dia, vou esperar. Não sei até quando nem sei o que esperar. Sei apenas que vou esperar.

Talvez esteja a esperar um enorme nada. Talvez seja uma perda de tempo. E eu detesto perder tempo. Porque eu não tenho tempo para perder Tempo. Para mim, o tempo é caro. Mas acredito que esperar pode ser positivo.

Não sei mais o que fazer quando na verdade não há nada que possa fazer. Há um gut feeling? Há. Muito forte. Mas não devia ficar por aí. Não devia ficar apenas por uma intuição. Que, se calhar, é apenas uma manifestação de uma vontade enorme de alcançar algo.

Não sei, para variar não sei mais o que fazer, o que pensar, até o que sentir sabendo que não se manda no que se sente. Mas gostava de conseguir uma definição disto. Já sei que “é o que é”. Há praticamente dois anos que o sei, dito por quem tinha que o dizer. Mas se antes havia a pergunta “porquê?” à frase “com muita pena minha”, pergunta que nunca tive coragem de fazer, hoje há a pergunta “o que é que me querias dizer naquela noite no cais do metro?”. Porque nessa noite o olhar disse tanta coisa e tanto mais ficou por dizer.

Claro que essa última pergunta também ficou por fazer. E ficará. E no entanto espero. Nem sei exactamente o que espero. Só sei que espero.

Mas um dia tenho que ganhar coragem para deixar de esperar. Porque a espera não vai dar em nada…

Mas…e se der? Se der, não duvido que vai valer muito a pena.

Um dia vou provar que isto não é uma parvoíce. Um dia a cadeira vai estar ocupada e a mesa da esplanada vai passar a ser para dois. Um dia…um dia não vou ficar incomodada com o silêncio e a ausência de retorno. Porque um dia ou algo se concretiza ou simplesmente tudo passa. Um dia tudo isto se resolve. De uma maneira ou de outra.

Por enquanto a cadeira continua vazia, a mesa da esplanada mantém-se para um. Mas um dia tudo se resolve.

Hoje [ainda] não é o dia.

{#12.354.2022}

Quarta feira e o silêncio. Novamente. Como acontece de vez em quando mas que mói sempre. E dói.

E a mesa no café que se mantém para uma pessoa apenas…

Não, mesmo assim não acho que seja “uma parvoíce”. É o que é. E é bom. E é bonito. E o silêncio existe porque não há obrigação nenhuma de retorno. Mas o retorno acaba sempre por acontecer. E sei que, um dia, a mesa no café será para dois. E haverá conversa. E risos. E partilha.

Sim, a questão da “parvoíce” está cá entalada. Não concordo nada com essa ideia. Ideia que sei ser de convicção e por isso me magoa. Dói mais do que o silêncio que de vez em quando ocupa o lugar do retorno.

Enfim…também isso é o que é. Amanhã vai continuar a magoar. Mas o retorno acabará por acontecer e irá romper o silêncio. E um dia, sei-o porque o sinto, irá o retorno ser mais do que uma simples quebra do silêncio e irá mostrar que não é “parvoíce” nenhuma.

As coisas levam tempo. E eu não tenho pressa. E o tempo vai dar-me razão.

Não, não tenho dúvidas disso. Por agora vou seguindo a olhar para cima, como sempre. E sempre sem pressa, porque não adianta ter pressa, especialmente quando já se sabe que algo está para acontecer. Mesmo que não se saiba quando.

É o que é. Será o que tiver que ser. Quando tiver que ser. Mas vai ser.

{#11.355.2022}

Terça feira e nunca mais é sábado…

Ando cansada, por nada mais do que as noites interrompidas. Sono o dia todo e o trabalho que se faz a partir de casa da mesma forma que se faz no escritório. E novamente a ideia de não querer voltar ao escritório tão cedo. Pelo menos até ter a dose de reforço da vacina, para me sentir mais segura ao enfrentar os transportes públicos. Da maneira que as coisas andam lá fora, só me sinto segura em casa. Mesmo sabendo que a rotina diária de ir para o trabalho me faz falta. Mas não lhe sinto a falta agora, não agora. Não neste momento.

Numa outra nota, novamente o orgulho. Ou ainda o orgulho. Nada meu, nada que tenha a haver comigo (nem remotamente!), mas o orgulho. E a confirmação de que há coisas sobre as quais não posso falar com toda a gente. Se no sábado tive uma conversa de raparigas em que tive todo o apoio, como já sabia que tinha, hoje numa outra conversa também de raparigas tive contacto com os antípodas. Que também já sabia que era assim, mas que me magoa cada vez que se repete e me confirma o que já sei.

Não interessa. O que trago comigo cá dentro, comigo e em mim, é bonito. E o que há, e que é o que é, também não é mau. É uma amizade desinteressada, sem duplos significados, sem outras intenções que não apenas a amizade. E isso é bom. E foi a melhor coisa que me podia ter acontecido e realmente aconteceu nos últimos anos.

Se tiver que acontecer mais alguma coisa, acontece. E acredito que o tempo irá acabar por dar razão ao meu gut feeling. Há coisas que levam o seu tempo. E eu não me importo de esperar. Porque também não consigo fazer de conta que não existe e seguir em frente. Não sei funcionar assim. Não sei desligar o que sinto. E o que sinto sabe-me bem e, mais importante, faz-me bem.

Mas magoa-me quem acha que “é uma parvoíce”…

Enfim. Amanhã será mais um dia em que o que trago comigo, cá dentro, em mim se vai manifestar de alguma maneira e será bom na mesma. Se um dia deixar de sentir o que sinto, vou ter pena. Muita. Mas por agora mantenho-me firme. Porque, mais uma vez o digo, é bom o que sinto. E faz-me bem. E é bonito.

Sim, amanhã será mais um dia bom e bonito. E eu vou continuar a sorrir aquele sorriso ao canto da boca e com brilhozinho nos olhos. Mesmo que haja quem me diga que “é uma parvoíce”…

{#10.356.2022}

Segunda feira e não saí de casa depois do trabalho como costumo fazer. O frio falou mais alto. E também não me apeteceu a esplanada takeaway Covid cheia de gente sem máscara.

Mas a vontade de sair existe. Com a condição de sair com a companhia certa, para um café que se pode traduzir, para o outro lado, num chocolate quente.

E podíamos conversar sobre os actuais tempos de mudança e rir como sempre rimos. Sinto falta desses momentos. Que são poucos e sempre com intervalos muito espaçados, mas que podiam ser mais frequentes. Houvesse, do outro lado, tempo e vontade. Contra a falta de tempo não posso fazer muito nem criticar. Quanto à falta de vontade…bem, é o que é. Já o sei há muito tempo, já foi falado, entendido e aceite.

Mas há sempre uma esperança de que as coisas mudem. E sim, um dia ainda podem mudar. Acredito que não só podem como vão mudar.

Anyway, segunda feira e não saí de casa. Amanhã logo se vê se saio, se vou à rua aproveitar o final do dia.

Mas o que queria mesmo era companhia para um chocolate quente. E eu nem gosto de chocolate quente…

{#09.357.2022}

Domingo. E muito frio. Que, claro, resultou em muita ronha. Mas ainda deu para apanhar um bocadinho de luz do dia na rua. De manhã houve Sol que só vi da janela, à tarde um dia cinzento, fechado, pesado. E frio. Muito frio.

E eu que não aqueço. Ou demoro a aquecer. É assim Janeiro. Mas depois lembro-me de outro Janeiro em que julguei que me seria quase impossível aquecer e sobreviver e, afinal, sobrevivi. Por isso, este ano não será diferente. Só tenho que recordar estratégias, especialmente enquanto me mantenho a trabalhar em casa. E recordo que, há um ano, também a trabalhar em casa, estava muito mais frio e sobrevivi.

Não gosto de dizer que “sobrevivi”, como se há um ano estivesse em risco. Há 7 anos sim, estava em risco e aplica-se. Há um ano apenas tinha frio. Como este ano. Não estou em risco, muito pelo contrário, estou bem, segura e tranquila.

Só voltarei a ver a luz do dia na rua no próximo fim de semana. Com sorte, também dará para saborear o Sol. Até lá, vou aproveitando a janela.

De resto, mais um dia. De ronha, de mantas e muita preguiça. E hoje essa preguiça soube bem.

Amanhã, regresso à rotina que se deseja possa continuar a ser em casa por mais algum tempo.

E, num outro registo, a vontade de dizer, mais uma vez, o que trago cá dentro, comigo, em mim. Não o farei directamente. Mas há sempre tantas maneiras de o fazer. E o meu ritual nocturno é uma dessas maneiras. Por isso, repito-o. E hei-de repetir sempre. Já abri a oportunidade de me dizerem para não o fazer. Não disseram. Fico, dessa forma, com a certeza que esse ritual é bem-vindo. E isso sabe-me bem. Por isso mantenho.

Podia ficar aqui a noite toda a dissertar sobre este ponto. Para não chegar a conclusão nenhuma que não aquela que já conheço e sei de cor: é bonito o que trago comigo, em mim. Porque é puro, incondicional, desinteressado.

Enfim… É o que é. E pronto. As coisas são como são. E como está, está bom. Se for para mudar, que seja para melhor. Se não, fica como está. Está bom assim.

Até amanhã, que continuará a estar bom.

{#08.358.2022}

Tarde de conversa de raparigas. Estava a precisar disto. Ainda vi a luz do Sol, que também precisava e consegui apanhar as cores do final de dia.

Mas, acima de tudo, a conversa de raparigas. Poder dizer tudo o que trago cá dentro, comigo, sem julgamentos, sem receios, sem desvalorização do que é bom e bonito.

Poder desabafar, poder partilhar e ser valorizada e validada. É preciso fazer isto de vez em quando. É necessário. E faz bem.

Fico com uma certeza: não é só o meu gut feeling que acha que as coisas podem, ainda, mudar. E é bom saber e sentir isso. É sinal que não estou sozinha.

Foi um final de tarde tão bom. Voltei para casa mais leve e mais tranquila.

Tenho (temos) que fazer isto mais vezes.

{#07.359.2022}

Sexta feira e o orgulho e satisfação pelo alcance do outro lado.

E o teletrabalho que vai durar pelo menos mais uma semana.

Do que sinto mais falta nestes dias de trabalho em casa? Da luz do Sol e do céu azul. Que vou vendo pela janela apenas. Mas enquanto puder, prefiro manter-me em casa. O trabalho faz-se na mesma, sem maiores dificuldades, sem complicações e sem o stress dos transportes públicos que me assustam neste momento.

De resto, o outro lado. Sempre o outro lado, desde o primeiro dia, que me faz sorrir como há muito tempo não sorria. E que cada vez me dá mais certeza de que o caminho é por ali. E o gut feeling, esse, que não se cala e me diz que as coisas são como são mas o que são na verdade ainda não está fechado. Vão mudar e ser melhores do que são hoje.

Venha daí o fim de semana. E uma possível conversa de raparigas há muito adiada mas que faz falta e é necessária para me ajudar a orientar e desabafar sobre o que trago comigo, cá dentro.

Sim, amanhã será melhor. Amanhã será um dia bom. E vou poder ver o céu azul e sentir o Sol, mesmo que esteja frio.

{#06.360.2022}

Quinta feira. E mais uma noite interrompida, desta vez mais cedo do que o habitual. Mas interrompida ainda assim.

E quando devia estar a dormir, dou por mim a pensar no outro lado e a ter ideias para ajudar. Se resultaram? Não faço ideia.

Amanhã será melhor que hoje. E saberei se essas ideias resultaram ou foram apenas lidas. Não importa o resultado. O que importa é a partilha do outro lado e o retorno que vou tendo desde o primeiro dia.

Agora? Desligo e procuro o calor. De preferência numa noite sem interrupções.

{#05.361.2022}

Gosto de números. Especialmente daqueles que traduzem resultados. Mesmo que não sejam meus, gosto de os ver. E vibro com eles como se fossem meus.

Como hoje. Ver os resultados do outro lado, do trabalho bem executado e conseguido, deixa-me muito contente como se fosse comigo. E orgulhosa.

E hoje tive oportunidade de poder dizer, de viva voz, que estou orgulhosa. E muito contente. E soube bem poder dizê-lo como acredito que também soube bem do outro lado ouvi-lo.

E fico também muito contente pela partilha, especialmente sabendo que não há obrigação nenhuma de partilhar resultados de um trabalho pessoal. Mas essa partilha, como tantas outras partilhas, aconteceu. E isso deixou-me mais do que contente. Deixou-me aconchegada. Feliz porque existiu como existe desde o primeiro dia.

Sim, estou muito orgulhosa. E contente. E feliz. Pelo outro lado como se fosse comigo. E isso faz-me ganhar o dia.

Amanhã? Será, novamente, um bom dia. E Janeiro traz-me também os dias em crescendo. E isso é tão bom.

Mas o que realmente importa hoje é que estou contente e orgulhosa pelo outro lado e pude dizê-lo de viva voz. Fica a faltar poder dizê-lo ao vivo e a cores. Mas nada como dar a dica e beber um café. A ver vamos quando será possível.

Por mim era já amanhã.

{#04.362.2022}

Facto: não quero voltar ao escritório na próxima segunda feira. Não me sinto segura nos transportes públicos com os números loucos que andam aí. Não quero ser mais um número na estatística. E já são demasiados nãos juntos.

O trabalho, a partir de casa, faz-se tão bem como lá. Não há razão plausível para voltar agora. Amanhã vou perguntar se as orientações se mantêm: regressar segunda feira. Mas não quero…não quero mesmo… Sei que o meu não querer não vai adiantar de nada. E vou ter que fazer o que me disserem. Mas, se me perguntarem (e ninguém vai perguntar), a resposta é simples: não quero. Já o disse lá em cima: não me sinto segura. Não quero fazer parte da estatística. Não quero uma infecção que não sei que efeito terá em mim. Se tenho medo? Claro que sim. Já lá vai o tempo em que dizia que não se perdia muito se comigo corresse mal. Neste momento já não digo o mesmo.

Sim, tenho a vacina, aguardo pela terceira dose, mas ainda assim…

Enfim…amanhã logo se vê. Mas não quero voltar na segunda feira…estou melhor em casa. E o trabalho faz-se de forma igual.

{#03.363.2022}

Dia de nevoeiro lá fora. Noite de calor cá dentro.

Foi um regresso à normalidade no trabalho, com as chamadas a entrarem em força. E a confirmação de que há tanta gente de mal com a vida.

Felizmente não faço parte desse grupo. Não me queixo nem descarrego nos outros, mesmo sabendo que podia queixar-me de algumas coisas. Mas não, simplesmente aceito que as coisas são como são e sigo de sorriso fácil. Mesmo que me insultem quando estou apenas a fazer o meu trabalho. Não me afecta. Não me incomoda. Porque sei que o problema não sou eu.

Cansada, claro, depois de uma noite difícil. De calor e interrompida mais uma vez. Mas de bem com a vida.

O nevoeiro continua lá fora. Cá dentro irei fazer o possível para fugir ao calor da noite. Esta noite preciso de dormir. O melhor possível e, de preferência, sem interrupções.

Amanhã? Amanhã volto a sair de casa depois do trabalho, já que hoje não o pude fazer. Dia de consulta, mudei o chip à força. E a vontade de sair de casa aumentou.

Sim, amanhã será um dia bom. Venha quem vier, vai ser bom. Simplesmente porque sim.

{#02.364.2022}

Domingo sempre com a sensação de que é segunda feira e que me deixei dormir e não fui trabalhar. Não é bom. Não gosto de me sentir perdida nos dias. Não faz bem a ninguém. E deixa-me a sentir-me culpada. Na verdade culpada de nada porque não aconteceu nada de errado. Simplesmente é Domingo.

Mantas, sofá e televisão. E uma saída de casa para apanhar um bocadinho de luz. Uma das desvantagens de trabalhar em casa é nunca apanhar a luz do dia na rua, só através da janela. E por isso, para compensar essa falta de luz do dia, saí. Não fui longe, como ontem. Não me apeteceu. Fiquei-me pelo café de Domingo que não é o mesmo da esplanada dos dias de semana.

Silêncio. Claro que sim. É Domingo. E também por ser Domingo foi dia de fazer aquilo que começou no início do Verão como forma de ocupar o meu tempo livre, que era demasiado na altura, e que mantenho numa espécie de parceria, um pouco de forma de ajudar e participar. Ou simplesmente uma forma de ocupar um pouco do tempo livre que tenho ao fim de semana…

Não posso continuar com fins de semana vazios, sem ter nada para fazer, sem ver gente, sem participar de nada. Tenho que arranjar forma de ocupar esse tempo, ou parte dele, pelo menos. Não faz sentido passar o fim de semana a ver o tempo passar.

Enfim…amanhã é dia de regresso à rotina, continuando em casa e esperando que seja por mais tempo do que apenas a próxima semana. Não me sinto segura em voltar aos transportes públicos. Já não sentia antes, mas o cenário piorou e não quero mesmo correr riscos sem necessidade. O trabalho faz-se tão bem em casa como no escritório. Por isso, deixem-me estar aqui…