{#274.92.2022}

Sábado. Aquele dia que, por norma, serve para dormir um bocadinho mais. Aquele dia aborrecido da semana. Hoje, no entanto, nem se dormiu mais um bocadinho, nem o dia foi aborrecido.

Acordar cedo, muito cedo para um Sábado, sair de casa rumo a Lisboa também muito cedo. Dia de tratar de mim implica esquecer por um bocadinho a necessidade de pôr o sono em dia. É um bocadinho um contrassenso, eu sei. Mas esse tempo que tiro ao sono é um investimento em mim.

A tarde, já de regresso, foi também dedicada a mim apenas. É preciso tirar este tempo para cuidar de mim. E, apesar de muito cansada, não me arrependo nem um bocadinho de ter roubado tempo ao sono.

Ainda de manhã, dia de regressar àquele jardim onde, há quase cinco anos, vi pela primeira vez aquele sorriso. E, sempre que regresso a esse jardim, regresso também àquele fim de tarde depois de um dia de trabalho que veio mudar tanta coisa, apenas pela existência de apenas uma pessoa.

Tanta coisa em mim que mudou depois desse fim de tarde. Para melhor. E, se me obriguei a querer melhorar daquele estado miserável em que me encontrava, a ele o devo. Não o sabe. Provavelmente nunca o saberá. Mas não deixa de ser verdade.

Hoje, e apesar de estar tudo definido e conversado, as coisas estão estranhas… Da minha parte, aposto no silêncio e ausência por procurar reciprocidade. Não posso ser só eu a tomar a iniciativa. E sim, posso ficar zangada quando se combina alguma coisa para ser desmarcada em cima da hora. E sim, posso ficar zangada quando a súbita disponibilidade afinal não é assim tão disponível. Ou quando o “quando tu quiseres” fica condicionado à disponibilidade que, afinal, não existe.

Enfim…prometi a mim mesma que iria ficar sossegada, quieta e calada no meu canto até amanhã, ou mesmo até segunda feira. Para depois confirmar (ou não…) o pôr do Sol na baía na segunda feira. Mas hoje de manhã falhei essa promessa. Não resisti. Foi uma espécie de teste? Foi. E, desta vez, houve retorno. Mas agora quem não retornou fui eu… Não o quis fazer. É um bocadinho infantil? É. Mas agora dou ao outro lado um bocadinho do que ele me dá a mim… Se vai ser notada essa falta de resposta? Tal como o meu silêncio e a minha ausência não são notados, duvido que essa falta de resposta de hoje seja sequer percebida ou sentida.

Mas tenho que pensar em mim em primeiro lugar. Não queria ter dito nada hoje, mas disse. Amanhã logo se vê se digo alguma coisa sobre o pôr do Sol na baía ou se espero por segunda feira, sabendo que em dia de trabalho não é tão fácil conversar e combinar um final de dia.

Vamos ver. Depois daquela mensagem de manhã também não houve mais qualquer procura por parte do outro lado. Por isso mantenho o meu silêncio e a minha ausência. Por hoje. Amanhã logo se vê.

Muito cansada. Ainda é relativamente cedo, mas o corpo pede-me descanso e uma boa noite de sono. E é isso que vou fazer…dediquei o dia a tratar de mim, vou dedicar a noite também. Não vou pensar no que fazer, sentir ou dizer. Vou apenas desligar por hoje. Amanhã logo decido se falo já ou espero. Se estou confiante que o pôr do Sol na baía aconteça na segunda feira? Prefiro não pensar na possibilidade de não acontecer. Prefiro, por isso mesmo, não pensar sequer.

Recolho e enrosco. Amanhã? Domingo. E logo se vê…

{#273.93.2022}

Não foi a sexta feira que idealizei. Que programei. Que desejei. Mas que não planeei. Foi a sexta feira que não aconteceu. Como previsto, aliás. E em modo repetição daquela terça feira que não aconteceu.

Afinal, aquela súbita disponibilidade não é assim tão disponível. E o “quando tu quiseres” também não funciona assim.

Nada que me surpreenda muito, na verdade. Por algum motivo, já esperava que acontecesse assim. Desde o primeiro momento que achei que era demasiada disponibilidade para quem, já sabia, na realidade não a tem. Ainda não percebi o porquê dessa súbita disponibilidade, dessa abertura para um pôr do Sol na baía. Não sei, sequer, se algum dia irei perceber. E não sei, também, se tudo isto não me fará mal…

Sei que tenho que me colocar a mim em primeiro lugar. Novamente eu primeiro. Sem me deixar levar por falsas promessas. E há muito tempo que deixei de acreditar em promessas. Assim como deixei de fazer planos. Já repeti esta conversa há uns meses, quando aquela terça feira que não aconteceu foi adiada três vezes. Desta vez não sei, ainda, quantas vezes vai ser adiado o pôr do Sol na baía. Nem sei quais serão as desculpas. A de hoje não pega, especialmente por estar tudo apalavrado desde há vários dias. Se afinal havia tanta coisa a acontecer hoje, já devia estar na agenda há vários dias. Porquê, então, avançar com a ideia de algo que já se sabia não poder acontecer?

Não pega…

Agora espero até segunda feira. Para ver se o pôr do Sol na baía acontece ou se haverá uma nova desculpa.

Não, não foi a sexta feira que idealizei. Não foi o pôr do Sol que desejei. E, às vezes, penso que foi o pôr do Sol que eu mereço…sozinha, à porta do cemitério, a olhar lá para o fundo, em busca de cores bonitas para não partilhar com mais ninguém…

Quero, sempre, acreditar que mereço mais. Mas depois é isto que tenho. Sozinha. A ver o Sol a despedir-se por entre os prédios. Quando podia estar a partilhar esse momento do pôr do Sol na baía com alguém que se mostrou disponível e com vontade para isso. Mas que, afinal, nem a disponibilidade existe nem a vontade parece ser muita.

Sim, mereço melhor. Mereço mais do que isto. Mas é isto que tenho…

Talvez tenham sido o meu silêncio e a minha ausência que despertaram essa súbita disponibilidade e essa vontade. Não sei. Sei, sim, que foi preciso eu ficar sossegada, quieta e calada no meu canto para haver uma espécie de iniciativa. Mas que acabou por não se concretizar.

Vamos ver se segunda feira acontece. É bom que aconteça. Não sei se vou aguentar uma nova desmarcação sem me zangar a sério. Sei que pouco direi, se isso acontecer. Mas, tal como fiz hoje, alguma coisa direi. E farei questão, como hoje, que se perceba que não fiquei contente.

Enfim…sexta feira que não aconteceu. E eu a começar a habituar-me a esses adiamentos. Não posso. Nem quero. Porque, mais uma vez o digo a mim mesma, mereço melhor, mereço mais.

Por agora volto a remeter-me ao silêncio. Volto a avançar com a ausência. Já disse o que tinha a dizer sobre o que (não) aconteceu. Já confirmei a segunda feira. Só volto a perguntar como fazemos no Domingo à tarde. Ou à noite, para me organizar. Se não perguntar só na segunda feira de manhã. Logo se vê. E se, por acaso, houver iniciativa do outro lado para dizer alguma coisa entretanto, não sei se vou ter vontade de responder…

Sexta feira que não aconteceu. Tão simples como isso. Se custou a encaixar? Custa sempre. Mas, desta vez, já estava preparada. E é sempre preferível estar preparada para a desilusão do que ser apanhada de surpresa como aconteceu há uns meses.

Veremos agora como corre segunda feira… Até lá, é esperar. Mais uma vez, esperar.

{#272.94.2022}

Até ver, amanhã será só mais um dia igual aos outros… E a vontade que eu tenho é de dizer, bem alto, a quem tem que ouvir “Prove me wrong”.

Até ver, não estou errada. Faço uma pergunta, recebo silêncio. Tudo porque ainda acredito quando me dizem “é quando tu quiseres”. Quando aparece uma súbita disponibilidade. Acredito porque sou parva. Não devia acreditar. Devia proteger-me mais. Insisto em não o fazer. Depois, claro, bato com a cabeça na parede.

Se me provarem que estou errada desta vez, aceito. Mas, se mais uma vez estiver certa (e não quero estar!), só me resta reforçar o meu silêncio e a minha ausência. Não vou continuar a remar contra uma maré que não é minha, não é para mim.

Por enquanto ainda espero. Amanhã, de manhã, logo se vê. Mas, para já, está visto e entendido que será mais um final de dia igual aos outros…

…e não devia ser.

{#271.95.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Vale o que vale. É mais um dia numa nova contagem. É menos um dia até sexta feira. E amanhã é dia de interromper a contagem, dia de cortar o silêncio e a ausência, dia de confirmar se sexta feira acontece ou não. E continuo convencida que não, não vai acontecer. É esperar para ver.

Mais um dia a trabalhar em casa, como vai ser o resto da semana. Sinto falta do trabalho presencial, mas não sinto falta dos transportes públicos. Nem dos horários impróprios. De sair de casa antes do Sol nascer. De chegar a casa depois do pôr do Sol. E cada vez mais acho que o meu trabalho tanto se faz lá como cá. Não há diferença.

Diferença há só nas relações. E já não falo de trabalho. Falo do que já falei acima. Do que já falei ontem. Do que falo todos os dias. Sim, há mudanças. Não necessariamente para melhor. Mas, em resposta ao silêncio e ausência, dou silêncio e ausência. Volto a dizer: não vou impôr a minha presença. E, pelos vistos, a minha ausência não é percebida. Por isso, não vou contrariar.

Sexta feira, se acontecer, haverá possibilidade de falar sobre isso. E logo se vê. Ou então faz-se de conta que não se passa nada e não se fala. Não sei mesmo. Em primeiro lugar, é preciso que o pôr do Sol na baía aconteça. O resto, logo se vê. Tudo o que vier é bem vindo. Menos notícias que não quero saber. Isso dispenso.

Um dia de cada vez. Ainda hoje é quarta feira. Ou hoje já é quarta feira. Não sei…sei que não vou querer despertar as borboletas na barriga. Depois daquele murro no estômago de há uns meses, sei que elas ainda existem mas não sei se resistiriam a outro murro no estômago. Talvez não… Por isso, vou com calma. Sem expectativas, acima de tudo. E já preparada para que o pôr do Sol na baía não aconteça. Mesmo que me tenham dito, numa súbita disponibilidade, “é quando tu quiseres”.

Sei que não é bem assim. E, por isso mesmo, me vou convencendo de que as hipóteses de não acontecer são grandes. É o que me diz a experiência. Vamos ver.

Claro que existe ansiedade ligada a esta incerteza. E amanhã ainda está longe. E só amanhã tentarei confirmar a sexta feira. Mas, para já, entrego e confio. O que tiver que ser, será. E o que for para mim, virá. Quero muito que aconteça o pôr do Sol na baía. Mas…é esperar para ver.

Se estou pessimista? Guiada pela experiência de há uns meses, claro que estou. Mas, se o pôr do Sol na baía não acontecer, só me resta aprender, agradecer, soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E sinal de que, de facto, não é para mim. E seguir o meu caminho. Sossegada. Quieta e calada no meu canto.

É tudo uma questão de prioridades. E amanhã irei perceber se essa súbita disponibilidade existe de facto e se estou ou não na lista de prioridades. Tenho tantas dúvidas…

Sinto-me muito insegura. Sei que não é positivo sentir-me assim, mas é como me sinto. Porque o silêncio e a ausência me deixam ainda mais insegura. Chegam a fazer-me sentir desvalorizada. Quero acreditar que, do outro lado, apenas exista uma espécie de receio de me abordar. Mas ao mesmo tempo duvido que seja isso… Tenho medo, sim, de ter sido simplesmente esquecida. Sei que nunca estive no topo das prioridades. Mas receio que não faça sequer parte de uma infinita lista de prioridades. Esquecida, posta de parte, desvalorizada.

Não tem havido sequer um picar de ponto. Nenhum sinal de vida, um simples “estou aqui”. Nada. Sei que também eu não digo nada. Mas estou onde sempre estive. Fácil de encontrar. E quem quer saber, pergunta. Mas nada…

Enfim…quarta feira e amanhã ainda está tão longe. Falta-me o ritual nocturno de aconchego. De fim de dia. Um breve momento de partilha. Falta-me muito esse aconchego. Mas não me posso esquecer que fui eu que recuei e me afastei para não impôr a minha presença. Não quero mesmo impôr aquilo que não procuram. Por isso enrosco e faço de conta que tive esse aconchego.

Amanhã? Logo se vê como corre a confirmação do pôr do Sol na baía…ou a não confirmação. Encolho os ombros. É sorrir e acenar. Amanhã logo se vê…

{#270.96.2022}

Terça feira que parece que a semana já começou há vários dias. Mas não, só começou ontem. E nunca mais é sexta para perceber se aquela súbita disponibilidade existe ou não. Mas um dia de cada vez. Calma e tranquila.

Amanhã seria dia de regressar ao trabalho presencial, mas não vai acontecer. Percebo que não sou só eu que dou. A empresa também retribui. Ou, como me disseram há uns meses, “uma mão lava a outra”. E sabe bem ser assim. Porque estou cansada de situações em que eu dou mas nada é retribuído quando devia ser.

A sexta feira ainda está longe. Mas o silêncio e a ausência continuam. De ambos os lados. Pela minha parte posso falar. Irei continuar assim. A não impôr a minha presença. À espera que o outro lado tome a iniciativa. Hoje, mais um dia sem sinais. Nem uma espécie de picar de ponto. Nada. Mas antes de quinta feira também não irei eu dizer nada. E, quando disser, acredito que existe uma grande probabilidade da sexta feira não acontecer. Mas quero acreditar com mais força que essa tal súbita disponibilidade existe e não vai permitir desmarcar o que está prometido há uma semana porque “é quando tu quiseres”. Por outro lado, já não acredito em promessas há muito tempo e deixei de fazer planos. Vamos ver o que os dias me reservam e o que vai acontecer.

A noite passada não foi fácil. A lembrança dos sonhos e o medo de, mais uma vez, perceber que por vezes se realizam não me deixou descansar cedo. Hoje, na consulta com o terapeuta fofinho, falei disso. E falei no desconforto que estas coisas me fazem sentir. Não há muito a fazer a não ser tentar amenizar o desconforto. E aprender a viver e lidar com ele. Não posso, claro, desvalorizar as experiências. Porque existiram. Aconteceram. Foram reais. Demasiado reais. Assim como real é o medo que se repita. Não falo disto com ninguém. Mas sinto-me mal quando sonho com estas situações. Sinto-me culpada quando algo que sonho acontece. E daí também o medo.

Não quero pensar mais nisso. Quero desligar e descansar. Afinal, amanhã já é quarta feira e a sexta está quase aí. Por agora quero concentrar-me apenas em mim.

Amanhã? Dia do meio, dia nim, nem não nem sim, será um bom dia. Novamente (ou ainda…) sossegada, quieta e calada no meu canto. Procuro o equilíbrio, a reciprocidade. E hei-de tê-la. Desde que pense primeiro em mim.

{#269.97.2022}

Segunda feira e uma nova contagem que inicia. Pelo menos até ver ainda não há sinais de vida…

Dia de trabalho cheio e algo intenso. Que me ajuda a não pensar, mesmo que a cabeça esteja sempre lá longe. E, trabalhando em casa, sempre atenta à entrada de notificações…que não chegam.

Não, hoje (ainda) não houve (nem vai haver…) picar de ponto. Sinto-lhe a falta, mesmo que não entenda o seu propósito. Assim como sinto a falta do ritual matinal de um simples “bom dia”. Ou, ainda mais, o ritual nocturno e uma mensagem não tão simples mas nada complicada de boa noite… É esse aconchego de fim de dia que me faz muita falta, admito. Porque, para mim, era um momento de partilha, mesmo quando não se partilhava nada. Mas era o que eu sempre chamei de aconchego. Porque o sentia assim.

Hoje não tenho nada disso. Em parte por opção minha. Porque optei por não tomar a iniciativa que tantas vezes me deixava sem resposta até à manhã seguinte. E agora sei porquê. E, sabendo, opto por não impôr a minha presença.

Custa-me, no entanto, sentir a ausência do outro lado. Não há a iniciativa de um “bom dia” ou um aconchego de uma “boa noite”, ou um simples picar de ponto numa simples fotografia. E não haver nada disso pesa-me.

Só quero que esteja tudo bem. Não quero ver os meus sonhos novamente tornados realidade, como já tantas vezes aconteceu. Demasiadas vezes… Também por isso tenho medo de sonhar. A noite por vezes assusta-me. E desta vez não foi excepção…

Não será realizado o sonho que tive no fim de semana. Que me gela sempre que me lembro dele. Não quero pensar nisso…mas não deixa de me assustar.

Amanhã é dia de consulta com o terapeuta fofinho. E, se não me esquecer e tiver tempo para isso, hei-de falar sobre isto. Sobre esta experiência que já se repetiu demasiadas vezes e que me deixa sempre alerta. Tenho que o fazer. Sei que não existe uma explicação. Sei que, para muitos, não passa de coincidência. Mas bolas…quero tanto não ver isto realizado.

Mas depois há o silêncio, a ausência, a falta do picar de ponto. E eu penso “e se…?” …não. Não quero voltar a pensar nisso.

O silêncio, a ausência, a contagem doa dias, tudo isso será interrompido. Se não antes, então quinta feira. Até lá, sigo sossegada, quieta e calada no meu canto.

Ainda hoje é segunda feira, eu sei. Vai ser uma longa semana. Mas, felizmente, o trabalho vai ajudar a ocupar a cabeça. Por hoje desligo, enrosco e imagino aquele aconchego de fim de dia em jeito de ritual nocturno que já não existe. Mas que me faz tanta falta…

Amanhã? Será um bom dia. Porque eu quero que assim seja. De preferência sem me preocupar demasiado…

{#268.98.2022}

Domingo e tempo para tanta coisa. Acordar cedo, mesmo sem ter consulta. Aproveitar a manhã para preguiçar no cadeirão. Para, ainda de manhã, voltar para a cama e conseguir dormir. Pôr o sono em dia, que tanto precisava.

Sair à tarde, depois de um almoço tardio, e demorar-me sem pressa na esplanada antes de ir até à praia. A única coisa que não foi tão agradável foi o vento. Forte. Mas não me demoveu do meu objectivo: ver o pôr do Sol na praia. Há muito tempo que não o via. E só por isso, e apesar do vento, soube tão bem.

Uma espécie de preparação para a sexta feira que se quer que aconteça. Mesmo que, até lá, eu me mantenha sossegada, quieta e calada no meu canto. Curiosamente, o outro lado parece estar a tomar a mesma atitude… Não há mensagem explícita de bom dia, mas há uma espécie de picar de ponto numa simples fotografia em que eu própria digo bom dia a quem me estiver a ler. Não entendo este picar de ponto. Esta ausência de iniciativa. Como se houvesse algum receio do outro lado… Receio de quê? Se a única coisa que eu quero é iniciativa. Mas não há…só este gesto subtil, uma forma de dizer “estou aqui” sem dizer nada. Não entendo…

Sexta feira, que se espera que aconteça, tentarei entender. Tentarei falar sobre estas ausências e silêncios. Se o vou conseguir fazer? Não sei… Há tanta coisa que gostaria de falar. Mas já sei que o tempo vai estar contado. Não vai dar para falar de muita coisa. Mas alguma coisa será falada. Até lá, mantém-se a atitude distante. Sossegada, quieta e calada no meu canto. E, já sei, do outro lado apenas o picar de ponto.

Vamos ver como corre a semana. Quinta feira confirmo o final do dia de sexta. Mas até lá já sei que tudo pode acontecer e mudar. Espero que não haja novamente cancelamentos. Não que me admirasse, claro. Mas não iria saber encaixar muito bem.

Amanhã, dia de regressar ao teletrabalho. Pelo menos segunda e terça será assim. E, se puder, sexta feira também seria um bom dia para entrar mais cedo a partir de casa para poder sair mais cedo e poder chegar a tempo do pôr do Sol na baía, como programado. Vamos ver.

Para já, desligo e procuro o sono que não tenho. E aguento a vontade de voltar ao ritual nocturno que me faz falta. Mas não, não o vou fazer.

Amanhã? Logo se vê. Da minha parte não haverá ritual matinal. Se houver mais do que um picar de ponto será bem vindo. Mas a iniciativa terá que partir do outro lado.

{#267.99.2022}

Sábado e atirar o barro à parede logo cedo pela manhã. Sexta feira, se acontecer, há pôr do Sol na baía. Não vai poder haver muito mais do que isso, porque afinal a súbita disponibilidade não é assim tanta. Há sempre alguma coisa.

Mas, a acontecer – e já aprendi a só acreditar quando, de facto, acontece – será bom e melhor do que nada. Com o lado positivo de não ter sido iniciativa minha. Como tem sido sempre. Desde sempre. Desta vez, “quando quiseres”, abre-se caminho para algo que eu procuro sempre com maior assiduidade. Já o disse várias vezes, “devíamos fazer isto mais vezes”. Mas depois nunca fazemos. É a vida a acontecer pelo meio.

Barro atirado à parede. Data aceite. Fica marcado. Mas, até lá, irei manter-me sossegada, quieta e calada no meu canto. Se houver iniciativa do outro lado, estarei disponível. Não havendo, só na véspera direi alguma coisa para confirmar o pôr do Sol na baía.

A verdade é que o meu silêncio e a minha ausência resultaram em algo, nem que seja só essa súbita disponibilidade não tão disponível. Mas houve um movimento do outro lado, depois de 20 dias. E, como me tem ensinado aquele que vê de outra forma, é preciso fazer diferente para ver resultados. Também me ensinou que é preciso soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E tem razão. E por isso solto. Mudo a minha atitude. Deixo ir. Não ponho pressão. E, devagarinho, “quando quiseres” e terei algo que procuro há tanto tempo.

Não vou deixar a ansiedade crescer demasiado. Não posso. Mas, mais uma vez o digo, só irei acreditar quando, de facto, estiver a acontecer. Porque, diz-me a experiência, tanta coisa (e tão simples) pode acontecer e cancelar o que está combinado. Por isso não me posso esquecer que não faço planos e promessas não são para levar demasiado a sério.

Tudo isto vale o que vale. A ansiedade já cá está, claro. Mas farei para que a semana passe tranquila.

Amanhã, e à semelhança de hoje, ainda será para descansar e recuperar do cansaço instalado. Depois de descansar, logo se vê.

O importante sou eu. Pôr-me em primeiro lugar. Aprender a gostar de mim. Conhecer quem sou. Só quando tudo isto estiver encaixado é que tudo o resto começará a resultar. E, devagarinho, vou dando passos nesse caminho que, para mim, ainda é novo. Mas que me faz sentido.

Soltar e deixar ir. Não é fugir. É não pôr pressão. E, de certa forma, traz já algum resultado. Por isso, é para manter. E, o que for para mim, virá.

Mas…falta muito para sexta feira…?

{#266.100.2022}

Sexta feira. Finalmente. Semana estranha com alternância entre trabalho presencial e trabalho em casa. O suficiente para me deixar ainda mais cansada.

Mas o trabalho faz-se, seja cá ou lá, faz-se. Se pudesse escolher e tivesse poder de decisão, seria em casa. Ou, em alternativa, uma semana em cada lado. Mas não posso escolher e muito menos decidir, por isso resta-me seguir o que me pedem para fazer.

Continuo a usar o trabalho como desculpa para não pensar. Porque continuo, também, à espera de uma resposta quanto à data proposta para o pôr do Sol na baía. Mas, e apesar de me manter sossegada, quieta e calada no meu canto, amanhã volto a tomar a iniciativa. Preciso de uma resposta, especialmente depois de me abrirem uma porta com uma súbita e inesperada disponibilidade. Que tenho medo que desapareça tão depressa como apareceu.

Mas hoje não. Ainda não. Não vou dizer nada. Amanhã, com mais tempo livre, irei questionar e tentar perceber se a disponibilidade ainda lá está. Porque agora estou com muita vontade de concretizar um desejo que tenho há algum tempo. É apenas um pôr do Sol na baía? É. Mas ao mesmo tempo é tão mais que isso.

Gosto muito do nascer do dia. Acompanhar a chegada da luz. Da cor. Mas também gosto muito do final do dia. Das cores intensas. Do efeito da luz que se despede. Dos contrastes. Da sensação de paz que o final do dia me traz. E também por isso quero tanto partilhar esse momento do pôr do Sol na baía com quem me deu a conhecer uma nova vista que não conhecia e que só vi uma vez, há uns anos, já de noite. Quero agora experimentar a luz de final de dia. Até porque, quando surgiu essa súbita disponibilidade, o mote foi precisamente o final do dia. Logo seguido do pôr do Sol na baía. Por isso sim, vou querer esse momento. E antes que o horário de Inverno se sobreponha à súbita disponibilidade.

Amanhã volto a atirar o barro à parede. Interrompo a nova contagem de silêncios e ausências. Se vou ter resposta? Logo se vê. Se não tiver é porque essa súbita disponibilidade não existe…e surgiu sabe-se lá porquê. Mas não vou pensar mais nisso por hoje. Estou demasiado cansada…

Amanhã será um bom dia, mesmo sendo o dia mais aborrecido da semana. E hoje já está no fim. E faltam 100 dias para terminar o ano. Ainda há tempo para fazer algo de diferente e especial este ano.

{#265.101.2022}

Quinta feira e, ainda ontem, atirei o barro à parede. Hoje, novamente o silêncio.

Continuo sossegada, quieta e calada no meu canto. Novamente à espera de uma resposta. Porque, afinal, desta vez não fui eu quem lançou o repto, apenas sugeri uma data, a segunda porque a primeira não dava.

Quantos dias vou esperar desta vez? Começo uma nova contagem? Quero acreditar que não vai ser preciso. Acredito que o trabalho, exigente, esteja a condicionar os tempo de resposta. Por isso, vou esperar até ao fim de semana. Aí, se não tiver uma resposta, insisto.

Por aqui, novamente o trabalho em casa depois do trabalho presencial ontem…para amanhã ter que voltar a Lisboa. Seja…e prevê-se que o início da próxima semana seja novamente em casa. Está certo. Uma mão lava a outra, disseram-me há uns tempos. E, se agora sou eu a dar à empresa, também é verdade que vou precisar que a empresa me dê para além da possibilidade de trabalhar em casa. Sempre dou mais do que recebo, por estar sempre disponível. Mas vai chegar um dia ou outro em que vou precisar de receber em troca do que tenho dado.

E assim andam os dias…o trabalho a ocupar o dia e a minha cabeça sempre a criar filmes que expliquem o silêncio de 20 dias, a súbita disponibilidade e novamente o silêncio. Sim, a minha cabeça não pára. Felizmente o trabalho ajuda a ocupar o tempo e a distrair do barulho que faz cá dentro.

Se a minha vida podia ser diferente? Isso iria implicar que eu fosse diferente também. E eu gosto de ser quem e como sou. Especialmente sabendo que não sou assim tão difícil quanto isso. Só preciso de tempo e espaço para ser quem sou. Só peço equilíbrio e reciprocidade. Não é muito.

Estou cansada. Fisicamente. Mas, e já se colocou a hipótese, talvez também emocionalmente. Ou psicologicamente. Ainda não percebi até onde vai o nível de cansaço. Mas sei que é muito. Felizmente o fim de semana está a chegar. Vou continuar com vontade de fazer algo de útil com o meu tempo livre, mas também vou poder descansar.

E agora olho para as horas e percebo que, amanhã de manhã, vai custar a sair da cama. A sair de casa ainda de noite. A enfrentar os transportes públicos. Mas vai valer a pena. Porque vai ser um bom dia. Simplesmente porque eu quero que seja. Haja silêncio ou haja resposta. Será um dia bom. Porque eu quero. E só isso importa.

{#264.102.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. Começou de madrugada, com muita chuva e intensa trovoada. E foi também ainda de madrugada que o dia de regresso ao trabalho presencial começou. Sair de casa ainda de noite não é fácil. Mas faz-se quando se tem que fazer. E hoje teve.

Mais facilmente me habituo a trabalhar em casa do que a sair de casa tão cedo. Se me faz bem ir para o local de trabalho onde posso estar com outras pessoas, mesmo que só de fugida à hora de almoço e pouco mais? Claro que sim. Mas o despertador a tocar antes das 6 da manhã, sair de casa antes das 7 e chegar a casa depois das 8 da noite custa. Curiosamente amanhã volto a trabalhar em casa. E sexta feira ainda não se sabe como será. Logo se vê.

E ontem ainda houve um bocadinho de conversa…pouca, mas com o repto lançado. Atirei o barro à parede. Agora resta-me esperar por uma data para poder ver o pôr do Sol num sítio que há muito tempo procuro. E, também, para tentar perceber a súbita disponibilidade para que tal aconteça. E também para tentar perceber se o que me parece desânimo é real ou sou eu a pensar demasiado.

Sim, tento permanecer sossegada, quieta e calada no meu canto. Não procuro os rituais diários habituais. Mas não vou deixar escapar esta disponibilidade que há muito tempo não havia.

Se já estou a fazer filmes na minha cabeça? Acho que sim. Por muito que não queira. Tento manter a expectativa baixa, para não dizer nula. Mas há um lado meu que nunca o consegue. E é por isso que depois me custa tanto quando as coisas não correm como gostaria.

Mas vamos ver. Agora que atirei o barro à parede e a disponibilidade existe, vou até ao fim. Já lancei uma data que não pode ser. Vou lançar outra. Com tempo. E algum dia há-de acontecer ver o pôr do Sol na baía.

Sossegada, quieta e calada no meu canto. Solto e deixo ir. E, ao tê-lo feito, a disponibilidade apareceu. Agora é aproveitá-la mantendo a distância. Depois? Logo se vê. Pode sempre o dia terminar bonito mesmo começando com chuva e intensa trovoada.

{#263.103.2022}

Terça feira. E não foi preciso começar uma nova contagem. Primeiro um picar de ponto, depois outro…com troca de imagens, reais e figuradas. E aquilo a que eu chamo de convite, mesmo sem saber se o é de facto.

Irei tentar perceber…vou atirar o barro à parede. E depois logo se vê. Mas mantenho-me sossegada, quieta e calada no meu canto, sem tomar iniciativa. Mas esta tenho que tentar perceber. E, para perceber, tenho que arriscar. Assim farei. E tentarei também baixar as expectativas ao mínimo. Para não haver desilusões.

Ainda hoje darei esse passo. Mas não acredito em resposta ainda hoje. Não importa. Nem sei sequer se terei alguma resposta, mas não posso não tentar.

Amanhã? Dia de regresso ao trabalho presencial, com demasiado tempo livre em deslocações, ocupo o tempo como puder, sem esperar respostas. Mas, claro, sabendo que estarei o dia todo à espera de alguma coisa que não sei o quê.

Enfim…se era para me deixar confusa, parabéns! Missão cumprida. Eu leio para além do que está escrito. Só resta saber se estou a ler bem. E a isso só o tempo pode responder. Por isso, arrisco. E espero para ver.

{#262.104.2022}

Segunda feira e já cansada.

Ontem, dia 20 de uma contagem que foi interrompida e não por mim, ainda foi possível conversar um pouco. Conversa de circunstância? Acho que sim. Pelo menos assim pareceu. Não houve qualquer pergunta que levasse ao tema silêncio ou ausência. Ou seja, foi como se esses 20 dias não tivessem acontecido. Se por um lado parece ser bom sinal, por outro só me confirma que a minha ausência não foi notada. Porque, se tivesse sido, uma pergunta apenas ou um simples comentário teriam sido suficientes para sentir que foi notada. Não aconteceu.

A conversa ontem à noite acabou por ser posta de parte por mim por ser já muito tarde e eu ter acabado por sucumbir ao sono. Retomei-a hoje de manhã, enquanto o trabalho ainda era escasso. Novamente, conversa de circunstância. Soube-me bem esse bocadinho de conversa matinal? Soube-me a pouco.

A contagem foi interrompida. Mas não me admira que comece nova contagem. Porque eu vou manter o meu silêncio, a minha ausência. Não serei eu a tomar a iniciativa. Novamente, fico à espera. Se vier do outro lado alguma coisa, estou cá. Se não vier, estou cá também. Mas quieta e calada no meu canto. Não posso esquecer-me de mim. Eu em primeiro lugar. E isso implica que haja equilíbrio e reciprocidade. Foram praticamente cinco anos diariamente comigo a tomar a iniciativa. Está na altura de receber a iniciativa do outro lado. Se a houver. Ou quando a houver.

Foram 20 dias de espera. Podem vir outros tantos. Estarei onde estou sempre, desde sempre. Onde nunca deixei de estar, mesmo nesses 20 dias onde o silêncio imperou.

Quieta e calada, sossegada no meu canto. Estou cansada de ser sempre eu a ir à procura. Está na hora de virem também à minha procura. Se não vierem, não precisam de se explicar. Estará tudo dito.

Amanhã? Não vou tomar iniciativa. Depois?Logo se vê. Hoje? Faz-me falta o aconchego do ritual nocturno. Mas não me posso esquecer que eu estou primeiro. Se esse aconchego vier do outro lado, será bem vindo e será respondido. Mas, já sei, não vem. Por isso, procuro outras formas de aconchego.

Depois logo se vê. E amanhã também… Há toda uma nova contagem que tem tudo para começar. De resto, é esperar para ver. Novamente…

{#261.105.2022}

Domingo. Dia de recarregar baterias e repôr energias. Acordar cedo, fazer tempo para a consulta habitual com o terapeuta fofinho, voltar para a cama. E conseguir dormir e descansar. Estava a precisar.

Sair de casa um bocadinho ao fim da tarde para um bocadinho de esplanada e aproveitar o fim do Verão. Soube bem.

Durante todo o dia fui pensando no silêncio e ausência dos últimos 20 dias. E fui percebendo que não estou apenas magoada… Chego a estar zangada, também. Porque sei que mereço mais, mereço melhor. Mas, até ver, a minha ausência não faz diferença.

Até que, esta noite, a contagem foi interrompida. Não foi iniciativa minha, tal como eu sempre disse que não seria. Mas, para já, não passou ainda de um picar de ponto. A razão? Não sei. E não me parece que vá saber hoje. E talvez nem amanhã.

Enfim…vamos ver. Eu continuo onde sempre estive. Não fui eu quem desapareceu. Quem deixou de dizer olá. Se eu me afastei? Sim, claro. Cansei-me de ser sempre eu a tomar a iniciativa. E, numa relação, mesmo que apenas de amizade, tem que haver equilíbrio e reciprocidade. Afinal, são duas pessoas que formam uma relação. E, se são duas pessoas, ambas devem contribuir para a dinâmica existente.

Equilíbrio e reciprocidade. Não peço muito. Se a relação de amizade é para manter, tem que haver equilíbrio e reciprocidade.

Hoje a contagem foi interrompida. Com um simples picar de ponto. Com uma pergunta banal. Vamos ver.

Amanhã, dia de regressar ao trabalho a partir de casa. Por hoje…mensagens a chegar. Vamos ver…

{#260.106.2022}

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. E, já que me deram uma nega mesmo sem usar a palavra não para alterar os sábados, aproveito para repôr energias. Que estou a precisar, muito, de repôr. Sinto-me muito cansada, absolutamente esgotada. E fico sem perceber se é só um cansaço físico ou também emocional. Sei, sim, que quem mais além também viu que a minha vitalidade já viu melhores dias. E tenho que tratar disso rapidamente. Voltar a ir dormir muito cedo pode ajudar, especialmente naqueles dias de trabalho presencial em que acordo a horas impróprias e saio de casa ainda de noite. E chego a casa à hora de jantar e pouco tempo me resta para muito mais.

É curioso como hoje, pela primeira vez desde que falo num assunto que me é sensível, foi usada a palavra certa, que eu nunca verbalizei, para definir um relacionamento. Abusivo. Palavra certa que, por algum motivo, nunca achei que tivesse o direito de usar. Mas que define esse relacionamento que eu não posso terminar porque vai existir sempre.

Cansada. De relacionamentos, sejam eles abusivos ou não, mas que não me levam a lado nenhum. Ausências. Silêncios. Falta de noção. Desrespeito. Muito cansada disso tudo. E, talvez por isso, me isole mais um bocadinho. Afinal, se estiver sozinha, nada disso acontece e os outros não me magoam.

Não sou uma pessoa difícil. E não peço muito. Apenas peço que me aceitem como sou, que me respeitem, que não me magoem. Não, não é pedir muito, especialmente quando o que levam de mim é exactamente o que peço para mim.

Sei que há muito trabalho a fazer para me melhorar a mim mesma. Sei que há coisas que precisam de ser afinadas. E correctamente energizadas. Porque tudo é uma questão de energia. E, apesar de não ser uma pessoa difícil, a minha energia pode (e deve!) ser melhorada. Para atrair melhor.

Enfim. O trabalho ainda agora começou e eu ainda não engrenei completamente. Mas oiço o que me dizem e vejo os caminhos que me apontam. Agora, e ainda que por vezes não saiba como se faz, está na altura de começar a trabalhar. Em mim. De mim para mim. Os outros? Terão que esperar. E, quem não quiser esperar, pode seguir o seu caminho.

Primeiro estou eu. Só posso estar eu. Preciso de mim para estar, primeiro, para mim. E, quando estiver melhor, sei que vou começar a atrair melhor. Já não peço quantidade há muito tempo. Agora aprendo a pedir qualidade.

Sei da importância de estar bem. Sei, também, da importância das palavras. Mas não me posso esquecer da importância das acções. E tenho-me esquecido. Assim como, em acções, alguém que não usou a palavra não para me negar algo, se esqueceu do que foi falado.

Enfim… Há tanta coisa na minha cabeça neste momento. Talvez por estar cansada. Ou talvez por ir acumulando demasiada informação que provém de energias dispersas. Preciso de encontrar a vibração certa para começar a afastar-me, de vez, daquelas vibrações que me têm consumido e esgotado.

Mais uma vez digo para mim mesma: primeiro estou eu. Porque tenho que estar. Porque preciso de mim para mim.

Não serão 19 dias de silêncio e ausência que me vão deitar abaixo. Mas essa energia também não é o que me faz bem. Por isso, solto e deixo ir. Quieta e calada no meu canto. Se a minha ausência não é percebida, então a minha presença nunca foi apreciada. E, mais uma vez, quem quiser saber, pergunta.

Não, hoje não quero para mim essa vibração negativa de uma espera por algo que não vai acontecer. Amanhã? Logo se vê.

Agora recolho sem o aconchego que me acompanhou diariamente durante quase cinco anos. Faz-me falta. Mas não posso prender-me a uma âncora que não me permite avançar. E eu preciso avançar. Por mim. Para mim.

Amanhã será, ainda, dia de repôr energias. Depois? Logo se vê…

{#259.107.2022}

Sexta feira. E o dia 18 de uma contagem que nunca quis fazer. Nem quero.

Cansada. Do trabalho e de tudo o resto. De ter que sair de casa antes do Sol nascer. De enfrentar os transportes públicos. De esperar pelo que não vem.

O fim de semana? Correndo tudo como previsto, será para descansar. O mais possível. Não fazer nada está nos meus planos. Só uma razão me faria fazer alguma coisa diferente. Mas essa razão não vai acontecer. Por isso, irei tratar de mim, tratar de descansar. Tentar pôr as ideias em ordem. Preciso muito de me organizar, mas sei que preciso, também, de ser orientada. Seja o que for que seja necessário fazer, cabe-me a mim fazê-lo, sei disso. Mas às vezes preciso que me apontem os vários caminhos possíveis para, da melhor forma que sei, seguir o caminho que achar melhor.

Não queria (nem quero!) desistir de ninguém. Mas não me posso esquecer que a contagem dos dias continua e não parece haver vontade de parar.

Continuo onde sempre estive. Como sempre estou. E se não há uma iniciativa, é porque não há interesse. Tão simples e tão complicado quanto isso. Como é que andei quase cinco anos a acreditar que havia alguma possibilidade das coisas serem diferentes? Não sei…

…mas sei que não são diferentes. Não há interesse. Não há vontade. Não há nada. E o denominador comum? Eu. Como sempre, eu.

Sexta feira, dia 18 de uma contagem que não queria fazer. Mas faço. Fica quase impossível não fazer.

Estar sozinha em casa é estar sozinha com a minha cabeça. E não, não é uma boa companhia. Estar muito cansada também não ajuda porque é em momentos de maior cansaço que o discernimento parece escapar. E permite-me analisar tudo de uma forma distorcida. Prefiro quando tenho companhia, mesmo que não fale do que vai na minha cabeça. Porque ter companhia funciona um pouco como uma âncora que não permite que a minha cabeça disperse tanto.

Não, a minha cabeça não é um lugar bom para estar neste momento. Por hoje chega, já não falta muito para desligar e enroscar e, por hoje, deixar de pensar. Amanhã? Terei companhia novamente. Será mais fácil lidar com o dia mais aborrecido da semana que pode tornar-se perigoso no interior da minha cabeça.

Começo a repetir-me no que tento escrever, perco o fio à meada, já não faço muito sentido. E já não sei se os dias são 17 ou 18. Não interessa, na realidade, ter um número certo numa contagem que não queria. Só interessa que já são muitos dias. E eu não fui a lado nenhum.

Desligo agora. Não adianta de nada tentar insistir com um pensamento danificado pelo cansaço.

Amanhã? Será um bom dia. Porque vou dedicá-lo a descansar, a recuperar, a tratar de mim.

{#258.108.2022}

Ouvido esta manhã na rádio: quinta feira, dia da esperança. Porque o fim de semana está quase aí.

Dia de regressar à rotina dos transportes públicos. Muito carregada logo de manhã por causa de ter que levar o computador de volta ao local de trabalho. Sair de casa antes do nascer do Sol. Não foi fácil…

Um dia cansativo, de formação e atendimento. Sair do trabalho com a cabeça muito cansada e confusa. Já não estava habituada a isto. Não estava nem estou. Mas vou acabar por me habituar novamente. Só preciso de tempo.

E tempo é o que tenho dado…e continuo a dar. 17. E a contar. Sem novidades, portanto… Não é um bom sinal.

Amanhã logo se vê. Ainda tenho esperança de receber o postal que, de certa forma, ficou prometido. Não acredito que vá chegar. Mas, ao mesmo tempo, tenho um bocadinho de esperança. Porque recebê-lo é importante para mim e permite-me interromper uma contagem que não quero ver alongar-se no tempo. Sem esse postal não interrompo a contagem. Mantenho-me quieta e calada no meu canto. E, do outro lado, não parece haver muito interesse em tomar a iniciativa. Por isso, que chegue o postal. Porque nada disto me faz bem…

Mas é o que é. Aprendi a detestar esta frase. Mas é a única que faz algum sentido.

Cansada. Não só fisicamente. E não sei como recuperar…

Amanhã? Logo se vê. De volta ao trabalho e à maratona de formação. O resto? Logo se vê.

Por hoje chega. Já é tarde. E o dia vai, novamente, começar muito cedo…

{#257.109.2022}

Quarta feira, dia do meio, dia nim, nem não nem sim. E cansada como se fosse sexta.

Dia 16 de uma contagem que não queria, nem quero!, fazer. Mas que se faz sozinha. Afinal, se há um ano as tradições ainda eram para manter, hoje parece que já não são.

Continuo a falar sozinha, mesmo que agora já não diga nada. E continuo a insistir na ideia de que quem quer saber, pergunta. Quem quer estar, está. E neste momento nem pergunta nem está.

Encolho os ombros. E encolho-me toda também para ficar pequenina e procurar um aconchego que, até há relativamente pouco tempo, encontrava num ritual nocturno que mantinha desde o primeiro dia. Hoje sinto falta desse aconchego. Mas, pelos vistos, só eu sinto. Assim como também sinto falta do ritual matinal, onde um simples “bom dia” fazia a diferença.

Tenho que procurar novos rituais. Que me aconcheguem. Mas especialmente à noite, para terminar o dia com a certeza que valeu a pena.

Fazes-me falta…nunca to direi, nunca o irás saber. Mas fazes-me falta. Habituei-me demasiado a algo que, no fundo, era nada. Estava bem assim. Mas sei que não me fazia bem continuar a alimentar, para mim, a ilusão de que um dia as coisas iriam mudar. Porque insisti em alimentar, também, aquilo que sempre chamei de gut feeling e, afinal, não era mais do que wishful thinking.

Sozinha. É assim que tenho estado. É assim que estou. Não é assim que quero estar. A solidão é uma companhia filha da mãe que, por muito que queiramos longe, insiste em ficar por perto.

16. Amanhã? Dificilmente termina a contagem. Mas também não serei eu a interrompê-la.

{#256.110}

Doem-me as árvores quebradas. Lembram-me que também eu quebro.

Não há tanto tempo assim, quebrei forte. E há pouco lembrei-me de uma rápida conversa nessa altura, quando disse que não estava bem e resumidamente disse porquê. A resposta dela: “oh não! Isso não pode ser!”… Dei por mim a imaginar um novo diálogo actualizado ao dia de hoje e dei por mim em conflito comigo mesma. Porque a resposta imediata seria aquela que todos querem ouvir, “já passou”. Mas a resposta certa seria sempre “não, ainda não passou”. Porque, na verdade, não, não passou. Se acalmou? Sim. Mas agora com o silêncio e a ausência voltou um bocadinho daquilo que senti naquela altura.

Hoje houve uma espécie de “estou aqui”. Sem palavras, apenas uma reacção, apenas para se fazer presente de forma absolutamente ausente. Não me serve para parar a contagem. 15. E, se a contagem dos 24 finalmente terminou porque o meu corpo reagiu, dos 15 parece-me que é para continuar.

Não serei eu a interromper essa contagem. E dou por mim a pensar que, se calhar, o outro lado pensa da mesma maneira. Duvido que pense assim, no entanto. Mas e se pensar? Ficamos os dois a pensar o mesmo…

Mas não, o outro lado não pensa o mesmo. Tem mais coisas em que pensar. E eu sempre soube o meu lugar na lista de prioridades. Por isso, não. Não pensa a mesma coisa. E esse marcar presença de hoje, de forma tão distante, sem dizer uma palavra, doeu. Porque o que eu queria era um simples olá. Não um gesto de marcar presença mantendo a ausência.

Não, já não espero nada. Nem tenho expectativas de nada. Prefiro assim. Sei que, dali, já não vem nada. Mas lembro-me de todas as conversas, desde o primeiro dia. Do que foi dito, especialmente quando a terça feira aconteceu. Que me foi cobrada a minha mudança, quando não precisava de mudar. E eu voltei a sorrir e voltei aos rituais habituais. Para, agora, ter que aprender a lidar com o silêncio e a ausência. Tanto do outro lado como do meu lado. Mas, do meu lado, para me proteger. Para não me permitir sofrer com uma situação que não me leva a lado nenhum.

Um dia a contagem será interrompida. Não serei eu a interromper essa contagem. Não de iniciativa minha. Só vejo dois motivos para interromper: um postal que, acredito, não vai chegar, e um aniversário a acontecer. Em Outubro. Que é seguido de outro aniversário, aquele que marca o início desta história de praticamente cinco anos. E que, neste momento, parece estar no fim…

Não. Não vou impôr a minha presença. Não vou interromper a contagem. Não vou impedir o silêncio e a ausência. Vou, sim, afastar-me todos os dias mais um bocadinho. Depois? Logo se vê. Sei que me vai custar. Vai doer. Mas também sei que vou sobreviver.

No fundo, sou um bocadinho árvore, mesmo que quebrada. Apesar dos danos, mantenho-me de pé. E acolho o que se aproximar e que queira permanecer. O que não quiser estar presente, não será impedido de se ausentar.

Doa o que doer. Em primeiro lugar estou eu. Árvore quebrada, em silêncio, distante. Mas sempre onde me sabem encontrar. Só não encontra quem não quer. E, quem quer saber, pergunta. Quem não quer…bem, quem não quer saber mantém o silêncio e a ausência. E a indiferença.

Amanhã? Logo se vê. Mas será um dia bom. Porque eu quero que seja. E só isso importa.

{#255.111.2022}

14 vs 24. Já só espero pelo 24 porque não posso senão esperar. Os 14 não espero mais. Mas o relógio continua a contar. E, sim, hoje era suposto a contagem parar por aí. Não parou.

Amanhã é terça feira. E hoje lembrei-me que, há uns meses, terça feira era dia de acontecer. Mesmo que tenha havido aquela terça feira que não aconteceu. E, ao lembrar-me que amanhã é dia de acontecer, fiquei com vontade que acontecesse. Alguma coisa. Seja o que for. Mas sei que não vale a pena ter vontade de nada, porque nada vai acontecer. Nada de nada.

Vai ser só mais um dia para juntar aos 14 que já passaram. Vai ser só mais um dia em que o meu silêncio e a minha ausência não vão fazer diferença. Porque a minha presença também nunca fez.

Repito o que já tenho dito: quem quiser saber, pergunta. Eu não fujo nem me escondo. Estou onde sempre estive. Só não me encontra quem, na verdade, não quer.

Nada disto é o que alguma vez quis. Nada disto me faz bem. E por isso mesmo não gosto do que me faz sentir. E eu sou de sentir. Tudo. E por sentir tudo, por sentir demasiado, por não me fazer bem, decido afastar-me. Com muita pena minha. Afasto-me por respeito a mim mesma. Para me proteger. Para não sofrer mais. Ou ainda mais.

Todos os dias dói mais um bocadinho. Mas um dia vai deixar de doer. Ou então vou estar de tal forma anestesiada que vou deixar de sentir. Ou apenas calejada. Não sei. Sei que um dia deixo de sentir. Até lá, tento ao máximo proteger-me. Porque eu estou em primeiro lugar.

E, quem já esteve no topo da lista de contactos próximos, já está hoje em oitavo lugar. E de certo continuará a descer. E isso entristece-me.

Sim, é triste que me faz sentir. São cinco anos que agora me parecem deitados ao lixo. E eu não quero deitar esse tempo ao lixo. Mas, e lá vem a frase que aprendi a detestar, é o que é.

Amanhã? Volto a colocar-me a mim em primeiro lugar. Como fiz hoje. Como fiz ontem. E só por isso será um dia bom. Porque eu quero que seja um dia bom.