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Dia de voltar a mexer na ferida. Aquela que ainda não cicatrizou, que ainda sangra e ainda dói. Muito.

Dia de perceber, sentir, que afinal os dias podem ficar, podem ser, melhores. Porque, tal como quando ia à enfermaria mudar os pensos dos joelhos, aos poucos começa a ser mais fácil mexer na ferida, limpá-la, desinfectá-la.

Ainda custa, claro. Tirar o penso e expôr os danos ainda custa. Mas, percebo agora, aos poucos começo a ver melhorias. Longe da cicatrização, sim. Mas a infecção a ser, aos poucos, cada vez menor.

Sim, afinal os dias podem voltar a ser melhores. E vão voltar a ser melhores.

Um dia deixarei de ter pensos nos joelhos. Um dia a ferida irá fechar e cicatrizar. E esse dia, sei-o agora, está mais perto a cada dia. Porque “um dia atrás do outro atrás do um”. Sem pressa.

Sem pressão.

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