{"id":109,"date":"2014-05-28T22:46:53","date_gmt":"2014-05-28T22:46:53","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=109"},"modified":"2014-05-29T00:37:11","modified_gmt":"2014-05-29T00:37:11","slug":"no-alarmes-and-no-surprises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2014\/05\/28\/no-alarmes-and-no-surprises\/","title":{"rendered":"No alarmes and no surprises"},"content":{"rendered":"<p>E dizia eu hoje que sim, <em>No Surprises<\/em> de Radiohead \u00e9 uma boa m\u00fasica para uma pessoa se apaixonar (n\u00e3o s\u00e3o todas as m\u00fasicas boas para uma pessoa se apaixonar?) mas que n\u00e3o sei o que \u00e9 isso h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Mentira. Sei. Sei que me apaixono todos os dias. Pelos meus sobrinhos, pelos meus amigos, pelos meus bichos, pelos meus projectos, pelos dias de sol, pelos dias de chuva, pela Lua Cheia ou at\u00e9 mesmo hoje pela Lua Nova.<\/p>\n<p>Mas sim, \u00e9 verdade, assim sem alarmes nem surpresas, n\u00e3o me apaixono daquela paix\u00e3o simplesmente porque n\u00e3o. Porque n\u00e3o sei? Porque n\u00e3o quero? Simplesmente porque n\u00e3o. N\u00e3o sei. Sei que andaram a\u00ed borboletas na barriga que, conforme chegaram, esvoa\u00e7aram para longe. Sei que andou a\u00ed uma borboletagem que n\u00e3o sendo borboletas tamb\u00e9m ficou pouco tempo. Sei que andou a\u00ed um bicho qualquer que foi crescendo e que afinal era paix\u00e3o, de mim por mim mesma quando percebi que oh bolas, afinal estou viva e mere\u00e7o mais que isto. Que aquilo. Que&#8230;que&#8230;que sei l\u00e1 eu.<\/p>\n<p><i>{Bruises that won&#8217;t heal}<\/i><\/p>\n<p>Sim, se calhar \u00e9 isso, s\u00e3o marcas que n\u00e3o passam, cicatrizes que ficaram. Ou simplesmente cansada. Nem sei de qu\u00ea ao certo, quando na verdade nem sei o que isso \u00e9. Isso o qu\u00ea? A paix\u00e3o? A paix\u00e3o \u00e9 carne! Sei, isso sei o que \u00e9. N\u00e3o sei o que \u00e9 estar cansada. Ou sei, bem demais, o que \u00e9 e n\u00e3o o querer novamente.<\/p>\n<p><i>{You look so tired and unhappy}<\/i><\/p>\n<p>\u00c9 isto. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 isto, <strong>isto<\/strong>. \u00c9 <em>isto<\/em>. Esta coisa. Do n\u00e3o querer voltar a estar <em>tired and unhappy<\/em>.<\/p>\n<p>E percebo assim, de repente, que sou tot\u00f3 o suficiente para n\u00e3o\u00a0ver o que est\u00e1 \u00e0 frente dos meus olhos. Ou esteve. J\u00e1 n\u00e3o sei. Normalmente s\u00f3 vejo mesmo o que n\u00e3o existe. Como os moinhos de vento. Que s\u00f3 eu via. E para al\u00e9m de s\u00f3 eu ver n\u00e3o passavam, n\u00e3o passaram, n\u00e3o passariam nunca disso mesmo: moinhos de vento. Isto se, sequer, existissem.<\/p>\n<p>Mas continuo a gostar de surpresas e de alarmes, alguns. Afinal, s\u00e3o os alarmes que me\u00a0dizem &#8220;est\u00e1s c\u00e1&#8221;, c\u00e1 seja l\u00e1 onde for, est\u00e1s aqui, est\u00e1s agora.<\/p>\n<p><i>{This is my final fit}<\/i><\/p>\n<p>E as surpresas, essas, aparecem do nada. De uma frase, de uma visita, de um ol\u00e1. De um nada que pode valer tanto e t\u00e3o aparentemente pouco e que no fundo \u00e9 tudo.<\/p>\n<p>N\u00e3o, h\u00e1 muito tempo que n\u00e3o me apaixono, daquelas paix\u00f5es de arrebatar e de fazer flutuar pelo menos 2 palmos acima do ch\u00e3o, tal \u00e9 a for\u00e7a das borboletas na barriga. E muito provavelmente n\u00e3o saberia reconhecer uma paix\u00e3o do outro lado, porque, l\u00e1 est\u00e1, sou tot\u00f3 a esse ponto.<\/p>\n<p><i>{my final bellyache with}<\/i><\/p>\n<p>Mas sei que surpresas, surpresas boas, existem e aparecem todos os dias, com coisas t\u00e3o pequeninas, que s\u00f3 de olhar para elas percebo que afinal me apaixono mesmo todos os dias. Sem n\u00f3s na garganta, sem borboletas na barriga que fazem flutuar dois palmos acima do ch\u00e3o. Mas sim, apaixono-me sem carne, apaixono-me porque sim.<\/p>\n<p><i>{No alarms and no surprises please}<\/i><\/p>\n<p>Com alarmes, por favor. Com surpresas, por favor. Os alarmes recordam-me de mim mesma. As surpresas recordam-me dos outros para l\u00e1 de mim.<\/p>\n<p>Um dia, um dia quem sabe, j\u00e1 amanh\u00e3 ou daqui a uns anos, um dia volto a apaixonar-me. Paix\u00e3o de carne. Paix\u00e3o de borboletas. Com ou sem m\u00fasica. N\u00e3o, decididamente com m\u00fasica porque todas as grandes paix\u00f5es trazem uma banda sonora associada. E esta, esta podia de facto ser uma boa m\u00fasica para algu\u00e9m se apaixonar. Podia, n\u00e3o. Foi. N\u00e3o eu. Nada teve que ver comigo. Mas sim, \u00e9 uma boa m\u00fasica para uma pessoa se apaixonar. Ou para acompanhar uma paix\u00e3o. De carne ou sem ela.<\/p>\n<p>Um dia. E nesse dia, afinal, vou perceber que me apaixonei mesmo sem alarmes e sem surpresas. E sim, a\u00ed estarei surpreendida. Alarmada tamb\u00e9m. Mas a\u00ed, a\u00ed vai ser tarde. Ou vai ser cedo, n\u00e3o sei. N\u00e3o quero saber. Vai ser a hora certa para me deixar ir, para me deixar levar. Porque h\u00e1 muito tempo, tanto tempo que n\u00e3o me lembro quanto, h\u00e1 demasiado tempo, 1 ano? 2 anos? 3 meses? 2 semanas? H\u00e1 tanto tempo que n\u00e3o me apaixono.<\/p>\n<p>Que venha a vida, o aqui e agora, os alarmes, as surpresas. Quero-os todos. Assim. Com tudo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-107\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/fa3ba79423019c4943adb3de94b6be8b.jpg\" alt=\"fa3ba79423019c4943adb3de94b6be8b\" width=\"236\" height=\"232\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E dizia eu hoje que sim, No Surprises de Radiohead \u00e9 uma boa m\u00fasica para uma pessoa se apaixonar (n\u00e3o s\u00e3o todas as m\u00fasicas boas para uma pessoa se apaixonar?) mas que n\u00e3o sei o que \u00e9 isso h\u00e1 muito tempo. Mentira. Sei. Sei que me apaixono todos os dias. 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