{"id":129,"date":"2014-06-05T02:43:57","date_gmt":"2014-06-05T01:43:57","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=129"},"modified":"2014-06-05T03:07:22","modified_gmt":"2014-06-05T02:07:22","slug":"i-cant-keep-calm-because-i-have-anxiety","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2014\/06\/05\/i-cant-keep-calm-because-i-have-anxiety\/","title":{"rendered":"I can&#8217;t keep calm"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 n\u00e3o falta muito para fazer 20 anos que lido com este bicho. Ou, pensando bem, at\u00e9 j\u00e1 fez. Ali\u00e1s, j\u00e1 fez mais, uns bons 22 ou assim. Olhando assim \u00e0 dist\u00e2ncia, aquele passeio a cavalo que come\u00e7ou num terreno apropriado e iria passar pela praia a meio da tarde, uma tarde quente de Ver\u00e3o em plena adolesc\u00eancia, vejo-o hoje como a minha primeira crise de ansiedade. A falta de ar. Sobretudo a falta de ar. E o medo. O medo de voltar a cair do cavalo, como poucos anos antes aconteceu e em que os cascos ro\u00e7aram a minha cara bem de perto. Perto demais, diria. N\u00e3o me esque\u00e7o desse tombo, que podia ter feito estragos e apenas deixou uns arranh\u00f5es. E o medo que veio nesse passeio de Ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Lembro-me de dizer a meio &#8220;n\u00e3o posso continuar, estou com falta de ar, estou com asma&#8221;.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da asma, em que o ar n\u00e3o sai, na ansiedade o ar n\u00e3o entra. Ou \u00e0s vezes entra, a uma velocidade absurda e que mesmo entrando n\u00e3o deixa respirar. Sim, entra e sai t\u00e3o depressa que nem respiramos. E deixa-nos assim com aquela sensa\u00e7\u00e3o de pulm\u00f5es leves, demasiado leves que mais parece que, por momentos, horas, dias, deixam de existir. Mas est\u00e3o l\u00e1, a tentar cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o, num ritmo desordenado e absurdo. Como hoje. Como hoje todo o santo dia. E ontem. E de h\u00e1 uns dias para c\u00e1.<\/p>\n<p>O ar entra. Sim. E sai. Mas para sair tantas vezes tem que ser com for\u00e7a para que saia todo. E para entrar tamb\u00e9m. Inspirar com for\u00e7a, mas nunca conseguindo preencher a capacidade dos pulm\u00f5es que, l\u00e1 est\u00e1, cumprem as fun\u00e7\u00f5es para as quais foram desenhados, mas a um ritmo que n\u00e3o \u00e9 o certo, que n\u00e3o traz conforto, n\u00e3o traz al\u00edvio.<\/p>\n<p>Fosse apenas esse o problema da ansiedade e seria relativamente f\u00e1cil de lidar com ele. Bastaria tentar controlar o ritmo, a intensidade, a quantidade de ar. Bastaria? N\u00e3o sei. Se calhar n\u00e3o. Sim, ao fim de tantos e tantos anos deste bicho que corr\u00f3i ainda n\u00e3o sei se bastaria controlar a entrada de ar. Como quando enchemos os pneus do carro. 2.0 pedem os meus. Os do carro. E quando o aparelho apita j\u00e1 sei que a press\u00e3o est\u00e1 certa, o ar entrou todo e a quantidade \u00e9 a certa para circular em seguran\u00e7a. Mas no manual de utilizador dos pulm\u00f5es n\u00e3o consta a press\u00e3o, a quantidade nem a velocidade a que o ar deve entrar. N\u00e3o nestas situa\u00e7\u00f5es de ansiedade. Fazem parte daquelas quest\u00f5es de desgaste que os carros t\u00eam. Tudo certinho, mas ao fim de uns anos come\u00e7am as desafina\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o surgem nos manuais.<\/p>\n<p>A psicoterapia comportamental aos 19 anos n\u00e3o me ajudou em muito. Com um grupo de pessoas que, como eu, sofriam de ansiedade com perturba\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico, algumas com graves dist\u00farbios de agorafobia. Como estar\u00e3o eles agora, passados 18 anos? Tenho alguma curiosidade se aquela senhora que era em tempos jornalista mas que n\u00e3o sa\u00eda de casa h\u00e1 20 anos j\u00e1 consegue, 18 anos depois, levar uma vida normal. Ou aquele senhor que se sentia mal sempre que conduzia em autoestrada. Ou o outro que entrava em p\u00e2nico em elevadores e na Ponte 25 de Abril. E que, contou-nos, naqueles tempos em que n\u00e3o havia separador central fez invers\u00e3o de marcha a meio da ponte e voltou para Lisboa. Nunca mais tinha conseguido passar a 25 de Abril. Ser\u00e1 que hoje j\u00e1 consegue? E ser\u00e1 que j\u00e1 consegue andar em elevadores daqueles com portas de grades?<\/p>\n<p>\u00c9ramos tantos no grupo, mas curiosamente s\u00f3 me lembro destes tr\u00eas casos. Talvez porque, apesar da enorme diferen\u00e7a de idades, sendo eu a mais nova de todos, bem mais nova, talvez porque me identifiquei durante tanto tempo com estes cen\u00e1rios. Menos com os elevadores. Acho eu. Apesar de ter tido uma crise de p\u00e2nico no elevador da Casa da Guia quando encravou com a lota\u00e7\u00e3o no m\u00e1ximo, um calor insuport\u00e1vel, e n\u00f3s ali, a meio, numa altura em que mal se tinha acesso \u00e0 janela panor\u00e2mica e o que se via nada mais era do que um bocadinho de mar e imensid\u00e3o.<\/p>\n<p>Superei j\u00e1, e com orgulho, a passagem da ponte. J\u00e1 o fa\u00e7o sozinha h\u00e1 5 anos. J\u00e1 o fa\u00e7o sozinha \u00e0 noite h\u00e1 menos tempo. Mas j\u00e1 o fa\u00e7o sozinha em ambos os sentidos, seja a que horas for. 3 da manh\u00e3 inclu\u00eddo.<\/p>\n<p>J\u00e1 superei tamb\u00e9m o sair de casa. Durante demasiado tempo n\u00e3o consegui. Fechei-me ali, perdi-me ali. Sim, foi mesmo ali que me perdi de mim e do mundo, por causa deste bicho que corr\u00f3i e faz doer. Porque estava bem em casa e bastava p\u00f4r o p\u00e9 na rua e ia morrer logo ali, \u00e0 porta.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o superei as autoestradas. A \u00fanica que me gabo de j\u00e1 conseguir fazer sozinha, que j\u00e1 fiz de uma ponta \u00e0 outra, ida e volta, \u00e9 a A5. \u00c9 pequena, j\u00e1 me t\u00eam dito. \u00c9 verdade. Mas \u00e9 uma vit\u00f3ria incomensur\u00e1vel para algu\u00e9m que demorou alguns anos desde que tirou a carta at\u00e9 conseguir conduzir sozinha. Falta-me a A1 e a A8. A8 essa que mesmo assim s\u00f3 fa\u00e7o at\u00e9 \u00e0 sa\u00edda para a Venda do Pinheiro a caminho de Mafra. Porque, da\u00ed para cima, nem acompanhada. Lembro-me da viagem de ida e volta ao Cadaval n\u00e3o ter sido nada, mesmo nada, pac\u00edfica.<\/p>\n<p>A1 e A8. Falta-me superar estes dois obst\u00e1culos&#8230;embora j\u00e1 tenha levado o carro at\u00e9 Aveiras. Mas n\u00e3o sozinha, claro. Mentira, Aveiras n\u00e3o. Cartaxo! Mais uma vit\u00f3ria de poucos kms, mas uma vit\u00f3ria. E tamb\u00e9m de Leiria a Coimbra. Mas em nenhuma das situa\u00e7\u00f5es fui capaz de trazer o carro de volta.<\/p>\n<p>Porque estas pequeninas coisas, que parecem t\u00e3o pequeninas a quem est\u00e1 de fora, s\u00e3o vit\u00f3ria imensas para quem vive com este bicho. Que para al\u00e9m de corroer, morder, moer, fazer doer, tenta com for\u00e7a destruir tudo. Porque nos prende os movimentos. Porque nos tolda as capacidades. E porque nos faz sentir incapazes.<\/p>\n<p>Consigo reconhecer algumas situa\u00e7\u00f5es que me levam da ansiedade \u00e0 crise de p\u00e2nico como aqueles carros que v\u00e3o dos 0 aos 100 em 10 segundos. Consigo reconhecer que qualquer que seja a situa\u00e7\u00e3o em que me estejam a avaliar, \u00e9 garantida a ansiedade em alta a transbordar para o ataque de p\u00e2nico. Como quando tirei a carta de condu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o 11 anos e meio desde o exame, mas lembro-me t\u00e3o bem de sair da Madre Deus em direc\u00e7\u00e3o aos Olivais e n\u00e3o conseguir ver. A vis\u00e3o absolutamente turva. As pernas a tremer. As m\u00e3os a tremer. A respira\u00e7\u00e3o a mil. E a jurar a mim mesma que ia morrer ali. E que por isso ia chumbar. Mas aguentei-me, fui teimosa, fiz o exame e passei. Mas sim, deixei de ver, como tantas vezes deixei de ver quando passava a Ponte 25 de Abril. Valeu-me, sempre, a minha m\u00e3e, a minha co-piloto de sempre, que me detectava os sinais de alarme tantas vezes antes de eu mesma me aperceber e que quando j\u00e1 era tarde simplesmente me dizia &#8220;respira, vais bem e estamos quase a sair&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda hoje a minha m\u00e3e me diz &#8220;respira&#8221;. Tantas vezes. E j\u00e1 n\u00e3o o faz enquanto conduzo o carro, mas enquanto conduzo os meus dias. E os \u00faltimos dias, e os pr\u00f3ximos dias, todos esses dias t\u00eam sido e v\u00e3o ser de condu\u00e7\u00e3o turva. Porque o ar n\u00e3o entra. Ou entra t\u00e3o depressa que nem dou por ele. E ela diz-me &#8220;respira&#8221; e eu respiro o melhor que consigo. O melhor que sei nestas situa\u00e7\u00f5es. Embora, ao fim de tantos e tantos anos de pr\u00e1tica, j\u00e1 devesse saber respirar melhor.<\/p>\n<p>Mas a ansiedade, que j\u00e1 conhe\u00e7o t\u00e3o bem e sobre a qual tenho um mestrado, uma p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o, um MBA, o que quiserem, tudo isto por equival\u00eancia obviamente, a ansiedade ainda me surpreende. Ainda me apanha desprevenida. Tal como tem feito nos \u00faltimos dias, num crescendo que me faz ter vontade de chorar, mesmo n\u00e3o o conseguindo fazer (e iria fazer-me t\u00e3o bem). E a minha m\u00e3e, em vez de &#8220;respira&#8221; j\u00e1 me diz &#8220;chora&#8221;. Mas n\u00e3o sai&#8230;continua a n\u00e3o sair.<\/p>\n<p>Porque desta vez n\u00e3o vou ser avaliada em nada, mas aproximam-se datas de relevo, de import\u00e2ncia, de reviver mem\u00f3rias recentes, de conhecer mais pormenorizadamente aquilo que ningu\u00e9m devia ter que conhecer. 19 de Junho. Est\u00e1 a\u00ed t\u00e3o perto, e ao mesmo tempo ainda t\u00e3o longe. 19 de Junho, Tribunal de Sintra. A primeira audi\u00eancia que nos vai fazer, a todos, reviver aquele dia 9 de Novembro. Aquela madrugada. E, apesar de ter j\u00e1 dito tantas vezes a mim pr\u00f3pria que sim, que estou preparada, na verdade n\u00e3o estou. Nada. Como posso estar? Quem se prepara para isto? Como se prepara algu\u00e9m para uma coisa destas? Como se prepara algu\u00e9m para lidar com o roubo de uma vida? Como se prepara algu\u00e9m para lidar com aquilo que eu ainda n\u00e3o aceitei porque continuo a acreditar que um dia, um dia destes, qualquer dia, o port\u00e3o se vai abrir e vai aparecer do outro lado o sorriso de orelha a orelha, o sorriso de mi\u00fado do meu primo.<\/p>\n<p>N\u00e3o vai nada, eu sei. Mas n\u00e3o aceito. E porque n\u00e3o aceito, estou zangada, tanto. Mas com a pessoa errada. E tamb\u00e9m isso est\u00e1 a contribuir para que o ar n\u00e3o entre. Ou n\u00e3o saia. Ou n\u00e3o esteja na press\u00e3o certa. Ou simplesmente n\u00e3o me fa\u00e7a circular em seguran\u00e7a. Porque estou zangada com quem n\u00e3o vai voltar a cruzar o port\u00e3o, com sorriso de orelha a orelha, sorriso de mi\u00fado e n\u00e3o com quem o roubou de n\u00f3s. Sim, Alexandre, \u00e9 contigo que estou zangada. Porque n\u00e3o vais voltar. N\u00e3o vais voltar a bater-me quando te falar no Sumol Laranja. E, acredita, sempre que digo &#8220;Alex, Sumol Laranja&#8221;, d\u00f3i-me a perna como naquela noite de Natal em que quase nos peg\u00e1mos porque me deste um murro como nunca levei, nem antes nem depois. Nem o murro no est\u00f4mago que senti quando a tua m\u00e3e me ligou a dizer que j\u00e1 n\u00e3o te t\u00ednhamos, nem esse murro foi t\u00e3o forte como o que ainda sinto cada vez que brindo a ti. Estou zangada, Alexandre, porque n\u00e3o tinhas o direito a ir-te embora assim, dessa maneira est\u00fapida, absurda, sem sentido, sem prop\u00f3sito. E deixar-nos aqui, assim, na merda, na ansiedade, no vazio. E n\u00e3o vais voltar a cruzar o port\u00e3o, Alexandre. E s\u00f3 por isso me apetece esmurrar-te da mesma forma que me esmurraste a mim. E isso, Alexandre, faz-me n\u00e3o conseguir respirar como devia. Porque sei que n\u00e3o te foste embora porque quiseste. Porque sei que eras demasiado novo para te ires embora. E sei tamb\u00e9m que, apesar de ter visto o teu sorriso de orelha a orelha naquele caix\u00e3o, sim, porque estavas a sorrir, como \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m ter sofrido o que tu sofreste e despedir-se assim de n\u00f3s, com um sorriso de orelha a orelha, Alexandre?! E sei que quando te vi, porque fiz quest\u00e3o de te ver, eu que nunca vejo os meus mortos, que sempre me recuso a sequer estar na mesma sala que eles, fiz quest\u00e3o de te ir ver, de olhar para ti. E vi o teu sorriso, Alexandre. Mas quem eu vi ali n\u00e3o eras tu. E continuo a guardar essa imagem na minha cabe\u00e7a e continuo a dizer, como disse naquele momento a quem me quis ouvir, e acredito que toda a gente ouviu, como n\u00e3o ouvir? Disse e repito que aquele n\u00e3o \u00e9 o meu primo. Mas era o teu sorriso, Alexandre. O \u00fanico tra\u00e7o que te reconheci foi o sorriso. Porque, para mim, para a minha m\u00e3e, estavas estranhamente irreconhec\u00edvel. Demasiado magro. Talvez por estares vazio. Vazio de ti, vazio do sangue em que te esva\u00edste. Talvez porque j\u00e1 n\u00e3o eras tu que ali estava deitado naquele caix\u00e3o. Mas era o teu sorriso que ali estava. O mesmo que nunca mais ir\u00e1 cruzar o port\u00e3o.<\/p>\n<p>E isso tudo deixa-me t\u00e3o zangada contigo, Alexandre. T\u00e3o mas t\u00e3o zangada. Contigo. S\u00d3 contigo! Quando sei que a pessoa com quem devia estar zangada n\u00e3o \u00e9s tu. Mas \u00e9 contigo que estou zangada. E magoada. Porque n\u00e3o vais voltar.<\/p>\n<p>E falta-me o ar. Ou entra-me o ar a rodos. J\u00e1 nem sei. Sei que tudo isto me lembra que dia 19 est\u00e1 quase a\u00ed. Mas ao mesmo tempo ainda est\u00e1 t\u00e3o longe. E a antecipa\u00e7\u00e3o de ver quem te fez isso, de olh\u00e1-lo nos olhos, de o ouvir contar que a \u00fanica inten\u00e7\u00e3o era marcar-te e n\u00e3o matar-te, mas que ainda assim o fez quando teve v\u00e1rias hip\u00f3teses de recuar, f\u00ea-lo friamente. A antecipa\u00e7\u00e3o de ouvir os testemunhos do grupinho de her\u00f3is da escumalha que esteve presente e que continua a achar que n\u00e3o te fez nada, que n\u00e3o nos fez nada. A antecipa\u00e7\u00e3o de tudo isso, de ver o teu pai a definhar mais um pouco, a tua m\u00e3e a morrer mais um pouco, a tua irm\u00e3 a consumir-se em raiva e \u00f3dio. A antecipa\u00e7\u00e3o de tudo isso deixa-me assim, sem ar. E sem conseguir dormir. E sem conseguir concentrar-me. E sem conseguir trabalhar. Queria adormecer hoje e acordar daqui a 2 semanas. E n\u00e3o ter que lidar com esta antecipa\u00e7\u00e3o. Com esta falta de ar. Ou ar a mais. Ou l\u00e1 o que \u00e9 isto deste bicho que corr\u00f3i e se apodera de mim por antecipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o me pe\u00e7am para ter calma. Quando se tem dist\u00farbios de ansiedade, calma \u00e9 a \u00faltima coisa que se consegue ter. Passem mais 20 anos, ou 22. E acho que a antecipa\u00e7\u00e3o vai continuar a moer-me mais e mais. Mas prometo que n\u00e3o volta a prender-me, a amarrar-me, a perder-me de mim e do resto do Mundo.<\/p>\n<p>Um dia, Alexandre, um dia vou conseguir fazer as pazes contigo. Primeiro tenho que fazer as pazes comigo. Porque n\u00e3o se consegue fazer as pazes com os outros sem as fazermos connosco primeiro. E nesse dia vou respirar fundo, sem pressas, e aceitar que n\u00e3o voltas. E depois, ent\u00e3o, quem sabe, zango-me com quem de facto j\u00e1 me devia ter zangado. E n\u00e3o contigo. Espero que me entendas e aceites que possa estar zangada porque n\u00e3o vais voltar. E que, quem sabe, me perdoes por isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 n\u00e3o falta muito para fazer 20 anos que lido com este bicho. Ou, pensando bem, at\u00e9 j\u00e1 fez. Ali\u00e1s, j\u00e1 fez mais, uns bons 22 ou assim. 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