{"id":13200,"date":"2024-05-14T23:51:06","date_gmt":"2024-05-14T22:51:06","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/05\/14\/135-232-2024\/"},"modified":"2024-05-14T23:52:27","modified_gmt":"2024-05-14T22:52:27","slug":"135-232-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/05\/14\/135-232-2024\/","title":{"rendered":"{#135.232.2024}"},"content":{"rendered":"\n<p>Dia longo. Muito longo. Sem programa. Sem nada para fazer. A n\u00e3o ser existir e ver o tempo passar.<\/p>\n\n\n\n<p>Confus\u00e3o na minha cabe\u00e7a. Grande. Sei exactamente o que quero. E sei, tamb\u00e9m, que de <strong>tudo<\/strong> o que quero o que posso ter \u00e9 <strong>nada<\/strong>. Nada&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Respirar e ver o tempo passar \u00e9 realmente existir? \u00c0s vezes parece que n\u00e3o. Parece que as pessoas se esquecem de n\u00f3s em vida. E \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o horr\u00edvel&#8230; Sim, os meus dias neste momento s\u00e3o horr\u00edveis, sem objectivos, sem nada. Dizem-me que \u00e9 porque estou doente. E estou, eu sei. Mas n\u00e3o tem que ser assim para sempre. Embora, neste caso, seja mesmo para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizem-me, tamb\u00e9m, que l\u00e1 porque estou doente n\u00e3o significa que n\u00e3o possa ter uma vida dita <em>normal<\/em>. Ou, se calhar, s\u00f3 muito perto disso. Mas para isso \u00e9 preciso ter acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o. Que ainda n\u00e3o tenho. Nem sei quando vou ter nem que diferen\u00e7a ir\u00e1 fazer. Assim como tamb\u00e9m n\u00e3o sei o que esperar da doen\u00e7a. Que ainda n\u00e3o trato por <strong>Tu<\/strong> porque ainda mal nos conhecemos. Ou, pelo menos, eu a ela. Porque, olhando para tr\u00e1s, \u00e9 poss\u00edvel que ela j\u00e1 me conhe\u00e7a h\u00e1 algum tempo. Afinal, aqueles dias em 2016 em que mal podia andar porque n\u00e3o sentia p\u00e9s e pernas, podem n\u00e3o ter sido uma crise de coluna&#8230; As dores de cabe\u00e7a intensas e persistentes j\u00e1 existiam h\u00e1 v\u00e1rios anos e  mesmo nessa altura se manifestavam de vez em quando. <\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para tr\u00e1s, percebo que a sombra da doen\u00e7a j\u00e1 pairava sobre mim. Afinal, n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a que apare\u00e7a subitamente, de um dia para o outro. Vai-se aproximando e ganhando terreno. Devagarinho. Quase em sil\u00eancio. At\u00e9 que, por acaso, se percebe que j\u00e1 c\u00e1 est\u00e1, j\u00e1 se instalou, j\u00e1 deixou marcas. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o. Ainda n\u00e3o a trato por Tu. E ainda n\u00e3o me atrevo, sequer, a pronunciar-lhe o nome, muito menos escrev\u00ea-lo. Se calhar ainda estou em nega\u00e7\u00e3o. Talvez esteja. Mas j\u00e1 estou cansada. A suspeita apareceu em Junho do ano passado, sei que s\u00f3 quando houver diagn\u00f3stico fechado \u00e9 que posso pronunciar-lhe o nome, mas j\u00e1 \u00e9 falada em termos cl\u00ednicos em todo o lado, em todas as especialidades m\u00e9dicas por onde tenho passado. E, no relat\u00f3rio m\u00e9dico, j\u00e1 l\u00e1 est\u00e1. N\u00e3o como suspeita, mas como confirma\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Faltam resultados de exames, falta fechar o diagn\u00f3stico, falta a medica\u00e7\u00e3o. E falta <strong>tanto<\/strong> para Outubro, data da consulta com o especialista. Sei que, a qualquer momento, me pode chamar. Mas nunca mais acontece. E, mais uma vez digo, estou cansada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 12 meses e meio, trabalhei pouco mais de um m\u00eas e meio. Sei que n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es para voltar ao trabalho t\u00e3o cedo. N\u00e3o enquanto n\u00e3o tiver medica\u00e7\u00e3o. E sei, tamb\u00e9m, que vai ser preciso haver altera\u00e7\u00f5es. Ajustes. N\u00e3o voltarei a ser a mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>Engra\u00e7ado&#8230;n\u00e3o voltarei a ser a mesma&#8230;mas n\u00e3o \u00e9 apenas no trabalho. Toda eu serei uma nova pessoa depois disto. Quero muito acreditar que serei a mesma. Mas sei que n\u00e3o \u00e9 verdade. Porque j\u00e1 sinto algumas limita\u00e7\u00f5es que, sei, ter\u00e3o tend\u00eancia para aumentar e complicar. Mas eu j\u00e1 s\u00f3 queria voltar a ser <strong>eu<\/strong>. Mais nada&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sei t\u00e3o bem o que quero. Ou o que queria. J\u00e1 n\u00e3o sei. Sei apenas que nada do que quero posso ter. Nem aquele porto de abrigo que surgiu h\u00e1 quase um ano e que se mant\u00e9m firme. \u00c0 dist\u00e2ncia de um clique&#8230; N\u00e3o terei esse abra\u00e7o. Esse toque. Esse cheiro. Esse beijo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sinto-me perdida. Em 7 dias da semana, e terminada a fisioterapia no Hospital, os meus planos resumem-se ao fim do dia \u00e0s quartas feiras e as manh\u00e3s de S\u00e1bado com as aulas de Yoga. De resto? \u00c9 existir de forma invis\u00edvel e ver o tempo passar. <\/p>\n\n\n\n<p>Se eu queria isto? N\u00e3o. Se procurei isto? <strong>N\u00e3o<\/strong>! Se estes dias vazios me fazem sentido? Nenhum. Se me fazem bem? Nem um pouco. Mas c\u00e1 vou andando ao sabor do vento. \u00c0 espera. <strong>Sempre<\/strong> \u00e0 espera. E sem saber o que fazer ou como fazer para dar sentido a este tempo de espera. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me canso de repetir: estou cansada. Do qu\u00ea? Nem eu sei. Mas estou cansada. De esperar, acima de tudo. E de n\u00e3o ver nada para a frente. \u00c9 como se tivesse uma parede \u00e0 minha frente que n\u00e3o me permite ver ou, sequer, imaginar como ser\u00e1 o caminho adiante. Dizem-me que ser\u00e1 diferente. Mas que \u00e9 um caminho poss\u00edvel de se fazer. \u00c9 uma quest\u00e3o de procurar novas formas de seguir. E conseguir. O qu\u00ea? Nem eu sei&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Apetece-me chorar? J\u00e1 nem sei. Porque sei que n\u00e3o consigo chorar. Sei que me apetece algo que tenha o mesmo efeito, mas que eu desconhe\u00e7o o que seja. E l\u00e1 est\u00e1 de novo a parede \u00e0 minha frente a n\u00e3o me deixar ver, ou sequer imaginar, como ser\u00e1 quando tudo estiver estabilizado. Quando j\u00e1 n\u00e3o me apetecer chorar porque j\u00e1 encontrei algo que me alivia e conforta mas que eu n\u00e3o sei o que \u00e9. Que n\u00e3o me deixa ver, ou sequer imaginar, a diferen\u00e7a que a medica\u00e7\u00e3o pode fazer. Parede que, no fundo, n\u00e3o me deixa ver, ou sequer imaginar, absolutamente <strong>nada<\/strong>. Porque, neste momento, na minha cabe\u00e7a a confus\u00e3o \u00e9 muito grande. E \u00e9 muito alimentada de medo. De inseguran\u00e7a. De falta de ch\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Sinto falta de mim mesma. Mas j\u00e1 n\u00e3o sei por onde come\u00e7ar a procur\u00e1-la. Ou a procurar-<strong>me<\/strong>. Sei que ainda existo. Mesmo que apenas veja o tempo passar. Sei que ainda estou c\u00e1 e fa\u00e7o quest\u00e3o de me manter c\u00e1. Mas sinto-me invis\u00edvel. Esquecida. Invalidada. Remetida para um canto. Porque, para al\u00e9m de sentir falta de mim mesma, tamb\u00e9m sinto falta dos outros. Daqueles de quem gosto. Daqueles que gostam de mim. Eu continuo c\u00e1&#8230;perdida, mas c\u00e1. <\/p>\n\n\n\n<p>Cansada. Muito. Ainda vou ter que esperar. Mas continuo c\u00e1. Existo. Pequenina, insignificante, invalidada, invis\u00edvel. Esquecida&#8230; Mas continuo c\u00e1. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/img_4842-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13199\"\/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia longo. Muito longo. Sem programa. Sem nada para fazer. A n\u00e3o ser existir e ver o tempo passar. Confus\u00e3o na minha cabe\u00e7a. Grande. Sei exactamente o que quero. E sei, tamb\u00e9m, que de tudo o que quero o que posso ter \u00e9 nada. 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