{"id":13563,"date":"2024-08-15T23:59:00","date_gmt":"2024-08-15T22:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/08\/15\/228-139-2024\/"},"modified":"2024-08-16T01:17:13","modified_gmt":"2024-08-16T00:17:13","slug":"228-139-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/08\/15\/228-139-2024\/","title":{"rendered":"{#228.139.2024}"},"content":{"rendered":"\n<p>Quinta feira, dia de Yoga. Sendo feriado, e com um Festival a gerar o caos nos tr\u00e2nsito (como se n\u00e3o fosse suficiente o tradicional tr\u00e2nsito rumo \u00e0 praia em pleno Agosto&#8230;), a aula foi antecipada para as 9h. Nem que fosse \u00e0s 8h como muitas vezes, na brincadeira, o professor Pedro sugere! N\u00e3o, faltar ao Yoga <strong>n\u00e3o est\u00e1<\/strong> nos meus planos. Mas, sendo feriado, o autocarro que agora preciso de apanhar para percorrer a vila at\u00e9 \u00e0 outra ponta n\u00e3o tem hor\u00e1rio para mim&#8230; Na aula de s\u00e1bado, quando se marcaram as 9h da manh\u00e3 para hoje, verifiquei de imediato o hor\u00e1rio, vi que n\u00e3o havia autocarro, referi esse ponto na aula e de imediato se resolveu: quem me d\u00e1 boleia em dias de aula de regresso a casa de imediato se ofereceu para me vir buscar. E assim foi.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem \u00e0 noite, por causa das dores nas pernas, ainda pensei em dispender de uns minutos para o Yoga: <strong>Viparita Karani<\/strong>, ou deitar-me no ch\u00e3o com as pernas na parede. N\u00e3o aconteceu. Estava demasiado cansada, j\u00e1 era muito tarde, tinha muito sono e hoje era dia de acordar cedo. Todos os dias o despertador toca \u00e0s 7h da manh\u00e3 para tomar o antibi\u00f3tico, a minha boleia estava prevista para as 8h40, s\u00f3 posso tomar o pequeno almo\u00e7o uma hora depois do antibi\u00f3tico, tinha ali uma boa janela temporal para p\u00f4r as pernas na parede 15 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s 7h da manh\u00e3 o despertador tocou, acordei, tomei o antibi\u00f3tico e preparei <strong>tudo<\/strong> para aqueles 15 minutos que tinha prometido a mim mesma. Tapete estendido, encostado \u00e0 parede, telem\u00f3vel prestes a come\u00e7ar a contar os 15 minutos. A custo, n\u00e3o nego, sentei-me no ch\u00e3o em cima do tapete, pus-me em posi\u00e7\u00e3o para me deitar de costas no ch\u00e3o e levantar as pernas&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda me deitei e foi ao deitar as costas no ch\u00e3o que percebi o <strong>quanto<\/strong> as costas me do\u00edam! N\u00e3o estive deitada mais do que <strong>tr\u00eas<\/strong> <strong>minutos<\/strong>. Dores imposs\u00edveis de aguentar, daquelas que s\u00f3 n\u00e3o me trouxeram l\u00e1grimas aos olhos porque eu <strong>n\u00e3o consigo chorar<\/strong>, mas que me puseram a transpirar como se tivesse feito uma aula completa. <\/p>\n\n\n\n<p>Desfazer a postura, iniciar a compensa\u00e7\u00e3o e as dores nas costas a dizerem-me &#8220;<strong>n\u00e3o!<\/strong>&#8220;&#8230; Ainda tentei a postura que a fisioterapeuta chama &#8220;do gatinho&#8221;, cujo nome original em s\u00e2nscrito desconhe\u00e7o mas que em portugu\u00eas \u00e9 a postura do Gato-Vaca e que o professor Pedro garante ser uma \u00f3ptima massagem para as costas. E \u00e9, de facto. Mas n\u00e3o foi o suficiente para acalmar as dores.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que cheguei \u00e0 aula <strong>muito<\/strong> aflita com dores. De imediato expliquei ao professor Pedro o que se passava e ele, tamb\u00e9m de imediato, encontrou a solu\u00e7\u00e3o certa para mim. N\u00e3o iria fazer nada da aula como as minhas colegas, mas com <em>bolsters<\/em>, blocos e algumas mantas teria o s\u00edtio certo para o exerc\u00edcio certo: <strong>alongar e relaxar as costas<\/strong>. E assim foi durante <strong>duas horas<\/strong>. De vez em quando ele vinha ver como eu me estava a sentir, ajustar a posi\u00e7\u00e3o e relembrar-me de <strong>respirar<\/strong>. De forma <strong>profunda e consciente<\/strong> como em qualquer aula de Yoga, respira\u00e7\u00e3o que eu me habituei a levar sempre comigo para todo o lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas horas depois, desfazer a postura, com a ajuda dele, claro. Mas a verdade \u00e9 que as dores de costas <strong>tinham passado<\/strong>, com excep\u00e7\u00e3o da lombar de que me estou sempre a queixar h\u00e1 muito tempo. E o que ficou combinado foi que as pr\u00f3ximas aulas ser\u00e3o novamente para alongar e relaxar a coluna, com incid\u00eancia na lombar, e tamb\u00e9m tratar pernas na mesma base que as costas.<\/p>\n\n\n\n<p>Senti logo no primeiro dia, j\u00e1 h\u00e1 mais de um ano, que estava bem entregue ao professor Pedro. E j\u00e1 h\u00e1 muito tempo que o tinha confirmado. Hoje? Reforcei essa <strong>confirma\u00e7\u00e3o<\/strong> e a <strong>confian\u00e7a<\/strong> que, desde o primeiro dia, depositei nele. As aulas s\u00e3o sempre um desafio, sejam mais ou menos suaves, mas sempre muito boas. E, desde o primeiro momento em que eu soube daquilo que, inicialmente, era s\u00f3 uma suspeita, ele est\u00e1 a par do que me apanhou na curva e vai-me acompanhando na progress\u00e3o das minhas dificuldades. Est\u00e1, inclusivamente, a preparar um plano de posturas para eu ir fazendo nas aulas quando n\u00e3o consigo fazer as outras. E o <em>tratamento<\/em> de hoje foi <strong>muito<\/strong> bom. S\u00e1bado l\u00e1 estaremos novamente \u00e0s 9h da manh\u00e3, novamente com boleia para l\u00e1 e regresso. At\u00e9 porque o pr\u00f3prio professor Pedro faz quest\u00e3o de garantir que eu tenho <strong>sempre<\/strong> transporte. <\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;eu sabia que o Yoga me ia fazer bem. Mas nunca pensei que dali iria nascer uma <strong>rede de apoio<\/strong> daquelas que eu preciso tanto. Mas a rede est\u00e1 l\u00e1. E eu sou t\u00e3o grata por ela. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois do Yoga foi chegar a casa, almo\u00e7ar e aterrar no sof\u00e1. Sozinha em casa depois do almo\u00e7o, sem <strong>rigorosamente nada para fazer<\/strong>, cansada sei l\u00e1 eu do qu\u00ea, rapidamente adormeci. De \u00f3culos, claro, provavelmente para ver melhor os sonhos. Mas a verdade \u00e9 que durante <strong>tr\u00eas horas<\/strong> n\u00e3o estive acess\u00edvel para ningu\u00e9m. E o acordar foi muito estranho ao ponto de pensar que j\u00e1 estava a acordar amanh\u00e3. E, a primeira d\u00favida que tive ao acordar, a primeira pergunta que quis fazer: j\u00e1 tomei o antibi\u00f3tico? Percebi pouco depois que, afinal, ainda era hoje, quinta feira, feriado. <\/p>\n\n\n\n<p>E, no telem\u00f3vel, mensagens <strong>dele<\/strong> \u00e0 minha espera. E acordar com mensagens <strong>dele<\/strong>, seja logo de manh\u00e3 cedo como hoje com mensagens que ainda eram de ontem \u00e0 noite, &#8220;<em>hoje vou tomar conta do teu sono<\/em>&#8221; para me deixar saber que estava de servi\u00e7o e me aconchegar antes de adormecer mas que j\u00e1 s\u00f3 vi esta manh\u00e3, ou seja acordar \u00e0 tarde e saber que tamb\u00e9m <strong>ele<\/strong> apagou no sof\u00e1, ou foi fazer uma caminhada, ou outra coisa qualquer, n\u00e3o importa, sabe sempre t\u00e3o bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como tamb\u00e9m sabe bem ler a poesia que sai daquela alma que reconheci de outras vidas, de outros tempos, sabe-se l\u00e1 como, aquela poesia, aquelas palavras onde, de vez em quando, me encontro. E hoje&#8230;hoje n\u00e3o s\u00f3 me soube bem ler, como me encontrei nas palavras, como me reconheci como destinat\u00e1ria daquela mensagem que me confirmou o que eu j\u00e1 sabia: <strong>meu por inteiro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por momentos a respira\u00e7\u00e3o falhou-me, o ar faltou-me. Li. Reli. Voltei a ler. N\u00e3o sei quantas vezes o fiz. Mas n\u00e3o \u00e9 importante o n\u00famero de vezes que li, reli e voltei a ler. O importante \u00e9 que, a cada nova leitura, a respira\u00e7\u00e3o falhava-me, o ar faltava-me e tudo o resto se <strong>confirmava<\/strong> e <strong>refor\u00e7ava<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00f3 me sa\u00eda <strong>uma<\/strong> palavra para tentar descrever o que aquelas palavras provocaram em mim: <strong>FODA-SE<\/strong>! Porque n\u00e3o encontro nenhuma palavra bonita que tenha <strong>tanto<\/strong> <strong>impacto<\/strong> ou demonstre <strong>tanta for\u00e7a<\/strong> como esta. Desta forma. Toda em mai\u00fasculas. Com o respectivo ponto de exclama\u00e7\u00e3o! Porque&#8230;<strong>FODA-SE<\/strong>! J\u00e1 <strong>o<\/strong> leio h\u00e1 mais de um ano, j\u00e1 me encontrei nas palavras <strong>dele<\/strong> algumas vezes, mas nunca me tinha falhado a respira\u00e7\u00e3o com as palavras <strong>dele<\/strong>, nunca o ar me tinha faltado ao l\u00ea-<strong>lo<\/strong>. Nunca nada do que <strong>ele<\/strong> tinha escrito at\u00e9 hoje tinha tido o <strong>impacto<\/strong> que teve hoje. <\/p>\n\n\n\n<p>Assusta quando a respira\u00e7\u00e3o nos falha? Assusta. Assusta quando nos falta o ar? Claro que sim. Mas n\u00e3o assusta ler aquelas palavras, que tanta gente acha que simplesmente nascem da alma de um poeta, mais ou menos inquieto, sabendo a quem se destinam porque est\u00e1 l\u00e1 tudo o que \u00e9 preciso saber. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong><em>Teu por inteiro<\/em><\/strong>&#8220;. E eu sei que sim. E \u00e9 por saber que <strong>sim<\/strong> que volto ao poema todas as vezes que sentir a <strong>tua<\/strong> falta, todas as vezes que sentir saudades <strong>tuas<\/strong>. E \u00e9 tamb\u00e9m por saber que <strong>sim<\/strong> que o meu sorriso est\u00e1 sempre presente desde h\u00e1 mais de um ano e os meus olhos brilham de outra forma. Mesmo nos meus momentos mais dif\u00edceis. Porque <strong>contigo<\/strong> a\u00ed eu sei, desde muito cedo, que n\u00e3o me vais deixar cair e o caminho vai ser feito de m\u00e3o dada <strong>contigo<\/strong>. Sempre. E \u00e9 tamb\u00e9m por isso, mas nunca exclusivamente por isso, que <strong>te amo<\/strong> de uma forma e com uma for\u00e7a e uma intensidade que n\u00e3o sei, n\u00e3o consigo!, explicar. At\u00e9 porque isto que sinto n\u00e3o \u00e9 para ser explicado. Apenas sentido. Vivido. Por mim. E, claro, por <strong>ti<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>O resto n\u00e3o interessa. Porque o resto \u00e9 s\u00f3 isso mesmo: o resto. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amo-te<\/strong>. E tamb\u00e9m eu sou <strong>tua por inteiro<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/img_6513-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13562\"\/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinta feira, dia de Yoga. Sendo feriado, e com um Festival a gerar o caos nos tr\u00e2nsito (como se n\u00e3o fosse suficiente o tradicional tr\u00e2nsito rumo \u00e0 praia em pleno Agosto&#8230;), a aula foi antecipada para as 9h. Nem que fosse \u00e0s 8h como muitas vezes, na brincadeira, o professor Pedro sugere! 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