{"id":13622,"date":"2024-09-01T23:59:00","date_gmt":"2024-09-01T22:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/09\/01\/244-123-2024\/"},"modified":"2024-09-02T00:48:36","modified_gmt":"2024-09-01T23:48:36","slug":"244-123-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/09\/01\/244-123-2024\/","title":{"rendered":"{#244.123.2024}"},"content":{"rendered":"\n<p>Setembro, dia 1, Domingo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre encarei Setembro como o m\u00eas do in\u00edcio de <strong>um novo ciclo<\/strong>. Mar\u00e7o \u00e9 o <strong>meu<\/strong> m\u00eas da <strong>renova\u00e7\u00e3o<\/strong>, Setembro \u00e9 o <strong>meu<\/strong> m\u00eas do <strong>in\u00edcio de um novo ciclo<\/strong>. Uma esp\u00e9cie de passagem de ano antecipada. \u00c9 uma coisa que vem dos tempos de escola, quando era em Setembro que se dava in\u00edcio a um novo ano lectivo. Os tempos de escola passaram, terminaram h\u00e1 muitos anos, ficaram l\u00e1 atr\u00e1s, noutros tempos, noutra vida. Mas o in\u00edcio de um novo ciclo, ou de um novo ano, ficou. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve festa de passagem de ano, nunca h\u00e1, embora ontem \u00e0 meia noite tenha havido <strong>fogo de artif\u00edcio<\/strong> vindo dos bares de praia para, ainda que com alguns dias de anteced\u00eancia, darem o Ver\u00e3o por terminado. \u00c0 meia noite terminou, para os bares de praia, o Ver\u00e3o. \u00c0 meia noite, e com o fogo de artif\u00edcio, chegou Setembro, o m\u00eas do <strong>meu ano novo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 em Setembro, algures l\u00e1 pelo meio do m\u00eas, que completo <strong>um ano de baixa<\/strong> m\u00e9dica. Porque, na altura e mesmo s\u00f3 tendo trabalhado um m\u00eas e meio depois de tr\u00eas meses de baixa, n\u00e3o s\u00f3 ouvi mas <strong>senti<\/strong> que <strong>o<\/strong> <strong>meu corpo n\u00e3o aguentava mais<\/strong> os hor\u00e1rios, os percursos, a press\u00e3o das mais de <strong>50 chamadas<\/strong> di\u00e1rias. O meu corpo estava no limite. E, nos primeiros tr\u00eas meses de baixa inicial, eu jurava que o meu problema era um <strong><em>Burnout<\/em><\/strong>. Que os tr\u00eas meses tinham sido suficientes para descansar e recuperar corpo e mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso aconteceu. Nem o corpo nem a mente recuperaram. E, a meio de Setembro, <strong>o meu corpo cedeu<\/strong>. E eu parei. E, at\u00e9 ver, indefinidamente. Porque n\u00e3o era <strong><em>Burnout<\/em><\/strong>. Ou, pelo menos, n\u00e3o era s\u00f3 <strong><em>Burnout<\/em><\/strong>. Era algo mais. Que ainda hoje n\u00e3o consigo, por muito que me seja necess\u00e1rio escrev\u00ea-lo para aceitar, n\u00e3o consigo escrever o nome <em>disto<\/em> que me apanhou na curva. N\u00e3o consigo. Porque ainda hoje <strong>n\u00e3o aceito<\/strong>, <strong>n\u00e3o<\/strong> <strong>compreendo<\/strong>, <strong>n\u00e3o entendo o &#8220;porqu\u00ea eu?&#8221;<\/strong> que, j\u00e1 sei, n\u00e3o tem resposta. Ainda hoje n\u00e3o aceito as <strong>dificuldades<\/strong> e <strong>limita\u00e7\u00f5es<\/strong> que se t\u00eam desenvolvido a uma velocidade, para mim, <strong>assustadora<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estou farta disto? <strong>Muito<\/strong>. Estou <strong>cansada<\/strong>. Estou <strong>frustrada<\/strong>. Estou <strong>triste<\/strong>. Estou <strong>revoltada<\/strong>. Estou <strong>magoada<\/strong>. Estou, acima de tudo, <strong>assustada<\/strong>! <\/p>\n\n\n\n<p>Quero chorar e continuo a <strong>n\u00e3o conseguir<\/strong>. <strong>Preciso<\/strong> de o fazer. N\u00e3o para resolver nada!, mas para <strong>aliviar<\/strong> este peso que carrego em cima de mim, o peso no peito, o n\u00f3 na garganta, o n\u00f3 que me revolve o est\u00f4mago! Eu <strong>preciso mesmo muito<\/strong> de chorar e <strong>N\u00c3O<\/strong> <strong>CONSIGO<\/strong>! <\/p>\n\n\n\n<p>E depois recordo as palavras da m\u00e9dica de fam\u00edlia depois da consulta com o psiquiatra que deixou no meu processo: &#8220;est\u00e1 melhor da Depress\u00e3o&#8221;. <strong>N\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1! N\u00e3o, n\u00e3o estou<\/strong>! Estou a afundar-me a uma velocidade que me <strong>assusta<\/strong>, que eu conhe\u00e7o t\u00e3o bem o processo por j\u00e1 ter passado por ele antes! <\/p>\n\n\n\n<p>E eu sou a primeira a dizer: <strong>eu preciso de ajuda<\/strong>. <strong>Urgente<\/strong>. Tenho psiquiatra? Tenho, mas que acha que eu estou melhor da Depress\u00e3o porque, pelos vistos, n\u00e3o ouviu metade do que lhe disse. Tenho psic\u00f3logo? Tenho, mas que s\u00f3 vi 1 vez no m\u00eas de Julho e que se riu quando eu lhe disse que tenho <strong>muito<\/strong> trabalho para ele. Porque tenho! N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 <em>isto<\/em> que me apanhou na curva que me leva at\u00e9 ele. \u00c9 poss\u00edvel que tenha sido isso que levou o psiquiatra a encaminhar-me para a consulta de Psicologia, mas tenho tanto mais para trabalhar, arrumar, resolver&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>Tenho consulta com o psic\u00f3logo quase dois meses depois esta sexta feira de manh\u00e3. Nem vou saber por onde come\u00e7ar por ter tanta coisa em cima de mim. Mas vou-lhe dizer que <strong>preciso de ajuda<\/strong>. Da ajuda <strong>dele<\/strong>. N\u00e3o fa\u00e7o ideia de quando voltarei a ter consulta, mas <strong>preciso muito de ajuda<\/strong>. Porque n\u00e3o sei a quem mais posso pedir ajuda. N\u00e3o sei. S\u00f3 sei que <strong>PRECISO<\/strong> de ajuda porque eu sozinha n\u00e3o vou conseguir aguentar <strong>tudo<\/strong> por muito mais tempo. E esse tudo \u00e9 <strong>tanto<\/strong>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>A minha vontade? \u00c9 sair daqui, ir para um s\u00edtio qualquer longe daqui, no meio do nada, onde <strong>NINGU\u00c9M<\/strong> me conhe\u00e7a. Um s\u00edtio onde ningu\u00e9m me fa\u00e7a perguntas. N\u00e3o me critiquem. N\u00e3o me julguem. N\u00e3o me cobrem. <\/p>\n\n\n\n<p>Sim, isso seria isolar-me ainda mais do que j\u00e1 o fa\u00e7o. Mas eu preciso de me afastar desta realidade, deste ambiente que me limita os movimentos, que me prende, que n\u00e3o me deixa respirar, onde h\u00e1 sempre algu\u00e9m \u00e0 espera de alguma coisa vinda de mim que eu n\u00e3o posso dar! Porque me pedem, me exigem, me <strong>cobram<\/strong>!, um estado positivo que eu n\u00e3o tenho e, neste momento, <strong>n\u00e3o consigo ter<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p>Preciso de <strong>tempo para mim<\/strong>. Mas tamb\u00e9m preciso de <strong>espa\u00e7o para mim<\/strong>! Para trabalhar em mim tudo aquilo que, mental e\/ou emocionalmente me est\u00e1 agora a falhar. E eu sei que <strong>tenho todo o direito a estar assim<\/strong>! E a querer isolar-me do Mundo. E fechar-me sobre mim mesma e simplesmente sentir tudo o que tenho que sentir, tudo o que tenho para sentir. Sentir tudo o que j\u00e1 sinto, e \u00e9 tanto e t\u00e3o confuso, mas que sinto, tenho que sentir porque est\u00e1 c\u00e1 dentro, preciso de sentir para saber como processar o que sinto. <\/p>\n\n\n\n<p>Respiro fundo. Respira\u00e7\u00e3o profunda e consciente. <strong>Lambo as feridas<\/strong>. Mas continuo perdida, sem saber onde estou para poder reencontrar-me. E \u00e9 por isso que preciso de me <strong>afastar<\/strong>. De me isolar. De me <strong>fechar para o Mundo<\/strong>. De onde v\u00eam de todos os lados <strong>exig\u00eancias<\/strong> e <strong>cobran\u00e7as<\/strong> do que eu <strong>n\u00e3o<\/strong> <strong>posso dar neste momento<\/strong>: o melhor de mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, <strong>preciso de ajuda<\/strong>. Preciso <strong>muito<\/strong> de ajuda. Urgente. Porque sozinha <strong>n\u00e3o vou<\/strong> <strong>conseguir<\/strong> voltar a ser EU&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Setembro, in\u00edcio de novo ciclo. Mas, apesar de ser um novo ciclo, mantenho um velho h\u00e1bito: <strong>viver no Mundo do Faz de Conta<\/strong>. Faz de conta que est\u00e1 tudo bem. Faz de conta que eu estou bem. Faz de conta, simplesmente. E eu j\u00e1 sou especialista nesse jogo. Porque, todos os dias, fa\u00e7o de conta que est\u00e1 tudo bem&#8230;<strong>mas n\u00e3o est\u00e1<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/img_6863-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13621\"\/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Setembro, dia 1, Domingo. Sempre encarei Setembro como o m\u00eas do in\u00edcio de um novo ciclo. Mar\u00e7o \u00e9 o meu m\u00eas da renova\u00e7\u00e3o, Setembro \u00e9 o meu m\u00eas do in\u00edcio de um novo ciclo. 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