{"id":13635,"date":"2024-09-04T23:59:00","date_gmt":"2024-09-04T22:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/09\/04\/247-120-2024\/"},"modified":"2024-09-05T00:36:45","modified_gmt":"2024-09-04T23:36:45","slug":"247-120-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/09\/04\/247-120-2024\/","title":{"rendered":"{#247.120.2024}"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje, como <a href=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/09\/03\/246-121-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ontem<\/a>, fechada na minha concha, isolada do Mundo, de tudo e de todos por op\u00e7\u00e3o e necessidade. Todos menos <strong>ele<\/strong>, claro.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem me diga para descansar. E eu descanso. N\u00e3o sei do que \u00e9 que estou cansada quando n\u00e3o fa\u00e7o nada, mas at\u00e9 isso cansa. Por isso, descanso.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os dias acordo relativamente cedo, sem prop\u00f3sito ou objectivo que n\u00e3o seja ver o tempo passar. Tomo o pequeno almo\u00e7o. Bebo o meu caf\u00e9. E sinto o regresso violento e forte do sono que foi interrompido ali umas duas horas antes sem necessidade. E n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel resistir a esse sono forte e violento que toma conta de mim. Nem o caf\u00e9 o consegue vencer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Volto a dormir. Mais 3 horas? 4 horas? N\u00e3o sei, mas s\u00e3o as horas que o meu corpo me exige. Para descansar n\u00e3o sei do qu\u00ea&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do almo\u00e7o, novamente o caf\u00e9 e novamente aquela sonol\u00eancia sempre presente, mas nem sempre t\u00e3o forte e violenta. Mas h\u00e1 dias, ou tardes!, em que n\u00e3o lhe consigo resistir. E o sof\u00e1 sabe t\u00e3o bem como me aconchegar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Se esta tarde dormi depois do almo\u00e7o? Muito sinceramente, \u00e9 coisa de que j\u00e1 n\u00e3o me lembro. Sei que enrosquei no sof\u00e1, desligada do Mundo, isolada de tudo e de todos menos <strong>dele<\/strong>, mas n\u00e3o me lembro mesmo do que aconteceu esta tarde&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Sei, sim, que n\u00e3o sa\u00ed nem tive vontade de sair de casa. E cada vez tenho menos vontade. Faz-me falta retomar a fisioterapia, n\u00e3o s\u00f3 porque <strong>preciso<\/strong> <strong>mesmo<\/strong> <strong>muito<\/strong> de trabalhar o equil\u00edbrio com orienta\u00e7\u00e3o de um fisioterapeuta, mas tamb\u00e9m porque me faz sair de casa, porque me obriga a dar uso \u00e0s pernas, a cansar o corpo de forma que justifique o cansa\u00e7o que sinto todos os dias e que, neste momento em que n\u00e3o saio de casa, s\u00f3 vejo ser poss\u00edvel se for um <strong>cansa\u00e7o<\/strong> <strong>mental<\/strong>. N\u00e3o vejo outra explica\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda estamos no Ver\u00e3o, \u00e9 verdade, mas o vento forte, a Nortada feia que insiste em n\u00e3o ir embora faz arrefecer os dias. Dentro de casa \u00e9 preciso manta para n\u00e3o arrefecer quando me enrosco no sof\u00e1. Mas, mais perto do final do dia, o Sol bate directo na janela e a casa aquece um pouco. E, com ela, j\u00e1 percebi que aque\u00e7o eu tamb\u00e9m. Um aquecer estranho em que mais parece que o meu corpo inteiro come\u00e7a a destilar por causa de um calor absurdo que n\u00e3o aguento. Mesmo que s\u00f3 eu sinta esse calor. Mesmo que, da janela, entre ar frio, \u00e9 um calor que eu n\u00e3o consigo aguentar, que parece fazer o meu corpo destilar, mas ao mesmo tempo sem transpirar&#8230; N\u00e3o sei que raio de calor \u00e9 este, mas sei que n\u00e3o s\u00e3o afrontamentos. Ainda n\u00e3o cheguei a essa fase. Mas, pelo que j\u00e1 fui lendo, \u00e9 a <strong>aus\u00eancia de auto-regula\u00e7\u00e3o da<\/strong> <strong>temperatura corporal<\/strong> e tamb\u00e9m faz parte <em>disto<\/em> que me apanhou na curva&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p>E foi esse calor insuport\u00e1vel que me fez sair de casa depois de jantar para ir beber um caf\u00e9 ao \u00fanico caf\u00e9 que estava aberto hoje \u00e0s 9h da noite. Porque a esplanada do costume est\u00e1 de f\u00e9rias, o caf\u00e9 ao lado fecha \u00e0s 20h, o restaurante com esplanada no jardim encerra \u00e0s quartas feiras, a esplanada alternativa em frente ao parque fecha \u00e0s 19h, o caf\u00e9 mais pr\u00f3ximo fecha antes das 18h e sobra aquele l\u00e1 ao fundo, ao p\u00e9 da paragem do autocarro, que n\u00e3o sendo demasiado longe, porque n\u00e3o \u00e9!, est\u00e1 a <strong>17 minutos<\/strong> de dist\u00e2ncia no meu <em>acelerado<\/em> passo devagar, devagarinho&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Caf\u00e9 com esplanada, onde pude beber um caf\u00e9, fumar um cigarro, arrefecer este calor absurdo com o vento e, \u00e0s 21h48, ser convidada a sair porque o caf\u00e9 fecha \u00e0s 22h&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Novamente <strong>17 minutos<\/strong> para voltar, devagar, devagarinho. <strong>Envergonhar<\/strong> quem acabou de estacionar o carro atravessado em cima do passeio at\u00e9 ficar a 10cm da parede do pr\u00e9dio, eu querer passar, n\u00e3o poder, recusar-me a ir pela estrada, o dono do carro sair do carro, ver-me, ouvir o que n\u00e3o gostou, voltar a entrar no carro, afast\u00e1-lo da parede para eu poder passar juntamente com a minha m\u00e3e, o meu necess\u00e1rio apoio \u00e0 direita, para voltar a avan\u00e7ar at\u00e9 \u00e0 parede para que quem vier depois tenha que seguir pela estrada&#8230; N\u00e3o d\u00e1 para perceber esta gente que quer ter o carro estacionado <strong>dentro<\/strong> de casa. <\/p>\n\n\n\n<p>Chegar a casa, finalmente. Naquela estranha mistura de tenho calor mas tamb\u00e9m tenho frio&#8230; E olhos <strong>emba\u00e7ados<\/strong>. Tal e qual como se, de repente, os meus olhos ficassem <strong>embaciados<\/strong>. J\u00e1 n\u00e3o bastava a <strong>vis\u00e3o dupla<\/strong>? Tudo isto faz parte daquilo que me apanhou na curva. E eu estou farta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dizem-me para descansar. E \u00e9 isso que tenho feito. Na minha concha, isolada do Mundo e de tudo e de todos. N\u00e3o quero saber. O Mundo, pelos vistos, tamb\u00e9m n\u00e3o quer saber de mim. A minha \u00fanica liga\u00e7\u00e3o directa com algu\u00e9m \u00e9 com <strong>ele<\/strong>. Sempre com <strong>ele<\/strong>. O \u00fanico que ainda me aconchega. Que, sei-o, se sente frustrado por n\u00e3o poder fazer nada para me ajudar. J\u00e1 <strong>lhe<\/strong> disse, <strong>ele<\/strong> j\u00e1 sabe, basta que <strong>ele<\/strong> esteja <em>l\u00e1<\/em>, \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique. Sab\u00ea-lo <em>l\u00e1<\/em>, especialmente nos dias menos bons, \u00e9 a melhor forma de me ajudar. Porque <strong>ele<\/strong> estando <em>l\u00e1<\/em>, \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique, significa que <strong>n\u00e3o desiste de mim<\/strong>, apesar <em>disto<\/em> que me apanhou na curva e tudo o resto que me tem ca\u00eddo em cima nas \u00faltimas semanas e que <strong>ele<\/strong> tem acompanhado de perto porque n\u00e3o lhe escondo nada. <\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isto \u00e9 uma treta. Para n\u00e3o dizer logo que \u00e9 uma <strong>merda<\/strong>! E n\u00e3o, hoje n\u00e3o foi um dia muito bom. Nem muito mau, na verdade. Foi s\u00f3 mais um dia igual aos outros, a ver o tempo passar. E eu <strong>n\u00e3o gosto<\/strong> de ver o tempo passar sem nada a acontecer&#8230;mas a verdade \u00e9 que <strong>nada<\/strong> acontece! <\/p>\n\n\n\n<p>A medica\u00e7\u00e3o que tarda. A consulta com o especialista daqui a um m\u00eas. O funeral que n\u00e3o acontece. A fisioterapia que n\u00e3o recome\u00e7a. A \u00fanica coisa que ainda me d\u00e1 esperan\u00e7a de ver alguma coisa a acontecer em breve \u00e9 a consulta com o psic\u00f3logo daqui a 2 dias. E se eu preciso dessa consulta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora a noite j\u00e1 come\u00e7a a ro\u00e7ar a madrugada. \u00c9 tempo de tentar desligar a cabe\u00e7a mais uma vez. Voltar a dormir tarde porque agora a luta que travo todos os dias comigo mesma n\u00e3o me deixa ir dormir mais cedo como fazia antes <em>disto<\/em>. Sei que n\u00e3o me faz bem nenhum ir dormir tarde. Mas n\u00e3o consigo desligar a cabe\u00e7a cedo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3? Logo se v\u00ea como corre. Sei que vou ter que sair de casa porque \u00e9 dia de Yoga, e <strong>ainda bem<\/strong> que \u00e9! N\u00e3o me apetece ver ningu\u00e9m, ouvir ningu\u00e9m, falar com ningu\u00e9m. Mas a pr\u00e1tica em si \u00e9-me demasiado importante para me ajudar a sentir melhor. E s\u00f3 por isso \u00e9 que amanh\u00e3 saio de casa e me volto a ligar um bocadinho ao Mundo. Mas s\u00f3 mesmo ao Mundo que se resume \u00e0s aulas de Yoga. Porque, de resto, estou na <strong>minha concha<\/strong> e, quando assim \u00e9, n\u00e3o estou para ningu\u00e9m. Excepto para <strong>ele<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"252\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/img_6927-1-e1725492886185.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13634\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, como ontem, fechada na minha concha, isolada do Mundo, de tudo e de todos por op\u00e7\u00e3o e necessidade. Todos menos ele, claro. H\u00e1 quem me diga para descansar. E eu descanso. N\u00e3o sei do que \u00e9 que estou cansada quando n\u00e3o fa\u00e7o nada, mas at\u00e9 isso cansa. Por isso, descanso. 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