{"id":13749,"date":"2024-09-30T23:59:00","date_gmt":"2024-09-30T22:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/09\/30\/273-094-2024\/"},"modified":"2024-10-01T00:29:28","modified_gmt":"2024-09-30T23:29:28","slug":"273-094-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/09\/30\/273-094-2024\/","title":{"rendered":"{#273.094.2024}"},"content":{"rendered":"\n<p>As tatuagens s\u00e3o desenhos na pele que ficam para sempre. Como as cicatrizes. A diferen\u00e7a \u00e9 que as tatuagens, por norma, s\u00e3o marcas positivas mesmo quando, por tr\u00e1s, possam ter uma hist\u00f3ria menos boa. Mas escolhemos desenh\u00e1-las na pele mesmo que a sua origem seja menos boa para recordar o que de bom essa hist\u00f3ria acabou por nos trazer. A minha primeira tatuagem \u00e9 um desses casos: conta a hist\u00f3ria de uma gravidez que durou apenas 42 dias e ficou por ali porque n\u00e3o podia ser, n\u00e3o era para ser. O lado positivo? Confirma que estive gr\u00e1vida, mesmo que apenas por 42 dias, mas que foi tempo mais do que suficiente para sentir um a<strong>mor imenso <\/strong>que n\u00e3o conhecia, que de certa forma tantos anos depois ainda sinto, por quem n\u00e3o chegou a nascer. <\/p>\n\n\n\n<p>As cicatrizes, essas, s\u00e3o por norma involunt\u00e1rias. Relembram dor. Sofrimento. Algum acidente. Algo que fisicamente nos feriu.<\/p>\n\n\n\n<p>As cicatrizes, tal como as tatuagens que desenhamos na pele, tamb\u00e9m nos contam hist\u00f3rias. Mas nenhuma cicatriz conta uma hist\u00f3ria bonita. Bem, quase nenhuma. Mas todas elas, melhor ou pior, ficam na mem\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>Na mem\u00f3ria tamb\u00e9m temos cicatrizes e tatuagens. As cicatrizes s\u00e3o aquelas que n\u00e3o escolhemos. As experi\u00eancias por que pass\u00e1mos e que deixaram marca negativa. E muitas dessas experi\u00eancias deixam cicatrizes que fazem doer ao m\u00ednimo toque, n\u00e3o interessa quanto tempo j\u00e1 tenha passado.<\/p>\n\n\n\n<p>As tatuagens na mem\u00f3ria s\u00e3o aquelas marcas, aqueles desenhos que escolhemos recordar. Que nos levam de volta a determinado momento que, deliberadamente, n\u00e3o queremos esquecer. Porque foi um <strong>bom<\/strong> momento. Ou at\u00e9 mesmo <strong>muito<\/strong> <strong>bom <\/strong>momento. N\u00e3o interessa que momento seja, interessa apenas ter valido a pena querer ter esse momento tatuado na mem\u00f3ria para nos recordar que h\u00e1 momentos \u00fanicos. Especiais. Irrepet\u00edveis. E, at\u00e9, um <em>pouco<\/em> loucos. <\/p>\n\n\n\n<p>Sou f\u00e3 de tatuagens. Tamb\u00e9m gosto de cicatrizes, mas nessas s\u00f3 toco se me permitirem por saber que ainda podem causar dor. Mas as tatuagens s\u00e3o diferentes. E por isso mesmo tento, cada vez mais, desenhar na mem\u00f3ria novas tatuagens. Com <strong>ele<\/strong>. Cada vez mais com <strong>ele<\/strong>. Sejam desenhos pequeninos, quase impercept\u00edveis mas com import\u00e2ncia suficiente para desenhar na mem\u00f3ria. Ou sejam momentos de pura loucura dos <strong>dois<\/strong>. N\u00e3o interessa. S\u00e3o momentos para guardar na mem\u00f3ria para poder revisitar as vezes que quiser. E s\u00e3o j\u00e1 tantas essas tatuagens na mem\u00f3ria. Mas sempre com espa\u00e7o para mais. <strong>Nossas<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de loucura entre <strong>n\u00f3s<\/strong>. Daquela loucura saud\u00e1vel. Que desenha sorrisos patetas no rosto e ilumina o olhar. E \u00e9 essa c\u00famplice <strong>na<\/strong> loucura, essa partilha <strong>da<\/strong> loucura, que pretendo manter por muito tempo. Porque, para <strong>n\u00f3s<\/strong>, faz sentido. E n\u00e3o tem que fazer sentido para mais ningu\u00e9m. Porque \u00e9 algo <strong>nosso<\/strong>. <strong>S\u00f3 nosso<\/strong>. E venha o que vier, aconte\u00e7a o que acontecer, as tatuagens j\u00e1 l\u00e1 est\u00e3o desenhadas. Na minha mem\u00f3ria. Na mem\u00f3ria <strong>dele<\/strong>. E essas tatuagens s\u00e3o para sempre. \u00c9 s\u00f3 revisitar a mem\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>Venha o que vier. Aconte\u00e7a o que acontecer. As tatuagens existem. E s\u00e3o para ficar guardadas na mem\u00f3ria de cada um de <strong>n\u00f3s<\/strong>. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/img_7399-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-13748\"\/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tatuagens s\u00e3o desenhos na pele que ficam para sempre. Como as cicatrizes. A diferen\u00e7a \u00e9 que as tatuagens, por norma, s\u00e3o marcas positivas mesmo quando, por tr\u00e1s, possam ter uma hist\u00f3ria menos boa. 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