{"id":14014,"date":"2024-12-08T23:59:00","date_gmt":"2024-12-08T23:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/12\/08\/342-025-2024\/"},"modified":"2024-12-09T03:45:42","modified_gmt":"2024-12-09T03:45:42","slug":"342-025-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/12\/08\/342-025-2024\/","title":{"rendered":"{#342.025.2024}"},"content":{"rendered":"\n<p>[pouco depois das 17h&#8230;]:<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 uma <strong>luz linda<\/strong> l\u00e1 fora. Tenho acompanhado esta luz, hoje t\u00e3o bonita, o dia todo pela minha janela. A vontade de ir \u00e0 rua <strong>sentir esta luz<\/strong>, sentir <strong>o calor<\/strong> desta luz num dia que, ainda sendo Outono, <strong>est\u00e1 frio<\/strong> como um Domingo de Inverno, \u00e9 uma <strong>vontade<\/strong> <strong>enorme<\/strong> de quem <strong>pouco sai<\/strong> de casa. Mas o efeito sonoro da <strong>for\u00e7a do vento<\/strong> nas minhas janelas traduz-se facilmente num sinal de aviso: o <strong>risco de queda<\/strong> com o <strong>forte vento<\/strong> que est\u00e1 l\u00e1 fora <strong>\u00e9 grande<\/strong>. <strong>E real<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Facilmente poderia preparar-me para enfrentar o <strong>frio<\/strong>. Roupa quente, o <strong>poderoso casac\u00e3o<\/strong> de Inverno, seria o suficiente para enfrentar o frio. E apetecia-me muito ir at\u00e9 \u00e0 esplanada de Domingo para beber um caf\u00e9 e apanhar um bocadinho de <strong>ar<\/strong> e <strong>espairecer<\/strong> um pouco para <strong>organizar as ideias confusas<\/strong>  que se atropelam na minha cabe\u00e7a. Aproveitar esta luz bonita que est\u00e1 quase a dar lugar \u00e0 noite. Tudo isto <strong>seria f\u00e1cil<\/strong> de alcan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o <strong>vento<\/strong>, que se traduz em <strong>aviso de risco grande e real<\/strong> de queda, diz-me que estou <strong>mais segura<\/strong> em casa. Porque, para uma <strong>queda por falta de equil\u00edbrio<\/strong> acentuado pela for\u00e7a do vento, <strong>n\u00e3o tenho como me preparar<\/strong>. Porque o risco \u00e9, de facto, grande e real. E os <strong>resultados de uma queda<\/strong> podem trazer <strong>consequ\u00eancias grandes<\/strong> para as quais <strong>n\u00e3o estou<\/strong> preparada nem sequer mentalizada. E, sinceramente, <strong>uma queda<\/strong> no meio da rua, ou seja l\u00e1 onde for, j\u00e1 agora!, \u00e9 coisa que <strong>n\u00e3o me apetece<\/strong> nem um bocadinho.<\/p>\n\n\n\n<p>A esta hora <strong>a luz l\u00e1 fora<\/strong> j\u00e1 mudou.<strong> O Sol<\/strong> j\u00e1 se despediu por hoje. E eu j\u00e1 <strong>recolhi ao sof\u00e1<\/strong>, aqueci as almofadas t\u00e9rmicas e j\u00e1 tenho, em cima de mim, a manta quentinha. S\u00f3 me falta a gata para me sentir completamente <strong>aconchegada<\/strong>, mas n\u00e3o fa\u00e7o ideia onde \u00e9 que ela anda e, mesmo que a chame, ela n\u00e3o me liga nenhuma.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3 logo se v\u00ea como estar\u00e1 <strong>a luz l\u00e1 fora<\/strong>. E, se o vento continuar como est\u00e1, <strong>n\u00e3o arrisco<\/strong> sequer um caf\u00e9 na esplanada do costume que fica <em>j\u00e1 ali<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim\u2026nunca pensei que, um dia, at\u00e9 <strong>o vento<\/strong> me iria <strong>condicionar<\/strong> as sa\u00eddas de casa por <strong>risco grande e real de queda<\/strong>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>[\u00e0s 2h25m da manh\u00e3&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>Imediatamente ap\u00f3s ter escrito o texto acima, j\u00e1 <strong>quente<\/strong> pela manta e pelas almofadas t\u00e9rmicas, <strong>enroscada<\/strong> no sof\u00e1, <strong>adormeci<\/strong>&#8230; Das coisas que mais me chateiam neste meu <em>novo<\/em> <em>normal<\/em> \u00e9 esta <strong>facilidade<\/strong>, ou ser\u00e1 necessidade?, que tenho para adormecer \u00e0 tarde, mesmo quando dormi at\u00e9 muito tarde e acordei a horas que n\u00e3o registo em lado nenhum.<\/p>\n\n\n\n<p>Acordar <strong>muito tarde<\/strong> tamb\u00e9m est\u00e1 directamente ligado ao facto de, <strong>todas as<\/strong> <strong>noites<\/strong>, ir dormir tarde. <strong>Muito<\/strong> tarde. <strong>Demasiado<\/strong> tarde! Ontem, por exemplo, j\u00e1 passava das <strong>3h<\/strong> da manh\u00e3. Mas ontem&#8230;ontem foi noite de <strong>exp\u00f4r<\/strong> fragilidades, principalmente a <strong>inseguran\u00e7a<\/strong> de sempre. Foi noite de me questionar. E, ao mesmo tempo, <strong>n\u00e3o conseguir<\/strong> sequer imaginar o outro cen\u00e1rio poss\u00edvel. Sim, o meu papel <strong>n\u00e3o \u00e9<\/strong> o mais desej\u00e1vel, para ningu\u00e9m e decididamente <strong>n\u00e3o para mim<\/strong>. Que <strong>sempre<\/strong> disse que <strong>nunca<\/strong> iria querer desempenhar. Mas do qual, neste momento, <strong>n\u00e3o consigo<\/strong> sequer pensar em abrir m\u00e3o. Nem quero. Porque <strong>h\u00e1 muito mais<\/strong> do que esse papel no meio <em>disto<\/em>. Que eu n\u00e3o me atrevo a chamar de &#8220;<em>coisa<\/em>&#8221; porque \u00e9 <strong>muito mais<\/strong> do que simplesmente isso. Chamo de contexto. Apelidado por ele de peculiar. Porque \u00e9, de facto, um <strong>contexto peculiar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sei exactamente<\/strong> o que fez despertar em mim esse <strong>questionamento<\/strong>, essa <strong>inseguran\u00e7a<\/strong>, no fundo a <strong>fragilidade<\/strong> originada por nada mais do que <strong>medo<\/strong>. O <strong>medo da perda<\/strong>. O medo da perda do <strong>melhor que me aconteceu<\/strong>, que me <strong>acontece todos os dias<\/strong>. Que, em <strong>18 meses<\/strong>, fez de mim algu\u00e9m <strong>mais forte<\/strong> para lidar com as <strong>adversidades<\/strong>, especialmente aquelas, e t\u00eam sido tantas!, provocadas por <em>aquilo<\/em> que me apanhou na curva. Porque se h\u00e1 algu\u00e9m, para al\u00e9m da minha m\u00e3e, que me tem acompanhado <strong>todos os dias<\/strong>, incluindo os dias menos bons ou at\u00e9 mesmo maus, tem sido <strong>ele<\/strong>. E todo este <strong>medo<\/strong>, toda esta <strong>inseguran\u00e7a<\/strong>, tudo aquilo que me <strong>vergou<\/strong> ontem \u00e0 noite foi precisamente por causa <strong>dele<\/strong>, por causa de <strong>n\u00f3s<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, at\u00e9 naquele meu momento de <strong>maior<\/strong> <strong>fragilidade<\/strong>, <strong>inseguran\u00e7a<\/strong> e <strong>medo<\/strong> de ontem \u00e0 noite, <strong>ele<\/strong> esteve presente. \u00c0 dist\u00e2ncia de um clique, mas <strong>presente<\/strong>. E n\u00e3o sei se <strong>ele<\/strong> percebeu mas, enquanto convers\u00e1mos sobre o que me estava a fragilizar, enquanto convers\u00e1mos sobre <strong>n\u00f3s<\/strong>, eu senti-me aconchegada no <strong>seu<\/strong> abra\u00e7o, tal e qual como se <strong>ele<\/strong> estivesse aqui comigo fisicamente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de <strong>2 anos<\/strong> que digo que preciso de chorar e simplesmente <strong>n\u00e3o o consigo fazer<\/strong>. Mas <strong>ontem chorei<\/strong>. Foi um chorar <strong>estranho<\/strong>, mas chorei. <strong>Sem l\u00e1grimas<\/strong> quase nenhumas a ca\u00edrem pelo meu rosto, <strong>mas chorei<\/strong>. Ainda me lembro de como ficava quando conseguia chorar: a respira\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, as express\u00f5es do meu rosto, o aperto no peito, o querer falar e ser dif\u00edcil faz\u00ea-lo sem denunciar o choro. E tudo isso aconteceu ontem \u00e0 noite. Mas <strong>sem<\/strong> <strong>l\u00e1grimas<\/strong> a ca\u00edrem pelo meu rosto&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi <strong>estranho<\/strong>. Foi <strong>dif\u00edcil<\/strong>. Foi <strong>doloroso<\/strong>. Quase <strong>aflitivo<\/strong>. Mas apesar da <strong>aus\u00eancia de l\u00e1grimas<\/strong>, chorei. E, do outro lado, \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique, n\u00e3o tive ningu\u00e9m a fugir do assunto, a fazer de conta que n\u00e3o se passava nada. N\u00e3o. Do outro lado, \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique, estava <strong>ele<\/strong>. Que <strong>me<\/strong> acolheu tal como estava, que questionou, que ouviu, que, no fundo, <strong>conversou<\/strong> sobre o que se estava a passar. E, mais uma vez, <strong>ele<\/strong> confirmou aquilo que <strong>eu<\/strong> j\u00e1 sabia: com <strong>ele<\/strong> j\u00e1 sei que n\u00e3o s\u00f3 posso como devo <strong>conversar<\/strong>. E foi a <strong>conversar<\/strong> que <strong>ele<\/strong> me confirmou: <em>isto<\/em> que existe entre <strong>n\u00f3s<\/strong> j\u00e1 n\u00e3o se trata s\u00f3 de <strong>eu<\/strong> e <strong>ele<\/strong>, mas sim de <strong>N\u00d3S<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez <strong>ele<\/strong> n\u00e3o saiba, ou n\u00e3o tenha no\u00e7\u00e3o, da <strong>import\u00e2ncia<\/strong> que tem para mim ser <strong>ele<\/strong> a dizer que se trata de <strong>N\u00d3S<\/strong>. Refor\u00e7a ainda mais a certeza que <strong>eu<\/strong> tenho de que somos <strong>duas metades de uma pe\u00e7a \u00fanica<\/strong>. Que pertencemos <strong>um ao outro<\/strong>, somos a metade que falta <strong>a cada um<\/strong> e que n\u00e3o sab\u00edamos que faltava.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 um assunto de <strong>eu<\/strong> e <strong>ele<\/strong>. Esse universo j\u00e1 n\u00e3o existe. \u00c9 um assunto de <strong>n\u00f3s<\/strong>. <strong>Nosso<\/strong>. Em que <strong>dois fazem um s\u00f3<\/strong>. \u00c9 o <strong>N\u00d3S<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;mas n\u00e3o posso negar que o sil\u00eancio <strong>dele<\/strong> hoje o dia todo me assusta&#8230;mas n\u00e3o quero, \u00e0s 3h30m da manh\u00e3, sozinha, ter <strong>medo<\/strong> e muito menos deixar que esse <strong>medo<\/strong> tome conta de mim. Amanh\u00e3. Amanh\u00e3 <strong>ele<\/strong> vai voltar a estar \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique. Como est\u00e1 <strong>todos os dias<\/strong>. N\u00e3o pode n\u00e3o estar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3. Agora tenho que <strong>tratar de mim<\/strong>. N\u00e3o s\u00f3 <strong>por mim<\/strong>, n\u00e3o <strong>por causa dele<\/strong>. Mas <strong>por<\/strong> <strong>n\u00f3s<\/strong>. <strong>Para n\u00f3s<\/strong>. \u00c9 hora de dar o dia por terminado. Que, apesar de tudo, foi longo. E, j\u00e1 \u00e0 noite, foi estranho. N\u00e3o me perguntem porqu\u00ea, n\u00e3o tenho uma resposta para dar. Estou cansada. De nada, como sempre, mas estou cansada. E a precisar de voltar ao <strong>hor\u00e1rio normal<\/strong> de ir dormir. J\u00e1 n\u00e3o digo ir dormir cedo, mas pelo menos ir dormir antes da chegada da madrugada. Insisto em ir pela noite dentro e esque\u00e7o-me que as horas de sono <strong>s\u00e3o essenciais<\/strong> ao meu <em>novo normal<\/em>. E isso come\u00e7a pela hora de ir dormir. Por isso, por hoje j\u00e1 chega. N\u00e3o quero que as <strong>ideias<\/strong> <strong>confusas<\/strong> na minha cabe\u00e7a despertem e me mantenham acordada por muito mais tempo. Amanh\u00e3? Logo se v\u00ea como ser\u00e1&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/7b6d4002-8748-43b5-80f9-70e213588e25-1-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14013\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[pouco depois das 17h&#8230;]: Est\u00e1 uma luz linda l\u00e1 fora. Tenho acompanhado esta luz, hoje t\u00e3o bonita, o dia todo pela minha janela. 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