{"id":14048,"date":"2024-12-18T23:59:00","date_gmt":"2024-12-18T23:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/12\/18\/352-015-2024\/"},"modified":"2024-12-19T02:46:21","modified_gmt":"2024-12-19T02:46:21","slug":"352-015-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2024\/12\/18\/352-015-2024\/","title":{"rendered":"{#352.015.2024}"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dia estranho. Ou <strong>montanha russa de emo\u00e7\u00f5es<\/strong> e estados de alma. Ou, ainda, perceber que h\u00e1 dias que, por algum motivo que desconhe\u00e7o, <strong>ro\u00e7am o meu limite<\/strong>. N\u00e3o o f\u00edsico, porque a\u00ed j\u00e1 percebi at\u00e9 onde posso ir. Mas <strong>a n\u00edvel mental<\/strong> e, <strong>at\u00e9 emocional<\/strong>, n\u00e3o percebi bem o que se passou comigo hoje&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De manh\u00e3, acordar tarde mas ainda cedo o suficiente para, \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique, partilhar com <strong>ele<\/strong> um acordar daqueles que ficam tatuados na mem\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do almo\u00e7o, sair de casa j\u00e1 depois da hora prevista. Dia de renovar a baixa m\u00e9dica, <strong>mais 30 dias<\/strong> e j\u00e1 deixei h\u00e1 muito tempo de contar os dias sem trabalhar por indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caf\u00e9 e uma esp\u00e9cie de lanche e um momento de descanso numa esplanada abrigada antes de apanhar o autocarro de volta para casa. E aqui <strong>o barulho<\/strong> come\u00e7ou a incomodar-me. As vozes na outra mesa, num <strong>volume demasiado alto<\/strong>, fizeram disparar um qualquer gatilho na minha cabe\u00e7a&#8230;Se j\u00e1 me sentia algo <strong>confusa<\/strong> e <strong>baralhada<\/strong>, a partir da\u00ed foi sempre a piorar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apanhar o autocarro de volta para casa. N\u00e3o dei pela viagem. Vinha fixada no telem\u00f3vel. N\u00e3o me lembro se a escrever mensagens para <strong>ele<\/strong> com o resultado da consulta com a m\u00e9dica e a necessidade das vacinas fora do Plano Nacional de Vacina\u00e7\u00e3o mas altamente recomendadas para <strong>imunodeprimidos<\/strong>&#8230;como eu. Sei que <strong>tudo me incomodava<\/strong>, mas especialmente o uso da m\u00e1scara. Que me impedia de <strong>respirar<\/strong> correctamente, que me incomodava bastante, mas que n\u00e3o me atrevia a retirar com tanta gente dentro do autocarro. N\u00e3o retirei a m\u00e1scara mas passei de uma m\u00e1scara FFP2 de alta seguran\u00e7a para uma simples m\u00e1scara cir\u00fargica onde <strong>respirar<\/strong> era mais f\u00e1cil, mas ainda assim sentia falta de <strong>respirar<\/strong> <strong>livremente&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim que cheguei \u00e0 minha paragem e sa\u00ed do autocarro, imediatamente retirei a m\u00e1scara e <strong>respirei profundamente<\/strong>. Fiz v\u00e1rias <strong>inspira\u00e7\u00f5es profundas<\/strong>, <strong>livres<\/strong> e senti, finalmente, o <strong>ar fresco a entrar<\/strong> e a chegar aos meus pulm\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltar para casa era <strong>a \u00faltima coisa que eu queria<\/strong>. N\u00e3o estava frio. Decidi ficar na esplanada do costume por um bocadinho. Precisava <strong>muito<\/strong> do <strong>meu<\/strong> momento, aquele <strong>momento comigo mesma<\/strong>. Para acalmar a cabe\u00e7a e tentar organizar o que estava <strong>confuso<\/strong> e <strong>baralhado<\/strong>. A esplanada n\u00e3o tinha ningu\u00e9m, estava perfeita para estar ali. Por outro lado, e j\u00e1 desde Almada que o t\u00ednhamos percebido, o ch\u00e3o estava <strong>perigoso<\/strong> por causa da humidade. Ch\u00e3o escorregadio como manteiga. Um <strong>risco<\/strong> acrescido para mim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Combinei com a minha m\u00e3e que lhe telefonava quando quisesse ir para casa para minimizar o risco de queda. E logo a\u00ed come\u00e7ou a <strong>press\u00e3o<\/strong> da minha m\u00e3e. Porque queria jantar cedo. Porque j\u00e1 era tarde. Porque eu <strong>n\u00e3o podia demorar<\/strong>. Porque&#8230;porque&#8230;porque! Quando o que <strong>eu<\/strong> <strong>queria e precisava<\/strong> era <strong>ter o meu tempo<\/strong>. Sem pressa. Sem press\u00e3o. Sem hor\u00e1rios! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deixei-me ficar na esplanada. Eu, a m\u00fasica e mensagem para <strong>ele<\/strong>. E pesquisa na Internet sobre os <strong>valores<\/strong> das duas vacinas que tenho que apanhar. E que me preocupa como as vou conseguir pagar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cabe\u00e7a cada vez mais <strong>confusa<\/strong>, mais <strong>baralhada<\/strong>, cada vez mais <strong>sens\u00edvel<\/strong> ao m\u00ednimo ru\u00eddo. E ali n\u00e3o havia ru\u00eddo em demasia. Mas mesmo assim&#8230; E sentir que o <strong>ru\u00eddo<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 me incomodava como me deixava <strong>profundamente enjoada<\/strong>. N\u00e3o foi a primeira vez. J\u00e1 h\u00e1 uns dias que sinto que, quando o <strong>ru\u00eddo<\/strong> me incomoda, fico muito enjoada, muito mal disposta&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minha m\u00e3e resolveu que estava na hora de eu voltar para casa e foi ter comigo. E aqui j\u00e1 eu estava demasiado <strong>inquieta<\/strong>, <strong>irritada<\/strong> sei l\u00e1 com o qu\u00ea, <strong>alterado<\/strong> o meu tom de voz j\u00e1 demasiado <strong>impulsivo<\/strong>. E uma breve <strong>discuss\u00e3o<\/strong> entre as duas. <strong>Sem necessidade<\/strong>. Apenas porque j\u00e1 eu estava <strong>alterada<\/strong> sei l\u00e1 porqu\u00ea&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Respirei fundo. Tentei acalmar a <strong>confus\u00e3o<\/strong> na minha cabe\u00e7a, a <strong>baralha\u00e7\u00e3o<\/strong>, e volt\u00e1mos para casa. E eu <strong>prestes a rebentar<\/strong>. Porque voltar para casa <strong>com pressa<\/strong>, <strong>pressionada a cumprir hor\u00e1rios e metas<\/strong> que n\u00e3o s\u00e3o o que quero, era a \u00faltima coisa que eu queria&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De imediato percebi porque n\u00e3o queria vir para casa&#8230; Na esplanada havia aquilo que eu precisava: <strong>sossego<\/strong>. Em casa, um primeiro andar por cima de um p\u00e1tio onde se juntam os b\u00eabados do bairro a conversar <strong>demasiado<\/strong> <strong>alto<\/strong>, a <strong>discutir<\/strong>, a usar um <strong>palavreado que me <\/strong>incomoda&#8230;<strong>n\u00e3o era isto que eu precisava<\/strong>! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada vez <strong>mais intolerante<\/strong> com tudo, mas especialmente com o <strong>ru\u00eddo<\/strong>. De um lado, o <strong>som da televis\u00e3o<\/strong> na telenovela brasileira <strong>cujas vozes me incomodam<\/strong> de uma forma que n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o. Do outro lado, <strong>o<\/strong> <strong>ru\u00eddo no p\u00e1tio<\/strong>: os <strong>gritos<\/strong>, as <strong>ofensas<\/strong>, o <strong>palavreado abusivo<\/strong> dos b\u00eabados do costume. E eu cada vez <strong>mais confusa<\/strong>. <strong>Mais baralhada<\/strong>. A escrever mil mensagens para <strong>ele<\/strong>. Porque j\u00e1 n\u00e3o me lembrava se o que <strong>ele<\/strong> me disse h\u00e1 dias era para esta semana ou j\u00e1 tinha acontecido na semana passada. Simplesmente <strong>n\u00e3o me lembrava se j\u00e1 tinha acontecido<\/strong> ou n\u00e3o! E <strong>l\u00e1 fora<\/strong> os <strong>b\u00eabados<\/strong> e o <strong>barulho<\/strong> pareciam achas para a <strong>fogueira dentro da minha cabe\u00e7a<\/strong> e eu prestes a <strong>rebentar<\/strong>. E, das duas uma: ou ia \u00e0 janela <strong>mand\u00e1-los calar<\/strong> ou <strong>ligava para a GNR<\/strong> que j\u00e1 os conhece t\u00e3o bem e j\u00e1 os <strong>proibiu<\/strong> de estarem ali a beber e a fazer <strong>barulho<\/strong>&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Respirei fundo. Tentei abstrair-me do <strong>ru\u00eddo<\/strong> l\u00e1 de fora. Fui para a sala. Pedi \u00e0 minha m\u00e3e para tirar a telenovela que ela pode sempre ver amanh\u00e3 novamente. E ao mesmo tempo que cada vez me sentia <strong>mais incomodada com o ru\u00eddo<\/strong>, dei por mim n\u00e3o a sentir-me enjoada mas sim com uma vontade <strong>enorme<\/strong> <strong>de<\/strong> <strong>vomitar<\/strong>&#8230; E dei por mim tamb\u00e9m a <strong>n\u00e3o me reconhecer<\/strong> por momentos. <strong>Muito<\/strong> <strong>confusa<\/strong>. <strong>Muito baralhada<\/strong>. <strong>Muito intolerante<\/strong>. Muito <strong>t\u00e3o n\u00e3o eu<\/strong>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Acedi<\/strong> a tomar medica\u00e7\u00e3o para fazer baixar todos estes n\u00edveis de coisas <strong>imposs\u00edveis de<\/strong> <strong>suportar<\/strong>. Jantei com calma, levei o tempo que precisei para comer. Fui come\u00e7ando a relaxar. Mas <strong>a cabe\u00e7a sempre confusa e baralhada<\/strong>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do jantar \u00e9 sempre o <strong>meu<\/strong> momento para beber o <strong>meu<\/strong> descafeinado novamente no cadeir\u00e3o. E percebi que j\u00e1 <strong>n\u00e3o havia barulho<\/strong> na rua&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perdi-me algures no tempo que j\u00e1 estou aqui. S\u00f3 sei que <strong>queria<\/strong> ir dormir cedo. <strong>Precisava<\/strong> de ir dormir cedo. Amanh\u00e3 \u00e9 dia de <strong>vacina\u00e7\u00e3o<\/strong> <strong>gripe+COVID<\/strong> e tenho que estar cedo no Centro de Sa\u00fade. Tenho que acordar cedo para tomar banho <strong>com calma<\/strong>. Tomar o pequeno almo\u00e7o <strong>com calma<\/strong>. Sair de casa a horas do autocarro. Mas tem que ser <strong>tudo com calma<\/strong>. J\u00e1 n\u00e3o consigo fazer as coisas de outra forma. J\u00e1 sei que quando \u00e9 tudo a correr, acaba por correr mal&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, j\u00e1 a noite passou a madrugada. O efeito do comprimido come\u00e7a a apertar. E eu ainda estou no cadeir\u00e3o&#8230;mas n\u00e3o posso! Por isso, acho que o dia termina aqui. Mais <strong>calma<\/strong>, mais ou menos <strong>tolerante<\/strong>, n\u00e3o sei se ainda <strong>confusa<\/strong> e <strong>baralhada<\/strong>, mas <strong>sem pressa de nada<\/strong>&#8230; <strong>E nada disto \u00e9 bom<\/strong>.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/img_9408-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14047\"\/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia estranho. Ou montanha russa de emo\u00e7\u00f5es e estados de alma. Ou, ainda, perceber que h\u00e1 dias que, por algum motivo que desconhe\u00e7o, ro\u00e7am o meu limite. N\u00e3o o f\u00edsico, porque a\u00ed j\u00e1 percebi at\u00e9 onde posso ir. 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