{"id":14230,"date":"2025-02-04T23:59:00","date_gmt":"2025-02-04T23:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2025\/02\/04\/035-331-2025\/"},"modified":"2025-02-05T00:30:27","modified_gmt":"2025-02-05T00:30:27","slug":"035-331-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2025\/02\/04\/035-331-2025\/","title":{"rendered":"{#035.331.2025}"},"content":{"rendered":"\n<p>O que \u00e9 que me encanta, cativa, me faz gostar tanto das papoilas de Janeiro que, em Fevereiro, resistem cheias de cor e vida?<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>resili\u00eancia<\/strong>. N\u00e3o apenas a resist\u00eancia de quem enfrenta o frio g\u00e9lido de Janeiro, o vento, a chuva, todas as agress\u00f5es que n\u00e3o pode controlar. Mas a forma como se fazem regressar ao seu m\u00e1ximo esplendor no Ver\u00e3o depois de tantas agress\u00f5es no Inverno.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho que aprender a <strong>ser papoila de Janeiro<\/strong>. Sempre me considerei resiliente, mas o \u00faltimo ano tem-me posto \u00e0 prova como nunca. E eu tenho tentado resistir a todas as agress\u00f5es de um Inverno que, para mim, come\u00e7ou em Junho de 2023&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Dia de regresso \u00e0 Fisioterapia. E, hoje, sozinha. Companhia at\u00e9 entrar no autocarro cedo de manh\u00e3. Companhia desde a sa\u00edda do autocarro no regresso a casa. Todo o restante caminho sozinha. E n\u00e3o \u00e9 um caminho f\u00e1cil. Ch\u00e3o n\u00e3o muito irregular, \u00e9 verdade, mas com demasiadas texturas, demasiados tipos de solo que atrapalham o caminhar em seguran\u00e7a, incluindo os carris do Metro de superf\u00edcie de Almada que, quer queira que n\u00e3o, sou obrigada a atravessar.<\/p>\n\n\n\n<p>A parte mais dif\u00edcil vem depois. Aquela inclina\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar \u00e0 entrada do pr\u00e9dio da Fisioterapia&#8230;acompanhada j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Sozinha \u00e9 uma aventura. E, j\u00e1 percebi, de um risco de queda bastante elevado. Mas n\u00e3o quero obrigar ningu\u00e9m a ir comigo at\u00e9 \u00e0 Fisioterapia para ficar quase 2 horas \u00e0 minha espera s\u00f3 por causa de uma inclina\u00e7\u00e3o. E, quando digo &#8220;algu\u00e9m&#8221;, refiro-me obviamente \u00e0 minha m\u00e3e. Que tamb\u00e9m come\u00e7ou a fazer Fisioterapia na mesma cl\u00ednica mas que, agora que terminou o ciclo de tratamentos, est\u00e1 \u00e0 espera de vaga para recome\u00e7ar. Eu, doente neurol\u00f3gica, j\u00e1 n\u00e3o preciso de esperar entre ciclos, posso come\u00e7ar de imediato. Mas, desta vez, pedi uma semana de descanso. Porque os exerc\u00edcios podem parecer muito simples. Para <em>os outros<\/em> talvez sejam. Mas n\u00e3o para mim. E, mesmo tendo estado de fora <strong>s\u00f3<\/strong> uma semana, o regresso provou-me que n\u00e3o posso parar. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi um regresso duro. Em que s\u00f3 a muito custo consegui fazer os exerc\u00edcios todos. E quando envolveu a perna esquerda, voltei a comprovar o mau estado em que est\u00e1. Pesa 3 toneladas. Ergu\u00ea-la requer um esfor\u00e7o enorme para conseguir completar os exerc\u00edcios. A n\u00edvel sensibilidade n\u00e3o sei como est\u00e1, mas nos exames hospitalares de h\u00e1 um ano a percentagem de falta de sensibilidade j\u00e1 denotava limita\u00e7\u00f5es. E \u00e9, de facto, na perna esquerda que sinto maiores dificuldades para tudo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O frio n\u00e3o ajuda. E senti os seus efeitos no regresso a casa. Dificuldade em caminhar, mesmo em casa, j\u00e1 \u00e9 habitual. Mas hoje senti a aus\u00eancia de for\u00e7a nas pernas sempre que me desloquei em casa. E isso nunca tinha sentido, com maior ou menor esfor\u00e7o das pernas, nunca tinha sentido a for\u00e7a a abandonar-me&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Amanh\u00e3 repete-se a manh\u00e3: companhia at\u00e9 \u00e0 paragem do autocarro de manh\u00e3, prosseguir sozinha at\u00e9 \u00e0 cl\u00ednica, fazer os exerc\u00edcios, voltar sozinha at\u00e9 \u00e0 paragem do autocarro ao p\u00e9 de casa, companhia at\u00e9 casa. Depois vai ser almo\u00e7ar, descansar a cabe\u00e7a que continua entregue a uma caixa de som e vibra\u00e7\u00e3o ininterrupta, esticar-me, aquecer e relaxar no sof\u00e1 at\u00e9 serem horas de sair para o Yoga que, a partir de amanh\u00e3, acontece \u00e0s quartas feiras em vez das quintas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quero conseguir descansar o suficiente para ir mais cedo. A tempo de um caf\u00e9 enquanto vejo o p\u00f4r do Sol na praia. Se vou conseguir? N\u00e3o sei. O que sei \u00e9 que n\u00e3o me posso esquecer da resili\u00eancia das papoilas de Janeiro que resistem em Fevereiro e se voltam a erguer no Ver\u00e3o. Eu sempre disse que, quando crescer, quero ser uma \u00e1rvore. Hoje altero o desejo. Hoje digo que, quando crescer, quero muito (<strong>tanto<\/strong>!) <strong>ser uma papoila de Janeiro<\/strong>!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/358323BF-2D2E-422C-ADCB-B77FA6FEED9F-819x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14233\"\/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 que me encanta, cativa, me faz gostar tanto das papoilas de Janeiro que, em Fevereiro, resistem cheias de cor e vida? A resili\u00eancia. 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