{"id":149,"date":"2014-06-26T23:40:49","date_gmt":"2014-06-26T22:40:49","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=149"},"modified":"2014-08-13T20:37:40","modified_gmt":"2014-08-13T19:37:40","slug":"ainda-do-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2014\/06\/26\/ainda-do-vinho\/","title":{"rendered":"Ainda do vinho"},"content":{"rendered":"<p>Beber para esquecer, dizia eu h\u00e1 dias. Percebi depois que, afinal, \u00e9 mais esquecer para beber. Porque quem bebe n\u00e3o esquece, mas por vezes para se beber em paz \u00e9 preciso esquecermo-nos. Nunca de n\u00f3s. Mas do mundo l\u00e1 fora. Dos problemas. Dos hor\u00e1rios. Das obriga\u00e7\u00f5es. Estar apenas ali e logo. Ou, como sempre, no aqui e agora.<\/p>\n<p>Porque, diziam-me em resposta, n\u00e3o se bebe para esquecer. Porque simplesmente n\u00e3o se esquece. Mesmo que bebas para al\u00e9m do limite, no dia seguinte volta a estar l\u00e1 tudo. E, por vezes, at\u00e9 algo mais. No strings attached, sem compromissos, mas marcado na mem\u00f3ria. Claro, est\u00e1 l\u00e1 sempre tudo para lembrar porque nunca se esquece. N\u00e3o existe o beber para esquecer. Nem eu quero isso.<\/p>\n<p>Ou quero. Pelo menos por uns momentos. Umas horas. Uma noite, v\u00e1. Sempre with no strings attached porque \u00e9 mesmo assim, porque \u00e9 o aqui e agora que fa\u00e7o quest\u00e3o de agarrar com unhas e dentes. E, tal como um copo de vinho, ou dois, ou mesmo tr\u00eas, saborear o que o aqui e agora me traz, o que o aqui e agora me d\u00e1. Mesmo que aparentemente sem sentido. Sempre sem obriga\u00e7\u00f5es. Se calhar at\u00e9 sem objectivo que n\u00e3o o de viver o momento. E sobreviver a todos os outros momentos que vieram antes e aos que acabam, invariavelmente, por vir depois.<\/p>\n<p>N\u00e3o se bebe para esquecer. Assim como n\u00e3o se bebe sozinho. Porque beber s\u00f3 faz sentido se com companhia. Para falar. Sobre tudo e sobre nada. E ouvir. Ouvir tudo e responder, sempre. Eu, pelo menos. J\u00e1 pouco me importa se me ouvem a mim ou n\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o quero saber. J\u00e1 quis. N\u00e3o quero mais. Mas oi\u00e7o. E falo. E respondo. E reajo. Com ou sem vinho. Mas mais com vinho. Porque o vinho me solta e s\u00f3 faz sentido se bebido a dois. A tr\u00eas ou at\u00e9 mais se calhar tamb\u00e9m faz sentido, n\u00e3o sei. Nunca experimentei. Por outro lado tenho a sensa\u00e7\u00e3o que as conversas se dispersam ainda mais. E estou cansada de conversas dispersas. Estou cansada de tanta coisa, na verdade.<\/p>\n<p>A dois, um copo de vinho a dois, \u00e9 t\u00e3o mais produtivo, t\u00e3o mais positivo. Bebe-se para esquecer n\u00e3o esquecendo. Esquece-se bebendo tamb\u00e9m n\u00e3o esquecendo. Mas, por umas horas, esque\u00e7o-me. E preciso tanto de me esquecer. Porque estou cansada de me lembrar.<\/p>\n<p>{e disto do beber&#8230;falo como se fosse frequente, como se fosse h\u00e1bito, como se fosse meu costume. Eu n\u00e3o bebo. Por norma. E vinho, bebi-o duas vezes. Mas sim, tenho vontade de repetir. O vinho. E tudo o que vinho me trouxer.}<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-148\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Red-Wine_997536c-e1403822411671.jpg\" alt=\"Red-Wine_997536c\" width=\"400\" height=\"250\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beber para esquecer, dizia eu h\u00e1 dias. Percebi depois que, afinal, \u00e9 mais esquecer para beber. Porque quem bebe n\u00e3o esquece, mas por vezes para se beber em paz \u00e9 preciso esquecermo-nos. Nunca de n\u00f3s. Mas do mundo l\u00e1 fora. Dos problemas. Dos hor\u00e1rios. Das obriga\u00e7\u00f5es. Estar apenas ali e logo. 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