{"id":1609,"date":"2015-08-15T23:59:00","date_gmt":"2015-08-15T22:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=1609"},"modified":"2015-08-18T22:10:59","modified_gmt":"2015-08-18T21:10:59","slug":"day362","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2015\/08\/15\/day362\/","title":{"rendered":"#day362"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias menos bons. Dias quase maus. H\u00e1 dias como o de hoje. Em que n\u00e3o me reconhe\u00e7o em compara\u00e7\u00e3o com os \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>\u00c9 normal, dizem, haver dias melhores e outros n\u00e3o t\u00e3o bons. \u00c9 normal, dizem-me.<\/p>\n<p>Mas, para mim, esta normalidade, ou ser\u00e1 esta normaliza\u00e7\u00e3o?, para mim este estado \u00e9 apenas a desestabiliza\u00e7\u00e3o de um percurso que \u00e9 j\u00e1 longo. E hoje, hoje sou eu quem diz &#8220;s\u00f3 quero estabilidade&#8221;. Sei t\u00e3o bem como voltar a estabilizar. Sei que basta cortar, de vez, com o que me faz mal. Sei que basta voltar a guardar o livro na prateleira onde, pensava eu, j\u00e1 o tinha depositado de vez. Mas um livro com dois autores s\u00f3 fica definitivamente fechado quando ambos assim o decidem. E por muito que eu j\u00e1 tenha escrito o meu \u00faltimo par\u00e1grafo, colocado o \u00faltimo ponto final, a outra parte insiste em n\u00e3o colocar o seu ponto final por muito que diga que sim e aja quase como tal. Mas toda a aus\u00eancia da realidade s\u00f3 podia resultar nisto: entregar-me a pena para continuar a escrever ao sabor et\u00edlico de outrem.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero nada disto. Quero apenas fechar este livro. Que foi o que foi. N\u00e3o o que eu cheguei a julgar que era. Ou o que tu juravas que era. N\u00e3o. Nunca foi. Foi, isso sim, mais uma fuga \u00e0 realidade. De ambos os lados, admito a minha culpa. Eu, por car\u00eancia. No meio de um turbilh\u00e3o emocional. Deixei-me levar por palavras, muito mais do que por gestos, porque esses sempre foram, os teus, manipuladores e umbiguistas, movidos a um combust\u00edvel cuja realidade j\u00e1 tinha ouvido falar mas que desconhecia na primeira pessoa. Que eras tu. Que \u00e9s tu.<\/p>\n<p>Quero, de uma vez, fechar esse livro e arrum\u00e1-lo na prateleira daqueles que n\u00e3o vou voltar a abrir. E j\u00e1 falta t\u00e3o pouco&#8230;basta que o permitas. Mas a realidade, aquela que \u00e9, de facto, real, n\u00e3o \u00e9 o teu forte e sei que vais continuar a deturp\u00e1-la e atirar para mim a continua\u00e7\u00e3o de cap\u00edtulos que n\u00e3o fazem sentido. Deixa-me ir, por favor&#8230;<\/p>\n<p>Deixa-me continuar com os outros livros que mantenho em aberto. Deixa-me continuar a escrever a minha hist\u00f3ria sem interrup\u00e7\u00f5es de realidades alternativas, \u00e9brias, que nunca fiz quest\u00e3o de conhecer, muito menos acompanhar, menos ainda alimentar.<\/p>\n<p>Existem outros livros por fechar. Um que mantenho em aberto e que, provavelmente, acabar\u00e1 por se fechar sozinho. Porque h\u00e1 hist\u00f3rias que se terminam assim, sozinhas. Sem darmos conta de quem colocou o \u00faltimo ponto final ou escreveu o \u00faltimo par\u00e1grafo. Mas, nessas hist\u00f3rias, n\u00e3o \u00e9 importante saber quem escreveu o qu\u00ea. Porque s\u00e3o hist\u00f3rias contadas, e vividas, na realidade dos dias sem deturpa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe, tamb\u00e9m, um outro livro. Que \u00e9 o meu. Que fa\u00e7o quest\u00e3o de continuar a escrever todos os dias. Onde vou recolhendo, apontando, partilhando, excertos de todos os outros livros que vou lendo, escrevendo, vivendo. Esse livro, o meu, t\u00e3o cheio de cap\u00edtulos. Abertos. Fechados. Em branco, ainda. E, ainda, um processo em curso. Um processo unicamente meu ainda em curso.<\/p>\n<p>E dou por mim prestes a rebentar de novo. Porque tenho saudades tuas, mas tuas n\u00e3o tenho nenhumas e tuas terei sempre.<\/p>\n<p>E dou por mim com o caminho livre para seguir em frente. Desde que n\u00e3o continues estacionado \u00e0 porta.<\/p>\n<p>Por favor, deixa-me ir.<br \/>\nPor favor, chama-me para ti.<br \/>\nPor favor, n\u00e3o te esque\u00e7as de mim como eu nunca me vou esquecer de ti.<\/p>\n<p>3 cap\u00edtulos t\u00e3o distintos. 3 livros t\u00e3o diferentes. E apenas um, aquele da realidade irreal, mant\u00e9m-se estacionado \u00e0 minha porta. Ainda que diga que n\u00e3o. Ainda que eu insista em querer arrum\u00e1-lo. De vez.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1620\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/11905385_10153243364483800_5940340161159433819_n-e1439932248899.jpg\" alt=\"11905385_10153243364483800_5940340161159433819_n\" width=\"450\" height=\"600\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dias menos bons. Dias quase maus. H\u00e1 dias como o de hoje. Em que n\u00e3o me reconhe\u00e7o em compara\u00e7\u00e3o com os \u00faltimos meses. \u00c9 normal, dizem, haver dias melhores e outros n\u00e3o t\u00e3o bons. \u00c9 normal, dizem-me. 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