{"id":197,"date":"2014-09-21T00:36:56","date_gmt":"2014-09-20T23:36:56","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=197"},"modified":"2014-12-30T20:21:48","modified_gmt":"2014-12-30T20:21:48","slug":"e-se-eu-chorar-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2014\/09\/21\/e-se-eu-chorar-parte-2\/","title":{"rendered":"E se eu chorar {parte 2}"},"content":{"rendered":"<p>E se eu chorar, outra vez, ainda, j\u00e1 <a href=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2014\/08\/16\/e-se-eu-chorar\/\" target=\"_blank\">n\u00e3o te pe\u00e7o<\/a> que me abraces, nem que me relembres que a Lua olha sempre por mim.<\/p>\n<p>Porque se eu chorar, outra vez, ainda, ningu\u00e9m o vai saber. Irei chorar em sil\u00eancio, sem pedir que me segures nas m\u00e3os, ou me digas que est\u00e1s aqui. Porque \u00e9 um choro que \u00e9 s\u00f3 meu agora. Que me pertence apenas a mim. Por todas as dores que ainda sinto. Aquelas que ningu\u00e9m v\u00ea, que n\u00e3o deixam marcas tang\u00edveis, mas que est\u00e3o c\u00e1, em recupera\u00e7\u00e3o, a ser tratadas, desinfectadas, desinflamadas, \u00e0 espera de cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o l\u00e1grimas que s\u00f3 eu entendo, que j\u00e1 s\u00f3 eu sinto e sei a sua raz\u00e3o. Porque \u00e9 um processo que \u00e9 meu, mesmo quando n\u00e3o o \u00e9 exclusivamente. S\u00e3o l\u00e1grimas que me assaltam mais depressa do que esperava que o fizessem. Que aparecem de surpresa, do nada. Do nada? N\u00e3o. Do tudo. Porque a mem\u00f3ria \u00e9 um tudo e essa n\u00e3o se apaga. E \u00e9 um tudo doloroso, de tirar o ar, de fazer contorcer de dores que s\u00f3 eu conhe\u00e7o, que s\u00f3 eu entendo, porque s\u00e3o apenas minhas.<\/p>\n<p>Se eu chorar, outra vez, ainda, n\u00e3o me digas, n\u00e3o me digam, nada. Permitam-me ser assim. Sentir assim. Recuperar[-me] assim. Reencontrar-me assim. Porque chorar n\u00e3o resolve nada, n\u00e3o adianta nada, mas \u00e9 assim que eu reajo, \u00e9 assim que eu sinto, \u00e9 assim que eu sou. \u00c9 assim quem eu sou. Porque a vida n\u00e3o vem com manual de instru\u00e7\u00f5es, por muito que tanta gente acredite que sim, que todos dev\u00edamos reagir igual.<\/p>\n<p>Se eu chorar, outra vez, ainda, sempre enquanto houver l\u00e1grimas para chorar, porque o motivo vai existir sempre, sempre enquanto houver l\u00e1grimas para chorar, deixem-me faz\u00ea-lo. Porque fico mais leve, mesmo que chorando pare\u00e7a que bebi demais, me deixe com sentimentalismos e lamechices \u00e0 flor da pele e uma dor de cabe\u00e7a de ressaca.<\/p>\n<p>Chorar n\u00e3o apaga o que j\u00e1 foi, que no fundo n\u00e3o foi, o que j\u00e1 foi e deixou de ser, n\u00e3o apaga nada, n\u00e3o traz nada nem ningu\u00e9m de volta. N\u00e3o refaz sonhos desfeitos. N\u00e3o devolve o que nos roubaram. Chorar \u00e9 apenas o aqui e agora, porque \u00e9 aqui e agora que a mem\u00f3ria me traz \u00e0 flor da pele todas as dores dos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Se eu chorar, outra vez, ainda, as vezes que tiver que chorar, s\u00f3 preciso que mo permitam. Sem cr\u00edticas. Sem penas. Sem palavras, at\u00e9. Porque as l\u00e1grimas turvam-me a vis\u00e3o e at\u00e9 os ouvidos podem captar o que n\u00e3o foi dito. Por isso choro sozinha. Em sil\u00eancio. Para mim. Mas choro. Outra vez. Ainda. As vezes que tiver que chorar enquanto doer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E se eu chorar, outra vez, ainda, j\u00e1 n\u00e3o te pe\u00e7o que me abraces, nem que me relembres que a Lua olha sempre por mim. Porque se eu chorar, outra vez, ainda, ningu\u00e9m o vai saber. Irei chorar em sil\u00eancio, sem pedir que me segures nas m\u00e3os, ou me digas que est\u00e1s aqui. 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