{"id":2163,"date":"2015-12-23T20:23:15","date_gmt":"2015-12-23T20:23:15","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=2163"},"modified":"2015-12-23T20:23:15","modified_gmt":"2015-12-23T20:23:15","slug":"de-voar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2015\/12\/23\/de-voar\/","title":{"rendered":"{de voar}"},"content":{"rendered":"<p>Lembro-me da primeira viagem de avi\u00e3o. Um v\u00f4o de duas horas e pouco com destino \u00e0 Alemanha. Lembro-me do medo, do p\u00e2nico de voar.<br \/>\nLembro-me de, muitos anos antes, ter trocado 2 horas e pouco de avi\u00e3o por 27 horas de comboio rumo a Bruxelas ao sabor de um Amor adolescente, uma paix\u00e3o de Ver\u00e3o que o comboio, em detrimento do avi\u00e3o, permitiu prolongar at\u00e9 ao Inverno.<\/p>\n<p>Sempre tive medo de voar. Mas a ida \u00e0 Alemanha n\u00e3o permitia trocar o v\u00f4o pelo deslizar dos carris e n\u00e3o podia deixar passar a oportunidade que, sabia, era \u00fanica.<\/p>\n<p>Recordo a ansiedade galopante nas semanas que antecederam o v\u00f4o. As noites mal passadas pouco antes da data da partida. Recordo o medo, que n\u00e3o sabia explicar apenas, sabia que sentia.<\/p>\n<p>Muita gente tentava acalmar-me, dizendo que era seguro, at\u00e9 mais seguro que o comboio, e que &#8220;l\u00e1 em cima n\u00e3o sentes nada, n\u00e3o d\u00e1s por nada&#8221;. Que levantar v\u00f4o era engra\u00e7ado e dava alguma comich\u00e3o na barriga. E que &#8220;o que custa mais \u00e9 a aterragem&#8221;.<\/p>\n<p>Lembro-me da aterragem em Bona. A descida foi, aparentemente, tranquila. Mas, assim que toc\u00e1mos a pista, assim que regress\u00e1mos a Terra, o medo voltou. Porque o avi\u00e3o continuava a deslizar na pista, a pista cada vez mais curta, o avi\u00e3o a continuar a deslizar.<br \/>\nEmbora inexperiente em v\u00f4os e aterragens, percebi que n\u00e3o tinha sido uma boa aterragem. Assustou. Gelou. A tal comich\u00e3o na barriga \u00e0 partida transformara-se num murro no est\u00f4mago, daqueles que cortam a respira\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro da aterragem em Lisboa. Sei apenas que foi mais tranquila, provavelmente por isso mesmo n\u00e3o me lembro. Mas n\u00e3o me esque\u00e7o de Bona.<\/p>\n<p>Nunca mais voei. De avi\u00e3o, pelo menos. Nem de qualquer outro meio de transporte a\u00e9reo. Mas sei que, de todos os v\u00f4os, at\u00e9 mesmo daqueles que n\u00e3o s\u00e3o feitos em meio de transporte a\u00e9reo, o que custa mais \u00e9 sempre a aterragem. Mesmo que se esteja preparado para ela, nunca estamos realmente. Mesmo que se saiba antecipadamente o destino e a hora estimada para a chegada, o pior \u00e9 sempre a aterragem. E o murro no est\u00f4mago depois da comich\u00e3o na barriga.<\/p>\n<p>Mantenho o medo de voar. Mas vou voando. Mantenho o medo de voar n\u00e3o pelo v\u00f4o, mas sempre pela aterragem, seja ela imprevista ou previamente programada. Como agora.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/wpid-tumblr_lma9fq29531qa5045o1_500.jpg\"><img decoding=\"async\" title=\"tumblr_lma9fq29531qa5045o1_500.jpg\" class=\"aligncenter size-full\"  alt=\"image\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/wpid-tumblr_lma9fq29531qa5045o1_500.jpg\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro-me da primeira viagem de avi\u00e3o. Um v\u00f4o de duas horas e pouco com destino \u00e0 Alemanha. Lembro-me do medo, do p\u00e2nico de voar. 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