{"id":2206,"date":"2015-12-31T23:24:35","date_gmt":"2015-12-31T23:24:35","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=2206"},"modified":"2016-01-01T02:41:00","modified_gmt":"2016-01-01T02:41:00","slug":"day500","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2015\/12\/31\/day500\/","title":{"rendered":"#day500"},"content":{"rendered":"<p>500 dias. De altos e baixos. Altos q.b. e baixos muito baixos.<\/p>\n<p>500 dias. Que coincidem com o final do ano. Um ano que come\u00e7ou negro, \u00e0 beira do abismo, ou j\u00e1 mesmo no abismo e que tinha tudo para terminar mais cedo.<\/p>\n<p>500 dias.\u00a0Dif\u00edceis.\u00a0Duros. Doridos, muitos. Do\u00eddos, tantos.\u00a0Mas sempre um dia atr\u00e1s do outro atr\u00e1s do um at\u00e9 aqui.\u00a0500 dias quando n\u00e3o me imaginei, nunca, a chegar sequer ao 10\u00ba dia.<\/p>\n<p>365 dias de 2015. E que 2015! O ano, chamo-lhe, da F\u00e9nix.\u00a0Morrer para renascer. Para aprender. Para crescer. Fortalecer-me. Ser. E aprender, reaprender, a Viver.<\/p>\n<p>Do que me trouxe 2015 n\u00e3o posso destacar s\u00f3 o que foi bom. \u00c9-me preciso tamb\u00e9m relembrar o que n\u00e3o foi t\u00e3o bom assim. Aqueles primeiros dois meses do ano, negros, doridos, do\u00eddos, sem rumo, sem norte, sem ch\u00e3o. E o fim ali t\u00e3o perto. Que acabou por ser o fim, apenas de forma diferente. Para melhor.<\/p>\n<p>Perceber que mesmo achando que n\u00e3o estava sozinha, o estava de facto. Uma ilus\u00e3o que se arrastou de 2014 para 2015 mais do que gostaria.\u00a0Mais do que me era necess\u00e1rio. Ou, se calhar, foi necess\u00e1ria toda essa ilus\u00e3o para perceber a desilus\u00e3o e perceber que, afinal, mere\u00e7o mais.\u00a0Mere\u00e7o melhor. N\u00e3o mere\u00e7o hist\u00f3rias mal contadas. Hist\u00f3rias que n\u00e3o o s\u00e3o, que n\u00e3o o eram, que n\u00e3o o foram. Hist\u00f3rias de uma ilus\u00e3o et\u00edlica que n\u00e3o \u00e9 para mim. N\u00e3o mere\u00e7o quem me olha sem me ver.\u00a0Mere\u00e7o mais.\u00a0Muito mais que isso. E melhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso de quem usa e abusa. Seja de pessoas, seja de subst\u00e2ncias. N\u00e3o preciso, tamb\u00e9m, de quem n\u00e3o entende o valor do que me \u00e9 mais importante: o Tempo para Viver. O facto de estar c\u00e1 quando podia n\u00e3o estar. Quem n\u00e3o entende o qu\u00e3o me \u00e9 precioso estar, de facto, c\u00e1. E usando e abusando de pessoas e subst\u00e2ncias por pouco n\u00e3o impediu\u00a0que c\u00e1 continuasse. E isso n\u00e3o esque\u00e7o.<\/p>\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o preciso disso. E mere\u00e7o muito mais que isso.<\/p>\n<p>Se foi tempo perdido? Sinto que sim. Mas sei, tamb\u00e9m, que quando se aprende algo o Tempo nunca \u00e9 perdido. E aprendi.<\/p>\n<p>E foi preciso passar por esse uso e abuso para perceber que sou mais, sou melhor, sou inteira, sou plena. E, por isso mesmo, sei o que quero e, acima de tudo, sei o que n\u00e3o quero.<\/p>\n<p>500 dias. 365 em 2015. De transforma\u00e7\u00e3o. De aceita\u00e7\u00e3o. Do que sou, de quem sou. De conhecimento, auto-conhecimento, auto-reconhecimento ap\u00f3s tanto tempo sem me reconhecer.<\/p>\n<p>2015 trouxe-me tamb\u00e9m coisas boas, n\u00e3o apenas ilus\u00f5es e desilus\u00f5es de usos e abusos. Trouxe-me novos come\u00e7os. O Meu novo come\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil come\u00e7ar de novo.\u00a0Mas \u00e9 tantas vezes necess\u00e1rio. Como foi. E foi, tamb\u00e9m, necess\u00e1rio perceber que, mesmo que muitas vezes pense que estou sozinha, n\u00e3o o estou nunca. E sou t\u00e3o grata por isso. Por saber, por confirmar, por me fazerem chegar a mensagem que era para mim apenas e que fez mudar tudo e que me garantiu que n\u00e3o, nunca estou sozinha.<\/p>\n<p>365 dias de 2015 que terminam no dia 500 do meu percurso a que tantas vezes chamei de processo de cura. Que o foi. Tem sido. N\u00e3o me garanto curada, garanto-me sim tranquila. Em paz. E n\u00e3o uma paz ilus\u00f3ria como durante tanto tempo apregoava a mim mesma. Hoje estou tranquila. Fortalecida. Em crescendo. Aprendi a olhar e a viver de dentro para fora, n\u00e3o apenas de fora para dentro. Continuo a sentir tudo intensamente, faz parte de quem sou, do que sou.\u00a0Mas consigo hoje perceber o quanto de fora influencia o que est\u00e1 c\u00e1 dentro e como posso equilibrar-me.<\/p>\n<p>Equil\u00edbrio. Ao fim de 500 dias,\u00a0equil\u00edbrio.\u00a0E cor. Cores. Que me foram acompanhando em 2015 come\u00e7ando numa paleta negra e que se foi atenuando depois da queda, depois do fim. Uma paleta que me lembrou que em mim mora o cor de rosa. E que vai continuar a morar. E a fus\u00e3o do cor de rosa com outras cores s\u00f3 pode trazer cores positivas, bonitas. O cinzento, sei-o j\u00e1, n\u00e3o o quero. N\u00e3o preciso. N\u00e3o \u00e9 meu. N\u00e3o \u00e9 para mim. Venham, pois, as restantes cores. Prim\u00e1rias, secund\u00e1rias, o que for. S\u00f3 n\u00e3o mantenho o cinzento. E, mesmo que o cinzento apare\u00e7a, sei que basta lembrar-me que a magia existe e os p\u00f3s de fada e os pozinhos de perlimpimpim afastam o que \u00e9 escuro, o que \u00e9 feio, o que n\u00e3o quero.<\/p>\n<p>2015, 365 dias. O final de 500. Redescobri o mundo m\u00e1gico dos sonhos e das vontades e das cores e das fadas e feiticeiros e v\u00f4os em bal\u00e3o de ar quente e pirilampos e luas coloridas e processos de fus\u00e3o e entregas e encaixes de pe\u00e7as de puzzles e sorriso em escadinhas e l\u00e1pis de cor e postais ilustrados e desenhos e rabiscos.<\/p>\n<p>E descobri, redescobri, tamb\u00e9m um lado meu que teimei tanto tempo em n\u00e3o querer ver. Os meus 4 M&#8217;s&#8230;<\/p>\n<p>M de Menina. Pequena.<\/p>\n<p>M de Mi\u00fada. P\u00f3s revolu\u00e7\u00e3o, dizem-me&#8230;a pr\u00f3pria da revolu\u00e7\u00e3o, digo.<\/p>\n<p>M de Mulher.<\/p>\n<p>M de&#8230;um M que \u00e9 meu que ainda n\u00e3o verbalizo. Mas que nem por isso deixa de ser Meu.<\/p>\n<p>500 dias, 365 dias de 2015.<\/p>\n<p>Aos 500, prometi a mim mesma, deixo de contar. E hoje deixo de contar. Porque j\u00e1 n\u00e3o faz sentido. Porque j\u00e1 n\u00e3o preciso de contar os dias. J\u00e1 h\u00e1 algum tempo que n\u00e3o preciso de os contar. Mas perceber que o dia 500 e o \u00faltimo dia deste ano da F\u00e9nix calhavam no mesmo dia fez-me continuar a contagem, para fecho de ciclo.<\/p>\n<p>2016 traz um novo ciclo, e traz tamb\u00e9m um dia extra no calend\u00e1rio. Traz mudan\u00e7as, tantas. As que j\u00e1 est\u00e3o programadas ser\u00e3o, certamente, positivas. As outras, as que acontecem sem pedirmos, sem procurarmos, ser\u00e3o o que tiverem que ser, ser\u00e3o o que 2016 quiser que sejam. Mas sei, hoje, no dia 500, que sou mais, sou melhor, do que era no dia 136.<\/p>\n<p>Grata. Tanto. Por tudo o que 2015 me trouxe. O bom e o mau. N\u00e3o h\u00e1 bom se n\u00e3o conhecermos o mau. Clich\u00e9, de facto, mas verdadeiro.<\/p>\n<p>500 dias. 365 dias de 2015. Plena. Inteira. 4 M&#8217;s. Eu. Viva. E a Viver e n\u00e3o apenas a sobreviver.<\/p>\n<p>Deixo de contar este ciclo. Este cap\u00edtulo. Este livro. Come\u00e7o nova contagem amanh\u00e3. Apenas porque mantenho a m\u00e1xima &#8220;um dia atr\u00e1s do outro atr\u00e1s do um&#8221;. E fa\u00e7o quest\u00e3o de manter o sorriso em escadinhas.<\/p>\n<p>500 dias. E estou c\u00e1. E \u00e9 t\u00e3o bom.<\/p>\n<p>Obrigada. A todos. Por tudo. Continuemos sem ter Tempo para perder Tempo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2205\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/dsc_2188-e1451600190273.jpg\" alt=\"dsc_2188.jpg\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>500 dias. De altos e baixos. Altos q.b. e baixos muito baixos. 500 dias. Que coincidem com o final do ano. Um ano que come\u00e7ou negro, \u00e0 beira do abismo, ou j\u00e1 mesmo no abismo e que tinha tudo para terminar mais cedo. 500 dias.\u00a0Dif\u00edceis.\u00a0Duros. Doridos, muitos. 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