{"id":2518,"date":"2016-03-29T22:05:00","date_gmt":"2016-03-29T22:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=2518"},"modified":"2016-03-29T22:08:23","modified_gmt":"2016-03-29T22:08:23","slug":"day89-out-of-365plus1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2016\/03\/29\/day89-out-of-365plus1\/","title":{"rendered":"#day89 out of 365plus1"},"content":{"rendered":"<p>Da import\u00e2ncia de me chamar Mafalda. Mesmo que n\u00e3o seja esse o meu nome. Mafalda de Quino, essa mesma. <\/p>\n<p>Escrever, ou como tantas vezes lhe chamo &#8220;debitar para o \u00e9ter&#8221;, \u00e9-me essencial. Faz parte de mim, de quem sou, do que sou, de como sou. Escrevo de mim para mim, n\u00e3o de mim para algu\u00e9m. Mesmo que, quando o que escrevo, possa ser uma mensagem mais ou menos directa. Mesmo a\u00ed \u00e9 para mim que escrevo, para n\u00e3o deixar nada por dizer ainda que sejam mensagens que, invariavelmente, n\u00e3o chegam ao destino. Ou precisamente por saber que n\u00e3o ir\u00e3o chegar ao destino como um postal que se extraviou. <\/p>\n<p>Escrevo para mim. Releio algumas coisas que vou escrevendo, n\u00e3o agora no imediato. Mais tarde quando o tempo me diz que \u00e9 Tempo de me reencontrar. E ao reler-me olho para tr\u00e1s, para o que j\u00e1 foi e percebo que o momento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo. E analiso o que o \u00e9ter me guarda. <\/p>\n<p>Escrevo sem outro prop\u00f3sito que n\u00e3o ser apenas eu. Assim, contestat\u00e1ria tantas vezes, adolescente outras tantas e ainda uma m\u00e3o cheia de outras coisas e outra m\u00e3o cheia de coisa nenhuma de f\u00e1cil defini\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Escrevo. E quando escrevo digo tudo. At\u00e9 quando pare\u00e7o n\u00e3o dizer nada. Quantas vezes j\u00e1 te disse que gosto de ti sem o dizer realmente? Quantas vezes j\u00e1 me assumi completamente perdida e sem rumo mostrando uma seguran\u00e7a inabal\u00e1vel? Quantas vezes pedi ajuda dizendo que tudo corre bem? <\/p>\n<p>Escrevo para mim, n\u00e3o mais. E tamb\u00e9m por isso protesto e reclamo de tanta coisa que tantas vezes n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia nenhuma. Fa\u00e7o-o nas vezes daquelas coisas que s\u00e3o realmente importantes e que guardo para mim por n\u00e3o terem lugar aqui, nas palavras debitadas no \u00e9ter cujo primeiro destinat\u00e1rio sou eu sabendo que existe uma esp\u00e9cie de linhas cruzadas onde destinat\u00e1rios se cruzam com remetentes que se cruzam com outros destinat\u00e1rios. <\/p>\n<p>O que escrevo sou eu. N\u00e3o ser\u00e1 nunca um livro, como j\u00e1 me t\u00eam pedido. O que escrevo sou eu. Sem interesse, liter\u00e1rio ou o que for. O que escrevo sou eu. Com todos os protestos e celebra\u00e7\u00f5es. O que escrevo sou eu. Com tudo o que sinto, da forma como sinto. E sinto sempre intensamente. O que escrevo sou eu. E para n\u00e3o me perder de mim como j\u00e1 antes me perdi continuo a escrever. Para mim. <\/p>\n<p>N\u00e3o contabilizo leitores. N\u00e3o os procuro sequer. Sei que existem. Desconhe\u00e7o n\u00fameros. N\u00e3o procuro nada que n\u00e3o seja o que trago c\u00e1 dentro no momento em que o \u00e9ter e eu nos encontramos. N\u00e3o procuro nada que n\u00e3o seja o poder ser eu. <\/p>\n<p>N\u00e3o procuro leitores. N\u00e3o os contabilizo. N\u00e3o tenho pretens\u00f5es liter\u00e1rias. N\u00e3o preciso de cr\u00edticos de conte\u00fado. N\u00e3o preciso que se preocupem com o que escrevo, ou como o escrevo ou sobre o que escrevo. <\/p>\n<p>Preciso que se preocupem, sim, no dia em que deixar de escrever. <\/p>\n<p>Porque \u00e9 a escrever que me liberto, \u00e9 a escrever que me encontro, \u00e9 a escrever que me apaziguo. <\/p>\n<p>E \u00e9 a escrever que, tantas vezes, recupero o sorriso que momentaneamente se perdeu em palavras que ficaram por dizer. E por isso escrevo. Escrevo-as. Tantas vezes como um postal extraviado que nunca chegar\u00e1 ao destino mas que foi enviado no tempo que era Tempo de enviar. <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_2199.jpg\"><img decoding=\"async\" title=\"IMG_2199.JPG\" class=\"aligncenter size-full\"  alt=\"image\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_2199.jpg\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da import\u00e2ncia de me chamar Mafalda. 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