{"id":3004,"date":"2016-08-13T23:28:34","date_gmt":"2016-08-13T22:28:34","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=3004"},"modified":"2016-09-15T00:51:20","modified_gmt":"2016-09-14T23:51:20","slug":"day226-out-of-365plus1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2016\/08\/13\/day226-out-of-365plus1\/","title":{"rendered":"#day226 out of 365plus1\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Cansa-me um bocado que me digam o que devo ou n\u00e3o escrever. Como devo ou n\u00e3o escrever. Cansa-me um bocado que me digam que me exponho demais. Que ningu\u00e9m tem que levar com as dores, tristezas, o que lhe quiserem chamar. Cansa-me um bocado que me critiquem por estar online tal como estou offline: honesta, sincera e, acima de tudo, fiel a mim mesma. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m me cansa um bocado estar online e observar as vossas vidas perfeitas, onde s\u00f3 existem sorrisos de felicidade que se calhar em tantos casos n\u00e3o s\u00e3o mais do que produtos de maquiagem, almo\u00e7os e jantares e brunches e lanches saud\u00e1veis que ningu\u00e9m quer saber, copos de gin atr\u00e1s de copos de gin porque o gin est\u00e1 na moda e \u00e9 obrigat\u00f3rio mostrar os gins que se bebem (ou n\u00e3o) para se ser aceite no rebanho da moda. Tamb\u00e9m me cansa um bocado estar online e observar as vossas f\u00e9rias no para\u00edso que, lamento informar, tamb\u00e9m n\u00e3o interessam a ningu\u00e9m porque tantos outros tamb\u00e9m v\u00e3o de f\u00e9rias e outros tantos n\u00e3o v\u00e3o a lado nenhum. Tamb\u00e9m me cansa o ficar bem na fotografia para se dizer que se fez e se ajudou e agiu bem para receber aquela massagem no ego de quem necessita de aprova\u00e7\u00e3o de terceiros para se sentir realizado.<br \/>\nCansa-me, tamb\u00e9m, que se matem a trabalhar como se fossem os \u00fanicos a fazer pela vida. Cansa-me que exponham o lado bonito das vossas vidinhas, aperfei\u00e7oado por filtros e floreados e palavrinhas bonitas para parecer bem e ficar bem online quando, em tantos casos, n\u00e3o passa disso mesmo: vidinhas filtradas e floreadas e vazias, apenas carregadas de apar\u00eancias. <\/p>\n<p>Cansa-me, sobretudo, que me critiquem por exp\u00f4r online quem sou. Sem filtros. Sem floreados. Sem palavrinhas bonitas mas vazias e carregadas de apar\u00eancias. Esta sou eu. Na merda, absolutamente na merda e no fundo do po\u00e7o h\u00e1 algumas semanas. A lutar contra uma depress\u00e3o que teima em querer instalar-se e a n\u00e3o largar. Sou eu e as vozes na minha cabe\u00e7a a gritarem-me o que fazer para acalmar a dor. Sou eu a lutar contra essas vozes e contra a vontade cada vez maior de lhes obedecer. <\/p>\n<p>Exponho o que acho que devo. H\u00e1 quem ache que me exponho demasiado como se fizesse uma pequena ideia, por m\u00ednima que fosse, de tudo o que se passa \u00e0 minha volta. Do que me faz reagir de uma ou outra forma. <\/p>\n<p>Curiosamente, s\u00f3 me criticam que me exponha quando estou na merda. Incomoda-vos? Acreditem, incomoda-me tremendamente mais a mim ser este o meu \u00fanico escape. Porque a depress\u00e3o \u00e9 fodida, mas a solid\u00e3o \u00e9 filha da puta. E quando se juntam as duas s\u00f3 me resta tentar pedir ajuda escrevendo. Expondo-me. <\/p>\n<p>Fico feliz pelas vossas vidas perfeitas, de sorrisos chapa 4, almo\u00e7os e jantares e brunches da moda e lanches saud\u00e1veis. Os vossos baldes de gin que me lembram um consumo excessivo pela quantidade absurda que os vejo partilhados e que me levam a pensar se n\u00e3o ter\u00e3o um problema com o \u00e1lcool ou, em alternativa, se n\u00e3o ser\u00e1 s\u00f3 mais uma foto ao copo do vizinho para parecer bem no rebanho da moda do gin. <\/p>\n<p>Lamento se a minha presen\u00e7a vos incomoda. N\u00e3o se sintam na obriga\u00e7\u00e3o de continuar presentes quando, na realidade, 99% nem sequer est\u00e3o na verdade. Se \u00e9 s\u00f3 para aumentar n\u00fameros, sintam-se \u00e0 vontade de reduzir um. Porque eu sou muito mais do que um n\u00famero. Tenho nome. Tenho hist\u00f3rias e Hist\u00f3ria. E tenho fases. Como agora uma fase que n\u00e3o \u00e9 boa, nem sequer menos boa. \u00c9 uma fase verdadeiramente m\u00e1. <\/p>\n<p>Uma fase em que preciso de ajuda, que sei que preciso, mas que n\u00e3o tenho vontade de procurar. Porque n\u00e3o quero. Porque estou cansada. Porque n\u00e3o quero virar um vegetal dopado sem reac\u00e7\u00e3o e a camuflar problemas que existem, que quero resolver e que me recusam a resolu\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Descompensada, chamaram-me h\u00e1 dias. Concordo. Sou a primeira a reconhec\u00ea-lo. Lamento, mas n\u00e3o vou pedir desculpa por este meu momento. Porque existem raz\u00f5es para ele. <\/p>\n<p>N\u00e3o pe\u00e7o desculpa. Mas decido retirar-me, afastar-me. J\u00e1 pouco ou nada escrevo, sabendo que escrever me ajudou (muito) no tempo certo. Houve quem me tivesse dito que o que escrevia era doentio. Curiosamente a mesma pessoa que me incentivou a come\u00e7ar a escrever. Curiosamente a mesma pessoa que me recusou ajuda quando, h\u00e1 um ano e meio lhe pedi ajuda. Curiosamente a mesma pessoa que hoje se recusa a conversar. Conversar&#8230; Uma simples conversa. A mesma pessoa que me responde a um pedido de conversa com sil\u00eancio&#8230;&#8230; E esse sil\u00eancio diz-me tudo. Diz-me que h\u00e1 quem tenha mem\u00f3ria curta, que h\u00e1 quem me ache doente pelo que escrevo, recusa uma conversa de adulto mas que se lembra que existo unicamente quando a necessidade aperta&#8230;<br \/>\nE esse sil\u00eancio contribui, e muito, para esta espiral depressiva em que me encontro. Com vontade de marcar o corpo para atenuar aquela dor que ningu\u00e9m v\u00ea, mas que \u00e9 real ao contr\u00e1rio do que tanta gente pensa. <\/p>\n<p>A depress\u00e3o \u00e9 fodida. A solid\u00e3o \u00e9 filha da puta.<br \/>\nSei que preciso de ajuda. Mas n\u00e3o a quero. <\/p>\n<p>N\u00e3o se preocupem. N\u00e3o voltarei a escrever t\u00e3o cedo. Porque j\u00e1 n\u00e3o faz sentido. Porque j\u00e1 n\u00e3o funciona. <\/p>\n<p>E se partilhar alguma coisa que vos incomode, n\u00e3o se acanhem: unfriend me now. <\/p>\n<p>Por aqui me fico. Talvez um dia c\u00e1 volte a escrever. Quem sabe. Talvez n\u00e3o volte. Sei que vos ser\u00e1 indiferente se n\u00e3o voltar porque n\u00e3o partilho festas, sunsets, sorrisos, viagens, almo\u00e7os, jantares, brunches e lanches e muito menos perten\u00e7o ao rebanho da moda do gin. <\/p>\n<p>Quem quiser, saber\u00e1 o que fazer para me encontrar. Quem n\u00e3o quiser, \u00e9-me igual. <\/p>\n<p>Lamento mais uma vez, mas recuso-me a pedir desculpa por ser quem e como sou: eu, igual e fiel a mim mesma. Sempre.<\/p>\n<p> <a href=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/wp-image-982428916jpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3003\" title=\"\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/wp-image-982428916jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"337\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cansa-me um bocado que me digam o que devo ou n\u00e3o escrever. Como devo ou n\u00e3o escrever. 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