{"id":3910,"date":"2017-03-30T22:48:48","date_gmt":"2017-03-30T22:48:48","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=3910"},"modified":"2017-03-30T22:48:48","modified_gmt":"2017-03-30T22:48:48","slug":"pagina89","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2017\/03\/30\/pagina89\/","title":{"rendered":"{#p\u00e1gina89}\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Luz e sombra.&nbsp;<\/p>\n<p>Branco e preto.&nbsp;<\/p>\n<p>Positivo e negativo.&nbsp;<\/p>\n<p>Insisto em n\u00e3o ver. Em n\u00e3o querer ver. A luz, minha. O branco, meu. O positivo, que tenho.&nbsp;<\/p>\n<p>Mais facilmente aceito o meu lado escuro, a minha face negra, os meus pontos abaixo de zero. Os outros, os opostos do que vejo, n\u00e3o os reconhe\u00e7o. N\u00e3o os sei reconhecer em mim. N\u00e3o os sei aceitar. N\u00e3o os quero assumir como opostos de sombra, de preto, de negativo. Prefiro mant\u00ea-los no cinza, ali no meio. M\u00e9dia. Mediana.&nbsp;<\/p>\n<p>Assumi-los seria exigir de mim mesma mais, muito mais, do que sei ser capaz de ser. Exigir de mim mesma o que nunca soube ser. O que nunca fui? Mediana, \u00e9 s\u00f3 o que quero ser. N\u00e3o menos que isso porque n\u00e3o sou apenas escurid\u00e3o, n\u00e3o mais que isso porque n\u00e3o sou apenas luz. Cinza. Cinza sei ser. Cinza linear, m\u00e9dio, na propor\u00e7\u00e3o certa de preto e branco.&nbsp;<\/p>\n<p>Onde foi que me perdi no percurso de me ver e aceitar que, se calhar, tamb\u00e9m tenho luz, branco, positivo? Onde foi que deixei de acreditar que, se calhar, tamb\u00e9m posso p\u00f4r na balan\u00e7a aquilo que nunca lhe soube o peso por achar, apenas, que simplesmente faz parte e n\u00e3o tem que ser medido? Onde foi que passei a reconhecer qualidades apenas nos outros e nunca em mim mesma? Onde foi tudo isto que me tornei sem dar conta?&nbsp;<\/p>\n<p>Um dia, dizem-me, irei saber reconhecer aquilo que hoje insisto em n\u00e3o querer ver. Dizem-me que n\u00e3o querer ver faz parte. Que n\u00e3o querer ver \u00e9 um processo interno de defesa. Dizem-me. N\u00e3o querer ver, digo eu, \u00e9 o resultado de todos os processos externos que me demonstraram ao longo do caminho que esse lado luz, branco, positivo, esse lado que insisto em n\u00e3o querer ver, esse lado que querem que me esforce por aceitar que existe, n\u00e3o querer ver, digo eu, \u00e9 o resultado de todos esses processos externos que desde sempre me recordam que n\u00e3o sou mais que sombra, preto, negativo.&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso cinza. Propor\u00e7\u00e3o certa de preto e branco, luz e sombra, positivo e negativo. M\u00e9dia. Mediana. Jogar pelo seguro. N\u00e3o exigir de mim mesma o que n\u00e3o posso oferecer. A mim pr\u00f3pria.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o vejo. N\u00e3o quero ver. N\u00e3o sei sequer se saberei alguma vez ver. Sei, apenas, que me defendo ainda antes do ataque. Ergo muros, barreiras, visto a armadura, ponho a m\u00e1scara, aguardo o embate. Sempre doer\u00e1 menos quando voltar a falhar. A falhar comigo mesma.&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1125\" alt=\"\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/wp-image-2039455723jpg-4.jpg\" title=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3909\"\/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luz e sombra.&nbsp; Branco e preto.&nbsp; Positivo e negativo.&nbsp; Insisto em n\u00e3o ver. Em n\u00e3o querer ver. A luz, minha. O branco, meu. O positivo, que tenho.&nbsp; Mais facilmente aceito o meu lado escuro, a minha face negra, os meus pontos abaixo de zero. Os outros, os opostos do que vejo, n\u00e3o os reconhe\u00e7o. 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