{"id":4004,"date":"2017-04-27T23:52:02","date_gmt":"2017-04-27T22:52:02","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=4004"},"modified":"2017-05-01T17:51:22","modified_gmt":"2017-05-01T16:51:22","slug":"pagina117","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2017\/04\/27\/pagina117\/","title":{"rendered":"{#p\u00e1gina117}\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>1001. Depois de 42.<\/p>\n<p>1001 dias. 1001 noites. 1001 vezes o Sol nasceu. 1001 vezes o Sol se p\u00f4s. Afinal parece que o teu pai tinha raz\u00e3o, que nada iria mudar, que nada mudou, quando me disse na \u00faltima vez que o vi: &#8220;o Sol continua a nascer e a p\u00f4r-se todos os dias&#8221;.<\/p>\n<p>Tudo mudou. Claro que tudo mudou. Mudei eu. Mudou o teu pai. Mudou o Mundo como o conhecia antes de ti. Mudou a minha forma de amar tamb\u00e9m. Porque deixei de amar apenas aqueles que de alguma forma est\u00e3o perto, que conhe\u00e7o as fei\u00e7\u00f5es, que posso tocar, que posso ouvir, que posso cheirar. Aprendi que \u00e9 poss\u00edvel amar quem nunca se viu. N\u00e3o&#8230;n\u00e3o \u00e9 verdade que nunca te tenha visto&#8230;&#8230; Vi-te quando o meu corpo te expulsou de mim. Vi-te perfeitamente definido, contornos perfeitos de um beb\u00e9 de 42 dias de gesta\u00e7\u00e3o. As m\u00e3ozinhas que j\u00e1 se percebiam, a cabe\u00e7a, o que viria a ser as perninhas se te tivesse mantido comigo, em mim, por 40 semanas e n\u00e3o apenas 42 dias.<\/p>\n<p>Aprendi a amar de forma diferente. Porque tudo mudou. Aprendi que \u00e9 poss\u00edvel algu\u00e9m viver em n\u00f3s em cada segundo de cada hora de cada um dos 1001 dias depois de 42 e mais al\u00e9m. Aprendi que \u00e9 poss\u00edvel amar quem nunca se tocou, quem nunca se ouviu, quem nunca se cheirou. N\u00e3o vou dizer que nunca te senti. Porque tamb\u00e9m a\u00ed estaria a mentir. Porque da mesma forma que te vi quando o meu corpo te expulsou, tamb\u00e9m te senti a soltares-te de mim. N\u00e3o posso dizer que tenha sido um parto. Mas apenas uma expuls\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Aprendi que \u00e9 poss\u00edvel amar quem t\u00e3o pouco tempo teve para ser mais mas que hoje \u00e9, para mim, tudo o que de melhor eu tive. E que n\u00e3o soube cuidar.<\/p>\n<p>Aprendi que \u00e9 poss\u00edvel amar quem j\u00e1 s\u00f3 existe em mim, comigo. Que n\u00e3o \u00e9 visto nem sentido por mais ningu\u00e9m mas que existiu, foi real, foi meu, parte de mim, em mim.<\/p>\n<p>Aprendi, tamb\u00e9m, que nem sempre posso falar abertamente por saber que poucos ir\u00e3o entender o porqu\u00ea de falar de 42 dias. Aprendi, tamb\u00e9m, que \u00e9 prefer\u00edvel o sil\u00eancio, as l\u00e1grimas escondidas, o fazer de conta. Porque, aprendi, s\u00f3 existe para o Mundo aquilo que foi palp\u00e1vel.<\/p>\n<p>No meu mundo existes tu. Mesmo que tenham j\u00e1 passado 1001 dias, 1001 noites, de vazio depois de 42. Existes mesmo que n\u00e3o te veja, n\u00e3o te sinta, n\u00e3o te oi\u00e7a, n\u00e3o te cheire. Existes quando penso em ti 24 horas por dia, todos os dias, h\u00e1 1001 dias, 1001 noites.<\/p>\n<p>Aprendi a amar desta forma estranha para os outros. Mas que \u00e9 a \u00fanica forma que tenho de te amar. Aprendi que s\u00f3 \u00e9 permitida e aceite a tua exist\u00eancia sem julgamentos 2 vezes por semana dentro daquelas 4 paredes onde procuro por mim. Ali \u00e9-me permitido que existas. Ali \u00e9-me permitido que te ame. Que fale de ti. Que fale por ti. Que fale para ti. Ali \u00e9-me permitido ser da \u00fanica forma que posso ser m\u00e3e. Sem julgamentos. Sem cr\u00edticas. Apenas amor, o meu. Por ti.<\/p>\n<p>N\u00e3o soube ser m\u00e3e de outra forma. Pe\u00e7o-te desculpa por isso todos os dias. E sei que me ouves, me v\u00eas, me sentes. E me queres bem. Ainda que seja cedo, mesmo 1001 dias depois da tua aus\u00eancia.<\/p>\n<p>Aprendi tanto, meu amor. Aprendi que n\u00e3o \u00e9 doentio, como me disseram, contar os dias da tua aus\u00eancia. Aprendi que a contagem dos dias \u00e9 a \u00fanica forma que tenho de me lembrar que exististe, que existes. Como se algum dia me fosse poss\u00edvel esquecer-te.<\/p>\n<p>Tudo mudou. O Sol continuou a nascer e a p\u00f4r-se. 1001 vezes. Mas tudo mudou. Come\u00e7ando por mim, mesmo que ainda n\u00e3o te saiba dizer quem sou hoje porque continuo \u00e0 procura de mim.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que n\u00e3o mudou? O facto de n\u00e3o estares aqui, comigo, ao meu lado. Mas aprendi que \u00e9 poss\u00edvel mudar a forma de amar. Como mudou a minha.<\/p>\n<p>1001 dias. 1001 noites. Sem ti. Mas n\u00e3o deixo de te amar. Todos os dias. Porque, para mim, existes. Em mim. Todos os dias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4003\" title=\"\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/wp-image-727907189jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1125\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1001. Depois de 42. 1001 dias. 1001 noites. 1001 vezes o Sol nasceu. 1001 vezes o Sol se p\u00f4s. Afinal parece que o teu pai tinha raz\u00e3o, que nada iria mudar, que nada mudou, quando me disse na \u00faltima vez que o vi: &#8220;o Sol continua a nascer e a p\u00f4r-se todos os dias&#8221;. 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