{"id":4147,"date":"2017-06-07T23:59:00","date_gmt":"2017-06-07T22:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=4147"},"modified":"2017-06-08T00:13:56","modified_gmt":"2017-06-07T23:13:56","slug":"pagina158","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2017\/06\/07\/pagina158\/","title":{"rendered":"{#p\u00e1gina158}\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Deves-me os \u00faltimos 3 anos da minha vida e todo o tempo que ainda tiver pela frente.&nbsp;<\/p>\n<p>Durante algum tempo achei que eu \u00e9 que te devia alguma coisa. Pelo transtorno, pelo peso que acreditei ser para ti. Depois acreditei que quem devia alguma coisa a algu\u00e9m eras tu a mim. Acreditei que me devias um pedido de desculpas. Hoje? Hoje um pedido de desculpas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente. Hoje percebi que, afinal, me deves os \u00faltimos 3 anos e todo o tempo que ainda tiver pela frente, seja ele muito ou pouco. Porque tudo mudou para mim e nada voltar\u00e1 a ser como era. Porque tudo mudou para mim, apenas para mim. Para ti &#8220;o Sol continua a nascer e a p\u00f4r-se todos os dias&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o te vou cobrar nada. Como faz\u00ea-lo? Como cobrar algo a algu\u00e9m que se livra de um peso, que se livra de um problema como quem sacode a poeira dos ombros e n\u00e3o enfrenta as consequ\u00eancias? Seria imposs\u00edvel cobrar-te fosse o que fosse porque nunca assumiste o teu papel de devedor. Nunca assumiste os teus erros, refugiando-te sempre no teu perfil cobarde de quem age como se &#8220;n\u00e3o vendo \u00e9 como se n\u00e3o existisse&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o sabes nem queres saber as consequ\u00eancias da tua cobardia. N\u00e3o sabes, n\u00e3o queres saber, nunca quiseste saber. Nunca te fez diferen\u00e7a. Porque, para ti, sempre foi mais f\u00e1cil dizeres-me que sou inst\u00e1vel. Que sempre fui. Sempre foi mais f\u00e1cil descartar responsabilidades e deixares-me a enfrentar tudo sozinha.&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre me disseram que eu sinto as coisas de maneira diferente. Nunca entendi porque o diziam porque, para mim, era simplesmente sentir. \u00c9 ser mais Emo\u00e7\u00e3o do que Raz\u00e3o. \u00c9 n\u00e3o esconder nem de mim nem de ningu\u00e9m tudo o que vai c\u00e1 dentro. E enfrentar. E lidar com isso da melhor forma que sei. Mas hoje entendo a diferen\u00e7a entre n\u00f3s. Porque eu sou Emo\u00e7\u00e3o. Mas tu, tu n\u00e3o chegas sequer a ser Raz\u00e3o. \u00c9s apenas cobarde. \u00c9s apenas algu\u00e9m que se desliga do que o incomoda, que n\u00e3o quer saber, que recusa a responsabilidade que de facto tem.&nbsp;<\/p>\n<p>Deves-me os \u00faltimos 3 anos da minha vida. Que poderiam ter sido t\u00e3o diferentes. Que poderiam ter sido t\u00e3o menos doridos do que foram. T\u00eam sido. Continuam a ser. V\u00e3o continuar a ser at\u00e9 um dia sem data pr\u00e9-definida. Deves-me todo o tempo que ainda tiver pela frente e que me ir\u00e1 sempre levar \u00e0quele momento em que a minha vida mudou para pior, em que eu mudei para muito pior, em que deixei de ser quem era para passar a estar doente e numa luta constante e dura para voltar a ser eu.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o sabes, porque n\u00e3o queres, porque te recusas a saber, porque te escondes, n\u00e3o sabes o que sou hoje. Para ti serei sempre inst\u00e1vel, &#8220;sempre foste&#8221;, serei sempre um problema doentio porque conto os dias, porque falo do que me d\u00f3i. N\u00e3o sabes, recusas-te a saber, o estado a que cheguei tamb\u00e9m por tua causa. Tamb\u00e9m porque te recusaste a assumir a tua parte da responsabilidade. Para ti, o assunto morreu ali, &#8220;n\u00e3o posso fazer mais nada por ti&#8221;. Para mim o problema maior come\u00e7ou exactamente ali. Refor\u00e7ado quando te recusaste, tantas vezes, a ajudar-me. E era t\u00e3o f\u00e1cil ajudares-me&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o sabes, recusas-te a saber, que o meu caminho \u00e9 ainda longo. \u00c9 duro. Dif\u00edcil. Dorido. E, admito, inst\u00e1vel. Cada vez mais inst\u00e1vel ao ponto de n\u00e3o suportar o Mundo \u00e0 minha volta, de n\u00e3o suportar o m\u00ednimo est\u00edmulo \u00e0 minha volta. N\u00e3o sabes o esfor\u00e7o que me \u00e9 exigido diariamente para n\u00e3o perder o controlo. Para n\u00e3o perder a calma que n\u00e3o tenho. Para n\u00e3o perder o Norte de vez. O esfor\u00e7o que fa\u00e7o todos os dias para n\u00e3o ultrapassar aquela linha que \u00e9 cada vez mais t\u00e9nue e que separa o lado de c\u00e1 do lado de l\u00e1. Sou Emo\u00e7\u00e3o prestes a perder a Raz\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o sabes nada disto. Nem vais saber porque te recusas a faz\u00ea-lo. Porque, como sempre, te recusas a enfrentar as tuas responsabilidades. As tuas culpas. As consequ\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n<p>Deves-me os \u00faltimos 3 anos da minha vida. E todo o tempo que ainda tiver pela frente. E n\u00e3o, um pedido de desculpas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente.&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1125\" alt=\"\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/wp-image-2037920451jpg-4.jpg\" title=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4146\"\/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deves-me os \u00faltimos 3 anos da minha vida e todo o tempo que ainda tiver pela frente.&nbsp; Durante algum tempo achei que eu \u00e9 que te devia alguma coisa. Pelo transtorno, pelo peso que acreditei ser para ti. Depois acreditei que quem devia alguma coisa a algu\u00e9m eras tu a mim. 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