{"id":4207,"date":"2017-06-26T23:18:06","date_gmt":"2017-06-26T22:18:06","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=4207"},"modified":"2017-06-26T23:56:51","modified_gmt":"2017-06-26T22:56:51","slug":"pagina177","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2017\/06\/26\/pagina177\/","title":{"rendered":"{#p\u00e1gina177}\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>30 de Janeiro, segunda feira. A \u00faltima vez que passei para o papel coisas que n\u00e3o passo para o \u00e9ter.&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Devias juntar tudo o que escreves. Compilar tudo. Qualquer dia podias escrever um livro.&#8221;<\/p>\n<p>As palavras escritas sempre me foram f\u00e1ceis. Durante anos andei sempre acompanhada de um bloco e uma caneta. Ia escrevendo sem rumo, sem objectivo. Pensamentos? Ideias, talvez. Poesia por uns meses. Depois fechei-me do Mundo, deixei de escrever. At\u00e9 chegar a Internet l\u00e1 a casa.&nbsp;<\/p>\n<p>Comunicar no \u00e9ter, escrever porque sim. Uma p\u00e1gina pessoal, pensei eu tantas vezes. At\u00e9 que algu\u00e9m me falou de uma coisa nova, que era mais simples do que uma p\u00e1gina pessoal. Chamavam-lhe web logs. Blogs. Est\u00e1vamos no in\u00edcio do Ver\u00e3o de 2003. Agora que penso nisso, faz por estes dias 14 anos que criei o meu primeiro blog. Com exactamente o mesmo nome que tem este. Sem tem\u00e1tica definida. Ia escrevendo sobre tudo, mas acima de tudo sobre nada. Durou 5 anos de escrita constante, di\u00e1ria. N\u00e3o me lembro porque deixei de escrever&#8230;porque a vontade continuava c\u00e1. Mas alguma coisa me levou a parar.&nbsp;<\/p>\n<p>2 anos depois percebi que era uma necessidade que precisava de ser atendida. Recuperei o arquivo do alojamento anterior. Queria recuperar todos aqueles anos de escrita. Instalei o blog em alojamento pr\u00f3prio. Estava tudo pronto para voltar a soltar no \u00e9ter o que quer que fosse que me apetecesse. At\u00e9 que, quando tudo estava pronto e por pura azelhice, apaguei tudo sem querer. N\u00e3o fui a tempo de recuperar backups do alojamento por n\u00e3o ter dado pela asneira mais cedo. Voltei a ter uma p\u00e1gina em branco&#8230; Ou melhor, todo um novo &#8220;caderno&#8221; cheio de p\u00e1ginas em branco. E assim ficou por mais de tr\u00eas anos.&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 ao dia em que a ansiedade que me sufocava me fez voltar a debitar no \u00e9ter. H\u00e1 3 anos. Escrever porque sim, porque n\u00e3o, porque tamb\u00e9m. Porque a ansiedade era quase mais forte que eu e o meu rumo era nenhum. Voltei a escrever como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o escrevia. Escrever sem filtros, escrever sem reler antes de publicar, escrever sem auto-censura. Escrever sem compromisso, sem obrigatoriedade ou obriga\u00e7\u00e3o. Sem prazos. Sem datas. E assim fui escrevendo. Sem pressa. E completamente sem rumo.&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 que Agosto de 2014 se fez presente. At\u00e9 que escrever, debitar no \u00e9ter, se transformou numa esp\u00e9cie de terapia, uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. 1043 dias depois de 18 depois de 42, e escrever diariamente \u00e9 o que me tem permitido respirar, digerir e avan\u00e7ar. Mesmo que tantas vezes ainda o ar n\u00e3o entre, tantas vezes ainda n\u00e3o consiga digerir, tantas vezes ainda regrida no processo de avan\u00e7ar.&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 a escrever que exorcizo fantasmas, mesmo que por vezes d\u00ea lugar \u00e0s vozes que ainda me visitam. \u00c9 a escrever que reflicto sobre o que ainda me d\u00f3i, mesmo que n\u00e3o perceba no imediato. \u00c9 a escrever que lan\u00e7o no \u00e9ter o que, por algum motivo, n\u00e3o consigo fazer chegar de outra forma. Mesmo que tanta coisa n\u00e3o chegue a lado nenhum. \u00c9 a escrever que vou dizendo o que nem sempre tenho oportunidade de verbalizar. Ou coragem para o dizer&#8230;&#8230;&nbsp;<\/p>\n<p>Perdi o rumo da escrita por aqui. Ou se calhar n\u00e3o o perdi e o rumo do que vou escrevendo \u00e9 exactamente este. Com altos e baixos. Baixos muito baixos tantas vezes. E a tentar, todos os dias, voltar aos altos.&nbsp;<\/p>\n<p>E no meio de tanta coisa escrita alguma coisa h\u00e1-de fazer algum sentido. Mesmo que raramente leia o que ficou para tr\u00e1s.&nbsp;<\/p>\n<p>Voltei aos cadernos, entretanto. Inicialmente apenas como uma ferramenta complementar ao acompanhamento psicoterap\u00eautico. Seria apenas para breves apontamentos no in\u00edcio de uma rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica que ainda n\u00e3o sabia o rumo certo a tomar. Mas sempre tive dificuldade em fazer breves apontamentos. Ou resumos. Escrever pouco nunca me foi f\u00e1cil. Como \u00e9 que se consegue reduzir a meia d\u00fazia de pontos um Mundo imenso que trago comigo?&nbsp;<\/p>\n<p>Fui escrevendo todos os dias, pondo no papel tudo aquilo que n\u00e3o cabe no \u00e9ter. Fui escrevendo tudo aquilo que n\u00e3o sei dizer em voz alta a menos que esteja a ler. Fui escrevendo todos os dias, fui lendo algumas vezes, chorei a ler em voz alta outras tantas. Nunca tinha percebido at\u00e9 ler em voz alta o quanto pode doer o que vou escrevendo&#8230;&#8230; Seja no \u00e9ter ou no papel.&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje apetece-me voltar ao papel. Acabo, no entanto, por me dedicar ao \u00e9ter. E desta vez n\u00e3o posso, de maneira nenhuma, perder tudo o que escrevi nestes \u00faltimos 3 anos, tudo o que debitei no \u00e9ter.&nbsp;<\/p>\n<p>Tenho que compilar tudo. Juntar tudo de uma forma f\u00edsica. Porque o lugar das palavras escritas \u00e9 no papel. Irei faz\u00ea-lo. Juntar tudo, guardar em capa pr\u00f3pria. Encadernar, porque n\u00e3o? Mas n\u00e3o ser\u00e1 mais do que um arquivo pessoal. Que me \u00e9 importante manter por perto. Porque tudo o que tenho escrito nos \u00faltimos 3 anos n\u00e3o tem que ser um livro como j\u00e1 v\u00e1rias pessoas me sugeriram. Porque o que tenho escrito nos \u00faltimos 3 anos n\u00e3o interessa a ningu\u00e9m. N\u00e3o ensina nada a ningu\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 \u00fatil para ningu\u00e9m. Afinal, quem iria dar-se ao trabalho de ler aquilo a que nos \u00faltimos dias dei por mim a chamar de &#8220;Di\u00e1rio de uma Depress\u00e3o&#8221;&#8230;?&nbsp;<\/p>\n<p>Continuarei a escrever. Enquanto me fizer sentido. Enquanto me for necess\u00e1rio. Diariamente como nos \u00faltimos 1043 dias. Com mais ou menos coisas para debitar no \u00e9ter, com mais ou menos altos e baixos. Continuarei a escrever. Porque n\u00e3o sei ser de outra forma que n\u00e3o em palavras escritas.&nbsp;<\/p>\n<p>Livro? N\u00e3o. Um dia n\u00e3o escrevo um livro. Simplesmente porque n\u00e3o tenho nada para escrever que fa\u00e7a sentido chamar-lhe livro.&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1125\" alt=\"\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/wp-image-22779097jpg.jpg\" title=\"\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4206\"\/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>30 de Janeiro, segunda feira. A \u00faltima vez que passei para o papel coisas que n\u00e3o passo para o \u00e9ter.&nbsp; &#8220;Devias juntar tudo o que escreves. Compilar tudo. Qualquer dia podias escrever um livro.&#8221; As palavras escritas sempre me foram f\u00e1ceis. Durante anos andei sempre acompanhada de um bloco e uma caneta. 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