{"id":4518,"date":"2017-09-18T20:33:24","date_gmt":"2017-09-18T19:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2017\/09\/18\/pagina261\/"},"modified":"2017-09-18T20:35:33","modified_gmt":"2017-09-18T19:35:33","slug":"pagina261","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2017\/09\/18\/pagina261\/","title":{"rendered":"{#p\u00e1gina261}"},"content":{"rendered":"<p>Parar. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque \u00e9 mesmo assim. Como eu, tamb\u00e9m sou mesmo assim. Gostava de ser menos assim, agora que olho para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>E \u00e9 a olhar para tr\u00e1s que questiono. Questiono tudo. Tudo o que senti at\u00e9 hoje. Tudo sempre sentido intensamente. &#8220;Tu sentes demasiado&#8221;, j\u00e1 o ouvi. Ser\u00e1? Ser\u00e1 que sinto realmente? Muito ou pouco, n\u00e3o interessa. Ser\u00e1 que sinto sequer ou \u00e9 o meu c\u00e9rebro, aquele que tem cicatrizes, que me faz acreditar que sinto realmente alguma coisa?<\/p>\n<p>Questiono se, quando me doeu muito, me doeu realmente assim tanto ou se foi o meu c\u00e9rebro que n\u00e3o soube processar e dosear? E questiono, tamb\u00e9m, se alguma vez amei. Ou se foi o meu c\u00e9rebro que me iludiu ao n\u00e3o saber dosear o que absorvia e me fez acreditar que tinha borboletas na barriga e que era amor o que sentia.<\/p>\n<p>Questiono. Hoje questiono tudo. Depois do diagn\u00f3stico questiono tudo, se tudo o que senti e vivi n\u00e3o foi apenas uma ilus\u00e3o, uma distor\u00e7\u00e3o de um c\u00e9rebro profundamente marcado por demasiadas experi\u00eancias dolorosas. Questiono tudo aquilo que sempre achei que senti e que sempre soube ser de forma diferente dos outros.<\/p>\n<p>E se n\u00e3o passou tudo de uma distor\u00e7\u00e3o&#8230;? A distor\u00e7\u00e3o j\u00e1 faz parte de mim. Porque n\u00e3o tamb\u00e9m distorcer o que sempre senti&#8230;?<\/p>\n<p>Queria poder parar. Para perceber tudo isto que entendo mas n\u00e3o me entendo. E n\u00e3o quero ser s\u00f3 o resultado de traumas, m\u00e1s experi\u00eancias. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel parar porque \u00e9 mesmo assim. Como eu, que tamb\u00e9m sou mesmo assim.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o tento ficar quieta e sossegada no meu canto, tento assimilar, encaixar e digerir e convencer-me que sou mais que um diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o sou. Sou Borderline. E por ser Borderline tudo o que vivi n\u00e3o passou de uma forma desajustada de sentir&#8230;&#8230; Desajustada e distorcida e, portanto, irreal, falsa.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel parar. Por isso fico quieta o pouco tempo que posso. E tento n\u00e3o me derrotar quando a \u00fanica vontade \u00e9 chorar. Sem saber muito bem porque motivo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/wp-image-1798302614.jpg\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parar. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque \u00e9 mesmo assim. Como eu, tamb\u00e9m sou mesmo assim. Gostava de ser menos assim, agora que olho para tr\u00e1s. E \u00e9 a olhar para tr\u00e1s que questiono. Questiono tudo. Tudo o que senti at\u00e9 hoje. Tudo sempre sentido intensamente. &#8220;Tu sentes demasiado&#8221;, j\u00e1 o ouvi. Ser\u00e1? 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