{"id":48,"date":"2014-05-20T22:48:52","date_gmt":"2014-05-20T22:48:52","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=48"},"modified":"2014-05-20T22:54:45","modified_gmt":"2014-05-20T22:54:45","slug":"dos-cafes-e-do-vinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2014\/05\/20\/dos-cafes-e-do-vinho\/","title":{"rendered":"Dos caf\u00e9s e do vinho"},"content":{"rendered":"<p>Nada acontece por acaso e n\u00e3o \u00e9 por acaso que os caf\u00e9s e o vinho se misturam por aqui. Porque faz sentido que se misturem, mesmo que misturas destas possam ser pouco recomend\u00e1veis.<\/p>\n<p>H\u00e1 cafezinhos que volta e meia se repetem, com a import\u00e2ncia que um caf\u00e9 tem. As borboletas na barriga n\u00e3o passam de mo\u00ednhos de vento e a euforia do in\u00edcio abrandou para a quase rotina de um caf\u00e9 s\u00f3 porque sim, porque estamos em caminho.<\/p>\n<p>E depois h\u00e1 o vinho. Que h\u00e1 tanto tempo me apetecia, mesmo n\u00e3o bebendo, n\u00e3o sabendo beber, nunca tendo bebido vinho na vida. Ou tendo bebibo apenas para provar, para lhe sentir o sabor uma vez que fosse.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 muito tempo que me apetece, tanto, um copo de vinho. S\u00f3 porque sim, porque a simples imagem de estar com um copo de vinho na m\u00e3o me relaxa, e o que eu preciso de relaxar! E desanuviar. E simplesmente estar e saborear.<br \/>\nEstar no aqui e no agora. E o que \u00e9 aqui e agora \u00e9 o que \u00e9. O resto? O resto vem depois, se tiver que vir, o que tiver que vir. Porque n\u00e3o tem que vir, n\u00e3o tem que ser. Interessa apenas o aqui e agora.<\/p>\n<p>E ontem. Ontem um copo de vinho ao jantar, ou foram dois? Ou um com acrescento. E duas ginjinhas. Ou foram 3? Aqui n\u00e3o me recordo, mas a ginjinha <i>is the new long drink<\/i>. De tanto tempo que demorou a ser bebida. Como o vinho. Demorado. Degustado. Apreciado. A acompanhar o jantar, mas que n\u00e3o precisava de companhia, bastava o vinho. N\u00e3o. N\u00e3o se bebe vinho assim. Acompanha-se, sempre. Porque sim. Porque o vinho n\u00e3o \u00e9 para ser bebido a s\u00f3s. Ou \u00e9, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>E o vinho foi tudo o que eu sabia que ia ser. A descontra\u00e7\u00e3o. A sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;finalmente estou solta&#8221;. O sorriso parvo sem motivo. Mas convicto. E sincero. E o sorriso a saber-me bem. Como h\u00e1 muito, tanto tempo n\u00e3o sorria. E as risadas. S\u00f3 porque sim, porque o vinho era bom, a companhia tamb\u00e9m. A ida ao terra\u00e7o mas oh bolas come\u00e7ou a chover, j\u00e1 n\u00e3o vamos! Arriscaria a dizer que foi a noite perfeita, ao fim de tanto tempo, a noite perfeita. Porque houve vinho. E n\u00e3o \u00e9 o vinho o mais importante, mas \u00e9. &#8220;Dizer isso assim at\u00e9 parece conversa de b\u00eabados.&#8221; Parece mas n\u00e3o \u00e9 e como diz\u00ea-lo de outra forma que n\u00e3o assim, o vinho? \u00c9 diz\u00ea-lo como disse ontem, &#8220;era mesmo isto que estava a precisar&#8221;, o qu\u00ea, o jantar?, &#8220;n\u00e3o, o \u00e1lcool&#8221;. E rir porque na verdade ainda soa pior.<\/p>\n<p>E sim, bebi vinho e soltei uma parte de mim que andava h\u00e1 tanto tempo esquecida, adormecida, e fiquei alegre como s\u00f3 o vinho deixa, e fiquei com o peso do vinho nos joelhos, nos bra\u00e7os, e ri, e conversei, e ouvi, e vi, e deixei-me estar, e deixei-me levar, e deixei-me ir.<\/p>\n<p>E percebi, como j\u00e1 tinha desconfiado com o caf\u00e9, percebi com o vinho que sim, estou viva. E estou de volta. Sou eu novamente, a mesma que l\u00e1 para os finais dos anos 90, l\u00e1 para meados de 98 come\u00e7ou a adormecer, a desaparecer, a n\u00e3o existir numa esp\u00e9cie de hiberna\u00e7\u00e3o que s\u00f3 h\u00e1 pouco, t\u00e3o pouco tempo terminou.<\/p>\n<p>E caramba, estou viva, estou aqui, estou agora! Com caf\u00e9, com vinho. Com nada disto, com tudo. E sabe t\u00e3o bem&#8230;sabe t\u00e3o bem saber que sim, que estou de volta, a mesma eu com quem n\u00e3o me cruzava h\u00e1 tanto tempo, que h\u00e1 tanto tempo n\u00e3o reconhecia no espelho.<\/p>\n<p>Para melhor, para pior? Melhor, decididamente melhor. Mais segura, menos ing\u00e9nua, menos &#8220;tonh\u00f3&#8221;, mais decidida. Com medos e inseguran\u00e7as e ansiedades, claro, mas acima de tudo sem pressa porque n\u00e3o adianta ter pressa, nada resolve ter pressa e \u00e9 s\u00f3 o aqui e agora. O que tiver que acontecer \u00e9 aqui e agora. Porque \u00e9 s\u00f3 aqui e agora que acontece. Porque ontem j\u00e1 aconteceu e amanh\u00e3 quem sabe.<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o me preocupo com o vinho. Haver\u00e1 vinho quando tiver que haver. Preocupo-me ainda menos com caf\u00e9. Caf\u00e9 bebo-o sempre, todos os dias. Sozinha, acompanhada, a dois, a tr\u00eas, a tantos. Os caf\u00e9s que forem. E entre vinho e caf\u00e9, prefiro, obviamente, o vinho.<\/p>\n<p>Sejam l\u00e1 o caf\u00e9 e o vinho aquilo que forem para al\u00e9m de simples caf\u00e9 {cheio, forte, sem a\u00e7\u00facar} ou vinho {tinto, apetece-me tanto tinto, ou branco\/verde quando o tempo voltar a aquecer}.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-49\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/10013678_10152213854803800_670695321650997386_n.jpg\" alt=\"10013678_10152213854803800_670695321650997386_n\" width=\"434\" height=\"514\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada acontece por acaso e n\u00e3o \u00e9 por acaso que os caf\u00e9s e o vinho se misturam por aqui. Porque faz sentido que se misturem, mesmo que misturas destas possam ser pouco recomend\u00e1veis. H\u00e1 cafezinhos que volta e meia se repetem, com a import\u00e2ncia que um caf\u00e9 tem. 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