{"id":77,"date":"2014-05-23T02:01:32","date_gmt":"2014-05-23T02:01:32","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=77"},"modified":"2014-05-23T02:01:32","modified_gmt":"2014-05-23T02:01:32","slug":"born-bad-is-such-a-sin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2014\/05\/23\/born-bad-is-such-a-sin\/","title":{"rendered":"&#8220;Born bad&#8230;is such a sin!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>&#8230;ou quando o t\u00edtulo do post n\u00e3o tem nada a ver com ter ou n\u00e3o nascido <i>bad<\/i> e sim com o filme de esta noite. Que me apanhou de surpresa por querer, h\u00e1 tanto tempo, rev\u00ea-lo e quando menos o esperava o encontro ao chegar a casa depois de um dia estranho, ansioso, dorido, abanado.<\/p>\n<p>Saber de manh\u00e3, ou pelo menos \u00e0 hora que para mim ainda \u00e9 manh\u00e3, que algu\u00e9m de quem gosto muito se despistou com o carro e fez um pi\u00e3o de 360 graus. Saber que est\u00e1, ainda, e estar\u00e1 mais uns dias no hospital. Nada de grave, felizmente. Diz ela que sim, est\u00e1 bem, mas mesmo assim&#8230;abanou-me. Abalou-me. Diz ela tamb\u00e9m que <i>a vida \u00e9 muito fr\u00e1gil, estranha e breve<\/i>, e \u00e9, claro que \u00e9 e sei t\u00e3o bem que \u00e9. E doeu ler a not\u00edcia. Mesmo sabendo que est\u00e1 bem, tantas mem\u00f3rias me vieram \u00e0 flor da pele. Sim, P\u00ea, est\u00e1s bem, felizmente! E espero que os 360 graus do pi\u00e3o sejam tamb\u00e9m 360 graus nessa cama de hospital, porque nem sempre uma viragem de 180 \u00e9 positiva. Prefiro-te a virar a 360 e ver-te voltar ao que eras antes do pi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;mexeu c\u00e1 dentro. Porra, mexeu tanto. Por n\u00e3o esperar, por n\u00e3o saber o que pensar, mesmo que lendo repetidamente &#8220;eu estou bem&#8221;. Mexeu, fez-me viajar no tempo, 6 meses e 12 dias. Fez-me pensar &#8220;merda! e se&#8230;?!&#8221;. N\u00e3o se aplica o &#8220;e se&#8221;, mas mexeu. Remexeu. Remoeu. P\u00ea de P\u00f5e-te Boa, j\u00e1 sabes. P\u00ea de n\u00e3o vais ficar a\u00ed muito tempo, vais estar apenas por P\u00ea de Precau\u00e7\u00e3o, tenho a certeza. E quando sa\u00edres vamos comer o nosso 100, beber o nosso caf\u00e9, falar, falar, falar, falar! Mas amanh\u00e3 vou, tenho que ir, dar-te um abra\u00e7o. N\u00e3o posso n\u00e3o o fazer. N\u00e3o posso perder tempo, j\u00e1 o tenho dito, n\u00e3o tenho tempo para perder tempo e n\u00e3o posso perder tempo n\u00e3o estando com as P\u00ea de Pessoas que gosto tanto.<\/p>\n<p>Dia t\u00e3o estranho. Mistura de sentimentos. Mistura de situa\u00e7\u00f5es. Sim, misturei o n\u00e3o mistur\u00e1vel. Sim, sei que o fiz desde o primeiro momento mas n\u00e3o me consegui descolar da mistura porque \u00e0 flor da pele ainda c\u00e1 est\u00e1 tudo. E a ansiedade instalou-se e minou-me como sempre faz. Por vezes aparece de mansinho, outras aparece como um estalo inesperado. Hoje n\u00e3o percebi como foi mas instalou-se. Cortou-me o ar, fez-me tremer. Fez-me pensar &#8220;e se&#8230;?&#8221; e eu detesto pensar &#8220;e se&#8230;?&#8221; porque e se n\u00e3o?<br \/>\nDizem, digo tamb\u00e9m, que a ansiedade \u00e9 pensar no que ainda n\u00e3o aconteceu. Pensei, sim, no que poderia ter acontecido. E vi e revi na minha cabe\u00e7a um filme que n\u00e3o gosto, n\u00e3o gostei, nunca irei gostar. E revivi outro filme. E doeu. E moeu.<\/p>\n<p>O dia arrastou-se. Literalmente. Arrastou-se ao ritmo dos minutos lentos que demoram a passar. Arrastou-se at\u00e9 come\u00e7ar a reagir. Mesmo depois de muita m\u00fasica para queimar tempo, mesmo depois de viagens \u00e0 <i>memory lane<\/i>, viagens das boas, daquelas viagens a mem\u00f3rias guardadas com carinho por serem boas, muito boas, realmente muito boas. Daquelas de arrepiar a pele, de acelerar a respira\u00e7\u00e3o. De querer viver, novamente, o aqui e agora. Mesmo sabendo que n\u00e3o, n\u00e3o vai haver esse aqui e agora.<\/p>\n<p>Arrastou-se o dia com tanto para fazer e nada, praticamente nada, feito. Uma luta por dentro, como \u00e9 tantas vezes, como custa tantas vezes.<\/p>\n<p>Obrigar-me a sair depois do jantar para um ol\u00e1 surpresa num anivers\u00e1rio surpresa, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Venham da\u00ed as drogas, pensei. Claro que sim, a ansiedade s\u00f3 l\u00e1 vai com as drogas e esta semana j\u00e1 vai na segunda vez que recorro a elas, quando ao fim de 20 anos j\u00e1 deveria saber lidar com esta coisa que n\u00e3o \u00e9 uma coisa mas sim um bicho muito feio e filho da m\u00e3e. Mas sa\u00ed. E pensei bolas, quero viver e viver tamb\u00e9m \u00e9 isto, \u00e9 sair de casa depois do jantar s\u00f3 para ir dar um beijinho surpresa num anivers\u00e1rio surpresa, estar um bocadinho, conversar um pouco e voltar para casa. Sim, viver tamb\u00e9m \u00e9 isto. Ali\u00e1s, viver \u00e9 isto, n\u00e3o \u00e9 arrastar um dia, minuto a minuto, s\u00f3 porque o tempo tem que passar e n\u00e3o podemos fazer nada contra isso. Sim, viver \u00e9 muito mais do que ver os minutos a avan\u00e7ar no rel\u00f3gio. Viver tamb\u00e9m \u00e9 o arrepio na pele provocado pelas mem\u00f3rias. Tamb\u00e9m \u00e9 sair para fazer uma surpresa. Tamb\u00e9m \u00e9 levar um aban\u00e3o porque algu\u00e9m rodou a 360 graus. Viver \u00e9 t\u00e3o mais isto, caramba&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;e chegar a casa e ser surpreendida por um filme. Nada mais do que um filme, que finalmente me acalmou a ansiedade. Um filme que h\u00e1 tanto tempo queria rever, que apanhei j\u00e1 quase a meio mas que vou rever novamente amanh\u00e3. Ou depois.<\/p>\n<p>Um filme violent\u00edssimo, muito, mas ao mesmo tempo uma hist\u00f3ria de amor. Disfuncionais, os protagonistas desta hist\u00f3ria de amor. De amor e mortes, muitas. Sem sentido, claro, como todas. Mas de amor. Sem d\u00favida. E retenho a frase que diz tudo: <b>&#8220;Only love can kill the demon. Hold that thought.&#8221;<\/b><br \/>\nE \u00e9 isto. Mesmo. Sem mais. Assim, tal e qual. S\u00f3 o Amor pode matar o dem\u00f3nio. Seja esse dem\u00f3nio o que for, mesmo que seja apenas e s\u00f3 ansiedade. E o Amor, o Amor, esse, vem em tantas formas.<\/p>\n<p>E ficam as mem\u00f3rias, prevalecem as boas, claro que sim, as que fazem, ainda hoje, tantos anos depois, arrepiar a pele e acelerar a respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230;e a ansiedade que acalma e aparenta estar longe daqui&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;mas continuo sem ver a Lua, sem ir ao terra\u00e7o, sem beber vinho, sem ter cafezinhos, sem criar novas mem\u00f3rias. E isso, tudo isso, tamb\u00e9m \u00e9 viver. E o que eu quero, mesmo, \u00e9 viver. Porque, como diz a P\u00ea, a vida \u00e9 fr\u00e1gil, estranha e breve.<\/p>\n<p>Para ti, P\u00ea.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-78\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/b5d3e4eb-62da-4984-8dd3-8a9830f7dbb1.jpg\" alt=\"Papoilas. Ou manchas de vermelho paix\u00e3o.\" width=\"427\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/b5d3e4eb-62da-4984-8dd3-8a9830f7dbb1.jpg 544w, https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/b5d3e4eb-62da-4984-8dd3-8a9830f7dbb1-226x300.jpg 226w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;ou quando o t\u00edtulo do post n\u00e3o tem nada a ver com ter ou n\u00e3o nascido bad e sim com o filme de esta noite. 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