{"id":894,"date":"2015-02-16T22:06:26","date_gmt":"2015-02-16T22:06:26","guid":{"rendered":"http:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/?p=894"},"modified":"2015-02-17T21:28:08","modified_gmt":"2015-02-17T21:28:08","slug":"day182","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/2015\/02\/16\/day182\/","title":{"rendered":"#day182"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o escrevo para contabilizar likes, como tanta gente que conhe\u00e7o.<br \/>\nEscrevo, acima de tudo, para mim. N\u00e3o escrevo para agradar a ningu\u00e9m. Escrevo como terapia. Para mim.<br \/>\nFa\u00e7o-o &#8220;publicamente&#8221;, \u00e9 verdade. Por faz\u00ea-lo no meu perfil de Facebook. Repito, no MEU perfil.<br \/>\nEscrevo o que quero, quando quero. Mas, acima de tudo, quando preciso.<br \/>\nN\u00e3o me interessam n\u00fameros. Muito menos likes. N\u00e3o \u00e9 para os outros gostarem que escrevo. \u00c9 para eu reler quando for preciso. Para me relembrar que assim como h\u00e1 dias maus tamb\u00e9m h\u00e1 os bons.<\/p>\n<p>E quando os dias s\u00e3o bons, falo deles. E quando s\u00e3o maus falo deles tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>N\u00e3o embarco na pr\u00e1tica do perfil fantasioso, onde tudo \u00e9 cor de rosa e brilhante e cheio de festas e almo\u00e7os e jantares e brindes e prendas.<\/p>\n<p>O meu perfil de Facebook, repito, o MEU perfil de Facebook, \u00e9 o que eu sou. Volto a dizer: n\u00e3o contabilizo likes. Assim como n\u00e3o contabilizo n\u00famero de amigos. Ou antes, &#8220;amigos&#8221;. Ou, chamemos-lhes antes, contactos.<\/p>\n<p>J\u00e1 o disse, n\u00e3o escrevo para os outros. L\u00ea quem quer. Quem n\u00e3o quer, fa\u00e7a scroll down. Ou, se estiver farto, \u00e9 s\u00f3 ir ali algures e eliminar-se da minha lista.<\/p>\n<p>N\u00e3o, a vida n\u00e3o \u00e9 sempre uma festa, n\u00e3o \u00e9 sempre corderosinha e coisinhas boazinhas e amiguinhos e amorzinhos e festarolas e brindes e f\u00e9rias e o que for. A vida \u00e9 tamb\u00e9m o oposto de tudo isso. S\u00e3o os dias doridos, cinzentos, frios. S\u00e3o um pesadelo muitas vezes. Como agora. Como nos \u00faltimos dias. Como na \u00faltima noite. Como hoje.<\/p>\n<p>Nunca me coibi de ser online o mesmo que sou offline: absolutamente transparente. Porque n\u00e3o sei ser opaca. Nem de outra forma. Se estou contente, digo-o. Demonstro-o. Vivo-o. Sinto-o. Se estou feliz tamb\u00e9m.<br \/>\nMas, se algo me d\u00f3i, queixo-me. Se a dor se torna insuport\u00e1vel, choro. Grito se for preciso. Porque a vivo. Porque a sinto. E porque chega, como ontem, como hoje, a ser insuport\u00e1vel. E \u00e9 preciso, \u00e9-ME preciso extravas\u00e1-la. Esvaziar-me dela. Deit\u00e1-la para fora.<\/p>\n<p>Escrevo sobre o que me faz bem. Escrevo, tamb\u00e9m, e acima de tudo, sobre o que me faz mal. Numa esp\u00e9cie de exerc\u00edcio de exorcismo. Porque o peso \u00e9 demasiado grande para ser suportado sozinha. Porque a dor, aquela que r\u00f3i e corr\u00f3i por dentro, n\u00e3o pode ser silenciosa. Silenciada. E, por isso mesmo, a atiro para o \u00e9ter. Porque tenho que a atirar para algum lado. Mas, ao mesmo tempo, preciso que me esteja dispon\u00edvel no \u00e9ter para quando precisar de me lembrar que j\u00e1 tive dias piores. E, tamb\u00e9m, que j\u00e1 tive dias melhores e que tamb\u00e9m esses ir\u00e3o voltar.<\/p>\n<p>Estou \u00e0 beira do meu limite. Como h\u00e1 muito tempo n\u00e3o estava. Acredito na resili\u00eancia. Acredito na for\u00e7a para dar a volta por cima. Acredito que amanh\u00e3 \u00e9 outro dia e que vai ser melhor. Mesmo que n\u00e3o seja. Hoje, por exemplo, era para ser melhor que ontem. N\u00e3o foi. N\u00e3o est\u00e1 a ser. E prev\u00ea-se outra noite como a \u00faltima. De pesadelo. De uma dor insuport\u00e1vel que corta o ar. De um peso que carrego comigo porque d\u00f3i. E, simplesmente porque d\u00f3i, continua a pesar.<\/p>\n<p>Estou, de facto, \u00e0 beira do meu limite. Se nos \u00faltimos seis meses trabalhei para n\u00e3o voltar ao abismo, hoje \u00e9 l\u00e1, \u00e0 beira do abismo, que estou de novo. \u00c9 c\u00edclico, dizem-me. N\u00e3o pode ser, digo. N\u00e3o com esta intensidade, com esta for\u00e7a, com este peso.<\/p>\n<p>Todos os dias me esfor\u00e7o. H\u00e1 182 dias que me esfor\u00e7o para que cada dia conte. Para que em todos os dias, mesmo nos menos bons, haja sempre alguma coisa boa. Por m\u00ednima que seja. H\u00e1 182 dias que conto os dias que passam para poder olhar para tr\u00e1s e dizer &#8220;v\u00ea onde j\u00e1 chegaste&#8221;&#8230;<br \/>\nMas depois h\u00e1 dias, como os \u00faltimos, como hoje, que j\u00e1 nada disso parece importar. Porque voltei a cair. E voltaram as dores que me trouxeram aqui. Mas voltaram como se fosse o primeiro dia. Com demasiada for\u00e7a para as suportar sozinha. E \u00e9 sozinha que tenho que as suportar. E \u00e9 sozinha que as tenho suportado. E \u00e9 sozinha que digo que j\u00e1 n\u00e3o aguento mais. Que j\u00e1 n\u00e3o sei como conseguir olhar em frente novamente. \u00c9 sozinha que penso, tanto, em desistir. De vez. Sim, penso nisso muitas vezes. Quando os dias, como os \u00faltimos, como o de hoje, se tornam demasiado insuport\u00e1veis e quando a dor sufoca, penso tantas vezes que o esfor\u00e7o, muitas vezes a ro\u00e7ar o sobre-humano, \u00e9 ingl\u00f3rio.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o aguento mais. N\u00e3o suporto mais. N\u00e3o consigo mais.<\/p>\n<p>N\u00e3o contabilizo likes, n\u00e3o contabilizo contactos, mas contabilizo dias. E cada vez contabilizo mais dias maus, ou mesmo muito maus, do que bons ou apenas menos maus. E, tamb\u00e9m por isso, me sinto no limite. De tudo o que \u00e9 humanamente suport\u00e1vel.<\/p>\n<p>O dia de hoje? Contabilizo-o como mais um que est\u00e1 prestes a acabar. O bom deste dia? Dizem que ainda tenho pulsa\u00e7\u00e3o. Consta que sobrevivi a mais um dia. E \u00e9 s\u00f3.<\/p>\n<p>{e n\u00e3o me venham com o discurso, mais do que gasto, de &#8220;tu n\u00e3o reages como as outras pessoas&#8221;. Pois n\u00e3o. Eu n\u00e3o sou os outros. Eu sou eu. Nem sequer sou 1 num milh\u00e3o. Sou 1 em mais de 7 mil milh\u00f5es de pessoas no mundo. N\u00e3o me pe\u00e7am para ser, reagir ou sentir, &#8220;como as outras pessoas&#8221;. Eu sou EU. Reajo como EU sei reagir. Sinto como EU sei sentir. E, infelizmente, admito que sinto tudo, o bom e o mau, com demasiada intensidade. Mas, essa, sou EU. N\u00e3o sei ser de outro modo.}<\/p>\n<p>#tryingreallyhard<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-895\" src=\"https:\/\/kooka.org\/caixadechocolates\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/10422321_10152829931398800_6818722423916545405_n-e1424124367594.jpg\" alt=\"10422321_10152829931398800_6818722423916545405_n\" width=\"450\" height=\"600\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o escrevo para contabilizar likes, como tanta gente que conhe\u00e7o. Escrevo, acima de tudo, para mim. N\u00e3o escrevo para agradar a ningu\u00e9m. Escrevo como terapia. Para mim. Fa\u00e7o-o &#8220;publicamente&#8221;, \u00e9 verdade. Por faz\u00ea-lo no meu perfil de Facebook. Repito, no MEU perfil. Escrevo o que quero, quando quero. Mas, acima de tudo, quando preciso. 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