{#044.322.2026}

Um bocadinho de Sol.
Um bocadinho de céu azul.

Excesso de vento excessivamente forte.

Chuva q.b. e uma pitada de granizo e outra de trovoada.

Aceitar a minha tendência perfeccionista que, até hoje, nunca tinha assumido.

E de repente lembro-me quando, sendo apanhada completamente desprevenida, me perguntou se eu quero ter sempre tudo controlado na minha vida.

Não. Não faço questão de ter sempre tudo controlado na minha vida, estou receptiva ao factor surpresa. Mas, e digo-o tantas vezes quando me proponho a fazer alguma coisa: se é para fazer, é para fazer bem feito.

…e assim começa o meu processo de auto-sabotagem, porque a perfeição a que me comprometo não existe e a simples ideia da possibilidade do factor surpresa me deixa as pernas a tremer. Medo? Insegurança? De quê? Porquê?

O caminho que tenho a percorrer está já ali, mesmo à minha frente. Mas hoje falei nas correntes que me impedem de seguir caminho. De dar um passo em frente. De dar o primeiro passo em frente. Falei nas correntes que me impedem…de coisa nenhuma!, porque essas tais correntes não existem! É a minha auto-sabotagem que me impede de seja o que for.

Porque dar esse passo em frente, que me é tão necessário, é sair da minha zona de conforto. E sair da minha zona de conforto comporta o risco de sair magoada por quem me está próximo. Mas…não sair da minha zona de conforto? É a minha auto-sabotagem, ela própria!, a fazer mossa e a infligir os danos maiores. Mas, e já o tenho dito!, se é para fazer, é para fazer bem feito. Por isso, eu própria me magôo não saindo da minha zona de conforto, mantendo as correntes que digo não me permitirem caminhar quando nem sequer existem, tentando fugir do factor surpresa a todo o custo controlando ao máximo cada momento da minha vida e procurando incansavelmente a perfeição que, eu sei!, não existe.

E é assim, de forma tão simples, tão complicada?, que o castelo de cartas que me tem servido de ilusória segurança se desmorona numa consulta de 45 minutos

Um bocadinho de Sol.
Um bocadinho de céu azul.

Excesso de vento excessivamente forte.

Chuva q.b. e uma pitada de granizo e outra de trovoada.

E, acima de tudo!, o frio!

{#043.323.2026}

…e eu sei. Sei tão bem. Sei bem demais! Que aquela carta que me disseram para escrever é, será!, uma carta de despedida. Um ponto final. Que, já o disse, me recuso a escrever. Mas não é isso que eu sei bem demais! O que sei bem demais e que está certíssimo e que acabará por ter que acontecer…………choro enquanto escrevo e penso no que estou a escrever, mas é um chorar sem lágrimas porque há coisas que se tornam dores tão impossíveis que até as lágrimas se recusam a cair…e a dor de saber bem demais que essa minha recusa de escrever uma carta de despedida não vai servir de absolutamente nada. Porque o ponto final vai ser colocado.

Não sei onde, nem como, nem quando, nem por quem. Mas sei, apenas. Sei bem demais. Até porque, como sempre!, é nestas alturas que uma letra de uma canção dos Xutos entra em loop na minha cabeça e se repete a fraseA Vida É Sempre A Perder“…e é. Especialmente quando as regras do jogo, logo na primeira jogada, estipulam quem sai vencedor. Mesmo que o vencido se lembre tão bem daquela frase dita por Ele e que de certeza não se lembra, mas eu lembro!, “e se eu…?“……sei o que respondi de imediato. Naquela altura em que eu própria ainda não tinha a real noção do que hoje digo seres tu a não ter noção

Choro. Sem lágrimas. Continuam a não querer cair. Quem sabe amanhã na consulta, onde desde o primeiro dia me dizem que chorar é urgente porque “é explodir para não implodir!”…e é.

E, no meio de tudo isto, sei bem demais o que não quero saber porque “A Vida É Sempre A Perder“, e recordo-me de quando eu ainda não tinha real noção e tu puseste a hipótese “e se eu…?“. Hoje, papéis invertidos, és tu quem não tem mesmo a real noção e és tu quem não põe nenhuma hipótese e aquela logo no início, quando era eu quem não tinha real noção, se calhar nem fazia sentido ter acontecido………mas sim!, ao fim de 41 anos os Xutos continuam a ter razão quando O Homem do Leme repete que “A Vida É Sempre A Perder“…

…e eu estou cansada. De chorar. Com ou sem lágrimas… E de ser sempre a perder…

{#042.324.2026}

E.S.P.A.S.T.I.C.I.D.A.D.E.

ou

como já nada é como era

e como já nada volta a ser como já foi um dia.

O que é urgente neste momento é conseguir convencer os meus braços e ombros e pescoço que o frio não lhes faz bem nenhum, é um facto!, mas é preciso que se mexam (devagarinho) para estimular a circulação a mexer-se um bocadinho mais. Vá, só o suficiente para conseguir esticar os braços em frente e ainda conseguir esticar os braços para cima sem dores!

…e é melhor nem pensar muito nas articulações, porque cotovelos e ombros procuram substituto para as latas de DW40 que servem para tudo, menos para isto

…mas, se no Hospital o Fisiatra optar pelo Botox para me descongestionar por 3 a 6 meses, não vou dizer que não! Até porque aquilo de chorar sem lágrimas também passa muito por aqui…

{#041.325.2026}

Mais um dia sem sair de casa, com chuva e frio lá fora e partilhas a dois naquele sofá que já é o Nosso sofá aconchegados pela, ali ainda tranquila, manta que tudo sabe e nada diz.
Porque é de partilhas que o que temos, há tanto tempo, cresce e se fortalece e nos faz acreditar que vale a pena

A noite, nossa companhia, parceira de sonhos…

…sonhos daqueles que quase podemos tocar e realizar assim mesmo. Ali mesmo…

Partilhar. Dar. Receber. Tudo na exacta medida de crescimento de duas metades que se pertencem, que se encaixam na perfeição de duas peças de Lego, que se fundem um no outro…

No fundo, mais um dia sem sair de casa, com chuva e frio lá fora. E com ele logo ali, atrás do ecrã, à distância de um clique…

{#040.326.2026}

Ontem, os primeiríssimos sinais depois do muito frio, do vento gelado, da humidade extrema, tudo isto tomou conta dos meus músculos e articulações: pescoço, braços, ombros, costas, ancas, pernas…espasticidade, que não sendo exactamente bem-vinda chegou e instalou-se.

Hoje? Manhã de fisioterapia demasiado difícil, demasiadas dores para coisas tão básicas como dobrar os joelhos depois de deitar na marquesa, chorar muito mas sempre sem lágrimas que continuam a não materializar-se. Sinto cada lágrima a formar-se cá dentro. Lágrimas de dores, lágrimas de frustração, lágrimas de fadiga, lágrimas que vou acumulando à espera do dia em que serão, finalmente!, materializadas.

…e começo também a entender a ligação entre frio e fadiga, que estão mais ligados do que aparentam. Especialmente num corpo com grande dificuldade na regulação da temperatura. Diz quem sabe, e falo de especialistas que estudaram bem esta área, que quando o corpo não consegue regular a temperatura o cérebro gasta mais energia a processar toda a informação e à procura de recursos, que acaba por gastar, para gerar energia suficiente para aquecer o corpo. E esse uso excessivo da actividade cerebral a queimar recursos energéticos para manter a temperatura corporal levam à intensificação da fadiga. Que não é cansaço. É pior. Muito pior

tão pior!

Na fisioterapia, 15 minutos de passadeira, com uma inclinação de 3,5% e velocidade de 2,7km/h de sexta feira passaram a 10 minutos à estonteante e louca velocidade de 1km/h. A única coisa que foi possível manter foi a inclinação. Tudo o resto foi feito com enorme esforço e bastantes dores e…sei lá eu mais o quê.

Já em casa, depois de almoço tinha tanto que queria partilhar com ele. Mas fui vencida. Tudo o que me preencheu a manhã conseguiu esgotar as minhas reservas de energia.

…e assim fico a conhecer melhor a fadiga (que não é cansaço, é pior!) e a espasticidade, que tem um nome nem sempre fácil de pronunciar e a capacidade de me fazer chorar sem lágrimas

{#039.327.2026}

Não me lembro há quantos anos esta placa me recorda o óbvio. Lembro-me que, quando a encontrei na loja, era a única com a mensagem que precisava na altura sabendo que, mais cedo ou mais tarde, seria tão importante para me recordar do que importa: ser perfeita exactamente como sou. E hoje, especificamente hoje, olhar para a placa e ler repetidamente aquela frase fez mais diferença do que consigo explicar…

Espasticidade. Quando os músculos têm espasmos. Se contraem. Ficam presos. Tudo fica MUITO perro. Desta vez, a par da minha patologia de base que é adepta ferranha da espasticidade, foi o frio que prendeu. Pernas. Braços. Pescoço. Tudo dói muito e mexe pouco.

Uma breve massagem nas pernas e braços antes de me deitar e percebi o que fiz por ignorar o fim de semana todo: músculos demasiado rígidos e articulações a pedir WD40 para desenferrujar.

A melhor forma de ultrapassar todo este desconforto é acender a televisão ao regressar da mesa de voto número 3 e a primeira imagem que vejo, quase sem conseguir sequer ter tempo para focar o que estou a ver, em menos de 1 segundo perceber: Monty Python’s e The Meaning of Life. E não podia vir em melhor altura!

A verdade é que durante o filme esqueci tudo o resto. Até que, depois de terminado, a espasticidade continuou a prender músculos e a chatear-me.

Mas esta placa, lá está!, faz o trabalho dela ao dizer-me todos os dias aquilo que eu tendo a esquecer-me se não o repetir para mim mesma: sou perfeita tal como sou. E aqui a tradução também pode ser tal como estou. E se ninguém mo diz, digo-o eu ao olhar para a placa na parede por cima da minha cama. Todos os dias.

…e amanhã vou pedir ao Bruno no seu papel de fisioterapeuta uma ajuda para aliviar estes músculos demasiado rígidos

{#038.328.2026}

15h44m e estavam 16,5 graus Celsius na varanda/marquise acompanhados de 75% de humidade. Que é o mesmo que dizer que até não se estava mal por ali para o café depois de almoço.

O meu cadeirão na varanda, aquele mesmo cadeirão onde passei inúmeras horas. Sozinha. A ver o tempo passar. Aquele cadeirão que, desde que deixei de fumar e com o frio imenso dos últimos dias, semanas?, tenho evitado. Ou apenas trocado pelo conforto do sofá onde também é possível ficar aconchegada nas mantas a beber o meu café. Aquele meu lugar na minha varanda fechada onde já registei 8 graus durante a noite…

Mas seja no sofá, no cadeirão, no meu quarto…seja onde for é fácil perder-me um bocadinho, seguindo a loucura de uma partilha sem travões e com uma única linha vermelha que eu própria imponho e não a mim mesma.

É uma questão de ir seguindo uma linha condutora. De certa forma, concretizar em palavras trocadas a experimentação de uma loucura partilhada que tão poucos entenderiam, menos ainda aceitariam. Mas não é com nenhum desses que partilho a loucura numa troca de palavras. Nem desses nem dos outros. Apenas ele. E o resto não interessa. A ninguém.

É tão possível fazer-se tanta coisa sem sequer sair do lugar. Basta querer. Mas, se tiver a companhia certa que é a companhia dele, não há impossíveis.

Concretizar a loucura. Como podemos. Como sabemos. Como queremos. Os dois. Quebrando barreiras? Acho que não. Apenas porque nunca as impuseram. Ou simplesmente porque não nos surgiram. Mas quebrando eventuais tabus? Surpreendendo pelo inesperado. E a certeza de que, tantas vezes!, a surpreendente e inesperada quebra de tabus é à melhor definição de loucura partilhada.

No sofá. No cadeirão. No quarto. Onde for. Eu. Ele. Nós. Os dois em plena loucura partilhada. Em que ambos dizemos, sem qualquer hesitação: tão bom.

{#037.329.2026}

Chegou ao lugar onde o movimento acontece“, pode ler-se numa das paredes das novíssimas instalações da clínica de Fisioterapia.

Novas instalações, novos equipamentos e, comigo, um novo fisioterapeuta. A quem lancei um desafio, uma prova muito pessoal de superação que ele aceitou de imediato. Supostamente seria para concretizar dentro de um mês mas as inscrições estão esgotadas. Desde Agosto do ano passado…

Não faz mal! Programo a minha agenda para daqui a um ano. Informo o Bruno, o meu fisioterapeuta mais louco do que eu, que programou também a agenda ao ponto de, de imediato, dizer que sim. Gostei da resposta. Mas, confesso, não dei grande importância.

Não voltámos a falar do assunto. Até que, no final dos exercícios cada vez mais puxados, ele me diz, do nada, que “temos um objectivo para daqui a um ano!“…

e temos! Claro que temos! E, noutra parede da clínica, lê-se “estamos sempre próximos para que vá mais longe” e é isso que preciso: de quem trabalhe comigo a minha parte física para manter o que tenho e, se possível, melhorar, de quem acredite que eu consigo o que eu quiser se tentar!, de quem aceite fazer comigo uma louca prova de superação para daqui a um ano!

Há uns meses, num café com 2 dedos de conversa, comentei a vontade de me superar. Como resposta, deram-me um risinho de quem desvaloriza por completo a minha ideia de superação e a frase “mas tu achas que ficam lá à tua espera?!

desanimei. Mas não desisti. Até que propus ao Bruno a concretização dessa minha vontade de superação. Não foi preciso dar pormenores! Imediatamente me disse que sim! E é só disso que eu preciso! Alguém que acredite que eu consigo e posso! Nada mais do que apenas isso.

E os escritos nas paredes da clínica cada vez me fazem mais sentido. E eu só posso dizer, ainda que baixinho, “obrigada“.

{#036.330.2026}

Eu sei, e o pior é que eu sei sempre!, que entre a miragem e o registo físico eu devia sempre optar pelo registo físico. Mas continuo a seguir caminho na miragem, aquele caminho que não leva a sítio nenhum porque…não existe.

Não existe. Não é real. De um lado, o meu!, existe algo real. Muito forte. Muito intenso. Não é palpável? Pois…não. Mas não é por isso que não é real. E acredito que, na realidade da miragem, também existe algo não palpável que não deixa de ser real.

Mas depois há tanta coisa que sustenta a miragem, seja o tempo, seja o hábito, eventualmente o medo?, medo da mudança depois de tanto tempo de hábito que, mesmo com momentos de desconforto, se tornou demasiado confortável para decidir começar de novo noutro registo.

E eu, deste lado, a saber, porque sempre soube!, que devia ter feito uma curva à esquerda em vez de continuar em frente, em direcção à tal miragem que se confirma agora ser o que sempre soube: o verdadeiro precipício, profundo, abismal, sem retorno…

Eu sei. Eu sei porque sempre soube! O registo físico em primeiro lugar. Porque esse, ao contrário da miragem, corresponde ao que sei merecer e tantas vezes distorço a realidade e acho que, afinal!, não!

É uma luta interna muito pesada. E que só eu posso travar. Só eu posso resolver. Mas, para mim!, aquilo que é chamado de miragem é tão mais do que isso. É palpável? Pois…também não. Mas não deixa de ser real! E é também por isso que eu não quero esta luta. Uma luta que me faria, ou que me fará?, recomeçar tudo de novo. Tudo a partir do zero. E eu…

…eu NÃO quero!…

Não quero recomeçar tudo mais uma vez quando ainda estou a aprender a lidar com peças defeituosas que trago de origem. Não quero voltar a ver-me sozinha, mãos à frente do corpo, com os dedos entrelaçados e a olhar à volta para decidir uma nova direcção.

Eu sei. Eu sei!, o registo físico tem toque, tem cheiro, tem som, tem sabor! Tem isso tudo! Mas eu não sei ter isso num registo físico quando já encontrei naquilo que me garantem não ser mais do que uma miragem…e eu não quero, não quero, NÃO QUERO abrir mão desta so called miragem onde tenho tudo o que há tanto tempo acreditei que não seria para mim e que hoje tenho a certeza que também é para mim!

Estou em luta interna comigo mesma. E também não quero…mas eu sei! Porque sempre soube

{#035.331.2026}

O que eu digo, eu mantenho. E ontem disse que não serão uma data de coisas mas que, em contrapartida, serão de facto outras tantas coisas a concretizar aquilo que, a dois, todos os dias se realiza, se renova, se reintensifica como se uma ausência de um dia para o outro fosse suficiente para atenuar?, abrandar?, acalmar?, e não encontro o verbo adequado ao que não acontece! Não serão uma data de coisas que não são, de facto, o que mais importa. Mas, o resto…o resto que complementa os momentos a dois, sim!, será esse resto que ambos entendemos, aceitamos, que para nós nunca será um resto de coisa nenhuma! Será, sempre!, aquele tudo que é nosso, a dois, os dois, dos dois.

Ontem escrevi-o. Hoje, se dúvidas houvesse, o tal resto que é o nosso tudo a deixar-me um sorriso gigante no rosto, um brilho cúmplice no olhar…

A minha voz? Às vezes trémula quando só os dois. Outras vezes, a voz em fuga quando não quer ser mais do que um sussurro que diz tudo que é tanto. Ou diz tanto que é tudo? Não sei. É imenso!

…e não será nada daquilo que ontem escrevi que não seria. Será sempre o que só a Nós fizer sentido. O que só a Nós fizer sentir.

…será tudo aquilo que só a Nós pertence

Se dúvidas houvesse

a chuva, que ameaça derrubar a Arriba Fossil aqui tão próxima, já teria levado qualquer dúvida para longe e se, mesmo assim, ainda sobrasse alguma dúvida, seria levada pelos pedaços de terra, areia e pedras que se soltaram daquela imensa parede da Arriba.

São os momentos a dois, os momentos dos dois. São esses momentos. São o que realmente importa. O resto…? Será sempre um resto de coisa nenhuma que não nos pertence. Porque, nosso!, será, sempre!, aquele tudo que é nosso, a dois, os dois, dos dois.

…tão simples…e tão complicado

{#034.332.2026}

Não são promessas de amor eterno, essas já caíram em desuso por serem palavras apenas. Não são declarações de amor, essas já não se fazem com espectáculo, música e dança porque o corpo já não vai nisso. Não são nada dessas coisas, com ou sem ramos de flores que habitam a Primavera noutra latitude que não a nossa de pleno Inverno, flores que, por muito bonitas, não lhes dou mais de 3 dias numa jarra esquecidas num qualquer canto para onde nem se olha. Também não são postais, menos ainda cartas de amor. Daquelas que, acreditando nas palavras do poeta, serão ridículas. Não serão essas palavras gravadas a tinta no papel, não serão essas palavras num suporte físico em contraponto ao digital.

…não será nada disso…

Serão aqueles momentos únicos que pertencem em exclusivo a quem os vive em conjunto. A quem, a dois, escreve uma história que ninguém lerá por ser exclusiva de quem a escreve, de quem a sente, de quem a vive. Serão aqueles momentos de descoberta, sempre os dois, que exploram caminhos com as pontas dos dedos, que sentem cada traço como pertencendo a ambos. Serão aqueles momentos, sempre os dois, de partilha depois da descoberta daqueles traços que lhes pertencem, partilha do que faz sentido a cada um para regressar à descoberta e reconhecer na partilha desse momento, que só eles entendem porque só eles o sentem e vivem, esse momento de união em que dois são só um.

Não, não será nada como nos livros, nas histórias, nos poemas. Não será nada como nos filmes no cinema, como as séries na televisão, como nas tábuas do teatro. Não, nunca será nada assim. Porque ser assim é quase banal por ser tão corriqueiro, tão demasiado normal, sem a magia do encontro, sem o encanto da partilha, sem a devoção da descoberta. Por isso não!, não vai ser nada disso assim!

Não haverá promessas do que não se consegue garantir. Não haverá declarações romantizadas do que é sentido nas entranhas, não haverá nada disso!

Mas o toque, o cheiro, a necessidade, a urgência! O toque explosivo de pele com pele. A embriaguez olfactiva daquele cheiro único que não se encontra em mais lado nenhum. A pele que estala antes de tocar noutra pele, como um grito de quem precisa de um toque para se encontrar, a urgência de quem se perde a tentar encontrar o caminho. Haverá tudo isso! O (re)encontro, o (re)conhecimento. O encontro com aquela realidade que há tanto tempo, tantos anos!, estava logo ali, em silêncio, recatado? Talvez, ou distraído, quem sabe? Ninguém. Nem é importante saber o antes, porque o logo ali passou agora para já aqui. E é já aqui que começa a surpresa da descoberta que todos os dias se renova, da partilha. De histórias, memórias, experiências, emoções… Emoções que inspiram e geram sensações. A dois ou a…

São momentos. A dois. Dos dois. E serão, sempre!, momentos de partilha que resultam numa explosão unânime de emoções, sensações……momentos de uma união sem comparação, vinda de outros tempos. Outras vidas?, quem sabe. Mas haverá essa partilha que levará a essa explosão. Dos dois. Como um só.

Nada é como já foi escrito. Porque os dois ainda não pararam para escrever a história. Numa prosa mais ou menos complexa, numa poesia mais ou menos bonita, num livro mais ou menos expressiv, numa biblioteca mais ou menos completa. A um. A dois. A……

Ninguém tem que entender. Aceitar? Não nos cabe a nós decidir. É a nossa melhor versão que (d)escreve a nossa história. É a nossa melhor versão que vive a nossa história. A nossa melhor versão, mas sempre sempre sempre por inteiro. Tenha o volume que tiver. Tenha quantas personagens tiver. Ter-nos-á, sempre!, por inteiro! Aos dois! Aos…

São momentos. A dois. Dos dois. De partilha. De união. De fusão. Por completo. Por inteiro!

{#033.333.2026}

De 16 de Agosto de 2025 a 2 de Fevereiro de 2026 contam-se 171 dias. Que é o mesmo que dizer 5 meses, 2 semanas e 4 dias. Sem fumar. Com tabaco em casa, sim. Porque me conheço tão bem como conheço a minha ansiedade. Mas, tabaco em casa, sim. Fumar? Não me apetece.

Coincidência das coincidências, haja coincidências ou não, tirar a senha de chamada para a consulta de Cessação Tabágica em Santa Marta e receber a senha M171. Só me falta descobrir a que se refere aquele M antes de 171. É que, neste momento e às custas de estar cheia de dores no meu braço desde as 16h, aquele M só me lembra uma palavra. No total são 5 letras, M+4 e não propriamente bonita. Mas, neste momento em que só me apetece chorar, é só o que me ocorre.

171 dias são muitos dias. Diz o Dr. Salvador que vou muito bem e no bom caminho. Já eu admito que está a custar muito menos do que eu achava que ia custar. Além disso, tenho um microsobrinho no alto dos seus 13 anos (com’assim, 13 anos?!) que me controla à distância e me encoraja a continuar no bom caminho ao dizer-me “se eu souber que te atreveste a fumar um cigarro…NUNCA MAIS TE FALO!” e capaz disso era ele!

171 dias que são 5 meses, 2 semanas e 4 dias que são para continuar no bom caminho. O médico está orgulhoso, a enfermeira está muito contente, o microsobrinho tem dias (ora feliz e radiante, ora profundamente desconfiado e nada confiante…), a minha mãe não diz nada mas eu sei que está muito contente, a conta bancária agradece e eu cá ando sem muita vontade de fumar mas profundamente aflita com a estupidez da dor neuropática no meu braço esquerdo…

{#032.334.2026}

Lá fora, para começar Fevereiro, a Lua Cheia de Neve que vem reafirmar a presença do Inverno frio, gelado!, que Janeiro trouxe quando chegou mas não fez o favor de levar consigo ao avançar do calendário…

Lá fora a Lua Cheia e cá dentro aquele Universo de estrelas que tu me disseste teres visto nos meus olhos castanhos. Aquele Universo de estrelas que estará cá sempre que tu o procurares novamente nos meus olhos castanhos. O Universo de estrelas que nos recebe e nos permite existirmos por inteiro. Que nos ilumina o caminho que escolhemos fazer, a dois ou individualmente. O Universo de estrelas que nos acolhe, juntos!, porque é nas estrelas que iluminamos os dias mais pesados e mais difíceis que a distância acentua e as estrelas atenuam…

Domingo à noite. É quando todo o peso da semana anterior por inteiro me cai no colo para processar. Tenha havido alguma coisa importante ou não. Mas não necessariamente com quem nunca nada se passa. Ou seja, eu. E houve tanta coisa importante a acontecer lá fora e eu não sei como posso fazer alguma coisa, se é que posso!, para ajudar. Espalhar este Universo de estrelas que transporto nos meus olhos castanhos poderia ser uma ideia, mas estes olhos castanhos só conseguem ser decifrados por ele. Que sabe ver-me por inteiro para além do que é em mim palpável…

Fevereiro e a Lua Cheia, Lua de Neve, lá fora. A chegada de Fevereiro que me recorda que o relógio continua a funcionar e o calendário continua a rodar. E não, não quero deixar nada para depois. Depois eu faço, depois eu oiço, depois eu digo, depois eu vou, depois é tarde demais…! Por isso, não!, não fica nada para depois, aquele tempo que não existe no agora e que pode nem nunca vir a existir…

Cabeça a mil com tanta coisa que me apanhou antes de ir dormir e que eu gostava tanto de debater. Com ele. Mas não agora, não a esta hora. E eu que não acredito no depois é para lá que tenho que deixar esta vontade…

Fevereiro chegou e trouxe com ele a Lua Cheia de Neve. Continuo a cortar no calendário os dias que já foram. Ou será a contar os dias…? Provavelmente serão as duas acções.

E amanhã será mais um dia de contabilizar dias…e de transportar um Universo de estrelas nos meus olhos castanhos…

{#031.335.2026}

Janeiro, dia 31. Aquele dia em que o mês mais comprido do ano, com uma duração média entre os 3 e os 6 meses e nunca os 31 dias que o calendário conta, chega ao fim. É sabido que este período, que corresponde ao início do ano e coincide com o doloroso pico do Inverno, é uma espécie de estágio para o resto do ano. Funciona um pouco como uma espécie de menu de degustação com a diferença de não ser possível mandar para trás para pedir algo diferente ou simplesmente deixar à beira do prato porque houve por ali qualquer coisa que não correu tão bem.

Estágio concluído nestes 31 dias de três a seis meses de duração, acho que já posso dizer que estou pronta para o resto do ano. É sempre um dia de cada vez, claro que sim, para mim e para as árvores despidas pelo Inverno que mantêm a rota dos seus muitos ramos nus em direcção ao céu. Ramos nus que desenham o céu quando olho para cima, com riscos que lembram cicatrizes dos caminhos já percorridos ao mesmo tempo que parecem trajectos delineados num mapa geral com todas as possíveis opções de escolha para chegar não sei muito bem onde. Mas, e lembrei-me de repente, o destino ou meta final não é o mais importante. O caminho percorrido, esse sim!, é o que faz toda a diferença. Seja pela rota levada, pelas pessoas com quem nos cruzamos, pelas experiências vividas. Ou o que for que componha essa viagem nesse caminho que é o de cada um.

Estou cansada. Dos 31 dias de Janeiro entre os três e os seis meses? Talvez um pouco por causa do frio deste período, sendo sempre o frio a pior de todas as experiências deste estágio.

Continuarei a olhar para cima. Continuarei a olhar para as árvores. E, com mapa ou sem ele, continuarei a fazer o meu caminho. Devagar. Devagarinho. Sem pressa. Com ele de mão dada comigo enquanto percorro o meu caminho, onde todos os dias cresço mais um bocadinho graças ao que aprendo, ao que experiencio e ao que vivo no meu caminho com algumas pistas que posso ou não seguir e que me farão chegar não sei onde, não sei quando, não sei com quem, mas decididamente comigo mesma. Seja lá eu quem for nessa chegada, mas serei sempre eu

{#030.336.2026}

Janeiro a chegar ao fim ao mesmo tempo que eu inicio um percurso de…nem sei exactamente o que lhe chamar porque não gosto do termo “reabilitação” assim como também não gosto de “recuperação” porque ambos me remetem para uma perda que eu ainda não aprendi a encaixar. Eu sei que tenho dificuldades e até limitações. Mas não consigo dizer que são resultado de perdas de pedaços de mim, que existiram no meu “antes” e que praticamente não reconheço o que sobrou para o meu “depois“, que já é “agora“. E é neste agora que tenho que me focar e aceitar que o percurso que agora inicio na fisioterapia não é uma reabilitação nem uma recuperação mas é, sem qualquer dúvida, um intenso trabalho de manutenção. Porque preciso manter o que tenho! Por não querer ter ou ser ou o que seja aquela imagem com a qual não me identifico nem me reconheço.

Eu achava que estava bem acompanhada na clínica, mas apesar disso também sentia que faltava qualquer coisa importante para activar a neuroplasticidade, a capacidade de adaptação do cérebro carregado de lesões que é o meu. Até me cruzar com o Bruno. Não sei como não dei por ele antes na clínica, talvez por incompatibilidade de horários e de distribuição de trabalho na clínica. Sei, sim, que bastou um momento de crise de picos de dor violenta para ele se aproximar, me mexer na Cervical como nunca ninguém tinha mexido e falar-me da Acupuntura.

Foi aí que abri a porta de casa ao fisioterapeuta que também é acupuntor e pedi na clínica para trocar de fisioterapeuta. O inicial está seriamente lesionado, de baixa para recuperação de cirurgia após lesão severa do menisco e sem previsão de data para regressar. E quem ficou a substituí-lo…bem, não me fez sentir motivada nem me apresentou qualquer objectivo concreto com os poucos exercícios que me apresentou.

Com o Bruno o trabalho é muito diferente. E começa logo por ser, para mim!, um trabalho e não um tratamento. É intenso e vai exigir muito do meu corpo. Há muito tempo que não me mexia desta forma. É quase como ir ao ginásio! Mas todo o trabalho tem um objectivo claro, e relembrar o meu cérebro de como manter o equilíbrio é apenas uma parte do que estamos a fazer.

E ter no fisioterapeuta alguém em quem eu confio e que me está a ensinar e a relembrar como dar “só mais um passo” e ainda fazer de mim um desafio e também um caso de estudo para apresentar nem sei bem onde…estou bem acompanhada! Não consigo ficar desanimada quando percebo ter ali alguém que, já sei, vai puxar muito por mim e vai fazer o percurso ao meu lado!

Um dia de cada vez. O Bruno tem o que eu preciso, começando pelo ânimo e passando pelo percurso delineado que é sempre possível reajustar.

Vai correr tudo bem. Desde o primeiro dia, e esse primeiro dia já vai fazer 2 anos, que eu digo que não quero caminhos fáceis, já sei que esse caminho fácil não me vai levar longe. Por isso, aplico a minha norma: se é para fazer, é para fazer bem feito. E agora, depois de perceber o desvio na rota para caminhos mais fáceis e de regressar ao trabalho com sentido para activar a neuroplasticidade, estou no caminho certo.

{#029.337.2026}

Dia 29. De Janeiro, do ano, de publicações no blog desde que mudámos de ano. Podia ter um outro significado qualquer, até mais interessante ou até importante. Não tem. É só mesmo um número de uma contagem de calendário, não representa absolutamente nada e não interessa a ninguém. E, só por isso!, reafirmo a importância de assumir a postura de pinguim de Madagascar: encolher os ombros, sorrir e acenar.

E percebo agora que o simples acto de encolher os ombros está cada vez mais presente em mim. Funciona como dispositivo interno de autodefesa para quando a realidade à minha volta parece não fazer qualquer sentido. Em vez de me chatear, de me preocupar, de perder tempo a construir uma teoria que aparente explicar o que de tão estranho se passa e que consiga ser ainda mais estranha e sem sentido, simplesmente encolho os ombros, não oferecendo qualquer tipo de sustentação ao que, para mim, não faz qualquer sentido…

O que também não faz sentido é o que não acontece nos meus dias…porque, na realidade, os meus dias estão resumidos a fisioterapia a meio da manhã às segundas, quartas e sextas, Yoga às quartas ao fim da tarde e aos sábados de manhã e rigorosamente mais nada. Regressar ao trabalho? Continua a não estar nos planos. Estar com alguém daqueles a quem já me atrevi a chamar de amigos? Diz quem sabe que as redes de apoio constituídas pelos amigos são essenciais para uma boa saúde mental. Talvez a ausência de rede de apoio, mas especialmente rede de apoio de proximidade, explique a minha permanente luta para melhorar a minha saúde mental e o recorrente seguimento clínico.

Talvez assim consiga explicar, de modo que EU entenda, este dia 29. Que todo ele foi estranho e vazio ao ponto de não conseguir organizar muito bem a ordem cronológica. Pelo menos não até às 16h40m. Até aqui a minha memória diz-me que não aconteceu rigorosamente nada. Como se o dia não tivesse existido. Ou……ou sei lá eu o quê! E este vazio na minha memória incomoda e faz confusão!

Se, ao início da noite, o Bruno não tivesse vindo cá para mais uma sessão de Acupuntura, então aí sim!, teria sido um dia sem existência. Um dia profundamente vazio…e eu estou tão cansada de resumir os meus dias a isso mesmo, ao vazio, à não existência…

Um dia. Um dia os meus dias vão melhorar. Eu, fisicamente, nem por isso. Mas continuarei por aqui. A fazer não sei exactamente o quê. Mas cá estarei…

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Dor neuropática, aquela dor que serve unicamente para chatear e estragar o dia quando é despertada. Seja pelo calor ou pelo frio, já percebi que é indiferente.

Altamente incapacitante quando se faz presente. E que me deixa apavorada quando, por algum motivo, se movimenta do meu braço para o meu ombro e de seguida até ao meu peito. Ou ao meu pescoço. É conforme lhe apetece…

Não ter a quem gritar por socorro quando estou aflita com dores é a pior parte. Ou era. Sempre tive a minha mãe que eu sempre chamei nos episódios de dor. Ou que, ainda antes de eu a chamar, ela sempre tomou a iniciativa de ir ter comigo, nem que fosse de madrugada!, quando me ouvia a reclamar de dores…mas a minha mãe ficava como eu: sem saber o que fazer para aliviar a dor. Tanto para mim como para ela, tudo isto é novidade. Sou eu que suporto a parte física, é verdade. Mas só porque a minha mãe não pode suportar tudo isso por mim.

Mas, desde que o Bruno, meu fisioterapeuta, começou a vir cá a casa para as sessões de Acupuntura, ganhei algum conforto. Já sei que, seja a que horas for!, posso enviar mensagem para ele. Vai poder resolver alguma coisa? Nada. Mas vai estar , do outro lado do ecrã do telemóvel, e vai enviar mensagens de áudio que de alguma forma me acalmam. Porque, na verdade, não me deixa sentir tão sozinha.

Esta tarde, e por estar bastante aflita com dores!, tentei contactar o serviço de Neurologia do Hospital para, de alguma forma, pedir socorro. Sem sucesso. Repeti as chamadas diversas vezes. Mas sempre sem sucesso. Mas, quando acabei por enviar mensagem ao Bruno, ele estava . E respondeu. E isso foi o suficiente para eu desacelerar e me acalmar. Um comprimido para as dores, que fez efeito!, e consegui acabar por descansar. E isso de saber que tenho alguém sempre não tem preço! Seja esse “” onde for…!

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Há dias em que a vontade é fazer fast forward para chegar mais rapidamente ao dia seguinte. Não que o dia seguinte prometa qualquer coisa, seja o que for!, de diferente ou melhor ou mais interessante. Porque, já se sabe, os meus dias não variam muito. E, estando eu já habituada a essa repetição diária, está tudo bem. Mas essa vontade de fazer fast forward existe até mais vezes do que eu gostaria que acontecesse…

Está muito relacionada, essa vontade de fazer fast forward, com o que me acontece todos os dias: as ondas de picos de dor violenta. Como está a acontecer neste preciso momento quando, a julgar pela hora da madrugada, eu devia estar a dormir…

A dor que não tem relação com nenhuma lesão física porque não existe qualquer lesão traumática que justifique a existência da dor, mas existe uma enorme falha na comunicação entre nervos e cérebro. Porque, quando existe essa comunicação num sistema já de si lesionado, alguma coisa vai falhar e o cérebro vai ler e transmitir erradamente uma dor neuropática violenta como se efectivamente houvesse uma lesão…

…e seria tão mais fácil de tratar, aliviar e até curar essa dor se estivesse realmente a ser provocada por uma lesão física! Dizem que um braço partido dá muitas dores. E eu não duvido que dê. O máximo que já tive que tratar e curar, depois de vários entorses, foi uma rotura de ligamentos num tornozelo. Na altura doeu? Claro que sim. A recuperação da lesão foi lenta, 10 meses até deixar as muletas de vez. Fisioterapia e uma muito dolorosa infiltração, mil cuidados para tratar e curar a rotura de ligamentos mas sempre com um objectivo muito concreto: a cura e a recuperação total dos ligamentos.

Mas, no caso da rotura de ligamentos, havia dor com origem perfeitamente identificada. E havia também uma garantia tão importante: poderia demorar alguns meses, como aconteceu!, mas era possível tratar, recuperar e curar! E no decorrer desse processo de tratar, recuperar e curar a dor foi-se dissipando até desaparecer de vez…

A dor que tenho no meu braço, apesar de resultar de uma leitura incorrecta do meu cérebro, existe!, é real, dói bastante e chega a ser incapacitante. Mas aqui não é possível aplicar aquelas três etapas de tratar, recuperar e curar a dor. Porque não existe qualquer lesão traumática associada.

Por isso, por favor!, deixem-me fazer fast forward para o dia seguinte! Nem que seja só para não continuar a suportar os picos de dor violenta de hoje…

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Fazer de conta continua a ser uma espécie de passatempo para quem também não tem muito para fazer. Assim tipo eu. Por isso é que me atrevo a assumir a perícia no papel de quem brinca ao Faz de Conta.

Todos os dias faço de conta alguma coisa: que estou bem, que os meus dias são muito interessantes e tranquilos, que não tenho dores, sei lá eu o que mais.

Os dias chegam, as datas passam, outras aproximam-se ainda à distância e eu faço de conta. Que são dias sem importância, datas sem relevo, as que passam e as que se aproximam. Que numa data ou na outra eu não gostaria de fazer diferente, de estar e ser presente. De, numa data ou outra, fazer acontecer.

Faço de conta também que não tenho sinais activos, já confirmados por quem sabe, de uma perturbação de personalidade que treme de medo do abandono. Efectivo ou imaginado. Possível ou nem por isso. E hoje, neste dia específico do mês mais longo do ano, Janeiro do frio imenso, o medo do abandono mais parece o pânico ou o pavor do abandono. Mas irei continuar a fazer de conta que estou tranquila e que tenho exactamente 2 meses para fazer não sei o quê de diferente numa data que é minha e que quero partilhar e fazer acontecer.

Mas continuo a fazer de conta. Que está tudo bem, que não se passa nada, que não tenho medo. Do abandono, efectivo ou imaginado, possível ou nem por isso…mas o medo que é pânico que é pavor é profundamente real. E é tão parte intensa de mim que, neste ponto, não consigo fazer de conta que estou tranquila…

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…e naqueles dias, como hoje!, em que o meu corpo parece estar todo preso por causa do frio, todo perro por causa da humidade, o meu corpo por inteiro nas mãos da espasticidade e a única vontade que eu tenho é de me enfiar dentro de uma piscina aquecida mas nunca além dos 36 graus (porque o meu corpo também não suporta tanto calor!), relaxar dentro de água e permitir que o meu corpo se reencontre com ele mesmo para conseguir responder aos pedidos do meu cérebro para me mover e conseguir caminhar sem estar presa e com dores…

…eu sei…Hidroterapia. Ali a piscina municipal do Monte tem Hidroterapia. Só me falta fazer inscrição para a primeira consulta e ver horários disponíveis. Porque preciso de me conseguir mexer, deslocar, relaxar e não me perder pelo caminho…