{#024.342.2026}

Café. Para 1. Para partilhar? Tiro outro? Como é?…arrisco-me a dizer que já não sei. Se alguma vez o soube, realmente…

Um café. Uma carta que me pediram para escrever como um bom exercício para sair de mim mesma um bocadinho e ler com outros olhos tudo aquilo a que chamo “os meus dias“. Não é aquela carta de amor que há tanto tempo me pediram, ridícula como todas as cartas de amor segundo o poeta. Até porque, afinal, esse pedido dessa carta de amor era um exercício para me fazer escrever um pouco mais. Mesmo eu escrevendo todos os dias…

Um café. Para 1. Só assim. Tão simples e tão complicado quanto isso. A tal carta, que não a de amor, que me pediram tem, para mim, o peso de uma carta de despedida. Que tenho adiado. Sempre dizendo que não quero. Não quero escrever. Não quero despedir-me. Mas cada vez me parece mais certo que será isso a acontecer. Com ou sem carta escrita. Porque a despedida nem sempre tem que ser escrita. Especialmente se doer. Muito. Demasiado, até! Mas…

…café, para 1? Para partilhar? Tiro outro? Como é?…arrisco-me a dizer que já não sei. Se alguma vez o soube, realmente…

{#023.343.2026}

Dias de baixa:

920 dias na Junta Médica da Segurança Social 

864 dias no contador 

1025 o limite legal 

Entre uma contagem e outra, 56 dias de diferença. Para atingir o limite, 105 ou 161 dias. Úteis. A necessitar ainda de confirmar o total de dias, mas já a ter que começar a pensar o que fazer. Falta algum tempo, mas nem tanto assim. 5 meses e picos? 3 meses e meio? Maio ou Julho. A data limite fica por aí. Até lá…não, não faço ideia do que fazer

Sei tão bem que não queria absolutamente nada disto! Que não procurei! Não fiz nada! Mas fui apanhada na curva por algo que tem um peso impossível de carregar sozinha, que me obriga a tomar decisões que, num Mundo perfeito onde nada me apanhasse na curva, não teria que tomar nem antecipar um caminho que me deixa de mãos vazias e sem rumo…

17.836 dias. Que se traduzem em 48 anos, 9 meses, 4 semanas e 1 dia. Que é o mesmo que dizer que no final de Março serão 49 anos que não deixam de ser demasiado cedo! E agora a minha vontade é gritar, puxar o calendário para trás, recusar o caminho do diagnóstico que sei que não teria como escapar e entrar nesse Mundo perfeito onde pudesse continuar a sentir gosto e orgulho no meu trabalho, sabendo da qualidade do mesmo e da forma como fez diferença a tanta gente com quem falei…

E na Junta Médica, ao ser vista e avaliada por seres humanos e não meros calhaus como em 2024, hoje na Junta Médica perguntaram a minha opinião sobre o regresso ao trabalho. Fui honesta: gosto muito do meu trabalho, adoro a área seguradora. Mas também sei que não tenho capacidade para regressar… Ele, técnico?, médico?, psicólogo?, não faço ideia, acertou em cheio! “Não gostaria de dar um bocadinho mais de sentido aos seus dias?” Gostava! Tanto! E gostava muito de poder regressar em pleno ao meu trabalho. Assistente de call center, sim! Na área seguradora! E com imenso orgulho! Ele novamente: “Trabalha em call center… Isto já de si faz muito mal a muita gente, não faz?” De uma companhia de seguros, respondi de imediato. Ele? Engoliu em seco, ajustou o lugar na cadeira, mudou de cor, “…não consigo imaginar…”

Tenho saudades do meu trabalho. Tantas saudades. Mas reconheço que não tenho condições físicas, mentais e até psicológicas para ser aquela enciclopédia que nos querem no call center. E até mesmo trabalho de back office eu não consigo…não aguento.

…e tudo isto mexe demasiado comigo! E mesmo o “um dia de cada vez” se torna pesado e difícil quando os tais 1.025 dias já não demoram tanto assim a esgotar e é preciso tomar decisões que eu não queria ter que tomar agora

{#022.344.2026}

Se me disserem que não vou conseguir fazer alguma coisa, eu vou lá e faço e ainda tiro fotos! Pode custar. Muito! Pode doer! Imenso! Mas ninguém me vai dizer que não serei capaz de algo devido ao meu novo normal! E muito menos irão dizer que eu não vou ser capaz de atingir um objectivo que eu proponho a mim mesma que nada mais é do que um desafio de superação! Podem rir. Podem até, em tom de gozo!, perguntar-me “mas achas que vão ficar à tua espera?!”.

Se o meu objectivo é ir lá e fazer, eu vou lá e faço! E quando descubro que o meu fisioterapeuta é tão louco quanto eu, acredita mais em mim do que eu mesma e ainda diz “vou contigo até ao fim!”, sei que estou em boas mãos.

Começo amanhã mais um ciclo de tratamentos de fisioterapia. Ciclos de tratamentos infinitos porque se sucedem para manter e melhorar o que ainda tenho e que não quero (nem posso…!) perder. Desta vez sigo nas mãos do Bruno que, com o trabalho de agulhas nos pontos certos, já conseguiu dar-me 2 noites seguidas sem dores. E isso não tem preço. E o tratamento de Acupuntura será para manter até ao fim.

Mas o importante mesmo é que ninguém se atreva a dizer-me que não vou conseguir superar-me. Porque, e isto ninguém sabe!, todos os dias me supero mais um bocadinho…

{#021.345.2026}

Já me tinha esquecido de como é acordar de manhã depois de uma noite inteira sem dores. Até que, esta manhã, foi exactamente o que aconteceu: acordei de manhã cedo para ir para a Fisioterapia depois de ter tido uma noite inteira sem dores. E foi tão bom perceber que tinha descansado e que não tinha passado mais uma noite em branco.

Ontem era dia de nova sessão de Acupuntura que eu tinha percebido que era para desistir mas afinal é para mudar de estratégia. O Bruno, meu fisioterapeuta a partir da próxima sexta feira e também o acupuntor que procura aliviar-me as dores, ontem decidiu dar descanso ao meu braço. E, pelos vistos, resultou.

Devia resultar hoje novamente, mas pelos vistos não basta querer. A dor intensa e violenta está presente e eu tenho algum receio da noite de hoje…

O Bruno entretanto já me disse que eu serei um desafio para ele no que diz respeito ao tratamento com as agulhas. E os desafios são para serem superados. E com o ciclo de tratamentos de fisioterapia que ele já programou para eu iniciar depois de amanhã, ecoa na minha cabeça a frase “você vai se lascar!“. Já percebi que com o Bruno vai ser para trabalhar forte e a sério. E estou a gostar dessa ideia. Se vai ser fácil? Provavelmente não. Mas eu sempre disse que não queria caminhos fáceis. Esses normalmente não levam a lado nenhum.

Mas, para esta noite, ainda é possível “desconvidar” a dor que me queima e enlouquece? Fiquei mal habituada com a noite passada…

{#020.346.2026}

A última noite, ou a noite passada como prefiro chamar ao que vai sucedendo sem ter prazo de validade pré-definido, essa noite…a noite passada em branco, ao sabor dos picos agudos de dor muito violenta e agressiva de me fazer gritar alto a dor…a noite toda passada em branco enquanto lá fora uma gigante tempestade solar pintava o nosso céu nocturno de auroras boreais cor de rosa choque. E a ideia, disparatada por não ter condições para concretizar em segurança e de forma confortável, de ir fixar o olhar na linha do Horizonte sobre o Mar na noite escura de Lua Nova sem conseguir distinguir o escuro do céu e a escuridão do Mar.

Noite miserável passada em branco ao som de quem grita a dor para tornar suportável o insuportável. Adormecer, esgotada, muito perto das 6h da manhã para acordar às 10h e muito pouco para mais uma entrega da Alma dos Livros que, mais uma vez, me aconchegou logo pelo embrulho.

Tê-lo perto, à distância de um clique, partilhar momentos. Que são nossos, tão nossos. Tão metade um do outro como duas peças de Lego que encaixam na perfeição. Tê-lo tão perto, tão já ali e poder dizer tudo e sentir tudo. Ou simplesmente estar ali. Com a minha cabeça no colo dele enquanto os dedos passeiam no meu cabelo até eu adormecer. É tão isto. É tão SÓ ISTO

A noite tão miserável, tão cheia de dor e os gritos de quem tenta fazer suportável o insuportável. A manhã e a tarde em sossego sem dor e ele já ali, à distância de um clique. É a isto que chamam de equilíbrio? Provavelmente.

Agora? Hora de enfrentar a próxima noite preferencialmente de forma tranquila, sossegada e sem dores mas nunca esquecendo que à distância de um clique está um colo para eu adormecer de mão dada com ele

{#019.347.2026}

Blue Monday. A terceira segunda feira de Janeiro, há muitos anos tida como o dia mais triste e deprimente do ano. Se o é, não sei. O que sei é que a Segunda feira já lá vai, não consegui ir à fisioterapia depois de mais uma noite passada em branco com as dores no meu braço (e o consequente medo…), voltei às agulhas de Acupuntura para uma abordagem diferente e agora, a caminho da 1h da manhã, vou enviar uma mensagem para o acupuntor que também é o meu fisioterapeuta e gritar por socorro…não há pachorra para as dores que tenho? Não, não há. Mas também já não sei o que fazer para suportar o insuportável para além de gritar a dor

{#018.348.2026}

Todos os dias, a dor.
Todos os dias, de mão dada com ela, o medo

E se, um dia, eu não conseguir gritar a dor o suficiente para suportar o insuportável e…

…se é, sequer, possível acontecer?

Não escondo, tenho medo

{#017.349.2026}

Na rua desde as 8h30m da manhã. São praticamente 14h00 e a vontade de ir para casa, apesar de cansada, moída, dorida e gelada!, é inferior a zero. Não me apetece mesmo nada voltar para casa por saber que só volto a sair amanhã. E é porque faço questão de ir votar. Desconfio que, se não fossem as eleições, só voltava a sair segunda feira para ir à Fisioterapia…

Não!, não me apetece mesmo NADA ir para casa. Também não me apetece sentir-me prisioneira de mim mesma! Porque sou eu, com as minhas dificuldades e limitações, que não vou sozinha para lado nenhum com medo de cair e por saber que sozinha levo uma eternidade para ir seja onde for. E este não conseguir ir sozinha chateia-me profundamente!

Prisioneira de mim mesma, é assim, tal e qual!, que me sinto! E não gosto NADA! Sinto-me demasiado presa dentro de casa! Como se as paredes se fechassem sobre mim, asfixiando-me lentamente. Muito lentamente, provavelmente à mesma velocidade que eu quando caminho sozinha…

…e a cada dia que passa vai-me caindo a ficha sobre mim mesma. E o que vou assimilando todos os dias a muito custo sobre mim mesma não me agrada nem um pouco…

…e simplesmente não me apetece ir para casa para ficar prisioneira de mim mesma até amanhã. Alguém aí para me vir buscar para levar para longe…? Quaisquer 135km já chegavam…

{#016.350.2026}

Não me recordo de quando foi que iniciei os tratamentos regulares (e permanentes…) na clínica de Fisioterapia. Aquelas 30 sessões iniciais no Hospital serviram de uma espécie de aquecimento e orientação para o que é preciso fazer para manter o que ainda tenho e evitar a perda do que ainda é meu: a mobilidade e a [minha] possibilidade [e capacidade…] de simplesmente ir. Com o apoio da minha bengala e tantas vezes também de braço dado com a minha mãe,

Terminadas as 30 sessões no Hospital e aceite a inscrição na clínica, começou também uma rotina diária que ainda não consegui aceitar que é permanente e que vai exigir de mim muito mais do que aquilo que consigo dar agora…física e emocionalmente.

As dificuldades e limitações têm vindo a surgir lentamente em alguns casos, outros há em que é quase de forma imediata, muito por causa do frio. É verdade que o calor também não ajuda, mas o frio prende músculos, tendões, articulações, tudo! E aí trabalha-se o corpo como se fosse para desenferrujar algum engenho que, agora, se move a muito custo.

As dificuldades e limitações existem e são chatas, é verdade. Mas são fáceis de entender o porquê da sua existência e fáceis de ajustar e contornar para manter a funcionalidade. Já o que não é tão fácil sequer de digerir é a dor neuropática. Que é, em tudo, tão diferente da dor muscular ou até articular.

A dor neuropática é mais forte. Chega a ser mais violenta quando se faz sentir em ondas que carregam picos de dor. É excruciante. E, sim!, chega a ser incapacitante.

É aquela dor cujo ponto de origem é difuso. Tem origem numa qualquer ligação entre nervos e cérebro em que a informação é mal lida pelo cérebro por causa da falta de material condutor e protector. O cérebro, já muito carregado de lesões e black holes, esforça-se por ler correctamente a informação….mas não consegue. E, não conseguindo ler a informação correcta, emite dor. Que é insuportável. É excruciante. É incapacitante

Esta dor está presente há menos tempo do que aquele em que faço parte da clínica, mas já é uma dor conhecida de alguns fisioterapeutas que têm feito de tudo para me ajudar a aliviar a dor, já que a medicação que inclui opióides não funciona. E foi aí que surgiu a ideia da acupuntura para aliviar a dor.

Não pensei duas vezes nem olhei para trás! O acupuntor é fisioterapeuta na clínica. Conversámos sobre resultados expectáveis, tempos de actuação, valores. Tudo acordado e a data de início o mais rápido possível porque as crises de dor são muito presentes e intensas.

Na primeira sessão seria de esperar já algum sinal de alívio da dor. Na segunda, logo no dia seguinte, o normal seria já sentir algo…que não dor!

Terceira sessão, terceira noite de crises de dor demasiado fortes, extremamente violentas, a manifestarem-se várias vezes ao longo do dia. Sempre demasiado intensas, extremamente fortes, excruciantes, incapacitantes, a dor gritada para tornar suportável o insuportável…

A acupuntura não está a resultar. O Fisioterapeuta e acupuntor que desiste desta abordagem diz-me que é preciso rapidamente ser vista por um médico porque o nível de dor que apresento é demasiado elevado para não ser observado. E no meio disto tudo a frustração visita-me novamente e a minha vontade é de chorar por não conseguir dormir nem ver soluções para esta dor…

Chorar. Aquilo que não consigo fazer facilmente. Existe, de facto, um único tema que me faz chorar com alguma facilidade, mas não!, não quero pegar nesse tema. Quero deixar tudo exactamente como está e, nesse ponto, continuar a fazer de conta. Mas seria importante conseguir chorar a dor e a incapacidade de fazer seja o que for num momento de crise…mas continuo a não conseguir.

Terminada a acupuntura por desistência do acupuntor, mantida a medicação que não faz efeito, não sei mais o que posso fazer para lidar com isto…e se me ouvirem dizer que já estou por tudo, acreditem que não é exagero…

Na clínica mantém-se a rotina diária (ou quase) que já se sabe ser permanente. Eu continuo com grande dificuldade em conseguir aceitar tudo isto. Mas, já percebi, depois de ano e meio de rotina na clínica ali acabei por encontrar uma espécie de segunda família. Se eu queria isto tudo? Na realidade não. Não queria absolutamente nada disto. Mas no meio de tanta tralha……acho que só me resta mesmo encolher os ombros, sorrir e acenar e assumir a minha postura de pinguim de Madagascar…

{#015.351.2026}

Sentir TUDO à flor da pele não tem necessariamente que ser mau, disse-me ele. Não tem, é verdade. Mas, quando se fala de sentir TUDO, esse TUDO engloba tanta coisa não necessariamente boa.

Não sei o que fez disparar a intensidade do sentir durante o dia de hoje, mas alguma coisa foi. E com essa intensidade gigante de sentir TUDO à flor da pele tive a necessidade de escrever tanto e tanta coisa para ele como há tanto tempo não fazia, se é que algum dia o fiz como hoje.

Mas sentir TUDO também significa TER MEDO. TANTO medo! De, por algum motivo, perder aquele abraço que sabe a casa, que é conforto, segurança, protecção e tudo de bom. De, por algum motivo, a soma de “EU” e “ELE” deixar de dar “NÓS”. Medo de perder, medo da perda, medo, ponto final.

Não sei se foram as estrelas que se alinharam para que, aleatoriamente, finalmente nos cruzassemos ao fim de 11 anos a trilhar os mesmos caminhos, a ocuparmos o mesmo espaço, 11 anos em silêncio, sem palavras de um para o outro. Até aquele “Olá” se soltar daqui e ser bem recebido lá.

Não sei. A frase que mais tenho repetido nos últimos dias com especial ênfase no dia de hoje: “não sei“. Porque não sei mesmo. Tanta coisa que não sei, tanta coisa que tenho medo de saber, outro tanto de não saber nunca. Mas…

Mas tenho medo, claro que sim! E se sinto TUDO à flor da pele com uma intensidade desmedida o MEDO faz parte do TUDO que sinto. Medo, tanto, de perder o abraço que precisava de sentir agora só para ter a certeza que preciso ter: que está TUDO bem.

E percebo que foi naquele abraço de sabor a casa que encontrei tanta coisa, mesmo quando me perdi, quando nos perdemos!, em loucuras e devaneios, encontrei aquele pedaço de mim que eu não sabia que me faltava.

Perdi-me. Encontrei-me. Rendi-me às palavras que me recuso a escrever, mesmo que inclua a maior de todas!
Podia fazer um desenho para substituir as palavras que recuso, mas continuo a preferir a junção das letras ao traço do lápis. Pego nas letras baralhadas como um baralho de cartas e formo palavras que, juntas, formam frases que em poesia ou prosa transmitem tudo aquilo que sinto à flor da pele

…incluindo o medo

{#014.352.2026}

Não é fácil lidar com o que não se conhece, com o que parece não fazer sentido, com o que nunca esperámos ou sequer imaginámos que fosse possível sair-nos numa qualquer rifa absolutamente aleatória e aparentemente sem qualquer lógica ou razão.

E mais difícil se torna quando tudo isso se resume nunca única palavra: dor! Dor intensa, violenta, agressiva, excruciante. Que desperta com a mínima alteração de temperatura, seja para mais ou para menos, não interessa!

Médicos e fisioterapeutas, quando é preciso tratar a dor, pedem que seja feita uma avaliação de 0 a 10, sendo que 10 corresponde à pior dor alguma vez sentida. Quando chegar à consulta da dor, sabe-se lá daqui a quanto tempo, e me pedirem para avaliar de 0 a 10 esta dor que me queima, me corrói, me fere, que me faz gritar para tornar suportável o insuportável, quando me pedirem uma avaliação de 0 a 10 a minha resposta vai ser tão simples e tão complicada quanto 42. Mas não era de zero a dez? Era. Mas a mim dói-me 42. E agora…?

Voltaram as noites de não conseguir adormecer cedo ou tarde quando a noite roça a madrugada. E já lá vai o tempo em que estas ondas de picos de dor violenta duravam meia hora. A noite passada a crise de dor violenta durou várias meias horas. Começou bem antes das 2h da manhã. Eu consegui adormecer muito para lá das 4h quando a dor passou sabe-se lá como.

Neuropatia. Danos nos nervos. Muito por causa da minha patologia de base. Que também não escolhi, não procurei, não nada! Mas que está cá, instalada, veio para ficar com tudo aquilo a que tenho direito. Pena que sejam apenas coisas não tão boas como gostaria…

Agora que a noite já roça a madrugada não vai ser fácil descansar: a dor de nível 42 de 0 a 10 já está presente. Há várias meias horas…

{#013.353.2024}

Eu tento realinhar a energia. Que tenho e que sou. Ela? De vez em quando vem ver se está tudo bem. E apesar de vir tomar conta de mim quando eu menos espero, não atrapalha.
Esteve presente quando o Fisioterapeuta me espetou aquelas 15 agulhas da cabeça aos pés.
Deitou-se à beira da minha cama a tomar conta de mim durante a minha prática de Yoga em casa.
Depois de jantar: com lugar vago com mantas em dois sofás, quatro cadeiras à volta da mesa, dois poisos habituais numa das estantes da sala, o colo da minha mãe livre e foi nas minhas pernas que ela se veio deitar. Claro que sim. E começo a achar que ela sabia que vinha aí mais uma onda de picos de dor violenta no meu braço esquerdo.

Já ganhou a alcunha de Paracetamol, que no caso da minha dor no braço é um bocadinho como o Melhoral: não faz bem nem faz mal. Assim como assim, os opióides também não fazem grande coisa, mas não digam a ninguém…

Dizia eu que a minha gata ganhou a alcunha de Paracetamol porque, quando chegam os picos de dor violenta, é em cima de mim que ela aninha.

Dizem que os gatos nos “limpam”, que à sua maneira nos tratam e cuidam de nós. Talvez por isso ela esteja sempre tão presente junto de mim…

Seja como for, eu faço a minha parte. Ela faz a dela. As 15 agulhas da Acupuntura farão o seu trabalho. Sexta feira volto ao que nunca deveria ter deixado. E a voz do Rui mantém-se em loop na minha cabeça: “Somos todos energia…”. E somos. Mas, por vezes, é preciso realinhar. E é isso que estou a tratar de fazer. Ela? Inspecciona o trabalho e limpa o que for necessário.

(e entretanto é tão tarde e amanhã tenho que acordar tão cedo e já não escrevo nada de jeito e é melhor ficar por aqui esta noite…)

{#012.354.2026}

Não é possível fazer ctrl+alt+del e forçar o encerramento do que não está a funcionar correctamente. Que, traduzindo, me diz que não é possível correr atrás do que não existe quando falamos de algo crónico. Não é possível correr atrás de uma cura que não existe. Mas é possível procurar alternativas para aliviar sintomas.

Não me esqueço das palavras do Rui em 2023 quando me levou a uma experiência incrível e inesquecível que gostava muito de repetir, mas com o Rui já não é possível. Falámos algumas vezes meio por alto, mas não me esqueço: “somos todos energia!” E somos! E por isso mesmo às vezes é preciso reajustar a nossa energia.

Sei que existem muitas formas de o fazer. Mas, desta vez, arrisco uma nova experiência. Que tanta gente diz resultar.

Não procuro nas agulhas a cura que não existe. Mas algum alívio de dores. Algum alinhamento do equilíbrio. O que for!

Hoje foi a primeira vez que 15 agulhas me foram colocadas em pontos específicos. Amanhã repito. No total serão 10 sessões para reajustar a minha energia de um corpo doente e que apenas procura um alívio…

O Yoga em casa. É para manter. Agora num cantinho cada vez mais especial do meu quarto, onde os meus livros esperam por mim, onde a parede é viva de cores e mensagens certas…

Tudo isto, o Yoga e a Acupuntura, são as minhas escolhas para este caminho que tenho que percorrer. E, de alguma forma, sei que com ambos estarei a crescer internamente.

Amanhã já é suposto sentir alguma diferença…vamos ver. Agora é aceitar que a noite vai longa a roçar a madrugada e preciso de descansar. Nunca fui invencível ao ponto de dispensar as noites de descanso. Agora então não sou mesmo!

É-me urgente fixar um horário para dormir cedo. Mas para que isso aconteça é preciso que as vozes na minha cabeça estejam de acordo com o horário que for estabelecido…

Hoje: Yoga e Acupuntura.
Sexta feira: o regresso ao Reiki.

Tenho comigo e em mim todas as ferramentas que preciso. Agora só me falta convencer-me de que preciso muito de ir dormir…

{#011.355.2026}

Trazer a prática de Yoga para casa? Só foi preciso encontrar um espacinho para estender o tapete.

Durante muito tempo, até mesmo demasiado tempo!, dizia sempre que não tinha espaço em casa para praticar. E a verdade é que não é preciso muito espaço.

Comecei pelo hall de entrada e Viparita Karani com as pernas levantadas e encostadas na parede. Não era um sítio muito mau. Mas é um sítio com pouco sossego. E desta vez, com vários asanas a pedir atenção, sabia que teria que ser no meu quarto. E foi, de facto, no meu quarto que estendi o tapete!

7 asanas. E, nem de propósito!, lá vem o 7 lembrar-me que sim!, o meu caminho passa muito por estender o tapete e alcançar os asanas o melhor que puder sem a orientação e apoio presencial do Professor Pedro.

Os últimos dois anos e meio no Yoga têm sido de uma importância que não consigo descrever. Porque se por um lado tive que lidar com um diagnóstico que não é fácil, por outro o Yoga foi-me trazendo tranquilidade no meio do caos. E também crescimento interior.

Por isso, só faltava mesmo encontrar um espacinho no meu quarto para estender o tapete. E agora que já encontrei o sítio certo, só falta descobrir e fixar o melhor horário para a prática que será diária. Hoje foi ao final da tarde. Amanhã experimento outro horário. E depois todos os dias terei 35 a 40 minutos dedicados só a mim e à prática de Yoga.

{#010.356.2026}

148 dias. Que são 4 meses, 3 semanas e 5 dias. Sem fumar!

…mas não nego que o frio me tem feito querer muito fumar um cigarro…ou dois…ou…

Não o farei. Pelo menos não tão facilmente quanto isso. Tem sido uma luta interna muito forte. Eu sabia que iria ser difícil. Não sabia que algum dia conseguisse abrir mão de um prazer que me acolhia, aconchegava, não criticava nem exigia nada em troca. E, olhando para trás, esteve “sempre. Nos momentos bons. Nos momentos menos bons. Mas especialmente nos momentos maus e até muito maus.

148 dias sem fumar. Segunda feira, dia 150, tenho que informar o microsobrinho do número de dias. Se há alguém que comemora comigo é ele. E é também ele que me ajuda a manter a minha bolsa do tabaco, onde tenho a máquina para encher tubos, a caixa metálica velhinha de tantos anos de uso a transportar os tubos, e o pacote de Marlboro com tabaco mais do que suficiente para fazer alguns cigarros, dizia eu que é também o microsobrinho que me ajuda a manter a minha bolsa do tabaco algures dentro de uma qualquer gaveta da mesa de cabeceira. Acho eu… Não tenho a certeza nem me apetece confirmar, por isso ficamos como estávamos: assim e pronto.

148 dias. Que serão para continuar a contar.

{#009.357.2026}

Janeiro. Dos dias frios e das noites geladas.

Mas também tem coisas positivas:

• ouvir na consulta: “está muito melhor“, o que significa que, mesmo sem saber muito bem como e sentindo-me demasiado perdida demasiadas vezes, estou a fazer o caminho da forma que é suposto acontecer. Devagar. Ao meu ritmo. Adaptando o que é de adaptar. Ajustando o que é de ajustar. Reaprendendo o que é de reaprender. E, devagarinho, começar a aceitar o que tenho feito por recusar…

• pouco depois das 18h e ainda não é totalmente de noite. O Solstício de Inverno, dia em que se deu o dia mais curto e a noite mais longa, ainda não aconteceu há 1 mês. De imediato os dias começaram a crescer e agora, 20 dias depois, já se nota tão bem o crescente dos dias.

Os dias são frios. As noites são geladas. Mas, assim como eu, ao seu jeito e ao seu ritmo, Janeiro percorre o caminho que é suposto percorrer.

Que Março chegue rapidamente! Que nos traga a Primavera e nos devolva as andorinhas! E, mais perto do final do meu mês, que me seja possível renascer.

{#008.358.2026}

Quando todas as palavras já não chegam. Quando já não é possível usar uma só palavra para dizer o muito que é tanto que é imenso.

Charlie
Alpha
Tango

E escrevo. Descrevo. Dito num minuto. Um só minuto que permanece gravado no éter que eternamente nos acolhe e aconchega e assegura que

Sem Ti não há Nós

.

Uma história que é só Nossa num Mundo que é só Nosso num tempo que só a Nós pertence.

O Nosso espaço.
O Nosso tempo.
O Nosso Mundo.
A Nossa bolha em conchinha de bichinho de conta onde só Nós sabemos porque não queremos sair.

Sem Ti não há Nós.
Tão simples…
…tão complicado…

Tão Nós!

Tão Nosso!

Charlie
Alpha
Tango

e o rádio que não dá música não é radinho de pilhas.

Eu e TuNós

mas

Sem Ti não há Nós

Boa noite. E até amanhã.

{#007.359.2026}

A dor.

O frio.

O medo? Pavor.

Nem tudo é tão simples e fácil de entender como preto e branco quando existe uma imensa colecção de cinzentos pelo meio.

………continua a ser tudo um dia de cada vez, sempre sem pressa………

……e sei, também, que posso magoar sem intenção seja quem for quando a dor me contorce e me contrai e me faz gritar……

merda!

{#006.360.2026}

Overwhelmed porque a palavra correspondente em português não me convence. Não comporta o muito que é tanto que é demasiado que está a mexer comigo. Tanta coisa em tão pouco tempo numa só pessoa que sou eu que preciso de processar e digerir enquanto alguém algures viu em mim o boneco de voodoo perfeito e não poupa agulhas e ferros em brasa no meu braço, não importa a que horas do dia ou da noite tantas vezes quantas a desejadas no mesmo dia. Magoa-me a dor física num braço sem lesão que confunde o cérebro que lê os sinais de dor quando a mensagem enviada é de outra coisa qualquer. Magoa-me que eu própria magoe terceiros e como cérebro lesionado leia o que não é.

Overwhelmed. Muito. Confusa. Dorida. Baralhada. Acima de tudo farta. De todo este meu novo normal! Que eu não procurei!

Desligo. Visto a minha armadura. Assumo que volto a brincar ao Faz de Conta! Dois ou três dias para limpar e organizar as ideias e o sentir. Sei o que quero. Sei como quero. Sei mais do que devia? Sei lá eu o que é que sei!

DES
LI
GO

!!

Overwhelmed e a sentir que é tudo too much sendo só para mim! Dois ou três dias? Não mais. Idealmente seria fora daqui. Não vai ser. Mas preciso tanto de brincar ao Faz de Conta por um bocadinho. Só assim vou conseguir não me escavacar completamente.

……onde é que fica o botão para pausa……?

{#005.361.2026}

Dos dias em que é preciso desligar de tudo: o dia de hoje.
De manhã, ainda a Fisioterapia. Consulta de reavaliação com o Fisiatra para preparar o próximo ciclo de tratamentos. E a brutalidade da primeira pergunta, tão directa, tão crua. Tão real e verdadeira. “Então e quedas? Como é que isso está?”
Na verdade, o tema quedas que já deixou de ser um “se” e passou a um “quando”, mantém, e com orgulho!, o “ainda não”. O tal “ainda não” que pretendo manter durante muito tempo, de preferência para sempre. O que eu duvido, mas isso sou eu. Por isso, doutor César, é com muito orgulho que digo que AINDA NÃO caí.

…mas desligar do Mundo e fazer kaput no sofá? Claro que sim! Logo a seguir ao almoço, sem pensar muito, sem me esquecer de nada.

Acordei várias horas depois. Descansar? Sim. Desligar para reiniciar o meu sistema. Depois se vê em que resulta.