Monthly Archives: February 2022

{#39.327.2022}

Terça feira. Há mais de 24 horas sem telefone e dados móveis. Vale-me a Internet da fibra e o Wi-Fi a funcionar sem nunca ter sido afectado na falha resultante de um ataque ao serviço da Vodafone. Permitiu-me estar em contacto com o mundo e ainda conseguir trabalhar sem problemas.

Estar sem telefone e dados móveis é estranho. Fui ao café ao fim do dia, mas faltou-me a música nos fones e a possibilidade de pôr a conversa em dia por telefone.

Parece que o serviço de telemóvel está de volta e os dados móveis logo se vê. Desde que a Internet em casa continue a funcionar, não me queixo.

Mais depressa me queixo do café em mesa para dois que demora a sair. Mas o repto vai ser novamente lançado. E a dica para jantar também. Um dos dois irá acontecer. Não sei quando, mas sei que sim.

E o sono que me acompanha o dia todo não tem explicação. Ou melhor, tem. São demasiadas noites interrompidas por uma gata sem noção que não me permite ter ciclos de sono completos.

Pode ser que um dia passe. Por agora vou aguentando o sono. E vou adormecendo as borboletas na barriga. E vou aprendendo a viver sem poder comunicar quando saio de casa.

Tudo isto são coisas pequeninas. Não são verdadeiros problemas. São apenas alguns dos meus acontecimentos diários que me fazem acreditar que podia ser pior. Como já foi. Mas hoje posso olhar para trás e dizer que consegui ultrapassar aquilo que cheguei a acreditar que nunca iria ter um fim. Mas teve.

Agora? Recolho, aqueço, volto ao ritual nocturno e tento ter uma noite completa.

Amanhã será melhor. E quem sabe um dia destes acontece um café ou um jantar.

{#38.328.2022}

Há três anos fazia muito frio. E, mais uma vez, esperei na companhia das borboletas na barriga. Perdi a conta ao tempo que esperei, mas sei que foi muito. Na esplanada do café, ao frio. Mas sabia que a espera iria valer a pena. Mesmo que as mãos estivessem absolutamente geladas e o frio estivesse entranhado no resto do corpo.

A espera valeu a pena, o jantar também. E depois do jantar o passeio à beira rio, as partilhas de histórias e experiências e uma nova experiência de vinho quente. Sorrisos de ambos os lados. E a certeza, três anos depois, que repetiria a experiência sem olhar para trás. Com ou sem frio. Com ou sem espera. Repetiria sem duvidar.

Mas hoje, três anos depois, o café está difícil de sair. Sei que muita coisa mudou, muito resultado do anúncio daquela noite do início do vôo do balão. A disponibilidade é diferente hoje do que era há três anos. E eu fico contente com isso por saber que o vôo tem corrido bem.

Três anos depois daquela noite muito fria, não nego que repetiria sem duvidar. E vontade de repetir não falta.

Resta-me esperar. Sei que um dia o café vai acontecer, e quem sabe se não acontece um jantar. Café ou jantar, não importa. Será mesa para dois. E seja o que for vai ser bom.

E os dias cada vez mais longos, com o Sol a pôr-se cada vez mais tarde. E a certeza de que o Inverno não dura para sempre.

{#37.329.2022}

Sair de casa todos os dias um bocadinho. Claro que sim. E aproveitar o fim de semana para apanhar Sol.

Hoje foi dia de passeio até à praia. Não só estava Sol como estava calor. E eu já tinha saudades do calor. O paredão junto à praia estava cheio porque meio mundo tinha saudades do Sol e o outro meio tinha saudades do calor.

Soube bem sair aquele bocadinho, mais cedo do que é habitual, e aproveitar o dia que esteve bonito. Amanhã é dia de regressar à rotina do trabalho em casa, o Sol vai ter que esperar mais uns dias.

Final do dia podia ter sido dedicado à preguiça e ronha no sofá, mas não foi. Tenho um compromisso que faço por honrar todos os Domingos. Não é um objectivo meu, não é um trabalho meu, mas ocupa-me um bocadinho do Domingo, ocupa-me a casa e contribui de alguma forma para o outro lado. Sim, ainda me faz sentido e não me é uma seca, como já me perguntou o outro lado. Faço porque quero e porque sim. No dia em que decidir já não o fazer, sei que não será mal interpretado.

Enfim, foi mais um Domingo que passou. Se podia ter sido melhor? Pode sempre. Mas não foi mau. Houve Sol e houve calor. Melhor mesmo só se houvesse um café em mesa para dois. Não houve. Mas sei que qualquer dia há. Até lá, faço por alimentar as borboletas na barriga que não morrem, apenas adormecem mas que despertam facilmente.

Haja mais Domingos como o de hoje e já não são dias completamente perdidos. E já falta pouco para começar a fazer praia e receber o Sol na pele para além do rosto. O Inverno não dura para sempre.

{#36.330.2022}

Sábado, aquele dia aborrecido. Saí de casa durante a tarde, ainda consegui apanhar luz do dia e soube bem. Mas faltou o resto para deixar o dia interessante.

Apetece-me, muito, estar com pessoas. E apetece-me, ainda mais, ir jantar fora. Mas ninguém vem…e não foi por falta de tentar chamar alguém. Lancei o repto, mas ninguém respondeu.

Oh well, já devia saber. Já devia estar habituada. Mas ainda consigo admirar-me com estas ausências.

Enfim. Ainda virá um sábado interessante. Hoje ainda não foi o dia. Mas um dia será…

{#35.331.2022}

Sexta feira e mesa para um.

O dia todo com a certeza de ser quinta feira para ser recordada, em trabalho às 5 da tarde, que afinal é sexta feira. Podia ser pior, podia ser quinta e eu pensar que era sexta. Já aconteceu. Não recomendo.

Afinal, não é só o outro lado que se baralha nos dias. E partilho o ter-me perdido também e rimos os dois. Assim como rimos no ritual matinal porque resolvi dar um bom dia diferente. E é bom rirmos os dois. Não quer dizer nada, é um facto, mas sabe bem.

E agora fecho o dia para receber o fim de semana e dois dias aborrecidos. Cada vez me incomodam mais os sábados, dias absolutamente aborrecidos e chatos e difíceis de passar. E não há forma de melhorar. Há apenas a vontade de fazer algo, não sabendo exactamente o quê.

Enfim… Eu sei exactamente o que gostaria que fosse o meu Sábado de amanhã. Mas também sei que não vai acontecer. Por isso é melhor esquecer essas ideias.

Sexta feira e mesa para um. Falta muito para ser mesa para dois?

{#34.332.2022}

Quinta feira e a semana a chegar ao fim. Os dias a ficarem mais compridos. A luz do fim do dia a manter-se até cada vez mais tarde. E ainda a espera por um café numa mesa para dois.

Os dias correm suaves e tranquilos, sem stress e sem pressas. Gosto de dias assim durante a semana. Mas o fim de semana está aí prestes a chegar e novamente (ou será ainda?) a vontade de fazer diferente.

Na minha cabeça sei perfeitamente como gostaria que fosse o sábado, que é sempre o dia mais aborrecido da semana. Sei bem demais como gostaria que fosse. E tenho vontade de fazer acontecer. Mas também sei que não vai acontecer. E tenho pena. Porque tinha tudo para correr bem e ser bom.

Enfim…sou uma sonhadora, é o que é. Não faz mal sonhar, mas perceber que não vai passar disso mesmo, apenas um sonho, custa. Não chega a doer, mas custa.

Quem sabe um dia este sábado que corre na minha cabeça não possa acontecer…

{#33.333.2022}

Quarta feira e o café que ainda não saiu. E já não deve sair esta semana, porque amanhã é dia de agenda preenchida do outro lado e sexta feira logo se vê.

Mas foi lançado o repto novamente.

Venha quando vier, esse café vai ser bom. E as borboletas na barriga da antecipação já ninguém mas tira. Só não as posso deixar morrer. Porque borboletas na barriga sabem sempre bem.

Esse café vai acontecer. É só saber esperar.

Tirando isso, amanhã será um dia bom. Como têm sido os últimos. E só isso já é importante e positivo.

Até amanhã.

{#32.334.2022}

Terça feira. Novamente um dia de trabalho cheio. Novamente uma noite interrompida. Novamente o retorno. Curto, rápido, mas retorno. É por continuar a haver retorno, por muito rápido e muito curto, que não desisto dos rituais.

E por isso, esta noite mantenho o hábito e o ritual. É importante para mim mantê-lo. Faz-me sentir bem. E faz-me sentido. E enquanto me fizer sentido, enquanto me fizer bem começar o dia com um bom dia e terminar com um boa noite, repito o ritual que dura desde o primeiro dia, há quatro anos.

Sim, gosto de sentir o que sinto. Acho que não me faz mal nenhum gostar disto. E não me faz mal o que isto é. É o que é, é certo, mas é bom.

Amanhã será mais um dia de rituais. E nem por isso será pior. Desde que haja retorno, por muito rápido e muito curto que possa ser. É bom e faz-me ganhar o dia saber que do outro lado há retorno. Sei que de vez em quando há silêncio, mas também sei que não é permanente e sei que se eu desaparecer, a minha ausência é notada. E saber isso é bom.

Sim, amanhã será um dia bom. E hoje também foi, mesmo com muito trabalho. E a noite, mesmo que venha a ser interrompida novamente, vai ser boa porque faço a minha parte: o ritual nocturno de desejar uma boa noite.

E é a isto que se resumem os meus dias: trabalho, rituais e retorno. Mas sempre, e acima de tudo, o retorno.