Category Archives: {#2025.Dezembro}

{#362.004.2025} que na realidade é (ou devia ser) {#365.001.2025}

Último dia do ano, o 11• ano em que escrevo todos os dias e cada nova publicação é identificada, no título, com:

1- o número do dia no conjunto total dos dias do ano e em contagem crescente

2- o número de dias que faltam para o ano terminar e em contagem decrescente

3- o número que identifica o ano em questão

Assim, e pegando no facto de ser o último dia do ano, o título da publicação de hoje deveria ser {#365.001.2025} e não o disparate que lá está: {#362.004.2025}. Sim, é um disparate! Porque este título já devia ter sido utilizado há 3 dias. 3 dias que, de alguma forma, se perderam por aí.

Não faço a mais pequena ideia do que se passou aqui, de como é que perdi esses dias, como é que me enganei na contagem. Ou será que durante 3 dias que não sei quais eu simplesmente não publiquei nada…? Não sei…não me lembro de ter deixado dias por contar, por escrever alguma coisa mesmo que não tivesse nada para dizer…não sei…não sei mesmo!

…mesmo não percebendo o que aconteceu, mesmo não fazendo a mais pequena ideia, não me vou preocupar com isso. Acontece. Ou não, mas aqui aconteceu. E ter acontecido pela primeira vez numa publicação diária há mais de 11 anos é muito bom! Lembro-me que há uns anos aconteceu alguma coisa muito parecida ou muito do mesmo género, já nem sei ao certo o que se passou e também não me apetece ir procurar o que, na realidade, não é minimamente importante!

Posto isto, vou só ali fazer um acrescento no título, uma espécie de remendo! E está tudo bem. O registo diário habitual segue dentro de momentos!

{#361.005.2025}

Eu sou uma miúda muito old-school. Entendo e até aceito que o digital revolucionou tanta coisa, aproximou quem estava longe, de alguma forma juntou pessoas que, de outra forma, talvez nunca se viessem a conhecer. Não digo que o digital “estragou tudo”, porque não estragou. Só mudou muita coisa.

Sendo eu miúda old-school, gosto muito de receber (e enviar!) correio de forma tradicional: em papel, escrito à mão, em formato de postal ou carta. E, volta e meia, recolho moradas para fazer chegar os meus envios! Sim, convém pedir a morada quando alguém diz que vai fazer um envio

Em 2014, quando comecei a minha “campanha” de envio de postais, ouve quem, nascido e criado na época digital, me tivesse dito “enviar um postal? Para quê? Ainda se fosse um email…”
Não recebeu um postal, mas também não recebeu nenhum email. Meu, pelo menos. Porque nunca iria conseguir entender a importância de um postal tradicional, um suporte físico que pode tanto substituir o formato digital. Porque, no formato físico, fica gravado tanto de quem faz o envio. Coisa que o digital nunca conseguirá alcançar.

Por isso é que, ainda não passava muito das 10h da manhã, eu bati palminhas de contente. Os CTT Expresso faziam-se presentes. Já tinham pedido a minha morada atempadamente porque, sem uma morada, até podiam ter data limite para fazer o envio que, obviamente, não iriam fazer. Mas é correio físico! Em papel! E é só isso que eu peço: um postal (ou uma carta), em formato tradicional, ou seja papel! Mas não se esqueçam de pedir a morada para o envio. É que o carteiro não sabe onde é que eu moro…!

{#360.006.2025}

Facto: o Solstício de Inverno aconteceu no último dia 21 de Dezembro. Hoje é dia 29. Tendo acontecido o Solstício de Inverno, é certo que o Inverno terá começado nesse momento, nessa data pelas 15h03m. Ou seja, sendo hoje dia 29 de Dezembro, o Inverno está connosco há 8 dias e uns pozinhos.

Eu já sabia que o meu diagnóstico não se dá muito bem com o calor do Verão. Senti-o literalmente na pele, mas não foi assim tão difícil de sobreviver ao Verão.

Mas o que eu não me lembrava mesmo era do quanto o meu diagnóstico se dá MAL com o frio do Inverno! E hoje tive um pequeno reminder do que é o frio do Inverno num corpo com dificuldade de regulação de temperatura, um corpo que reage muito mal ao frio sendo muito difícil e muito doloroso simplesmente caminhar!

Podia tomar um duche quente para descongelar as pernas e aquecer o corpo? Bem…na realidade, poder até podia. Mas não ia correr bem. Aliás, ia correr MUITO MAL! Água quente? O meu corpo, em especial as minhas pernas!, iam reagir muito mal! Se o frio já me dá dores horríveis nas pernas e me congela os movimentos, a água quente faz aumentar a intensidade do choque térmico e exacerba a intensidade das dores. Por isso, não, um duche quente não é solução para aquecer…

Se tenho alternativas? Tenho uma (pequena) lista de alternativas que quero muito tentar. Que vou fazer tudo para conseguir tentar! Porque, neste momento em que estou tão farta de ter dores por causa do frio, vou procurar todas as alternativas que me possam ajudar para lá do aquecedor que, em casa, me vai aliviando a temperatura…

Mas, sim! Alternativas? Venham elas!

{#359.007.2025}

Fim de Dezembro, sinónimo de final de ano em pleno Inverno.

O frio. Tanto. Janeiro é sempre mais frio e todos os Invernos temo a chegada do frio de Janeiro. É certo que já se percebem dias a crescer, a alongar devagarinho e discretamente, mas o frio…o frio de Janeiro…

Valem-me os dias de Sol. Café na esplanada ao Sol seguido de ida ao Parque que expõe o seu cenário de Inverno que nos ensina tanto…basta olhar com olhos de quem quer ver!

Eu sei, ainda estamos em Dezembro. E este frio só pode ser uma preparação para Janeiro. Mas, e se é que posso pedir seja o que for, se for para Janeiro ser gelado, ao menos que venha tranquilo. Também não pode ser um mês a exigir tudo de uma vez e a dar muito pouco em troca.

Vamos devagar, devagarinho, um dia de cada vez?

{#358.008.2025}

…às vezes, a única vontade que dá é de fazer um bom CTRL+ALT+DEL, abrir o Gestor de Tarefas, encerrar os processos que estão a funcionar mal e forçar o Reiniciar do sistema só para tentar descansar e recuperar um bocadinho que seja…

…não sendo possível, dedico-me a esconder-me do frio passando a maior parte do dia a dormir, eu e a Sushi, no quentinho da minha cama. Para, já tarde na noite, voltar à rotina da dor que não deixa ninguém descansar cá em casa e da qual não sei como fugir…

…estou tão farta desta rotina nocturna extremamente dolorosa…alguém tem alguma dica de como parar isto?! É que eu já não aguento muito mais…

{#357.009.2025}

Sushi, de seu apelido Muchi, nascida e criada na Margem Cool, Margem Sul para os amigos, residente cá em casa desde os 2 meses de vida, mais dia menos dia, nos idos de Setembro de 2007. Há 8 anos a fazer companhia, a enfiar-se debaixo dos meus pés numa tentativa até hoje frustrada de me atirar ao chão e a dividir as horas de sono entre mim e a minha mãe (a minha mãe ganha à vontade!).

Nestes 8 anos, tem sido mais ou menos comum encontrar a Sushi enroscada no meu colo. Mas a dormir encaixada na minha cintura com a cabeça apoiada na minha coxa como se fosse uma almofada é uma situação muito mais recente.

Eu sei que os gatos nos protegem e cuidam de nós quando não estamos bem. E, de facto, as minhas noites nas últimas semanas têm sido muito más. E ela já percebeu que eu não estou bem. Porque quando começa a inquietação cá em casa e a dor me faz gritar, é certo que ela vem tratar de mim. Como esta manhã, em que se deixou fotografar encaixada na minha cintura. Enquanto fazia algum tratamento preventivo? Quem sabe. Ou como agora, em que as dores já se fazem sentir muito violentas, já comecei a queixar-me e ela acabou de enroscar e aninhar em cima dos meus pés.

Não sei exactamente o que os gatos fazem para nos proteger, não sei o que fazem nem como fazem para cuidar de nós. Sei apenas que o fazem. E a Sushi está aqui para tirar quaisquer dúvidas que ainda pudessem existir. Eu sei que não estou bem. A minha mãe também sabe que eu não estou bem. E a Sushi já percebeu que eu não estou bem e que preciso muito dela. E é tão bom perceber o cuidado dela nestes momentos complicados…

{#356.010.2025}

Cá por casa, Natal tem sido quase sempre sinónimo de livros novos. E este Natal decidi arriscar e apostar num projecto muito simpático e muito fofinho que mais ou menos me recordou o atirar, de costas ou de olhos fechados (ou, até, “ambos os dois em simultâneo ao mesmo tempo“), uma moeda a um poço, um lago ou uma fonte e formular um pedido: quero um livro! E aproveitei e fiz um pedido “2 em 1”: quero um livro sem ter que escolher!

E assim foi! Um pedido “2 em 1” resultou num Blind Book também ele em versão dupla! A Família Bellamy chegou cá a casa em 2 volumes que já me deixaram curiosa! E um dia destes inicio então uma viagem no espaço e no tempo até Londres no início do séc. XX com a família que acabou de me adoptar!

…e claro que tinha que vir um postal @blind.book.portugal a acompanhar e também ele assumidamente “2 em 1”, sendo um postal simpático e acolhedor e também marcador de livros. E adoro a “caricatura“, que penso ser dos avós responsáveis pela existência desta colecção de livros que agora é partilhada. E que sorrisos maravilhosos para acompanhar os livros nas suas novas estantes e que tão bem acolhem os novos leitores!

Adoro!

{#355.011.2025}

presente

(pre·sen·te)


adjectivo de dois géneros

1. Que está no lugar onde se fala ou de que se fala. ≠ AUSENTE

(…)

“presente”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/presente.

Véspera de Natal. E a certeza de que o Natal é feito de presentes e não de prendas. Os meus melhores e maiores presentes, no Natal ou noutra qualquer data? Festiva ou não? Os meus sobrinhos. Os homenzinhos da minha vida. Que o serão sempre. E para sempre.

{#354.012.2025}

16h10m. Aquela hora em que o quadro geral de electricidade rebentou. Mais uma vez. Mais uma vez porque existe um qualquer problema responsabilidade da EDP que insiste em não estar resolvido. E, ao que parece, esse mesmo problema mexe com a manutenção dos elevadores. Não sei. Não sei pormenores nem sou eu que tenho que saber. O que sei é que, desde essa hora, METADE do prédio está às escuras. Porque o quadro kaput e a luz desse lado disse thank you bye bye. São agora 19h10m. Eu saí de casa quando ficámos sem luz.E a metade afectada? Continua sem luz…e tinha que ser a minha metade!

Já desci, a pé (e a medo!), os piores 25 degraus excessivamente inclinados que conheço. E para não ir de cabeça parar ao r/c desci de marcha atrás…de costas para conseguir manter o equilíbrio. Sempre tive medo de descer estes degraus. Hoje? Tive pavor!

Quero voltar para casa. Se já tivesse luz, mesmo que sem elevadores!, ia para casa embrulhar-me na minha manta e assumir o meu papel de avestruz e esconder a cabeça na areia! E fazer de conta mais uma vez! Fazer de conta que o frio não me faz ter ainda mais dores nas pernas ao ponto de quase não conseguir andar! Fazer de conta que não tenho todos os músculos do meu corpo presos porque a espasticidade assim o dita! Fazer de conta que não tenho vontade de me meter numa qualquer piscina aquecida só para soltar os músculos!

…e fazer de conta que não quero chorar! Ou que não preciso de chorar!…que preciso TANTO de chorar…

Sem luz em casa e a precisar TANTO de voltar rapidamente para MINHA casa…continuemos então a fazer de conta que está tudo bem. Mesmo sabendo que não, NÃO ESTÁ tudo bem…

{#353.013.2025}

Dezembro de 2025, dia 22. Eram 17h22m quando o elevador fez rebentar, mais uma vez, o quadro eléctrico do prédio inteiro. De imediato sem luz, o elevador parado, trancado entre o r/ch e o primeiro andar. Eu no interior do elevador.

Não demorou muito tempo a que a luz regressasse, mas nesses curtos minutos tive tempo para procurar o Coelho Branco sem o encontrar. Assumi que era a altura certa para, ao brincar ao Faz de Conta, vestir a personagem Alice que, por um buraco escuro atrás de um Coelho Branco, foi parar ao País das Maravilhas.

Não encontrei o Coelho Branco, a electricidade voltou a acender as luzes do prédio, desbloqueou o elevador que desceu até ao r/c sem escorregar por um buraco escuro para outro país.

Voltei mais tarde ao ponto de partida: a minha casa. E agora, 23h45m, sentada de pernas cruzadas em cima da minha cama, volto a procurar o Coelho Branco. Porque, e estou realmente muito farta de falar nisto!, aquela dor estúpida que me queima e corrói o braço, não me deixa dormir e ainda me faz gritar para suportar a agonia dolorosa, a estupidez da dor neuropática excruciante de todos os dias já está presente…!…e bastava-me ver o Coelho Branco para ir atrás dele, mesmo escorregando por um buraco escuro sabia que do outro lado podia brincar ao Faz de Conta. Faz de Conta que está tudo bem quando NÃO ESTÁ. Faz de Conta que nada me faz gritar de dor quando o meu braço queima por dentro

Não sei se iria parar ao País das Maravilhas, mas preciso muito de deixar de ter esta dor

…porque juro que não aguento muito mais…

{#352.014.2025}

Diz quem sabe que a dor é sempre má. Incomoda. Magoa. Causa sofrimento. Não deixa descansar. E é verdade. A dor é tudo isso, mas também consegue ser mais qualquer coisa. Sempre mais qualquer coisa negativa.
A dor pode ser originada por tantas razões diferentes. E todas elas razões objectivas em que se percebe facilmente a relação causa/efeito.

…e eu gostava tanto que fosse tudo assim tão simples! Mas não é! Há sempre alguma coisa mais complicada, mais difícil de entender, como quando a origem da dor está numa qualquer ligação nervosa danificada por uma qualquer lesão no sistema nervoso central. No meu caso, as lesões existem tanto no cérebro (“tantas que não dá para contar…“), como na espinal medula. Sistema nervoso central corrompido, danificado pelo meu próprio sistema imunitário. É assim que funcionam as doenças auto-imunes.

Não se consegue perceber facilmente qual a lesão que neste momento me faz ter dor neuropática que anda ali literalmente à volta do braço/ombro, que tantas vezes sobe à clavícula e depois desce pela omoplata, como na noite passada, ou sobe pelo pescoço, como neste momento…

Não, não faço ideia do que fazer para isto passar. A medicação opióide tira-me a dor? Na verdade não sei. O que sei é que a noite de ontem foi passada em branco. E a noite de hoje não faço ideia de como será, mas já sei que vai ser com a presença da dor que me queima e me corrói por dentro e que me faz gritar durante a madrugada…

{#351.015.2025}

Sábado. Tranquilo durante o dia. Com saudades e muita vontade de ir ver o Mar. A chuva lá fora fez-me adiar a ida ao paredão. Mas em breve tenho que lá ir

Nunca me imaginei tão “dependente” do Mar. A viver em terra de praia há quase 16 anos nunca lhe senti tanta falta como agora. E percebo que não é só do Mar que sinto falta. É do campo também. Campo com árvores. Com muitas árvores. Uma floresta gigante! Não para me perder nela, mas talvez para me reencontrar. Para me reconectar? Se for comigo mesma, sim!

Não sei se lhes posso chamar de elementos, o Mar e a Floresta. Não são Ar, Água, Terra, Fogo. Ou será que são…? Não sei…mas começo a achar que sim. Mar – Água. Floresta – Terra. Ficam-me a faltar o Ar e o Fogo

…sei que preciso de me reencontrar e reconectar comigo mesma agora que tanta coisa nova começa a fazer parte de mim…

Não vou pensar nisso agora. Não quero pensar nisso agora. Não a meio da noite de Sábado que até correu tranquilo durante o dia e que agora começa a sentir aquela estupidez de dor no meu braço esquerdo que queima e corrói por dentro e que os remédios pesados não afastam por muito tempo…

Não sei. Na realidade, a esta hora com dores e com sono não sei absolutamente nada… Só sei que preciso de conseguir dormir para descansar e recuperar o meu corpo para, amanhã, voltar a dar algum uso às pernas. Mesmo que a custo…porque eu mesma me obrigo a dar uso às pernas TODOS OS DIAS SEM EXCEPÇÃO…!

Amanhã quero ir ver o Mar. A Floresta vai ter que esperar. O resto, neste momento, é só isso mesmo: o resto…

{#350.016.2025}

[O texto original, escrito sexta feira à noite, já deitada e perfeitamente quentinha e confortável, perde-se…foi escrito outro no sábado de manhã…]

Das coisas que até me lembro de ter feito mas que não faço ideia para onde foram parar: é sabido (ou não…) que todos os dias escrevo no blog. Desde 19 de Agosto de 2014 que é assim, TODOS OS DIAS há já mais de 11 anos. Sem excepção. É aquele momento de reflexão sobre o dia que passou, sobre os outros à minha volta, sobre mim ou sobre tudo isso ao mesmo tempo.

É uma espécie de escrita terapêutica. Desde o primeiro dia que a vejo assim e, diz quem sabe, escrever é uma excelente ferramenta terapêutica. E é. E que deverá ser para manter. Deverá, sim. Ou…sei lá eu se consigo!

Quando comecei a escrever todos os dias o desafio era para fazê-lo durante 100 dias. Lembro-me de achar que não chegaria sequer ao dia 10! Mas, quando dei por isso, já estava a publicar o dia 500!

Deixei de contar os dias, mas continuei a publicar. A escrever TODOS OS DIAS! Embora note que, nos últimos tempos, tem sido mais complicado. Mas não quero saber! É para continuar!

Até que ontem, dia 4.141 desde 19 de Agosto de 2014, 11 anos, 4 meses e 1 dia, eu SEI que escrevi. Até sei SOBRE o que escrevi: o facto de não ser perfeita. E também sobre ser uma edição limitada. Tão limitada que me lembro perfeitamente de escrever “edição MUITO limitada“. E sim, peguei nesta mesma foto para desenvolver o tema. Agora……ONDE é que eu escrevi?! Tenho ideia de o ter feito no Instagram , mas não está em lado nenhum!

Claro que também me dá vontade de rir apesar de ter perdido um texto com algum tamanho. Ainda não sei se é preferível perder um texto porque adormeci ao escrevê-lo ou se, como já aconteceu!, continuar a escrever DEPOIS de adormecer e ainda clicar em “Publicar“…

Não sei. Não sei se quero saber. Mas vou ter que mudar alguma coisa para não continuar a perder textos, até porque não foi o primeiro

Um dia, quem sabe?, talvez volte a escrever sobre o facto de não ser perfeita, já o tendo escrito tantas vezes incluindo agora!, e reforçando o que é importante não esquecer: eu sou uma edição MUITO limitada. Não por estar condicionada pelas minhas próprias dificuldades e limitações, mas porque sou Eu, tal como sou, por inteiro, sem cópias ou tentativas de “contrafacção“. Eu sou Eu. E chega-me!

{#349.017.2025}

Dormir com as dores que tenho tido no meu braço tem sido tarefa impossível. Não me lembro de quando foi a última noite tranquila, sem dores que me fazem gritar para conseguir suportá-las. Não me lembro de quando tive a última noite em que consegui descansar.

O Fisiatra já me prescreveu medicação (muito) forte para isto…nos primeiros dias, e a tomar dose mini mini mini, até nem correu muito mal. Mas rapidamente tive que passar de 1 comprimido por dia para 1 de manhã e 1 à noite… Também aí rapidamente deixou de correr bem. Novo reajuste na medicação…

…e não sei se está relacionado com o reajuste ou não, mas hoje consegui dormir SEM DORES! Dormi a noite toda. Dormi de manhã até os meus tios chegarem para o almoço. Dormi depois de terem saído e acordei a horas de jantar. Mas o que realmente importa é que consegui NÃO TER DORES! Consegui descansar! Recuperar um pouco das várias noites pouco e mal dormidas!

Ela, ao contrário do habitual, tem dormido enroscada comigo. Já percebi que, nas noites de maiores dores, quando passam os picos de dor e eu consigo finalmente relaxar, ela vem ter comigo. E tantas vezes assume o lugar que a Maria André ocupava até se ter despedido em 2016 e que nunca antes tinha escolhido para ela: a curva da minha cintura e a minha anca a servir de almofada.

Eu sei que os gatos nos protegem. Sei que nos limpam. Sei que nos tratam. A Sushi está comigo desde 2017. E nunca como agora foi tão preciso tê-la junto a mim. Felizmente ela mesma já sentiu essa necessidade…

{#348.018.2025}

Dor neuropática. Não sei até quando vou conseguir continuar a suportar a pior dor que já senti! E quando os comprimidos de grande potência não actuam sobre a dor…

…a vontade é praticamente entregar os pontos e desistir…

{#347.019.2025}

De manhã disse que, depois do almoço, queria beber café na esplanada das mesas infinitas. Fui informada de que estava muito frio, mas o estar muito frio não me assusta. Disse que iria mesmo assim. Queria ficar por lá um bocado e talvez voltar a pegar na carta que me pediram e que teimo em recusar escrever…

Durante o almoço, vi pela janela a força e permanência do vento. Sabia que soprava desde manhã e que está previsto manter-se o dia todo e entrar pela noite dentro. E se o frio não me assusta, a força do vento deixa-me alerta.

Abri mão da esplanada das mesas infinitas, mas não abri mão de um café na rua. O barulho das obras no apartamento do lado a atingir níveis assustadores, o sentir-me sempre presa e sempre fechada em casa fizeram-me querer sair de casa. E saí.

Não levei lastro mas devia ter levado. Daqui até à esplanada do costume são mais ou menos 150 metros. Mas com o vento horrível que estava a distância pareceu muito maior. E, apesar de ir de braço dado com a minha mãe, a estabilidade era muito fraca e o equilíbrio muito precário como sempre. Mas fui. E não fiquei muito tempo na esplanada do costume por causa do vento frio que, mesmo na área fechada, se fez presente.

Voltar para casa levou o seu tempo, como leva sempre!, mas a segunda passagem do dia pela caixa de correio deprimida valeu a pena! Se de manhã a caixa de correio foi vítima do bullying de mais uma conta para pagar, à tarde a caixa de correio deprimida bateu palminhas ao receber antidepressivos em formato de correio pessoal. E há tanto tempo que a minha caixa de correio deprimida não se animava!

Só por isto já valeu tanto a pena ir à rua beber um café na esplanada do costume!

——-

E quando amigos de amigos se tornam também nossos amigos, a caixa de correio deprimida bate palminhas quando o carteiro traz correio que não sejam contas para pagar. Mesmo que nesse correio me chamem nomes, como se pode ver. E agora, como dizer à Margarida que isto de chamar nomes ah e tal não pode ser assim e isso e assim e mais não sei quê……

{#346.020.2025}

Dia que despertou demasiado cedo, especialmente depois de uma noite em branco entre as 2h e as 5h com o despertador a tocar às 6h. Noite em branco assombrada e agitada e muito dorida por causa de um qualquer curto-circuito que acontece nas ligações nervosas do meu braço esquerdo e que, por força e violência da dor que me queima e corrói o braço e que sobe para o ombro e daí se dispersa, dizia eu que é um curto-circuito cuja dor me faz gritar e contorcer cada músculo do meu corpo…e a cada novo pico de dor que me faz reagir gritando a dor que me assalta claro que tenho medo. Como não ter medo? Não sei até quando vou conseguir suportar o que só posso descrever como insuportável…! Violenta! Agressiva! Excruciante! Porque dizer apenas que é demasiado dolorosa não chega…

Dia que despertou muito cedo, que me pôs em trânsito cedo, tão cedo que pude ainda matar saudades do nascer do Sol, do nascer do dia. E as saudades que eu tinha desse momento, dessas luzes, dessas cores…!

Se puder, guardo as memórias deste dia naquela caixa que é para esquecer por aí cheia de memórias menos boas. Porque o meu dia hoje teve muito desses momentos, em que visitada pelos picos de dor só quis desaparecer, mudar de corpo, sei lá eu o que mais…!

Do dia de hoje guardo esse nascer do Sol e começo de dia que há tanto tempo não via, guardo os momentos a dois com ele em que, acolhida no melhor abraço que existe!, me abstraí de tudo o que me dói e também do que me faz doer…não interessa! Guardo, como todos os dias, os momentos que são só nossos e que nos fazem tão bem.

Amanhã não há despertador a tocar. Não há fisioterapia para fazer. Mas é preciso, é-me obrigatório!, mexer! As pernas reagem mal ao frio. Mas vamos ter que descobrir a melhor forma de conseguir reagir e mexer e não deixar de andar só porque o frio é uma treta!!

Para já, é hora de ir descansar. E tentar ter uma noite sem dor…

…porque eu não sei até quando é que consigo aguentar isto…

{#344.022.2025}

Sábado, aquele dia que, durante tanto tempo, eu chamei de “dia mais aborrecido da semana“. Nunca achei que, todos estes anos depois, a coisa fosse melhorar muito, é verdade. Mas também nunca pensei ser possível que todos os dias passassem a ser tão aborrecidos.

O dia de hoje, sábado, aborrecido como sempre, foi um dia de fazer uma espécie de reset..? Foi. Lá fora acho que o céu estava azul e o Sol brilhava com força, um dia bonito de Outono quase Inverno. Mas, confesso, desta vez nem ao cadeirão no Jardim das Leguminosas eu fui. Preferi assumir a minha relação com o sofá e as mantas e manter-me por aí, mesmo durante os picos de dor que me visitaram sem convite.

Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Que hoje foi para parar, descansar e tentar relaxar e recuperar…

{#343.023.2025}

Cansada…

Muito cansada.

…demasiado cansada!

{#342.024.2025}

Quantas vezes já te fizeram sentir que não és uma pessoa normal…? Seja lá isso o que for, não sei o que é isso de se ser uma pessoa normal. Nunca me identifiquei como tal, porque sempre tive a percepção de que a definição de “normal” é algo ou alguém que corresponde à norma………e nunca ninguém me ensinou a tal da norma. Sempre vi essa coisa da norma e de ser normal como ser o que os outros defendem que tenho que ser, que tenho que fazer, o que tenho que dizer, o que tenho que pensar, o que tenho que sentir…

…e eu cresci rebelde e com a certeza de que não “tenho que” nada! Não quando é algo definido pelos outros. Se há algum que eu realmente “tenho que” é ser fiel a mim própria! Ser eu própria! Pensar por mim própria! Tudo o que sair de mim TEM QUE vir cá de dentro. E assim tem sido. E assim vai continuar a ser!

Porque eu nunca soube encaixar nesse rótulo de ser normal. Eu sou eu. Igual a mais ninguém que não eu mesma! E até hoje sobrevivi a 100% dos meus dias maus ou muito maus. E muito por ser sempre que eu sou.

Do dito normal não tenho muita coisa. Talvez por isso sinta as coisas como sinto. Sempre de forma intensa. E talvez por isso também dê tanta importância e tanto valor ao simples acto de beber um café numa esplanada no centro da vila, mesmo sozinha à mesa, sozinha na esplanada.

…e é em momentos assim que eu brinco ao Faz de Conta que está tudo bem, mesmo não estando. Que sou tal como qualquer pessoa, mesmo não sendo. Que sou uma pessoa normal, seja lá isso o que for, mesmo não sendo porque não consigo caber na norma que não reconheço nem entendo nem aceito nem quero saber nem coisa nenhuma nem nada…!

…e percebo-me zangada por não me sentir aceite no todo que segue a tal norma e que ao me perceber diferente me recusa um lugar…

Mas um café cheio, intenso e sem açúcar numa esplanada vazia ao final do dia no centro da vila………é o melhor que me podem permitir fazer, seja lá quem for que permite ou não estas coisas. Eu vou e faço. Especialmente se me disserem que não posso…

[…eu posso TUDO o que EU quiser…!]