Daily Archives: 07/10/2023

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Sábado, aquele dia aborrecido da semana. Mas hoje com tanto para fazer, com tanto que foi feito.

E vontade, grande, de repetir momentos que se gravam na memória como uma tatuagem.

Não sendo possível, fizeram-se bolachas, que é quase a mesma coisa. Só que não…

Vontades…desejos…afectos. Acima de tudo afectos. Momentos intensos. Cúmplices. Recíprocos. E um sorriso ao canto da boca e brilhozinho nos olhos.

Se quero mais? Quando já se tem tanto…

Amanhã, dia de consulta com o terapeuta fofinho. Reavaliar o meu momento actual. Tentar perceber se é, de facto, Burnout (ainda) ou Depressão (novamente). Redefinir estratégias de recuperação e, quem sabe, cura. Mas a Depressão não tem cura. Trata-se, recupera-se, mas não se cura. É uma ferida que nunca cicatriza. Que volta e meia sangra de novo.

Não sei, não sei mesmo, qual é o meu ponto actual. Porque, e isso sei, o Burnout não foi devidamente tratado, ou pelo menos eu não permiti que fosse tratado durante o tempo que deveria ter sido. E a Depressão vai e volta e tem demasiados pontos em comum com o Burnout.

No fundo, é como estar dentro de água, sem pé e sem saber nadar. E ter que aprender a nadar quase à pressa. Amanhã, dia de consulta com o terapeuta fofinho, volto a pedir ajuda para reaprender a nadar.

E momentos como o de ontem são fundamentais para me manter à tona de água e também contribuem para reaprender a nadar.

Não, desta vez não vou permitir quase afogar-me. Seja Burnout, seja Depressão. Já tenho ferramentas para utilizar. Tenho mãos estendidas para evitar a minha queda. E tenho, acima de tudo, muita vontade em estar bem. Continuo muito cansada, com pouca capacidade de concentração, a não acertar nas palavras à primeira e, por isso, dizer disparates. Não, neste momento ainda não estou como deveria estar, como queria estar. Mas, ainda assim, posso dizer que já estive pior.

Agora é tarde, mesmo sendo noite de Sábado, já passa das 23h. Lá fora dizem que há chuva de estrelas. Ou já houve, afinal o pico já passou. Cá dentro o sono começa a pesar. Por isso, é altura de enroscar e aninhar. Amanhã? Já se sabe: será melhor. Mas dêem-me mais momentos como o de ontem. Com a mesma intensidade. A mesma cumplicidade. A mesma reciprocidade. No fundo, a mesma tatuagem repartida por 2. E aí não só será melhor, será perfeito.

{Ela, que sou eu}

Às vezes cruzo-me com esta foto. E, de cada vez que a vejo, recordo-me de mim mesma assim. Pequenina e a descobrir o Mundo.

Hoje, tantos anos depois, percebo que lhe devo tanto. Desde um agradecimento por ser sempre igual a si própria, a um pedido de desculpas por tê-la magoado tanto quando a devia ter protegido.

Ela, que sou eu, continua a descobrir o Mundo. E aprendeu a perdoar os erros de quem a devia ter protegido e falhou. Afinal, estávamos as duas a crescer e a descobrir o Mundo.

Hoje sei, sem dúvidas, que gosto muito dela. E não duvido que ela também gosta muito de mim. Venha o que vier, estamos cá uma para a outra, eu mulher adulta, ela a minha eterna criança interior.

Não há muito tempo atrás tive oportunidade de a abraçar e pedir perdão. Ela abraçou-me de volta e disse-me “somos Amor”. E somos. E enquanto continuarmos próximas, seguindo caminho de mãos dadas, sei que vou continuar a sorrir e a rir como ela e com ela. Ela, que sou eu.


Continuemos então. A descobrir o Mundo. E a ser o que somos: Amor.