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Domingo. Preguiçoso como bom domingo que é.

Verbalizei, pela primeira vez, o medo que tenho. A preocupação. Não, a consulta hoje não foi levezinha e risonha como costuma ser. Hoje foi uma consulta num registo mais sério, mais pesado talvez. Mas foi dia de verbalizar o que ainda não consegui falar com ninguém com todas as letras. Já tinha pegado no assunto com quem (me) está à distância de um clique. Mas nem nesse caso ousei verbalizar o que realmente sinto. Porque é medo o que trago comigo.

Mantém-se a ansiedade da espera. A espera por uma consulta que já está marcada, por outra consulta que ainda não tem data prevista.

Faço por não pensar. Muito, pelo menos. Mas esta manhã foi o momento certo para verbalizar com o terapeuta fofinho. Agora é esperar as consultas e ver o que vai sair daqui…

Vale, volto a dizer, o que tenho à distância de um clique. Que não me atrevo a dar-lhe um nome. Mas que é bom. É bonito. É sincero. É puro. E é recíproco. E que (me) traz momentos intensos de conexão e entrega. Mútua. São as tais tatuagens na memória. Tatuagens que ficam gravadas como se fosse na pele. Que não são para partilhar com ninguém excepto com quem está do outro lado, à distância de um clique.

E, mais uma vez, a intensa vontade de chorar e não o conseguir fazer. E não encontrar razão para o que me leva a ter esta vontade. Frustração? Desalento? Não sei… Depressão, claro… E já estive tão melhor. Mas é aqui que estou. É assim que estou. E não quero continuar assim. Quero não voltar a sentir esta pressão sem sentido. Ou, se tem sentido, ainda não percebi qual é…

Não interessa. Por agora, a esta hora, 23h30, num Domingo à noite, já nada disto interessa. Interessa apenas desligar, aninhar e enroscar. Amanhã? Logo se vê como será. Vou ali em busca de um mimo à distância de um clique e depois tentar dormir. Porque só será amanhã quando acordar de manhã.

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