Dou por mim, tantas vezes, perdida por aí, perdida no momento presente, sabendo que não se pode manter para sempre. E perdida é o mesmo que dizer sem rumo…
Sei que não posso ficar ad eternum neste momento, que as coisas vão ter que voltar ao normal, à rotina. E o registo deste momento, ainda que seja um momento em que procuro melhorar, não é 100% saudável.
A verdade é que, sim, estou doente. E preciso de me orientar e reencontrar para melhorar. Mas não está fácil. E os dias sempre iguais também não ajudam. No entanto, no regresso à rotina também teria dias sempre iguais. Teria? Terei… Porque, mais dia menos dia, vou ter que regressar. Mas preciso de tempo, que não tenho, para me fortalecer e recuperar. Estou melhor hoje do que estava há 5 meses, mas ainda assim…
Os dias são sempre iguais, mas depois, à distância de um clique, há quem lhes dê um toque especial. E vão-se criando momentos daqueles de fazer tatuagens na memória que tornam dias aborrecidos em dias diferentes.
Continuo sem encontrar um substantivo para designar o que temos. Mas encontro pelo menos dois adjectivos: bom e perfeito.
Que continue assim. E que continue a colorir os dias cinzentos que se abateram sobre mim. Porque essa cor que encontro à distância de um clique faz-me bem a vários níveis.
Amanhã será um dia bom. Vou tentar avançar com costuras que tenho em mente. Vou fazer com que o dia seja diferente. Ou, pelo menos, vou tentar. A chuva lá fora não tem permitido deslocações, há que aproveitar o tempo em casa de alguma forma. E é isso que vou tentar.
Sim, amanhã será um dia bom. Será melhor. Será diferente. Porque eu quero que assim seja. E só isso importa.

