Daily Archives: 25/10/2023

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Há dias em que as pernas simplesmente não querem colaborar. E a vontade é de me atirar para o chão e chorar. E desistir do caminho a fazer de casa ao Yoga. Mas desistir é o caminho mais fácil. Por isso, nem desisto nem me atiro para o chão.

Mas, sozinha, o caminho fica difícil de fazer. Quando me dão a mão é sempre mais fácil. Mas, de uma maneira ou de outra, o caminho faz-se caminhando. Por isso, siga! Se achava que ia ser uma aula fácil hoje? Tive as minhas dúvidas. Mas não desisti. Não hoje.

A verdade é que a descoordenação das minhas pernas é grande. E não é por falta de andar. Se devia andar mais? Claro que sim. Mas ainda assim… Há descoordenação, há dores, há falta de força…há uma série de coisas que me deixam alerta e apreensiva, especialmente depois daquela consulta de neurologia em que se falou numa hipótese pouco animadora. Claro que agora tenho que esperar pelo encaminhamento para consulta hospitalar, fazer um estudo neurológico completo para despiste de doença desmielizante do sistema nervoso central e só depois de ter os resultados é que posso saber o que se passa. Mas a descoordenação das pernas é grande e preocupante. E os desequilíbrios. Sempre presentes. E que nas aulas de Yoga não me deixam ir mais longe.

Sinto-me no meio de um carrossel. Ou de uma montanha russa, nem sei bem. Sei, sim, que não precisava de nada disto agora… O que precisava era de algo mais tranquilo enquanto espero. A Depressão está presente e agrava-se com esta apreensão e preocupação.

E sinto que estou sozinha de novo, quando até há bem pouco tempo dizia que não estava. Faz-me falta aquela certeza de que teria uma mão para me guiar no caminho. Especialmente quando o caminho é tão cheio de curvas e percursos sombrios. E, para além da descoordenação das pernas, ainda tenho que me preocupar também com aqueles 8,5mm que vêm no exame e continuam a doer, quando em exames anteriores não passavam de 4mm sem dor.

Sim, posso dizer que tudo isto me assusta. E tudo isto me ocupa a cabeça e me preocupa e me angustia. E é neste ponto que me encontro neste momento. E, claro, sozinha. Porque tentar falar disso em casa não acontece. E, se não falar em casa, falo onde e com quem? Na consulta com o terapeuta fofinho, claro, mas (e tenho que lhe dar razão) primeiro temos que esperar pelas consultas e pelos resultados dos exames necessários.

Mas caramba! Tenho medo. Claro que tenho medo. E queria muito acordar e perceber que, no que diz respeito a exames médicos, os últimos meses tinham sido apenas um sonho menos bom…e, sabendo que não foi, é também por isso que a vontade de chorar está cá sempre.

Posso parar um bocadinho? Reencontrar-me no meio desta confusão que vai na minha cabeça? E, quem sabe, conseguir chorar um bocadinho. Não me canso de dizer: chorar não resolve nada, mas alivia.

E o que eu precisava agora deixo um abraço? De um bocadinho de colo? Só para me recordar que, aconteça o que acontecer, não estou sozinha…porque este carrossel, esta montanha russa, este cenário, já é demasiado assustador para ainda ter que lidar com ele sozinha…

E depois lembro-me que não são os outros que me magoam. Sou eu quem o faz a mim mesma. E neste momento dou por mim magoada comigo mesma. Porque coloco em cima de mim o peso da responsabilidade de um diagnóstico que ainda nem existe. E, se se confirmar, não tenho responsabilidade. Mas, mesmo não tendo, assumo sempre que falhei comigo mesma algures no caminho.

Começo a não fazer muito sentido, eu sei…mas preciso tanto de mandar tudo cá para fora. De falar. De conversar. De aliviar a pressão. Mas não me apetece fazê-lo sozinha como tenho feito…como estou a fazer.

Não quero sentir-me sozinha. É algo que conheço demasiado bem, desde sempre. E ao qual até já me habituei e com o que já aprendi a lidar. Mas agora, com todos os cenários à minha volta, não quero estar sozinha. E muito menos sentir-me sozinha…

Se isto é um grito por socorro? Se calhar é. Mas é um grito silencioso que ninguém ouve…

Amanhã será melhor. É dia de junta médica e tudo pode acontecer. É só mais uma coisa que me deixa ansiosa… Mas sim, amanhã será melhor. Tem que ser. E será mais um dia de espera…