Daily Archives: 27/10/2023

{#300.066.2023}

Nos dias maus aprendi a olhar para cima para tirar os olhos do chão. Agora, nestes dias estranhos, não me posso esquecer de olhar para baixo. Não porque a vontade é de me esconder do Mundo, como fiz nos dias maus em que não queria ver o Mundo nem queria que o Mundo me visse. Hoje olho para o chão para não perder o equilíbrio e para obrigar as minhas pernas a seguir as oscilações do solo sem tropeçar. Coisa que é cada vez mais comum. E não gosto disso. Assim como não gosto da descoordenação das minhas pernas e do que isso pode significar…

Olho para baixo quando a vontade é olhar para cima. Ou até mesmo olhar em frente sem receio. Mas perco facilmente o equilíbrio. O físico, porque o emocional, apesar da vontade de chorar, está bom. Ou, pelo menos, não está (muito) mau…

Custa-me a ausência. Até porque a maior droga para um ser humano é outro ser humano. E é essa droga que me está a faltar. Não me está a falhar, apenas a faltar. Porque em tão pouco tempo ganhou dimensões inesperadas. E eu sou de sentir tudo. O bom e o menos bom. E, neste caso, é tão bom. Mas existe um mas. E tem, neste momento, que existir um timeout. O que virá depois desse timeout não faço ideia. Sei apenas que a ausência é notada. E com essa ausência os dias são tão diferentes e custam mais a passar.

Como o dia de hoje que teimou em não chegar ao fim… Felizmente está na hora de dar o dia por terminado. Vai-me faltar novamente aquele aconchego de final de dia, aquela conchinha ao estilo bichinho de conta, aqueles mimos antes de dormir e que ajudam a ter uma noite tranquila. É a ausência. É o timeout. E há que respeitar. Não vou impôr a minha presença porque não quero ser um problema para ninguém. Mas bolas…a vontade de impôr presença é enorme…

Amanhã será melhor. Regresso ao Yoga de manhã e o resto do dia logo se vê… Mas era tão bom um timeout do timeout. Porque, sei-o, não é só a mim que custa esta ausência.

Sim, amanhã será melhor. O resto? Logo se vê. E não, não me esqueci que foi há 6 anos que aprendi a esperar…

{soltar e deixar ir}

Voltando ao tema da publicação anterior: soltar e deixar ir dói para caraças. Mas consegue doer mais quando não se solta e deixa ir.

Soltei. Deixei ir. E o espaço que libertei foi preenchido por coisas e pessoas que não me fazem esperar. Até porque eu posso não ter pressa e não cedo a pressões, mas também (já) não fico eternamente à espera do que sei que nunca irá acontecer.

Soltar e deixar ir. Sempre me disseram que não era fugir. Era só não colocar pressão. Soltei. Deixei ir. Mas de vez em quando ainda volto lá atrás só para não me esquecer. Mas especialmente para não me esquecer de mim.

{dia 300, 6 anos depois}

6 anos depois, lembro-me onde estava a esta hora. São 19h50. Estava numa esplanada, que não a do costume, à espera…

Mal sabia o que me esperava nos 5 anos que se seguiram: esperar, esperar, esperar. Sempre. Até que decidi deixar de esperar. E, há um ano, decidi que não ia esperar mais. Mesmo assim não desisti no imediato. Ainda demorou dois meses e pouco até bater com a porta de vez. Antes disso, disseram-me “um dia destes vamos jantar”. Está bem. Só que não. Porque, se não tivesse desistido de esperar, estaria hoje há 11 meses à espera de “um dia destes” para um jantar que eu sempre soube, desde o primeiro momento, que não iria acontecer. Não vai acontecer.

Foi há 6 anos que esperei naquela esplanada. Hoje já não espero. Segui o meu caminho. E ainda bem que o fiz. O que ganhei ao longo deste ano, as pessoas que ganhei!., valem muito mais do que ficar à espera de uma ilusão.

Há 6 anos a esta hora esperava numa esplanada que não a do costume. E o jantar, prometido logo de início e repetido algumas vezes, foi sushi. E anda a apetecer-me muito ir ao sushi. Mas já não espero na esplanada, seja aquela de há 6 anos, seja aquela de todos os dias.

Quem quiser ir ao sushi, só precisa de dizer “bora”. 6 anos depois, as botas são as mesmas, as meias às riscas ainda existem e a magia acontece sempre que me apetecer.

6 anos. E aposto que só eu me lembro.