Eram 20h. Cheguei à esplanada do costume poucos minutos antes. Sentei-me mais ou menos no sítio do costume, ainda que a minha mesa no cantinho já não exista. Sentei-me na mesa seguinte, junto às escadas.
Pedi o meu café e um cinzeiro. Como peço sempre. O café veio. O cinzeiro, como sempre, ou como nunca, nem sei!, não veio.
Tirei uma selfie, que na verdade foram 3, cada uma pior que a outra. Tirei a selfie com o intuito de enviar para ele. Como que para lhe dizer que estava à espera dele…
Tinha-lhe enviado uma mensagem antes de sair de casa a dizer-lhe que era uma boa hora para ir correr…
Tirei a selfie. Quando ia abrir o Instagram para lhe escrever a mensagem, casualmente olhei para o meu lado esquerdo. Em direcção à estrada. Sabendo bem que, sem óculos!, não vejo nada de jeito! Mas…
…mas o que aconteceu depois fica na minha memória. E na dele também. Um momento “NO WAY!“. Um momento que foi, é e será só nosso. À nossa maneira. Aquela maneira que só nós entendemos, só nós sabemos, só nós sentimos.
Como se o Mundo tivesse parado naquele momento. Como se o Universo tivesse posto o Mundo inteiro em pausa. Como se só nós existissemos naquele momento.
Diz quem viu, e só nós vimos!, que olhares se cruzaram à distância, que um sorriso foi enviado enquanto do outro lado havia estupefacção pela surpresa nesse momento “NO WAY!“…e foi tão, mas TÃO bom!
Se podia ter sido de outra forma? Provavelmente não. Se devia? Não foi por falta de vontade. Se irá acontecer novamente? Não faço ideia! Mas, e se não for possível ser de outra forma, então que seja novamente assim.
O sorriso pateta que surgiu ali, gigante e imenso, a vontade de rir, rir muito!, a vontade de chorar porque os 135km estão agora reduzidos a poucos metros…tudo isto me fez sentir em tão pouco tempo muito mais do que tudo o que tenho sentido a conta-gotas nos últimos anos. E não nego: apesar de todas as condicionantes foi TÃO bom aquele momento “NO WAY!“.
As borboletas na minha barriga estão de volta. Foram, há uns anos atrás, esmagadas com um violento e certeiro murro no estômago. Mas, há dois anos, ele presenteou-me com uma mão-cheia de casulos que tenho guardado com cuidado. E hoje…hoje esses casulos devolveram à minha barriga uma quantidade infindável de borboletas que se fizeram sentir logo de manhã e que ao final do dia, depois do nosso momento que só nós entendemos, que só nós sabemos, que só nós sentimos…as borboletas bateram as asas com tanta força que foi impossível não sentir, que foi impossível disfarçar…!
Há coisas que não se explicam. Sentem-se. Vivem-se. Como este momento “NO WAY!“. Como todos os dias desde aquele 5 de Junho de 2023. Como aquilo que existe entre ele e eu. Não precisa de fazer sentido para mais ninguém. Para nós faz. Todo o sentido. E é tão bom quando é assim…!
Hoje foi dia de ir a Lisboa onde já não ia desde Dezembro. Foi muito bom. Soube lindamente. E só o ter ido a Lisboa já tinha tudo para fazer deste um bom dia. Mas, e mais uma vez o digo, aquele momento “NO WAY!” fica na memória. Na minha. Na dele. Na nossa.

