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Esta tarde, depois de chegar à esplanada das mesas infinitas, recordei o motivo que me fez querer tirar a carta de condução e que me fez perceber que não podia não avançar: poder ir onde quisesse quando quisesse sem estar dependente de ninguém para ir. Simplesmente ir. A qualquer lugar. A qualquer hora.

A ida até à esplanada das mesas infinitas foi à boleia do braço da minha mãe. Mais uma vez. Porque fazer o caminho sozinha é arriscado. Não é impossível, mas o risco existe. Risco de queda. E admito que me assustam as potenciais consequências de uma queda. E muito por isso não tenho arriscado ir sozinha até alguns sítios. Mesmo que vá sozinha ao Yoga ou à Fisioterapia, por algum motivo que não entendo não arrisco largar o confronto e a segurança da boleia do braço de alguém. E depois entro em conflito comigo mesma…porque não me quero sentir desprotegida, insegura e em risco de cair. Mas, ao mesmo tempo, quero muito ir! Simplesmente ir! A qualquer lugar! A qualquer hora! Sem estar dependente de ninguém!

Foi assim que me decidi a tirar a carta de condução há mais de 20 anos. Recordo-me perfeitamente do momento em que tomei essa decisão: um sábado à tarde em que já esperávamos há umas horas, eu e a minha mãe, pela nossa boleia que nos tinha ligado para irmos beber um café a algum sítio provavelmente nos arredores de Lisboa. E esperámos. Continuámos a esperar. Até que me fartei e decidi: ia tirar a carta de condução! Segunda feira passava na escola de condução para saber valores e o que era necessário e pronto. Não havia volta a dar. E o que eu queria era tão simples como poder ir. Simplesmente ir! Onde quisesse. Quando quisesse. Sem estar dependente da disponibilidade de ninguém!

Já hoje de manhã não fui à rua beber café por estar sozinha. Não fui ter com a minha mãe ao barco porque implicava ter que ir sozinha até à paragem do autocarro. E tudo o que eu queria era simplesmente ir! Sentir-me um pouco mais normal novamente. Ser como as outras pessoas que simplesmente vão! Porque querem. Porque podem. Porque não dependem da boleia do braço de ninguém! E vão…simplesmente vão!

E é isso que eu tenho que começar a fazer! Simplesmente ir! Devagar. Com cuidado, claro que sim! Mas simplesmente ir! Porque na verdade eu posso simplesmente ir! Se vou sozinha para o Yoga e para a Fisioterapia, porque raio não hei de ir também sozinha ao Parque, à esplanada das mesas infinitas, onde eu quiser?!

Não quero muito. Quero simplesmente ir. Onde quiser. Quando quiser. E sem depender da disponibilidade da boleia do braço de ninguém…

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