Daily Archives: 15/09/2025

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Ontem era a dor. Um pouco por todo o corpo. Dor muito presente. Dor muito activa. Dor muito intensa. Dor demasiado forte para simplesmente passar com a toma de Paracetamol. Não passou. Roçou o ser incapacitante. As costas. A lombar. A cintura. O pescoço. A anca. O joelho. Eu…!

Mais perto do fim do dia, para acompanhar a dor: tirar uma t-shirt da gaveta e de imediato activar a rinite alérgica. Espirros constantes. Muita comichão no nariz que spray nenhum aliviou. Esgotar os pacotes de lenços. Esgotar o papel higiénico. Recorrer ao papel de cozinha enquanto os espirros se sucediam e a comichão no nariz persistia.

Hora de ir dormir. Estender o corpo muito dorido na cama e encontrar uma posição confortável. Continuar a espirrar porque a comichão do nariz não acalma. Não há dúvida, a t-shirt que há anos estava guardada na gaveta da cómoda activou a minha alergia. E, neste caso, nem sei bem a que é que a minha rinite reagiu…só sei que a t-shirt esteve a uso muito pouco tempo, mas o suficiente para provocar uma crise intensa

Conseguir adormecer já depois da meia noite. Sempre com a preocupação de não tapar o ombro esquerdo para não despertar aquela dor excruciante que não sei descrever, que está activa maioritariamente à noite e sempre só em casa…! Para evitar surpresas desagradáveis, conseguir adormecer sem entretanto ter que lidar com aquela dor excruciante implica uma pequena toalha molhada no ombro/braço. O ponto de origem é sempre mais ou menos no mesmo local mas com dissipação para lugares próximos, sempre na zona superior do braço esquerdo que, tantas vezes, nos picos de dor prende o ombro, prende o pescoço, pode até prender a omoplata…! Para evitar tudo isso, a pequena toalha molhada foi posta perto da curva para o ombro na parte superior do braço esquerdo.

Passava da meia noite. Os espirros tinham diminuído. Tinha encontrado uma posição confortável para aconchegar todas as dores do meu corpo. A pequena toalha molhada estava no seu lugar. Tinha conseguido adormecer…

…para acordar à 1h30m da madrugada, a espirrar muito!, com demasiado calor ao ponto de não aguentar o toque do lençol, com a dor excruciante de volta em picos agressivos de dor que já nem a toalha molhada, e agora muito quente como reacção aos picos de dor, já nem a toalha molhada aliviava…acordar à 1h30m da madrugada para não conseguir, de maneira nenhuma!, voltar a adormecer…!

No fundo foi uma noite inteira passada em branco. Sem ter como aconchegar as dores do corpo, acalmar as comichões do nariz, esbater os picos daquela dor excruciante que desperta em casa…maioritariamente à noite, mas sempre só em casa…! A fisioterapia marcada para a manhã como sempre, com foco no joelho, não aconteceu. Não tinha condições físicas para ir até Almada e voltar menos de uma hora depois. Em vez disso, e já depois das 8h, consegui adormecer. No sofá da sala? Acho que sim. Mas já não me lembro… Lembro-me, sim, que passava pouco das 10h quando continuar a dormir deixou de ser opção…

Já não sei o que me acordou de manhã . Sei que o restante do dia foi passado a precisar de dormir e descansar. O que não aconteceu… Porque percebi que não posso continuar a fazer de conta, seja qual for o motivo que me leva a fazer de conta. E também isso, juntamente com mil e um outros motivos, fez-me não largar o telemóvel durante horas enquanto escrevia, para ele, 500.985 mensagens. Onde não lhe disse nada que ele não saiba já. Mas onde me deixei levar, e talvez até hipnotizar!, pela fluidez das palavras e onde usei e abusei da construção semântica para, muito provavelmente, me proteger. Não sei exactamente do quê. Mas, sem dúvida, para me proteger

Seriam 18h quando terminei as 500.985 mensagens para ele. Se ele já as leu? Tenho sérias dúvidas. Como lhe disse, tantas mensagens exigem tempo e atenção. E apostaria mais na manhã de amanhã para reservar esse tempo. Se, sequer!, ele as vai ler? Quero tanto acreditar que sim. Já se vai dar resposta a cada um dos (poucos) assuntos abordados? Tenho tantas dúvidas…porque, como também lhe disse a ele, “it takes two to Tango“, que é o mesmo que dizer que, quando 1 não quer, 2 não dançam.

O dia foi, portanto, o autêntico caos onde reinou a falta de descanso. Não saí de casa. Não saí, sequer, do pijama! Queria ter feito desta segunda feira um dia melhor? Já nem digo que, de facto, queria. Mas gostava, claro que sim… Não foi possível fazer deste um dia melhor, mas a Teleconsulta ao fim do dia, que era para não ser muito longa porque eu já estava muito cansada e acabou por durar duas horas, foi quase como abrir uma caixa cheia de boas surpresas e boas notícias. É mais um passo essencial para tomar conta de mim e ficar a saber melhor quem sou. Porque, isso, quem sou?, não faço a mais pequena ideia! Sei como sou. Não faço ideia de quem sou. Mas, devagar, com muito trabalho, sem pressa…acho que até vou descobrir quem sou. Confesso que tenho alguma curiosidade. Ou muita curiosidade, vá…

Mas, já sabemos, sempre sem pressa…! E sem pressão. Especialmente vinda de mim mesma… Devagar. Devagarinho. Ao meu ritmo…à minha velocidade…