Daily Archives: 24/11/2025

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Nunca como agora, tal como em 2008 quando a escrevi, a descrição que consta no meu perfil fez tanto sentido: “Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.” Porque é isso exactamente que acontece quando, como agora!, o meu ombro queima por dentro enquanto um qualquer ser desconhecido me morde, me mastiga a carne e me arranca todas as fibras, os músculos, os nervos…e eu solto gritos de dor excruciante que se formam sei lá onde dentro de mim enquanto o meu corpo se contrai e contorce para suportar o pico de dor. São picos de dor que me chegam em ondas que duram apenas alguns segundos. Segundos intermináveis em que o Mundo à minha volta se desfoca, se mostra difuso, tantas vezes distorcido.

…à noite, já sei, não durmo. Tantas vezes que sou acordada a gemer alto com a dor que me queima e consome. E quando, como hoje, essa queima do meu ombro acontece de manhã cedo antes da hora de sair de casa, fico esgotada e a precisar urgentemente de descanso…até que, depois do almoço e já em casa preparada para descansar, começa tudo outra vez

Por isso, sim, se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu

Fazer acontecer

Fazer acontecer. Ou o seu contrário. Que também é fazer acontecer, curiosamente. Apenas segue em direcção oposta…

Disse-o aqui há dias: eu sou de fazer acontecer. Porque eu quero. Porque eu posso! E, quando dependo apenas de mim para fazer acontecer, corre tudo bem. Não há dores, não há lágrimas, não há NADA que me faça parar. Já quando a meta é a meio caminho para cada lado, não interessa se eu vou…fica sempre a faltar a outra metade do percurso para, de facto, acontecer.

…e essa falta de comparência faz doer. Muito. Demasiado! E eu, que sou aquela que se queixa de nunca conseguir chorar quando preciso, pareço ter aberto as comportas ao confirmar a falta de comparência…

Choro agora. Ao escrever sobre esta minha vontade de fazer acontecer a meio caminho e que vejo negada, recusada até!, por simples falta de comparência.

Dói? Neste momento dói. Muito. Ao ponto de preferir aquela dor no meu braço esquerdo que não me deixa dormir, que me faz gritar no pico da pior dor que o meu corpo alguma vez sentiu! Mas que não dói absolutamente nada perto de uma falta de comparência

…hei de chorar TUDO o que tiver que chorar. Sozinha? Sozinha. Porque, sempre o soube, as lágrimas neste Fazer Acontecer depois de uma falta de comparência serão exclusivamente minhas.

Até porque, e isto não me sai da cabeça há vários dias:

  • quem QUER arranja um jeito
  • quem NÃO QUER arranja uma desculpa.

E, por mim, com certeza: não vou continuar a segurar as minhas lágrimas que finalmente me caem. E que nunca pensei que por uma Falta de Comparência caíssem de forma tão fácil e tão intensa

…mas fica a certeza: pode não acontecer o que eu queria na meta que eu tinha proposto por Falta de Comparência do restante percurso, mas com mais ou menos dor, mais ou menos lágrimas, eu FAÇO ACONTECER no sentido oposto. Porque, e já o devia ter concretizado há muito tempo!, para mim em primeiro lugar estou EU! E que não se volte a registar uma Falta de Comparência de mim própria! Especialmente quando a única pessoa que realmente me faz falta SOU EU!

……agora, com licença. Preciso de espaço para respirar e começar a Fazer Acontecer no sentido oposto…doa o que (me) doer!