Nunca como agora, tal como em 2008 quando a escrevi, a descrição que consta no meu perfil fez tanto sentido: “Se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu.” Porque é isso exactamente que acontece quando, como agora!, o meu ombro queima por dentro enquanto um qualquer ser desconhecido me morde, me mastiga a carne e me arranca todas as fibras, os músculos, os nervos…e eu solto gritos de dor excruciante que se formam sei lá onde dentro de mim enquanto o meu corpo se contrai e contorce para suportar o pico de dor. São picos de dor que me chegam em ondas que duram apenas alguns segundos. Segundos intermináveis em que o Mundo à minha volta se desfoca, se mostra difuso, tantas vezes distorcido.
…à noite, já sei, não durmo. Tantas vezes que sou acordada a gemer alto com a dor que me queima e consome. E quando, como hoje, essa queima do meu ombro acontece de manhã cedo antes da hora de sair de casa, fico esgotada e a precisar urgentemente de descanso…até que, depois do almoço e já em casa preparada para descansar, começa tudo outra vez…
Por isso, sim, se perguntarem por mim, dir-vos-ei que não estou. Esta que vos fala é outra que não eu…

